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Mundial masculino: os armadores

Considerando meu passado como armador das equipes mirim e infantil do glorioso Esporte Clube Pinheiros, não posso deixar de analisar o desempenho dos jogadores que atuaram nessa posição durante o Mundial masculino. Os armadores têm a função fundamental de organizar a equipe e fazer o jogo acontecer. Foi muito interessante e bonito vermos armadores como Prigioni, Teodosic, Lakovic, Tunçeri, Diamantidis, Zizis, Navarro, Rúbio, Billups e, é claro, nosso Marcelinho Huertas que, na minha humilde opinião foi o melhor jogador do Brasil e fez um campeonato maravilhoso.

Esta análise foi feita com o intuito de fornecer a nossos treinadores um pouco de informação, baseada nas estatísticas oficiais, para que possam mostrar a seus futuros armadores como seus pares atuam em um campeonato tão importante. Ela também tem o objetivo de refletirmos sobre o futuro desta posição em nossas seleções, já que o quadro atual é preocupante. Se analisarmos friamente, quais são os jogadores que, atualmente, teriam condições de brigar com o Huertas pela posição ou mesmo estarem aptos a substituí-lo nos jogos de nossa equipe?  Onde estão esses novos armadores? Podemos apostar no Raul, jovem promissor mas que ainda tem um longo caminho a percorrer. Mas é só isto?

Os mais antigos como eu deverão se lembrar que o Brasil sempre se destacou pela profusão de excelentes jogadores que ocuparam esta posição durante longos anos. Para citar só alguns que vi jogar: Wlamir (o maior de todos), Mosquito, Carioquinha, Mauri, Guerrinha, Nilo, Cadum, Hélio Rubens, Fausto, Demétrius (com certeza esqueci de alguém – completem suas listas). Mas de repente nossos armadores sumiram e coincidentemente nossos resultados começaram a piorar.

Creio que esta apresentação poderá ajudar um pouquinho na busca do nosso armador. Ela se baseou nos dados oficiais da FIBA e com muito esforço selecionei um armador de cada equipe (24), deixando de lado, às vezes, outros armadores tão eficientes quanto os que fizeram parte da minha lista. Equipes como Estados Unidos, Grécia, Croácia, Sérvia e Turquia tiveram entre seus melhores sempre dois armadores, mas por questões estatísticas optei por aquele que tinha o maior tempo de jogo ou que ocupava a posição de titular. Exemplo: nos Estados Unidos, Billups e Rose tiveram o mesmo tempo de jogo. Billups foi o escolhido pois foi o titular em todos os jogos.

Lista dos armadores selecionados: Billups (EUA); Tunçeri (Tur); Kalniets (Lit); Teodosic (Ser); Prigioni (Arg); Rubio (Esp); Ponshakov (Rus); Dragic (Esl); Huertas (Bra); Mills (Aus); Diamantidis (Gre); Jones (Nzl); De Colo (Fra); Ukic (Cro); Morais (Ang); Liu (Chi); Hamann (Ale); Barea (Pri); Davari (Irã); Fahed (Lib); Diabate (Cmf); Anderson (Can); Daghles (Jord); Kechrid (Tun).

Estatísticas dos armadores:

Média de minutos jogados: 27,7. Maior tempo: Liu (China) – 36,2.  Huertas – 30,3

Média de pontos por jogo: 9,7. Maior pontuador: Barea (P.Rico) – 16,8. Huertas – 11,2

Média de pontos tentados por jogo: 22,7. O que mais tentou: Barea (P.Rico) – 36,4. Huertas – 20,2

Aproveitamento: 42,5%. Melhor aproveitamento: Huertas (Brasil) – 55,5%

Média de assistências por jogo:3,7. Melhor assist: Prigioni (Argentina) – 6,4. Huertas- 5,8

Média de bolas perdidas por jogo: 2,1. Quem mais perdeu: Daghles (Jordânia) – 4,0. Huertas – 2,3

Média de bolas recuperadas: 1,1. Quem mais recuperou: Diabate (C.Marfim) – 2,4. Huertas – 0,7

Para efeito de comparação seguem os números de Teodosic (Ser), eleito o melhor armador da competição:

Tempo jogado – 28,0; Pts por jogo – 11,3; Pts tentados por jogo – 26,7; Aproveitamento – 42,2%; Assists por jogo – 5,6; Bolas perdidas por jogo – 2,6; Bolas recuperadas por jogo – 1,6

Importante ressaltar que muito mais do que simples números, esses dados devem ser observados sob o ponto de vista da efetiva participação desses jogadores e da forma como eles realmente contribuem para suas equipes. Isto não depende somente o domínio dos fundamentos mas, principalmente, a correta interpretação das situações que se apresentam. Exige inteligência de jogo, o que somente se obtem com a experiência mas que se inicia nas categorias de base através dos desafios que os técnicos podem propor aos jovens jogadores, instigando-os a resolver problemas e não somente desenvolver coreografias criadas nas pranchetas mágicas.  Exige pensar no futuro, na formação e não nos resultados imediatos sempre tão valorizados nas categorias iniciais do  nosso basquetebol.

A realidade

A promessa

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