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O Brasil no Mundial Masculino: dados atualizados

Neste artigo serão apresentados dados da participação do Brasil nos Campeonatos Mundiais Masculinos. Lembrando que nosso país, juntamente com os Estados Unidos é o único a participar das 16 edições.

Nelas o Brasil obteve dois títulos (1959 e 1963), dois vices (1954 e 1970) e dois terceiros lugares (1967 e 1978). A pior participação ocorreu em 2006, no Japão, quanto ficamos em um triste 17o. lugar.

Nessas 16 edições do Campeonato Mundial, o Brasil enfrentou 39 equipes: Alemanha, Angola, Argentina, Austrália, Bulgária, Costa do Marfim, Canadá, Chile, China, Coreia, Croácia, Cuba, Egito, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, Formosa, França, Grécia, Israel, Itália, Iugoslávia, Irã, Líbano, Lituânia, México, Porto Rico, Panamá, Paraguay, Peru, Polônia, Qatar, Rep. Centro Africana, Rússia, Tchecoslováquia, Tunísia, Turquia e Uruguay.

Nosso aproveitamento é de 59% : 75 vitórias e 52 derrotas.

No confronto continental o Brasil enfrentou países da África por 6 vezes (5v-1d); das Américas por 46 vezes (30v-16d); da Ásia por 15 vezes (14v-1d); da Europa por 53 vezes (24v-29d) e da Oceania por 7 vezes (2v-5d).  Israel é aqui considerado como país europeu, pois é naquele continente que disputa a vaga para os mundiais.

Nossos adversários mais frequentes são: Estados Unidos (12j – 5v – 7d), Rússia (10j – 2v – 8d), Iugoslávia (8j – 1v – 7d) e Porto Rico (8j – 7v – 1d).

Nossos carrascos: Rússia (8 derrotas), Estados Unidos e Iugoslávia (7 derrotas) e Espanha (6 derrotas).

Nossos fregueses: Porto Rico (7 v – 1 derrota), Itália (6v – 0d) e Canadá (5v – 0d).

Com quem jogamos somente uma vez: Bulgária (v), Costa do Marfim (v), Chile (d), Egito (v), Eslovênia (d), Irã (v), Líbano (v), Peru (v), Qatar (v), Rep. Centro Africana (v) e Tunísia (v).

Nosso primeiro jogo foi em 1950, na Argentina, contra o Peru: 40-33. Nosso último foi contra a Argentina, em 2010, na Turquia: 89-93.

Nossas maiores vitórias em pontos absolutos: China (1978; 154-97); China (1990; 138-95) e Itália (1990; 125-109).

Nossas maiores vitórias em diferenças de pontos: China (1978; 154-97 – 57 pts), Filipinas (1978; 119-72 – 47 pts), Paraguay (1967; 85-41 – 44 pts) e China (1990; 138-95 – 43 pts).

Nossas piores derrotas em pontos absolutos: Iugoslávia (1986; 91-117), Rússia (1990; 100-110) e Rússia (1986; 101-110).

Nossas piores derrotas em diferenças de pontos: Iugoslávia (1986; 91-117 – 26 pts), Iugoslávia (1970; 55-80 – 25 pts), Iugoslávia (1974; 60-84 – 24 pts) e Estados Unidos (1998; 59-83 – 24 pts).

Número de vezes que vencemos por:

1 pt: 3;

2 a 5 pts: 16

6 a 10 pts: 10

11 a 15 pts: 12

16 a 20 pts: 16

21 a 30 pts: 9

31 a 40 pts: 4

41 a 50 pts: 3

> 50 pts: 2

Número de vezes que perdemos por:

1 pt: 4

2 a 5 pts: 18

6 a 10 pts: 11

11 a 15 pts: 5

16 a 20 pts: 6

21 a 30 pts: 7

Por 13 vezes vencemos fazendo 100 pontos ou mais e por 8 vezes perdemos sofrendo 100 pontos ou mais.

