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Motivos que levam à prática esportiva

Amigos do basquetebol

Seguindo na linha de apresentar textos, ou resumos de textos, já produzidos, envio a todos um trabalho feito com jovens atletas de basquetebol, abordando os motivos que levam à prática esportiva.

Esse texto foi compilado do artigo:

MOTIVOS QUE LEVAM À PRÁTICA DO BASQUETEBOL: UM ESTUDO COM JOVENS ATLETAS BRASILEIROS, publicado na Revista de Psicologia del Deporte, v. 10, p. 293-304, 2001.

Autores: Dante De Rose Junior, Roberto R. Campos e Marcelina Tribst.

A maioria dos jovens tem seu primeiro contato com uma modalidade esportiva na infância ou no início da adolescência através das aulas de educação física ou da escolinha de esporte da escola ou de um clube. Desta forma, o professor/técnico deve saber o que levou este jovem a procurar esta modalidade esportiva ou o que o faz praticar, ou seja, deve identificar os motivos para a prática.Conhecer esses motivos pode instrumentalizar os profissionais que trabalham no esporte para reduzir aspectos que podem causar impacto negativo no jovem praticante.

A motivação  está ligada a fatores de personalidade e variáveis sociais e cognitivas que entram em jogo quando uma pessoa dedica-se a uma tarefa na qual está sendo avaliada, entra em competição com outros ou tenta atingir algum nível de excelência, pois nestas ocasiões é assumido que o indivíduo é responsável pelo resultado da tarefa e que algum nível de desafio é inerente a ela. A motivação é responsável pela escolha, persistência e rendimento numa atividade.

Os jovens possuem vários motivos para o ingresso na prática esportiva. De forma muito genérica, os motivos podem ser intrínsecos (quando emanam das necessidades e expectativas da própria pessoa) ou extrínsecos (determinados por influências externas como meio ambiente, pessoas influentes, modelos, etc..).

A iniciação em uma determinada modalidade esportiva pode estar baseada em inúmeros motivos que vão desde a perspectiva de ser um ídolo (motivos intrínsecos) até a vontade unicamente vinda dos pais, seja por razões educacionais, de saúde, desejos pessoais ou pela busca de ascensão social (motivos extrínsecos). Logo, os fatores que levam uma criança a prática de alguma modalidade esportiva podem estar relacionados a suas competências físicas, pressões externas, necessidade de pertencer a um grupo e razões sociais.sses motivos são relatados em diferentes estudos encontrados na literatura internacional. De forma geral, os resultados apontam para alguns fatores como sendo os mais significativos na escolha de uma determinada modalidades esportiva:

  • diversão
  • relacionamento com outras pessoas
  • competição
  • melhora das capacidades físicas e habilidades motoras
  • modelos esportivos
  • experimentar novos desafios

Esses estudos também apontam que questões culturais e ambientais são importantes para a definição dessa escolha. Exemplo: em um local onde um determinado esporte é predominante, será bastante provável que um jovem o escolha para iniciar sua prática. Aqui podemos citar como exemplo a cidade de Franca onde o basquetebol é o esporte preferido. Isto certamente infouenciará a escolha de um jovem.

No estudo que gerou este texto, foram avaliados 135 jogadores de basquetebol sendo 74 do sexo masculino e 61 do feminino na faixa etária de 15 a 18 anos da Região da Grande São Paulo. Para participar da pesquisa foram estabelecidas duas condições: estar registrado como atleta na Federação Paulista de Basketball e ter participado de competições oficiais nos 6 meses que antecederam a pesquisa. Os atletas responderam à seguinte questão: O que o (a) levou a iniciar a prática do basquetebol?

Os motivos intrínsecos foram divididos em quatro categorias:

Aspiração: ser um bom (boa) jogador (a); ser bom profissional na área (professor ou técnico)

Necessidades cognitivas e emocionais: desenvolver inteligência; desafios;  queria fazer um esporte; necessidade de desenvolver o raciocínio;  forma de se livrar de outros problemas

Prazer pela modalidade: sempre ter feito vários esportes; por ser um esporte competitivo; prazer e diversão; contato físico

Percepção das qualidades individuais: por ser alto (a); por se destacar nos jogos da escola.

