Entrevistas · Todos os posts

Ruben Magnano fala sobre nosso basquetebol

Amigos do basquetebol

Nada melhor do que terminar o ano neste blog com uma entrevista do nosso atual técnico da seleção masculina Ruben Magnano.

Ele fala sobre o ano de 2010 e as perspectivas para o nosso basquetebol para o próximo ano que será decisivo. Magnano, respondeu por email às três questões formuladas e sempre se mostrou bastante receptivo. Nosso técnico participou ativamente da criação da Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol e tem colaborado muito com sua experiência internacional e pelo conhecimento que tem de outras escolas em países onde atuou, especialmente a Argentina. Magnano também participará dos cursos, ministrando palestras quando a agenda de compromissos com a Seleção permitir.

Vamos à entrevista:

1 – Como você avalia seu primeiro ano no comando da seleção brasileira masculina?

A avaliação que faço desses primeiros dez meses tem a ver com várias coisas que fui percebendo sobre o basquetebol brasileiro. Observei que há muita gente envolvida com o basquetebol com muito boas intenções para colaborar com o crescimento do basquetebol no Brasil. Creio que este compromisso é o que vai fazer com que consigamos os nossos objetivos .
Observei que a CBB está muito comprometida com projetos importantes como a ENTB, o projeto de desenvolvimento de jovens jogadores das diferentes categorias e uma infra-estrutura adequada para se trabalhar na preparação das equipes desde a base até o adulto.
Foi estruturado um interessante formato de competições nacionais de base entre seleções estaduais em suas três divisões, com acesso e descenso e a Copa do Brasil que incrementa a competição em diferentes regiões.
Outro aspecto sumamente importante é ver o crescimento do N.B.B, como uma fonte de desenvolvimento, com a competição melhorando a cada ano. Importante frisar a quantidade de jogadores que atuavam fora do país e que está voltando para reforçar nossas equipes, o que mostra a força da liga.
Sobre as Seleções, o Brasil conseguiu um feito importante que foi a classificação para o mundial sub-18, obtendo a medalha de prata na última Copa América realizada nos Estados Unidos. Também recuperamos o título Sulamericano adulto.
Finalizando, afirmo que nossa seleção adulta poderia ter avançado um pouco mais na Turquia. Refiro-me a como a equipe se comportou e ao resultado final.  Entendo que faltou para a equipe um pouco de capacidade de decidir nos momentos importantes, dando o golpe final para nocautear os adversários.

2 – Quais as principais ações para o ano de 2011?

Nossas principais ações já começaram antes mesmo de se iniciar 2011.  Neste momento estou priorizando os torneios das diferentes categorias de base, assistindo a todos eles para poder ter uma visão mais clara sobre nossos jovens jogadores e que futuramente poderão representar o Brasil nas diferentes seleções ( sub 15  ; sub ;sub 16 ; sub 17 ; sub 18 ).

Outras ações importantes:

– estruturar todo o projeto de desenvolvimento do trabalho que se inicará em janeiro: montagem das comissões técnicas, definir calendário, treinamentos, competições, etc..
– acompanhar as seleções de base em suas etapas de preparação para os futuros torneios (Sulamericano sub 17; Copa América sub-16; Sulamericano sub-15 e Mundial sub-18), mantendo contato direto com os jovens jogadores e suas respectivas comissões técnicas
-visitar nossos jogadores que jogam no exterior ( Estados Unidos e Europa)
-preparação da equipe adulta para o Pré Olímpico e Panamericano

3 – Quais as perspectivas do basquetebol masculino brasileiro para os próximos anos?

Não tenho nenhuma dúvida que o basquetebol brasileiro crescerá e terá grande desenvolvimento. Há elementos que nos permitem sonhar com um futuro muito próspero nesse esporte.
Agora todos temos que atirar para o mesmo lado.



Meus sinceros agradecimentos ao Prof. Ruben Magnano pela entrevista e que ele tenha sucesso e alcance os objetivos propostos para nosso basquetebol. Todos nós estamos torcendo por isto.

Anúncios
Opinião do autor · Todos os posts

Feliz Basquetebol em 2011

Amigos do basquetebol

Estamos chegando ao final de 2010.  Ano que o nosso basquetebol iniciou uma recuperação de seu status.

Melhoramos um pouco, mas não foi um ano para grandes comemorações.

Mas esperemos que 2011 nos traga mais esperanças:

  • que possamos retomar nosso rumo em busca do prestígio perdido
  • que tenhamos sucesso nos torneios pré-olímpicos e voltemos aos Jogos
  • que nossas categorias de base tenham o apoio necessário para que novos talentos apareçam
  • que nossos atletas “internacionais” tenham real vontade de servir à Seleção
  • que nossos dirigentes olhem com carinho para todo o contexto e tragam propostas viáveis e objetivas para nosso basquetebol
  • que nossos técnicos pensem em se aperfeiçoar cada vez mais para melhorar o nível dos nossos praticantes
  • que as ligas resgatem os grandes campeonatos
  • que o basquetebol volte a ser atrativo para as crianças e jovens
  • que a ENTB possa cumprir seu papel de auxiliar na formação de novos treinadores e aperfeiçoamento dos que já estão há tempos na profissão
  • enfim, que o Basquetebol volte a nos trazer grandes alegrias e que possamos falar com satisfação de nossos ídolos, como fazíamos há algumas décadas

FELIZ BASQUETEBOL em 2011.