A média de pontos convertidos do Brasil é de 80,9 por jogo, sendo que, em 1990, na Argentina obtivemos a melhor média de pontos em todas as nossas participações: 100,3 pts por jogo.

A média de pontos sofridos é de 75,3. E também, na Argentina, tivemos nosso pior desempenho defensivo com uma média de 97,3 pts sofridos por jogo.

Jogamos cinco prorrogações. Vencemos a Itália, em 1970 (94-93) e o Panamá , em 1986 (88-85). Perdemos da Espanha, em 1974 (91-93), da Austrália, em 1982 (73-75) e da China, em 1994 (93-97).

Em 1959 nos sagramos campeões devido a uma punição à então União Soviética que se recusou a enfrentar Formosa. Em 1963, no Rio de Janeiro, obtivemos o bi campeonato mundial de forma invicta, vencendo: Porto Rico, Itália, Iugoslávia, França, Rússia e Estados Unidos.

A última vez que estivemos no pódio foi em 1978, nas Filipinas, quando obtivemos a medalha de bronze ao vencer a Itália com uma espetacular cesta de Marcel meio da quadra, com o cronômetro zerado.

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Mundial masculino: atualizando dados

Terminado o Mundial Masculino, segue uma atualização de dados para aqueles que gostam de história e números.

Países sede

Argentina (50 e 90); Brasil (54 e 63); Chile (59); Uruguay (67); Iugoslávia (71); Porto Rico (74); Filipinas (78); Colômbia (82); Espanha (86); Estados Unidos (94 e 2002); Grécia (98); Japão (2006) e Turquia (2010).

Países participantes por continente (incluindo países que foram desmembrados ou que mudaram de nome)

África (8):  Angola, Argélia, Costa do Marfim, Egito, Nigéria, Rep. Centro Africana, Senegal e Tunísia

Américas (16): Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, Ecuador, Estados Unidos, México, Panamá, Paraguay, Peru, Porto Rico, Rep. Dominicana, Uruguay e Venezuela

Ásia (11): China, Coréia, Emirados Árabes, Filipinas, Formosa, Irã, Japão, Jordânia, Líbano, Malásia e Qatar

Europa (17): Alemanha, Bulgária, Croácia, Eslovênia, Espanha, França, Grécia, Holanda, Israel*, Itália, Iugoslávia, Lituânia, Polônia, Rússia, Sérvia, Tchecoslováquia e Turquia

*Israel disputa a classificação pela Europa

Oceania (2): Austrália e Nova Zelândia

Número de jogos, vitórias, derrotas e aproveitamento por continente

África: 126, 24, 102, 19%

Américas: 791, 410, 381, 51,8%

Ásia: 224, 54, 170, 24,1%

Europa: 665, 423, 242, 63,6%

Oceania: 100, 42, 58, 42%

Países com maior número de participações

Brasil e Estados Unidos (16), Rússia e Canadá (13), Iugoslávia e Porto Rico (12)

Países com uma única participação

Argélia, Bulgária, Colômbia, Ecuador, Holanda, Irã, Jordânia, Malásia, Polônia, Qatar, Rep. Centro Africana, Rep. Dominicana e Tunísia

Países com mais de 100 jogos

Estados Unidos (141); Brasil (128); Rússia (114) e Canadá (102)

Países com maior número de vitórias

Estados Unidos (112); Rússia (88); Brasil (76) e Iugoslávia (74)

Países com aproveitamento superior a 50%  (v-d-%)

Estados Unidos (112;29-79,4); Rússia (88;26-77,2); Iugoslávia (74;22-77,1); Turquia (18;8-69,2); Espanha (57;28-67,1); Lituânia (18;9-66,7); Croácia (9;5-64,3); Brasil (76;52-59,4); Itália (40;29-58); Tchecoslováquia (17;13-56,7); Argentina (55;43-56,1); Grécia (28;22-56); Alemanha (20;16-55,6); Bulgária (5;4-55,6); Sérvia (8;7-53,3); México (15;14-51,7); Cuba (18;17-51,4)

Países que nunca venceram (v-d)

Argélia (0-5); Colômbia (0-6); Qatar (0-5); Rep. Centro Africana (0-7); Tunisia (0-5)

Países que estiveram no pódio (título-vice-3o.)