Os motivos extrínsecos foram divididos em duas categorias:

Pessoas significativas: família, amigos, modelos e professor/técnico

Ambiente social: escola, clube e outros

  • Nos 135 formulários respondidos foram identificadas 225 manifestações sobre motivos de prática do basquetebol, sendo 156 por parte dos rapazes e 69 por parte das moças. Dessas manifestações, 94 estavam relacionadas a motivos intrínsecos (41,8%) e 131 a motivos extrínsecos (58,2%).
  • 39% dos meninos e 49% das meninas apontaram os motivos intrínsecos como fator principal para a escolha da modalidade
  • 61% dos meninos e 51% das meninas apontaram os motivos extrínsecos como fator principal para a escolha da modalidade
  • Dos motivos intrínsecos, o prazer pela modalidade foi o mais apontado (58% dos meninos e 62% das meninas).
  • Dos motivos extrínsecos, as pessoas significativas foram as mais apontadas (78% dos meninos e 72% das meninas)
  • Para os meninos, a família foi o fator principal para a escolha da modalidade (32%). Idem para as meninas (40%). O incentivo da família e familiares que já haviam praticado a modalidade foram os mais citados
  • Os professores e técnicos foram apontados por 14% dos meninos e 23% das meninas como sendo importantes por seu incentivo

Para finalizar, o professor/técnico consciente dos principais motivos que levam um jovem a prática esportiva pode utilizá-los como principio para tornar a prática da modalidade muito prazerosa sem tirar-lhe o aspecto competitivo. Deve-se ressalvar que professores e técnicos também são citados em vários estudos como um dos principais fatores de abandono da prática esportiva por jovens.

Os professores/técnicos devem também compreender que os pais e outras pessoas têm uma grande influência na vida da criança e suas futuras escolhas. Portanto, é de responsabilidade deles orientar essas pessoas da importância do seu papel na vivência deste jovem no esporte, tendo em vista que a família pode cooperar para que esta experiência seja algo menos estressante devido às exigências que o esporte impõe aos seus praticantes.

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Como nossos futuros atletas estão sendo formados 3

Amigos do Basquetebol

Segue a segunda parte do texto: O treinador de basquetebol: pedagogo e psicólogo.

O treinador de basquetebol e os aspectos que envolvem a formação: o âmbito psicológico

Apesar de vários autores reconhecerem a importância da preparação psicológica no desenvolvimento de uma carreira esportiva, ainda há uma grande falta de sistematização do trabalho e, por que não dizer, falta de conhecimento do impacto dos aspectos psicológicos presentes em uma atividade esportiva, especialmente no contexto da competição.

A realidade esportiva mostra que, na maioria das equipes de base,  o treinador também exerce a função de psicólogo, aumentando, desta forma, a carga de responsabilidade sobre as ações de seus atletas e do grupo.

No caso específico do basquetebol, pode-se afirmar que este é um esporte recheado de nuanças psicológicas envolvendo aspectos como a ansiedade, motivação, stress, medo e diferentes percepções da realidade do jogo, em virtude das constantes alterações de seu ambiente e de suas circunstâncias.

No âmbito psicológico, o basquetebol apresenta quatro áreas que devem ser trabalhadas:

  • Cognitiva: referente às possibilidades de aprendizagem e compreensão das informações necessárias para o bom desempenho esportivo
  • Afetivo-emocional: referente às emoções envolvidas nas tarefas relacionadas ao jogo e aos motivos de sua realização
  • Psicossocial: referente aos relacionamentos presentes no ambiente esportivo
  • Atitudinal: referente às ações definidas pelo atleta e pelo grupo em relação ao que foi treinado.

Em todas essas áreas o treinador terá interferências diretas, tornando-se o agente que orientará seus atletas para melhor lidar com as situações que, de alguma forma, poderão interferir no processo de desenvolvimento do jovem.

Mas o treinador poderá ser o agente desestabilizador de todo o processo. Isto ocorrerá quando o próprio treinador for o agente causador de stress. No contexto competitivo o stress pode ser gerado a partir da complexidade da tarefa, das pressões exercidas pelas pessoas envolvidas no processo, da definição irreal dos objetivos, do comportamento dos adultos, do nível de expectativa (pessoal e dos outros), do excesso de treinamento e das cobranças exageradas. Numa análise muito simples, pode-se inferir que o treinador tem uma parcela de participação em todas as situações citadas.