Artigos

Lesões no basquetebol

Amigos do basquetebol

O tema “lesões no esporte” é sempre muito importante pois elas são a principal causa de afastamento de atletas de suas atividades.

A lesão é um dano causado por traumatismo físico sofrido pelos tecidos do corpo.  A incidência e severidade das lesões estão diretamente relacionadas a fatores pessoais, fatores relacionados às modalidades praticadas e aos seus respectivos fatores ambientais.

Essas lesões supõem uma disfunção do organismo que produz dor, restringe as possibilidades de funcionamento e pode aumentar o risco de disfunções maiores. Além disso,  provocam a interrupção ou limitação da atividade esportiva durante algum tempo ou até permanente e também de atividades não esportivas como, por exemplo: atividades escolares para quem não é profissional ou outras atividades que, devido à lesão, não poderão realizá-las de nenhuma forma, ou da mesma maneira que antes.

As lesões implicam, em geral, em mudanças na vida pessoal e familiar como conseqüência as restrições que as mesmas impõem sobre a pessoa.  Sua reabilitação requer tempo, esforço, dedicação e, em algumas ocasiões, resistência a dor e também a frustração. Geralmente são acompanhadas por experiências psicológicas que afetam o bem-estar da pessoa lesionada e de todos que estão a sua volta.

As lesões no esporte podem ser causadas por

  1. Contato ou impacto: nas modalidades esportivas coletivas são provenientes do contato físico entre os atletas e o impacto no solo (saltos, deslocamentos)
  2. Sobrecarga dinâmica: proveniente da carga de treinamento a qual os atletas são submetidos constantemente
  3. Uso excessivo (overuse): excesso de treinamento ou de competições, sem períodos de recuperação
  4. Vulnerabilidade estrutural: proveniente da própria estrutura genética do indivíduo
  5. Inflexibilidade: proveniente da falta de mobilidade articular
  6. Desequilíbrio muscular: proveniente do desequilíbrio entre treinamento de força e alongamento
  7. Crescimento rápido: proveniente da falta de adaptação do organismo em relação ao crescimento. Muito comum em atletas adolescentes

As lesões podem ser classificadas como:

Lesões crônicas

Decorrem do excesso de treinamento, cargas repetidas, técnica errada ou, ainda, podem ser resultantes de outras lesões não curadas totalmente, gerando sobrecarga das articulações e de grupos musculares envolvidos.

Lesões agudas

Podem ser resultado de um único trauma, ou de degenerações teciduais promovidas pelas lesões crônicas (que permitem maior susceptibilidade à uma lesão aguda).

Lesões no basquetebol

O basquetebol tem como uma de suas características, a grande exigência muscular que é empregada nos membros inferiores, devido a uma sucessão de esforços intensos e breves, realizados em ritmos diferentes, através de um conjunto de constantes lançamentos, saltos (verticais e horizontais) e corridas, além do fato de que todas estas ações podem ocorrer em curto espaço físico e de tempo. Outra característica importante do basquetebol é a variabilidade de ritmo e intensidade na execução das ações. Apesar de não ser considerado um esporte violento, as dimensões exíguas da quadra e o número de jogadores em disputa, movimentando-se velozmente, provocam freqüentes contatos corporais, o que pode causar os mais variados tipos de lesões.

Os diversos estudos sobre lesões no basquetebol apontam que joelhos e tornozelos são as partes do corpo mais afetadas com a predominância de entorses e rompimento de ligamentos. Essas lesões decorrem, principalmente, do contato entre os atletas, das aterrissagens dos saltos em rebotes e arremessos e das mudanças bruscas de direção e giros. As lesões musculares também podem aparecer, mas com menor frequênca.

Em estudo realizado com atletas de basquetebol brasileiros, De Rose e col (2006) obtiveram os seguintes resultados:

  • 344 atletas entre 14 e 35 anos; 174 homens e 170 mulheres
  • 269 atletas (78%) relataram ter tido algum tipo de lesão – 137 homens e 132 mulheres
  • Dos lesionados, 80% tiveram lesões nos membros inferiores, sendo 150 (55%) nos  tornozelos , com predominância de entorses 95 (35%) nos joelhos, com predominância de entorses e rompimento de ligamento cruzado.

Lesões nos membros superiores, principalmente luxações nos dedos das mãose lesões na cabeça (nariz) também ocorrem com certa frequência.

Um fator importante para a prevenção de lesões no esporte é a elaboração adequada do treinamento. Esse treinamento deve integrar de forma adequada a preparação física, técnica e tática, apresentando os cuidados necessários com as sobrecargas e intervalos de recuperaçã. Não respeitar os conceitos básicos do treinamento esportivo e a condição individual, proporcionando os intervalos necessários para a recuperação das fontes energéticas podem levar à fadiga muscular e esta induzir a uma queda de rendimento e até uma lesão.

