Formação Esportiva · Todos os posts

Como nossos futuros atletas estão sendo formados?


Amigos

Esta é uma questão que nos intriga desde há muito tempo.

Infelizmente, a maioria de nossos treinadores de categorias de base (principalmente aqueles que trabalham na fase de formação) têm uma visão imediatista do processo desta formação dos nossos jovens atletas. O importante é o jogo do próximo final de semana. O importante é ser campeão pré mini, mini, mirim e outros. O importante é ter cinco jogadas contra defesa individual, três contra zona, quatro saídas de pressão, marcar pressão quadra toda (contra os times mais fracos, é claro). Se a criança sabe executar o fundamento e aplicá-lo à realidade do jogo pouco importa.

É óbvio que a pressão sobre esses treinadores deve ser muito grande. Os clubes e instituições querem as taças e não formar os atletas. Então, a cada jogo ou a cada campeonato o emprego do treinador está em jogo. Seu trabalho pouco importa. A forma como lida com seus jovens jogadores, menos ainda. Gritar, xingar, esculhambar… Isto faz parte do processo de educação esportiva, segundo eles e, infelizmente, segundo muitos pais.

Mas, o que ou quem estamos formando? O que sabem nossos futuros jogadores sobre o basquetebol? O que sabem sobre o jogo? Como resolvem problemas se estão sendo “adestrados” para funções muito específicas?

Recentemente, soube de um caso de um garoto de 12 anos, estatura acima de média, que contou ao seu professor que estava na escolinha de basquetebol. O professor então perguntou o que estava aprendendo e ela respondeu: O treinador disse que eu tenho que ficar de costas para a cesta e quando receber a bola devo virar e arremessar. Esse amigo questionou: Só isso? E o garoto respondeu: Não! Ele também disse que quando alguém arremessar e a bola bater na tabela ou no aro eu devo saltar e segurar a bola.

Evidentemente, a culpa não pode ser atribuida somente a esse profissional despreparado.  Podemos perguntar várias coisas:

Que formação tem esse profissional? Qual sua experiência para ministrar “aulas” (sim, aulas. Nessa fase o termo é aula mesmo) para pessoas em formação? O que ele sabe sobre a criança? O que ele sabe sobre basquetebol? Quem supervisiona seu trabalho? Que cobranças e pressões ele recebe de sua instituição?

Provavelmente, adota um sistema de repetição de modelos adultos que observa em treinos de equipes de categorias mais velhas. Provavelmente, só quer saber de “receitas de bolo”, ou os famosos exercícios para ministrar o próximo treino. Provavelmente sua escola de educação física não forneceu a ele as informações necessárias, ou se as forneceu adotou o velho sistema da prática pela prática, sem se preocupar com a essência e o contexto.

Enfim, temos que nos preocupar com essa situação que deve se repetir por todos os cantos do nosso país. Temos que mudar o paradigma. Temos que convencer as pessoas que trabalham na base que o resultado não precisa ser imediato. Temos que convencer os dirigentes que esse é o único caminho para que o nosso basquetebol volte a ter praticantes e, consequentemente, bons atletas e público assistindo os jogos.

As crianças devem gostar de jogar basquetebol e para isto elas têm que entender o jogo e vislumbrar oportunidades. Elas podem e devem pensar para jogar e não serem meros repetidores de coreografias que na prancheta são maravilhosas. Só falta avisar o adversário.

Este é o grande desafio da Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol. É um trabalho longo e difícil. Mas não podemos desistir. Para isto o apoio dos treinadores mais experientes é fundamental, assim como o apoio das instituições que comandam o basquetebol neste país.

É disso que precisamos. Mais crianças praticando o Basquetebol de forma natural e prazerosa

Anúncios

4 comentários em “Como nossos futuros atletas estão sendo formados?

  1. Caro Dante, essa mudança de paradigma do técnico de categorias de base de ensinar basquete, e conseqüentemente das crianças e jovens de aprender/ entender/gostar do jogo é um passo fundamental para a melhora do basquete no país. Mas gostaria de chamar a atenção para aquela grande maioria de crianças que passam pelas escolinhas de basquete e que não chegam à nenhuma seleção, mas que por terem tido uma boa iniciação ao basquete, certamente irão gostar e apreciar bons jogos, além de incentivarem seus amigos e familiares a também apreciar o basquete. O basquete precisa voltar a ser “IN”, “LEGAL”. Muito se fala em títulos e campeonatos, o que está correto, mas isso não é tudo. Enfim, investir na iniciação esportiva do basquete nas categorias de base (e nas escolas!) é um ótimo negócio tanto para se formar melhor os talentosos, quanto para formar uma nova geração que irá se interessar MUITO pelo basquete.

  2. Rafael
    Concordo plenamente com suas observações. Temos que criar um ambiente que desperte o gosto pelo basquetebol. Se a criança vai ser ou não atleta é outra questão. O mais importante é difundirmos uma ideia de prática esportiva adequada às necessidades e interesses das crianças. Isto, certamente, aumentará a probabilidade de termos mais gente praticando em alto nível.

  3. Certamente o nosso país vive uma extrema fase imediatista, cabe a nós educadores que cremos no aprendizado sistematizado e a longo prazo tentar reverter essa situação. Sou ex atleta e professor da escolinha de basquete em uma prefeitura da grande São Paulo e também de uma ONG ligada ao basquete, as aulas são baseadas na criatividade, ludicidade e situações problemas sempre lembrando os alunos o quanto é importante manter notas boas, respeitar as regras da vida e do jogo, a ser honesto e entender as dificuldades dos colegas. Os fundamentos do basquete é algo que enfatizo nas aulas, pois vejo como até na categoria adulto os atletas se frustram por não ter recursos criativos para resolver problemas dentro e fora da quadra.
    Eu meus alunos no inicio e no final das aulas conversamos bastante sobre as oportunidades que o esporte e a educação pode fornecer á eles e eu os encorajo a seguir por mais difícil que o obstáculo seja, devemos seguir, e poder mostrar a uma criança a oportunidade de conhecer o mundo através do esporte, me faz ser realizado. Pena que os diretores,coordenadores,presidentes de clubes não estão interessados nisso,pra eles o que importa é números (prefeituras :estamos atendendo 1000 crianças) e títulos (clubes:resultado vale mais que o processo), e a qualidade onde fica?
    Fico feliz por encaminhar esse ano muitos de meus alunos a bons clubes de São Paulo, tomara que esses clubes continuem a dar a assistência necessária para se ter boa carreira nesse esporte maravilhoso que é o basquete.

    Grande abraço Dante De Rose.

  4. Caro Reinaldo

    Esse trabalho que você faz é muito importante. Quanto mais gente estiver abraçando essa causa de trabalhar para formar apreciadores do esporte, melhores resultados teremos, com certeza.

    Continue nessa luta.

    Grande abraço

    Dante

Os comentários estão fechados.