Atitudes como não reconhecer o esforço dos atletas, gritar ou reclamar muito, enfatizar somente aspectos negativos, cometer injustiças, não apontar soluções frente aos problemas provenientes das situações específicas do jogo ou da competição, propor atividades consideradas ameaçadoras (e não desafiadoras) e privilegiar determinados atletas podem ser entendidas como geradoras de stress e influenciar negativamente o desempenho de jovens atletas e, até mesmo, provocar o abandono das atividades esportivas.

Isso indica que o efeito do comportamento do treinador é mediado pelo significado que os atletas atribuem a ele, e pelo o que os atletas lembram desse comportamento, sendo que a forma de interpretação dessas ações pelas crianças e adolescentes afeta a maneira como eles avaliam sua participação esportiva.

Atitudes frente ao processo de formação esportiva e o que se espera de um bom treinador

 

Conhecendo os aspectos que permeiam as atividades esportivas (já citados) e as possibilidades de geração de stress, tanto pelas características do esporte, quanto por parte do próprio treinador, o profissional que atua no esporte infantil (em nível de formação) pode propor atividades que se coadunem com as expectativas e necessidades desses jovens explorando sua capacidade de encontrar soluções para os problemas apresentados e não tornando-os atletas robotizados sempre dependentes de roteiros pré estabelecidos e sem a capacidade de tomar suas próprias  decisões.

Seria razoável pensar-se que, em nível de formação, a ênfase no processo e buscando resultados a longo prazo seria a atitude mais correta a ser adotada por um treinador. Isto implica na maior participação e na concessão de oportunidades a todos, independentemente de seu nível de habilidade. Significa privilegiar o esforço e não o resultado.

No entanto, muitos treinadores, por diferentes razões pensam somente nos resultados imediatos, privilegiando os mais habilidosos e deixando de lado muitos jovens, atropelando o processo formativo e antecipando uma série de eventos que, em curto prazo, são até interessantes (vitórias, campeonatos), mas que poderão acelerar o processo de abandono dos jovens atletas.

Fica evidente que o treinador deve ter uma participação ativa no processo de formação do jovem, porém provido de conhecimentos suficientes que permitam uma atuação segura e benéfica para os futuros atletas. Esse conhecimento deve ocorrer em quatro domínios:

  • conhecimento do indivíduo com quem se vai trabalhar (sua realidade biológica, psicológica e social)
  • conhecimento da modalidade com a qual irá trabalhar (aspectos físicos, técnicos e táticos)
  • definição adequada de métodos e estratégias de trabalho: planejamento, critérios justos de seleção e de avaliação dos atletas, definição real de objetivos e escolha dos métodos de treinamento e dos exercícios que farão parte desta atividade, entre outros
  • intervenção eficaz no processo (atitudes positivas com o oferecimento de condições adequadas de aprendizagem e estímulo à resolução de problemas e tomadas de decisão)

Em suma, independentemente do nível de atleta com o qual o treinador esteja trabalhando, mas especialmente nas categorias de base, ele deve visar a valorização do ser humano, incentivar a prática esportiva livre e para o desenvolvimento de um espírito crítico e cidadão. A partir dessa concepção o esporte será encarado com uma forma saudável de atividade, onde o prazer e a alegria da prática serão predominantes.

Seguem as referências bibliográficas que serviram de base para a elaboração dos dois textos apresentados:

Bento, J.O. (2006) Da pedagogia do desporto. In: Tani, G.; Bento, J.O & Petersen, R.D.S.(orgs), Pedagogia do Desporto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 26-40.

De Rose Jr., D. (2006) Modalidades esportivas coletivas: o basquetebol. In: De Rose Jr., D. (org), Modalidades esportivas coletivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.113-127.

De Rose Jr., D. & Korsakas, P. (2006) O processo de competição e o ensino do desporto. In: Tani, G.; Bento, J.O & Petersen, R.D.S. (orgs), Pedagogia do Desporto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 251-261.

Korsakas, P. O esporte infanto-juvenil: as possibilidades de uma prática educativa. In: De Rose Jr., D.  (org), Esporte e atividade física na infância e adolescência: uma abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Korsakas, P. & Marques, J.A.A. (2005) A preparação psicológica como componente do treinamento esportivo no basquetebol. In: De Rose Jr., D. & Tricoli, W. (orgs), Basquetebol: uma visão integrada entre ciência e prática. Barueri: Manole, p.173-202.

