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Mundial Masculino: análise das idades

Depois de uma abordagem sobre a “nacionalidade” dos atletas que participaram do mundial masculino, faço agora uma análise da situação das equipes em relação a uma variável importante: a idade.

Neste mundial a idade média dos jogadores foi de 26,6 (desvio padrão = 1,6). Considerando-se esta variável a partir de faixas etárias (elaboradas aleatoriamente) temo o seguinte quadro:

abaixo de 21 anos: 12 atletas (4,2%) – os altetas mais novos foram: Guo (China) – 17 anos e 11 meses e Raul (Brasil) – 18 anos e 4 meses.

de 21 anos a 22 e 11 meses: 39 (13,5%)

de 23 anos a 24 e 11 meses: 51 (17,7%)

de 25 a 26 e 11 meses: 59 (20,5%)

de 27 a 28 e 11 meses: 57 (19,8%)

de 29 a 30 e 11 meses: 33 (11,5%)

acima de 30 anos: 37 (12,9%)

A China foi o país com o maior número de atletas com idade abaixo de 21 anos – 3.

A Argentina teve seis atletas acima dos 30 anos e o atleta mais velho da competição foi o angolano Lutonda – 38 anos e 9 meses.

A equipe mais nova foi a Sérvia (24,1 anos) e a mais velha a Argentina (30,5 anos).

Quatro equipes estiveram na faixa média de 24 anos: Sérvia, Alemanha e França. Na faixa dos 25 anos: Rússia, Irã, Estados Unidos e Canadá. Na faixa dos 26 anos: Costa do MArfim, Lituânia, Croácia, Austrália, Tunísia e Líbano. Na faixa dos 27 anos: Grécia, Espanha, Porto Rico, Turquia e Jordânia. Na faixa dos 28 anos: Brasil, Eslovência e Angola. A Nova Zelândia teve média de 29 anos.

As seleções com maior número de jogadores na faixa próxima dos 30 anos ou mais foram: Brasil, Espanha, Jordânia e Angola (5) e Argentina (8).

No caso específico de Brasil e Argentina que são as duas seleções que, teoricamente, têm grandes chances de conseguir as vagas no próximo Pré-Olímpico que será disputado em Mar Del Plata a situação é preocupante. Senão vejamos:

Essas duas seleções terão pela frente as seguintes competições: Pré Olímpico em 2011; Jogos Olímpicos em 2012 (caso consigam a classificação), Mundial em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016 (antes passando por novo Pré Olímpico). Estou desconsiderando os Jogos Pan Americanos, pois entendo que esta competição perdeu muito em importância pois os países não se apresentam com suas forças máximas e as cosequências de uma vitória não trazem impacto significativo para futuras competições. Ela deveria servir como laboratório para testar e dar experiência a novos atletas.

A Argentina está com uma equipe que pode ser considerada muito velha. Seus principais jogadores (Scola, Prigioni, Gonzalez e Oberto) têm hoje 30, 33, 32 e 35 anos, respectivamente e, dificilmente , chegarão a completar esse ciclo competitivo. Deve-se também considerar que Ginobili e Noccioni estarão na mesma condição que seus companheiros.  Esta é uma preocupação que ronda os argentinos já que, segundo, alguns jornalistas que estiveram presentes no Mundial, a reposição desses jogadores não deverá ocorrer no nível desejado.

O Brasil deverá passar por algo semelhante, já que três de seus principais jogadores (Marcelo Machado, Alex e Guilherme) têm hoje, respectivamente, 35, 30 e 30 anos e a curto e médio prazo estarão praticamente numa situação que dificilmente lhes permitirá jogar em nível internacional de forma intensa, em função da alta média de idade. Os mais otimistas poderão alegar que são somente três jogadores. Mas a pergunta é: quem serão os substitutos? Onde estão os futuros integrantes da seleção brasileira?

Considerando-se que entre os demais integrantes de nossa equipe, poucos têm condições de continuar atuando em competições internacionais, a preocupação aumenta. Muitas são as dúvidas: Os nossos jogadores NBA serão liberados para essas competições? Como eles chegarão? Nossos campeonatos fornecerão material humano suficientemente capacitado para suprir a falta dos “estrangeiros”? Nossas seleções de base terão jogadores tecnicamente preparados e com experiência internacional para atuar na seleção principal?

Creio que teremos muito trabalho pela frente. Somente um planejamento cuidadoso poderá resolver essa questão a médio e longo prazo. No entanto, não podemos esquecer que 2011 está logo aí e se não classificarmos novamente para os Jogos Olímpicos, teremos novos problemas. E qual será essa equipe?

Esperemos que a CBB trace um plano que possa nos levar de volta ao mundo internacional do basquetebol, disputando em igualdade de condições com as melhores seleções do mundo. Acho que o Mundial nos deu alguma esperança. Mas ainda há um longo caminho a percorrer. E todos que gostam de basquetebol devem colaborar, pois entendo que a CBB não é a única responsável pela mudança de paradigma de nosso basquetebol. Federações, Clubes, LNB, ENTB têm também muita responsabilidade nesse processo.

Temos que estar juntos. O basquetebol brasileiro precisa desta união.

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