Iugoslávia (5-3-2-); Estados Unidos (4-3-4); Rússia (3-5-2); Brasil (2-2-2); Argentina (1-1-0); Espanha (1-0-0); Grécia (0-1-0); Turquia (0-1-0); Chile (0-0-2); Alemanha, Croácia, Filipinas e Lituânia (0-0-1).

Isto é um pouco da história dos Mundiais Masculinos. Quem tiver outros dados envie para mim.

Equipe Bi Campeã em 1963

O saudoso Rosa Branca em ação no Bi-Mundial de 1963

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A capacitação dos treinadores: ação fundamental para o desenvolvimento do basquetebol brasileiro

Atualmente, muito se fala dos legados que um megaevento produz a um país, estado ou cidade. Esses legados, normalmente, são pensados em termos de infra estrutura, estádios, ginásio, piscinas. No entanto, pouco se pensa no legado humano. O que essas competições podem, efetivamente, deixar para as pessoas em termos de conhecimento, inclusão e cultura esportiva.

Segundo estudos realizados por um grupo de estudiosos belgas*, há nove pilares que determinam o sucesso de países em competições internacionais. Entre esses nove pilares, encontra-se a capacitação de treinadores em todos os níveis. São eles que terão a responsabilidade de instigar, motivar os jovens à prática esportiva e, principalmente, convencê-los a permanecer.

E esta é uma árdua tarefa frente às inúmeras opções que hoje seduzem nossos jovens, muito além do esporte. No caso do basquetebol, esse quadro agrava-se pelas circuntâncias pelas quais nosso esporte tem passado nos últimos tempos: a falta de resultados expressivos em nível internacional, campeonatos regionais com um número reduzido de equipes (com exceção de S.Paulo), campeonatos de base praticamente inexistentes, pouca prática do basquetebol nas escolas, etc…

Diminuir essa defasagem e colocar o nosso basquetebol em um patamar adequado passa, portanto, pela formação de profissionais capacitados a ensinar e desenvolver o basquetebol com base em metodologias modernas, voltadas para a compreensão do jogo e não, somente, para a repetição mecanizada de movimentos. E esta formação deve abranger um grande número de jovens que atuam nos diferentes setores da comunidade – escolas, clubes, instituições que promovem atividade física e esporte – para que haja uma multiplicação de praticantes.

A Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol, criada neste ano, terá um papel preponderante nessa tarefa. Levar aos jovens treinadores a ideia de um basquetebol mais moderno, voltado para o desenvolvimento da inteligência do jogo e para uma prática mais agradável é talvez o seu maior desafio, além de outros desafios como a resistência de setores que ainda veem o basquetebol como um feudo e não aceitam a modernização e a discussão de novas metodologias.

A ENTB será mais um canal, entre tantos, para que possamos levar o basquetebol ao lugar que ele merece. Não é a única, nem tampouco a “salvadora da pátria”. Mas terá sua parcela de contribuição nesse processo que será longo e exigirá paciência, compreensão, colaboração de todos que visam o bem de nosso esporte. Nossos jovens treinadores e professores que atuam  no esporte escolar devem acreditar nesse projeto, pois ele reveste-se de muita seriedade e competência, claramente expressa pelas pessoas que já estão contribuindo e outras que certamente contribuirão para que ele tenha sucesso.

Não devemos pensar que as medalhas que poderemos ganhar em  competições internacionais sejam o objetivo principal. Mas sim, no quanto podemos contribuir para aumentar a quantidade e a qualidade de nossos praticantes. Somente esta base sólida nos possibilitará termos de novo o basquetebol em alta junto ao público brasileiro.

*O estudo ao qual me referi é:

Explaining international sporting success: An international comparison of elite sport systems and policies in six countries.