Marques, A. (2006) Desporto: ensino e treino. In: Tani, G.; Bento, J.O & Petersen, R.D.S. (orgs), Pedagogia do Desporto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 142-153.

História do Basquetebol · Opinião do autor · Todos os posts

Beatles e basquetebol: pura emoção


Amigos.

Peço permissão para falar um pouco de minha outra paixão que é a música e, especificamente, os Beatles. Mas alguém poderá perguntar: o que tem a ver Beatles e Basquetebol?

A princípio nada! Mas na minha vida (e na vida de muitos da minha geração – a turma da geração “enta”) muito!

A década de 60 me aproximou desses dois fenômenos. Surgem os Beatles e o nosso basquetebol vive o que se convencionou chamar de “geração de ouro”.

As canções dos meninos de Liverpool poderiam ser comparadas às grandes conquistas de nossos meninos nas quadras de todo o mundo.

Os Beatles, em pouco menos de 10 anos, trouxeram a toda uma geração muita alegria, encantamento e transformações que marcaram o mundo.

O nosso basquetebol, em dez anos teve conquistas maravilhosas: dois campeonatos mundiais (vamos colocar 59 nesse contexto), duas medalhas olímpicas e o caminho aberto para outras gerações que poderiam surgir.

Os “fab-four” (como eram chamados os Beatles) nos brindaram com canções de amor, protesto e agitação.

Nossos “fab-boys” não eram somente quatro. Eram inúmeros artistas da bola que nos brindaram com um basquetebol altamente técnico e com muita garra.

Os Beatles possuiam dois maestros: Paul e John que comandavam o grupo ainda composto por mais dois excelentes músicos: George e Ringo.

Nosso basquetebol também possuia dois maestros: Wlamir, Amaury, líderes de uma orquestra  infindável de grandes músicos da bola: Bira, Rosa Branca, Mosquito, Edson Bispo, Jathir, Menon, Succar, Edvar, Hélio Rubens, Victor, Pecente, Waldemar e muitos outros.

Os quatro ingleses deixaram um exemplo que foi seguido por muitas outras bandas.

Nossos jogadores daquela geração deixaram exemplos maravilhosos para outras gerações que viriam a surgir.

Mas como tudo que é bom dura pouco, os Beatles acabaram em 1970. E o nosso basquetebol, apesar de tudo, sobreviveu ainda por alguns anos.

Porque escrevo tudo isto?

Porque ontem (21 de novembro) fui testemunha do quanto os Beatles foram importantes para o mundo. Ao participar do show de Paul McCartney tive a certeza de que esses rapazes foram e são essenciais em minha vida e na de muitos que lerão este texto. Velhos, jovens, famílias, todos cantando as músicas que ouvíamos na década de 60 como se tivessem sido lançadas agora. Uma energia fantástica.

Assim como eles, o basquetebol também é essencial em minha vida e na de muitos que lerão este texto. Vamos trazer de volta a beleza e a energia do basquetebol da “geração de ouro” e dela tirarmos a inspiração para que novas gerações continuem curtindo o basquetebol assim como curtimos os Beatles.

Então poderemos dizer “Let it be” e não “The dream is over”.

Show de Paul McCartney – S.Paulo – 2010
Show de Amaury Pasos em algum momento da década de 60
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Como nossos futuros atletas estão sendo formados 2

Amigos do basquetebol.

Continuando a abordagem sobre a formação dos nossos futuros atletas ofereço a todos uma contribuição para esta importante questão, com foco no treinador.

Serão dois textos baseados em capítulo de livro escrito por mim intitulado: O treinador de basquetebol: pedagogo e psicólogo

Segue o primeiro texto

O treinador de basquetebol e os aspectos que envolvem a formação: o âmbito pedagógico

 

A prática esportiva infantil (independentemente do esporte praticado) é permeada por ações adultas – pais, dirigentes, professores, treinadores e árbitros que, de alguma forma, interferem nas experiências esportivas dos praticantes.