Veerle De Bosscher; Paul De Knop, Maarten van Bottenburg; Simon Shibli; Jerry Bingham.

Sport Management Review, n.12, p.113-136, 2009.

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Mundial masculino: os armadores

Considerando meu passado como armador das equipes mirim e infantil do glorioso Esporte Clube Pinheiros, não posso deixar de analisar o desempenho dos jogadores que atuaram nessa posição durante o Mundial masculino. Os armadores têm a função fundamental de organizar a equipe e fazer o jogo acontecer. Foi muito interessante e bonito vermos armadores como Prigioni, Teodosic, Lakovic, Tunçeri, Diamantidis, Zizis, Navarro, Rúbio, Billups e, é claro, nosso Marcelinho Huertas que, na minha humilde opinião foi o melhor jogador do Brasil e fez um campeonato maravilhoso.

Esta análise foi feita com o intuito de fornecer a nossos treinadores um pouco de informação, baseada nas estatísticas oficiais, para que possam mostrar a seus futuros armadores como seus pares atuam em um campeonato tão importante. Ela também tem o objetivo de refletirmos sobre o futuro desta posição em nossas seleções, já que o quadro atual é preocupante. Se analisarmos friamente, quais são os jogadores que, atualmente, teriam condições de brigar com o Huertas pela posição ou mesmo estarem aptos a substituí-lo nos jogos de nossa equipe?  Onde estão esses novos armadores? Podemos apostar no Raul, jovem promissor mas que ainda tem um longo caminho a percorrer. Mas é só isto?

Os mais antigos como eu deverão se lembrar que o Brasil sempre se destacou pela profusão de excelentes jogadores que ocuparam esta posição durante longos anos. Para citar só alguns que vi jogar: Wlamir (o maior de todos), Mosquito, Carioquinha, Mauri, Guerrinha, Nilo, Cadum, Hélio Rubens, Fausto, Demétrius (com certeza esqueci de alguém – completem suas listas). Mas de repente nossos armadores sumiram e coincidentemente nossos resultados começaram a piorar.

Creio que esta apresentação poderá ajudar um pouquinho na busca do nosso armador. Ela se baseou nos dados oficiais da FIBA e com muito esforço selecionei um armador de cada equipe (24), deixando de lado, às vezes, outros armadores tão eficientes quanto os que fizeram parte da minha lista. Equipes como Estados Unidos, Grécia, Croácia, Sérvia e Turquia tiveram entre seus melhores sempre dois armadores, mas por questões estatísticas optei por aquele que tinha o maior tempo de jogo ou que ocupava a posição de titular. Exemplo: nos Estados Unidos, Billups e Rose tiveram o mesmo tempo de jogo. Billups foi o escolhido pois foi o titular em todos os jogos.

Lista dos armadores selecionados: Billups (EUA); Tunçeri (Tur); Kalniets (Lit); Teodosic (Ser); Prigioni (Arg); Rubio (Esp); Ponshakov (Rus); Dragic (Esl); Huertas (Bra); Mills (Aus); Diamantidis (Gre); Jones (Nzl); De Colo (Fra); Ukic (Cro); Morais (Ang); Liu (Chi); Hamann (Ale); Barea (Pri); Davari (Irã); Fahed (Lib); Diabate (Cmf); Anderson (Can); Daghles (Jord); Kechrid (Tun).

Estatísticas dos armadores:

Média de minutos jogados: 27,7. Maior tempo: Liu (China) – 36,2.  Huertas – 30,3

Média de pontos por jogo: 9,7. Maior pontuador: Barea (P.Rico) – 16,8. Huertas – 11,2

Média de pontos tentados por jogo: 22,7. O que mais tentou: Barea (P.Rico) – 36,4. Huertas – 20,2

Aproveitamento: 42,5%. Melhor aproveitamento: Huertas (Brasil) – 55,5%

Média de assistências por jogo:3,7. Melhor assist: Prigioni (Argentina) – 6,4. Huertas- 5,8

Média de bolas perdidas por jogo: 2,1. Quem mais perdeu: Daghles (Jordânia) – 4,0. Huertas – 2,3

Média de bolas recuperadas: 1,1. Quem mais recuperou: Diabate (C.Marfim) – 2,4. Huertas – 0,7

Para efeito de comparação seguem os números de Teodosic (Ser), eleito o melhor armador da competição:

Tempo jogado – 28,0; Pts por jogo – 11,3; Pts tentados por jogo – 26,7; Aproveitamento – 42,2%; Assists por jogo – 5,6; Bolas perdidas por jogo – 2,6; Bolas recuperadas por jogo – 1,6

Importante ressaltar que muito mais do que simples números, esses dados devem ser observados sob o ponto de vista da efetiva participação desses jogadores e da forma como eles realmente contribuem para suas equipes. Isto não depende somente o domínio dos fundamentos mas, principalmente, a correta interpretação das situações que se apresentam. Exige inteligência de jogo, o que somente se obtem com a experiência mas que se inicia nas categorias de base através dos desafios que os técnicos podem propor aos jovens jogadores, instigando-os a resolver problemas e não somente desenvolver coreografias criadas nas pranchetas mágicas.  Exige pensar no futuro, na formação e não nos resultados imediatos sempre tão valorizados nas categorias iniciais do  nosso basquetebol.

A realidade

A promessa

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Mundial Masculino: análise das idades

Depois de uma abordagem sobre a “nacionalidade” dos atletas que participaram do mundial masculino, faço agora uma análise da situação das equipes em relação a uma variável importante: a idade.

Neste mundial a idade média dos jogadores foi de 26,6 (desvio padrão = 1,6). Considerando-se esta variável a partir de faixas etárias (elaboradas aleatoriamente) temo o seguinte quadro:

abaixo de 21 anos: 12 atletas (4,2%) – os altetas mais novos foram: Guo (China) – 17 anos e 11 meses e Raul (Brasil) – 18 anos e 4 meses.

de 21 anos a 22 e 11 meses: 39 (13,5%)

de 23 anos a 24 e 11 meses: 51 (17,7%)

de 25 a 26 e 11 meses: 59 (20,5%)

de 27 a 28 e 11 meses: 57 (19,8%)

de 29 a 30 e 11 meses: 33 (11,5%)

acima de 30 anos: 37 (12,9%)

A China foi o país com o maior número de atletas com idade abaixo de 21 anos – 3.

A Argentina teve seis atletas acima dos 30 anos e o atleta mais velho da competição foi o angolano Lutonda – 38 anos e 9 meses.

A equipe mais nova foi a Sérvia (24,1 anos) e a mais velha a Argentina (30,5 anos).

Quatro equipes estiveram na faixa média de 24 anos: Sérvia, Alemanha e França. Na faixa dos 25 anos: Rússia, Irã, Estados Unidos e Canadá. Na faixa dos 26 anos: Costa do MArfim, Lituânia, Croácia, Austrália, Tunísia e Líbano. Na faixa dos 27 anos: Grécia, Espanha, Porto Rico, Turquia e Jordânia. Na faixa dos 28 anos: Brasil, Eslovência e Angola. A Nova Zelândia teve média de 29 anos.

As seleções com maior número de jogadores na faixa próxima dos 30 anos ou mais foram: Brasil, Espanha, Jordânia e Angola (5) e Argentina (8).

No caso específico de Brasil e Argentina que são as duas seleções que, teoricamente, têm grandes chances de conseguir as vagas no próximo Pré-Olímpico que será disputado em Mar Del Plata a situação é preocupante. Senão vejamos:

Essas duas seleções terão pela frente as seguintes competições: Pré Olímpico em 2011; Jogos Olímpicos em 2012 (caso consigam a classificação), Mundial em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016 (antes passando por novo Pré Olímpico). Estou desconsiderando os Jogos Pan Americanos, pois entendo que esta competição perdeu muito em importância pois os países não se apresentam com suas forças máximas e as cosequências de uma vitória não trazem impacto significativo para futuras competições. Ela deveria servir como laboratório para testar e dar experiência a novos atletas.