Nesse processo, o treinador tem uma importância fundamental, pois além de ser a pessoa que atuará diretamente sobre os futuros comportamentos esportivos dos jovens, ele também poderá influenciá-los fora dos campos de jogo. O poder de um treinador sobre um jovem esportista é muito grande a ponto de vários estudos o apontarem como dos principais motivos para a escolha de uma modalidade esportiva e, ao mesmo tempo, como um dos mais destacados fatores de abandono desta prática. Além disto, o treinador pode ter uma grande influência sobre as atitudes e comportamentos, valores e sentidos de vida de seus atletas, sendo ele o co-responsável pelo desenvolvimento da personalidade de seus atletas e também pelo seu futuro, após o final de sua carreira esportiva.

A prática esportiva competitiva envolve diferentes aspectos que afetam diretamente seus adeptos (principalmente quando se trata de atletas em formação) e o conhecimento deste contexto por parte dos treinadores é fundamental para a realização de um trabalho adequado. São eles:

  • Os aspectos biológicos relacionados aos estágios desenvolvimento dos jovens, desde suas etapas iniciais até as fases mais agudas como a puberdade e adolescência e que são essenciais para a determinação das cargas de trabalho adequadas a cada uma das fases
  • Os aspectos cognitivos que definirão os níveis de compreensão das tarefas propostas e interferirão na sua execução
  • Os aspectos técnico-táticos de cada esporte, no caso o basquetebol, representados pelas ações individuais e coletivas que nortearão a proposta de trabalho de cada treinador
  • Os aspectos psicológicos que envolvem o conhecimento dos traços de personalidade desses jovens e de seus limites em relação às exageradas cobranças, muito comuns no ambiente esportivo competitivo e também a demanda específica do esporte, em função das características de cada um deles, e
  • Os aspectos pedagógicos que envolvem o conhecimento de todos os conteúdos anteriores para que sejam elaborados os métodos e estratégias adequados para cada momento das fases de desenvolvimento do jovem.

Os treinadores, especialmente aqueles envolvidos com o trabalho formativo, devem ter uma preparação mínima já que vão trabalhar com jovens que têm somente um conhecimento básico do esporte que irão praticar. Sem dúvidas, é precisamente o treinador das etapas iniciais de iniciação esportiva que deve ter uma formação sólida que lhe sirva de instrumento para planejar o ensino do esporte respeitando as etapas evolutivas desses jovens.

No âmbito pedagógico o papel do treinador deve transpassar a simples barreira do ensinar movimentos específicos ou movimentações táticas para suplantar os adversários. As ações pedagógicas direcionadas principalmente para a formação esportiva sugerem o domínio de várias áreas de conhecimento sobre o indivíduo e sobre a atividade para que sejam aplicadas de forma adequada às necessidades do jovem praticante, respeitando suas características.

Entre esses domínios podemos citar o biológico, psicológico, técnico, tático, social e cultural. Ou seja, conhecer a criança nos seus mais diferentes aspectos (físicos, intelectuais, personalidade, inserção social) e a atividade (demandas energéticas, demandas psicológicas, demandas técnico/táticas e impacto cultural da mesma sobre a comunidade) é fator preponderante para determinar a ação pedagógica do profissional que atuará sobre um determinado grupo de jovens.

Como estabelecer filosofias de trabalho, programas de treinamento, planos diário de atividades ou estratégias para competição sem o conhecimento de todos os aspectos citados?

As oportunidades que são oferecidas ao jovem para entender o basquetebol de forma global são determinantes para seu futuro como atleta. Por isto é fundamental que se pense numa formação integrada e que coloque os elementos do jogo de forma contextualizada.

(Continua)

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Como nossos futuros atletas estão sendo formados?


Amigos

Esta é uma questão que nos intriga desde há muito tempo.

Infelizmente, a maioria de nossos treinadores de categorias de base (principalmente aqueles que trabalham na fase de formação) têm uma visão imediatista do processo desta formação dos nossos jovens atletas. O importante é o jogo do próximo final de semana. O importante é ser campeão pré mini, mini, mirim e outros. O importante é ter cinco jogadas contra defesa individual, três contra zona, quatro saídas de pressão, marcar pressão quadra toda (contra os times mais fracos, é claro). Se a criança sabe executar o fundamento e aplicá-lo à realidade do jogo pouco importa.

É óbvio que a pressão sobre esses treinadores deve ser muito grande. Os clubes e instituições querem as taças e não formar os atletas. Então, a cada jogo ou a cada campeonato o emprego do treinador está em jogo. Seu trabalho pouco importa. A forma como lida com seus jovens jogadores, menos ainda. Gritar, xingar, esculhambar… Isto faz parte do processo de educação esportiva, segundo eles e, infelizmente, segundo muitos pais.

Mas, o que ou quem estamos formando? O que sabem nossos futuros jogadores sobre o basquetebol? O que sabem sobre o jogo? Como resolvem problemas se estão sendo “adestrados” para funções muito específicas?

Recentemente, soube de um caso de um garoto de 12 anos, estatura acima de média, que contou ao seu professor que estava na escolinha de basquetebol. O professor então perguntou o que estava aprendendo e ela respondeu: O treinador disse que eu tenho que ficar de costas para a cesta e quando receber a bola devo virar e arremessar. Esse amigo questionou: Só isso? E o garoto respondeu: Não! Ele também disse que quando alguém arremessar e a bola bater na tabela ou no aro eu devo saltar e segurar a bola.

Evidentemente, a culpa não pode ser atribuida somente a esse profissional despreparado.  Podemos perguntar várias coisas:

Que formação tem esse profissional? Qual sua experiência para ministrar “aulas” (sim, aulas. Nessa fase o termo é aula mesmo) para pessoas em formação? O que ele sabe sobre a criança? O que ele sabe sobre basquetebol? Quem supervisiona seu trabalho? Que cobranças e pressões ele recebe de sua instituição?

Provavelmente, adota um sistema de repetição de modelos adultos que observa em treinos de equipes de categorias mais velhas. Provavelmente, só quer saber de “receitas de bolo”, ou os famosos exercícios para ministrar o próximo treino. Provavelmente sua escola de educação física não forneceu a ele as informações necessárias, ou se as forneceu adotou o velho sistema da prática pela prática, sem se preocupar com a essência e o contexto.

Enfim, temos que nos preocupar com essa situação que deve se repetir por todos os cantos do nosso país. Temos que mudar o paradigma. Temos que convencer as pessoas que trabalham na base que o resultado não precisa ser imediato. Temos que convencer os dirigentes que esse é o único caminho para que o nosso basquetebol volte a ter praticantes e, consequentemente, bons atletas e público assistindo os jogos.

As crianças devem gostar de jogar basquetebol e para isto elas têm que entender o jogo e vislumbrar oportunidades. Elas podem e devem pensar para jogar e não serem meros repetidores de coreografias que na prancheta são maravilhosas. Só falta avisar o adversário.

Este é o grande desafio da Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol. É um trabalho longo e difícil. Mas não podemos desistir. Para isto o apoio dos treinadores mais experientes é fundamental, assim como o apoio das instituições que comandam o basquetebol neste país.

É disso que precisamos. Mais crianças praticando o Basquetebol de forma natural e prazerosa

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Homenagem aos meus técnicos e mestres

Amigos do basquetebol.

Resolvi abrir o baú e o coração e prestar uma homenagem pública àqueles que colocaram o basquetebol em meu caminho. Foram pessoas que contribuiram de maneira decisiva para que eu me tornasse jogador (sim! eu fui jogador…), técnico e professor, tendo sempre o basquetebol como pano de fundo.

O primeiro foi o “seu Zé”, apelido carinhoso dado ao José Crivelaro. Homem que com sua sabedoria popular fez com que muita gente em São Caetano gostasse desse maravilhoso esporte. Os treinos na quadra descoberta do São Caetano Esporte Clube eram uma aventura. Lembro de meu primeiro treino, levado por um grande amigo – Sílvio – , uma chuva torrencial. E mesmo assim “seu Zé” nos ensinou movimentos de arremesso com as bolas de capotão da Drible, nas vigas do teto do único local coberto que dispunhamos. Seu Zé cansou de ganhar apostas com seus atletas, acertando incríveis “lavadeiras” do meio da quadra.

Como esquecer do grande João Francisco Brás? Técnico renomado, atleta medalhista olímpico em 1948. Foi quem me levou para o mirim do Pinheiros. E quis o destino que eu fosse professor do Brás no curso de Educação Física em Jundiaí. Foi uma sensação indescritível. Eu, recém formado, ministrando aulas de basquetebol para o Brás. Que ironia!!! Que tremedeira!!! Aprendi muito com ele, dentro e fora das quadras.