A Argentina está com uma equipe que pode ser considerada muito velha. Seus principais jogadores (Scola, Prigioni, Gonzalez e Oberto) têm hoje 30, 33, 32 e 35 anos, respectivamente e, dificilmente , chegarão a completar esse ciclo competitivo. Deve-se também considerar que Ginobili e Noccioni estarão na mesma condição que seus companheiros.  Esta é uma preocupação que ronda os argentinos já que, segundo, alguns jornalistas que estiveram presentes no Mundial, a reposição desses jogadores não deverá ocorrer no nível desejado.

O Brasil deverá passar por algo semelhante, já que três de seus principais jogadores (Marcelo Machado, Alex e Guilherme) têm hoje, respectivamente, 35, 30 e 30 anos e a curto e médio prazo estarão praticamente numa situação que dificilmente lhes permitirá jogar em nível internacional de forma intensa, em função da alta média de idade. Os mais otimistas poderão alegar que são somente três jogadores. Mas a pergunta é: quem serão os substitutos? Onde estão os futuros integrantes da seleção brasileira?

Considerando-se que entre os demais integrantes de nossa equipe, poucos têm condições de continuar atuando em competições internacionais, a preocupação aumenta. Muitas são as dúvidas: Os nossos jogadores NBA serão liberados para essas competições? Como eles chegarão? Nossos campeonatos fornecerão material humano suficientemente capacitado para suprir a falta dos “estrangeiros”? Nossas seleções de base terão jogadores tecnicamente preparados e com experiência internacional para atuar na seleção principal?

Creio que teremos muito trabalho pela frente. Somente um planejamento cuidadoso poderá resolver essa questão a médio e longo prazo. No entanto, não podemos esquecer que 2011 está logo aí e se não classificarmos novamente para os Jogos Olímpicos, teremos novos problemas. E qual será essa equipe?

Esperemos que a CBB trace um plano que possa nos levar de volta ao mundo internacional do basquetebol, disputando em igualdade de condições com as melhores seleções do mundo. Acho que o Mundial nos deu alguma esperança. Mas ainda há um longo caminho a percorrer. E todos que gostam de basquetebol devem colaborar, pois entendo que a CBB não é a única responsável pela mudança de paradigma de nosso basquetebol. Federações, Clubes, LNB, ENTB têm também muita responsabilidade nesse processo.

Temos que estar juntos. O basquetebol brasileiro precisa desta união.

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Mundial masculino: o mundo globalizado

Terminado o Mundial Feminino volto a falar do Mundial Masculino. Desta vez para traçar um panorama da globalização que toma conta do basquetebol na atualidade. Foi-se o tempo em que as seleções eram formadas exclusivamente por jogadores que atuavam nos próprios países.

Atualmente, há um grande número de jogadores que atuam fora de seus países de origem o que não deixa de ser um fato que abrilhanta o campeonato. Assim sendo, utilizando os dados oficiais fornecidos pela FIBA, foram feitas algumas análises:

  • Dos 288 jogadores que participaram do Mundial Masculino, 117 (40,6%) não jogavam em seus países de origem. Esses jogadores estavam assim divididos: Espanha (24); Estados Unidos- NBA (24); Estados Unidos – universitário (10); Turquia e Itália (8 cada); Grécia (7); Austrália, França e Rússia (6 cada); Sérvia (4); Alemanha (2); Arábia, Argentina,  Croácia, Filipinas, Finlândia, Iran, Líbano, Lituânia, Marrocos, Polônia, Suiça e Ucrânia (1 cada).
  • 273 jogavam em países que estavam no Mundial e 15 em países que não estavam classificados: Arábia, Filipinas, Finlândia, Itália, Marrocos, Polônia, Suiça e Ucrânia.
  • A NBA estava representada em 12 países: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Eslovênia, Espanha, França, Iran, Porto Rico, Sérvia e Turquia
  • A Liga Espanhola estava representada em 10 países: Argentina, Austrália, Brasil, Croácia, Eslovênia, França, Grécia, Lituânia, Sérvia e Tunísia
  • A Itália, apesar de não classificada, estava representada por 8 países: Brasil, Canadá, Croácia, Eslovênia, Grécia, Lituânia, Porto Rico e Turquia
  • A equipe canadense, curiosamente, não teve nenhum jogador que atuasse em seu país. Foi o país mais globalizado. Seus jogadores atuavam nos seguintes países: Estados Unidos (NBA e Universitário), Croácia, Finlândia, Turquia, Itália, Alemanha e Grécia. Costa do Marfim e Eslovênia se apresentaram com somente um jogador “nativo”
  • Em segundo lugar no quesito globalização ficou a Eslovênia: Itália, Espanha, UcrÃnia, Turquia, Estados Unidos (NBA), Sérvia e Grécia
  • Angola, Estados Unidos, Jordânia e Rússia foram 100% nacionalistas. Todos seus jogadores atuavam no próprio país. Alemanha, China, Grécia e Irã tiveram 10 jogadores que atuavam no país enquanto Espanha, Líbano, Tunísia e Turquia tiveram 9 jogadores que atuavam em seus próprios campeonatos
  • Argentina, França e Porto Rico foram os países com maior número de atletas da NBA – 3 cada um
  • A Argentina teve o maior contingente de jogadores que atuavam na Espanha – 5.  Austrália, França e Sérvia vieram a seguir com 3
  • O Brasil atuou com seis jogadores “nacionais”, dois “espanhois”, dois da NBA, um “francês” e um “italiano”.

Esses dados do basquetebol atual nos mostram um quadro interessante de muito intercâmbio entre os países, fato que pode ser considerado positivo, pois proporciona uma maior interação entre as diferentes escolas do basquetebol No entanto, essa diversidade pode também ser um fator complicador já que os diferentes calendários de competição criam problemas para os atletas que não se paresentam em suas melhores condições e chegam mesmo a abrir mão desta importante competição, caso de astros como Ginóbili, Tony Parker, Noccioni, Novitsky, Kobe Bryant, Paul Gasol entre outros.

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Mundial Feminino: Estados Unidos são os campeões

Depois do terceiro lugar obtido no Brasil, em 2006, a equipe dos Estados Unidos recuperou a hegemonia do basquetebol feminino em campeonatos mundiais ao vencer a República Tcheca por 89×69. Foi a oitava conquista americana em 16 participações no Mundial Feminino.

Assim, os Estados Unidos venceram os dois campeonatos mundiais adultos da modalidade, fato que não ocorria com um mesmo país desde 1986 quando a equipe masculina venceu na Espanha e a feminina na União Soviética.

Classificação final:

1 – EUA; 2- Rep. Tcheca; 3 – Espanha; 4 – Bielorrússia

5 – Austrália; 6 – França;  7 – Rússia; 8 – Coreia do Sul

9 – Brasil; 10 – Grécia;  11 – Grécia; 12 – Canadá

13 – China; 14 – Argentina; 15 – Mali; 16 – Senegal

Próximo Mundial Feminino:

A sede do próximo Mundial Feminino será escolhida em março e os países candidatos são: Austrália, Brasil e Turquia.

Destaques do Mundial:

MVP: Horakova (Rep. Tcheca);  Seleção: Horakova (Rep. Tcheca); Taurasi (EUA); Kulichova (Rep. Tcheca); Leuchanka (Bielorrússia); Lyttle (Espanha)

Cestinha: Oga (Japão) – 19,1; Rebotes: Érika (Brasil) – 12,0; Assists: Yoshida (Japão) – 4,6; Bolas recuperadas: Horakova (Rep. Tcheca) – 2,9

Destaques do Brasil:

Cestinha: Érika – 16,6; Rebotes: Érika – 12,0; Assists: Adrianinha – 3,4; Bolas recuperadas: Érika – 1,3