Paulo Aurélio. Minha primeira convocação para uma seleção paulista. No DEFE Água Branca. Um único treino. Mas foi inesquecível. Depois teria o prazer de viajar com o Paulinho para meu primeiro estágio internacional na UCLA.

No Pinheiros, depois do Brás, fui treinado pelo Milton Prado da Silveira. Nosso querido “Milton Balança”, apelido dado pelo seu jeito de andar. Pela primeira vez tive contato com o “circuit trainning”.

Mas não foram somente essas pessoas que despertaram em mim o gosto pelo basquetebol. Alguns dos personagens que citarei a seguir não foram meus técnicos. Mas com eles aprendi muito e foram decisivos na minha carreira de técnico: Orlando Valentim, Guaranha, Waldir Pagan, Altevir Halinski (meu adversário preferido – ele no Sírio e eu no Pinheiros) e meu grande amigo Medalha que me deu a primeira oportunidade de atuar em uma equipe adulta  fazendo estatística de jogo no Tamoyo de S.Caetano. Foi com ele também que tive a oportunidade de conhecer o basquetebol americano, no estágio na UCLA e iniciar minha carreira como professor universitário ao lado de outro grande companheiro, o Lula Ferreira.

Mas a homenagem maior fica para o mestre dos mestres. Aquele que conseguiu aliar de forma inigualável conhecimento prático e  acadêmico e que foi fundamental para minha formação profissional. Refiro-me, é claro, ao mestre Moacyr Daiuto. Tive o privilégio de vê-lo em ação quando dirigia o maravilhoso time do Corinthians da década de 60 e ficava imaginando se um dia eu poderia fazer algo semelhante. Quando entrei na Escola de Educação Física da USP, calouro ainda, via o Prof. Daiuto pelos corredores e não acreditava estar perto daquela lenda. Tive orgulho de ser seu aluno e, depois, seu colega de trabalho. Lutamos juntos pela BRASTEBA. Quando o Prof. Daiuto  se aposentou, recebi dele vários livros que faziam parte de sua maravilhosa biblioteca. Um presentão! Daiuto , sem dúvida, foi a expressão da competência e do amor ao basquetebol. O maior exemplo a ser seguido.

Como vocês podem observar, minha coleção de técnicos e inspiradores foi das melhores. Espero ter feito jus a ela.

Esta é minha homenagem a essas pessoas que batalharam pelo basquetebol brasileiro. Cabe a nós retomarmos o caminho por eles trilhado e colocarmos nosso esporte de novo no topo.

Daiuto e o incrível time do Corinthians da década de 60
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Rendimento do Brasil nos Mundiais

Seguem dados que demonstram o rendimento em termos de média de pontos feitos (PF),  média de pontos sofridos (PS) e classificação (CL) do Brasil nos Mundiais Masculino e Feminino.

Lembrando que em 1986, os Mundiais passaram a ter a linha dos três pontos.

Masculino

Ano PF OS Cl
1950 42,3 35,8 4
1954 64,2 50,4 2
1959 76,3 63,5 1
1963 80,8 68,5 1
1967 80,6 66,2 3
1970 78,2 72,2 2
1974 79,8 79,6 6
1978 99,7 85,0 3
1982 91,3 84,1 8
1986* 93,9 90,0 4
1990 100,3 97,3 5
1994 82,0 85,9 11
1998 68,8 74,9 10
2002 82,4 86,2 8
2006 77,2 78,0 17
2010 81,2 74,5 9
Geral 80,9 75,3

Feminino

Ano PF PS CL
1953 38,8 36,2 4
1957 54,0 60,8 4
1964 61,0 55,9 5
1967 61,3 57,3 8
1971 62,0 66,5 3
1975 69,9 44 12
1979 82,3 64,8 9
1983 77,7 64,8 5
1986* 76,9 80,0 11
1990 90,3 79,4 10
1994 97,3 91,4 1
1998 75,8 74,0 4
2002 79,6 67,6 7
2006 76,6 71,5 4
2010 70,1 73,9 9
Geral 72,7 70,1