Em relação às crianças os cuidados devem ser ainda maiores para que não se comprometa a estrutura física e psicológica do jovem atleta que pode ainda não estar devidamente desenvolvido para receber determinadas cargas de trabalho e cobranças quanto ao seu desempenho.

Outro fato hoje muito difundido é o trabalho de propriocepção, muito difundido nos meios esportivos.

Não podemos esquecer que o ambiente de treinamento e competição também pode evitar inúmeras lesões. Manter as quadras em boas condições é obrigação das instituições no sentido de preservar a saúde e bem estar dos atletas e praticantes.

Cena que queremos e podemos evitar

Obs: Este texto foi compliado dos seguintes artigos e capítulos de livros

Formigoni, A. Principais lesões e como prevení-las no basquetebol feminino. In: De Rose Jr., D. & Tricoli, V., Basquetebol: uma visão integrada entre ciência e prática. Manole: Barueri, 2005, cap. 6.

Tadiello, F.F. & De Rose, G. Epidemiologia das lesões nas modalidades esportiva coletivas. In: De Rose Jr., D., Modalidades esportivas coletivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, cap. 7.

De Rose, G.; Tadiello, F.F. & De Rose Jr., D. Lesões esportivas: um estudo com atletas do basquetebol brasileiro. Lecturas en Educación Física y Deportes – Revista Digital (www.efdeportes.com). Buenos Aires – Año 10, n 94, marzo de 2006

Opinião do autor · Todos os posts

Iugoslávia: o melhor basquetebol do mundo

Amigos do basquetebol

Sempre tive uma admiração incontestável pelo basquetebol da Iugoslávia. Apesar de passar por conflitos internos que culminaram com a fragmentação do país, a Iugoslávia sempre nos ofereceu um basquetebol rico em talento, força e velocidade, jogadores espetaculares e treinadores de primeiríssima categoria.

Até 1990 a Iugoslávia era um país unificado e que se apresentava nos torneios internacionais com equipes altamente competitivas. Sua primeira participação em Campeonatos Mundiais foi em 1950, quando obteve um modestíssimo 9o. lugar, seguido de um 11o. em 1954. A partir da década de 60 a Iugoslávia iniciou sua trajetória vencedora no baquetebol mundial, figurando sempre entre os primeiros colocados nos mundiais (primeiro em 70, 78, 90, 98 e 2002; segundo em 63, 67 e 74 e terceiro em 82 e 86) e Jogos Olímpicos (primeiro em 80; segundo em 68, 76 , 88 e 96 e terceiro em 84).

A partir de 1991, os conflitos internos provocaram a separação da antiga Iugoslávia em seis diferentes países – Sérvia e Montenegro (que se mantinham como República da Iugoslávia), Bósnia a Herzegovina, Croácia, Eslovênia, Kosovo e Macedônia. Em 2006 Sérvia e Montenegro separaram-se, acabando definitivamente com a República da Iugoslávia e transformando o antigo país em sete novas repúblicas.

Este cenário político, formatado com grandes e sangrentas batalhas, também transformou o cenário do basquetebol na região. Ao contrário do que se poderia imaginar, a fragmentação iugoslava tornou ainda mais forte o basquetebol ali praticado. Sérvia, Croácia e Eslovênia surgiram para se firmar no cenário mundial.

A Croácia obteve um vice campeonato olímpico na famosa final de Barcelona, contra o “Dream Team” e um terceiro lugar no mundial de 1994.

A Sérvia, remanescente natural do antigo país, teve um ligeira queda nos anos de 2004 e 2006 quando obteve um 11o. lugar nos Jogos Olímpicos e um 15o. lugar no Mundial, respectivamente. Em 2010, na Turquia,  a Sérvia ressurgiu para obter um quarto lugar no Mundial, apresentando uma equipe excepcional.

A caçula nesse cenário, a Eslovênia saiu de um 16o. lugar no Mundial de 2006 para um 8o. lugar em Istambul, também com uma equipe muito promissora.

Esses três países não perderam a essência do basquetebol Iugoslavo calcada em velocidade, muita técnica e força defensiva.

Ao longo desses muitos anos a chamada “Iugoslávia” e seus “descendentes” mostraram jogadores inesquecíveis. Aqui vão alguns deles:

Korac, Daneau, Cosic, Stoakovic, Tomasevic, Divac, Drazen Petrovic, Kikanovic, Toni Kukoc, Dalipagic, Delibasic, zizic, Dino Radja, Paspalij, Bodiroga, Obradovic, Teodosic, Teodosic, Drasic, Krstic, Pyopovic, e muitos outros “ics”.

E a lista de treinadores também é invejável:

Mirko Novosel, Obradovic, Pesic, Alexander Nicolic, Ranko Zeravica.

Enfim, é um basquetebol maravilhoso ao qual me rendo e presto as mais altas homenagens.

Em minha opinião é um exemplo a ser seguido.

Mirko Novosel – lendário técnico da Iugoslávia (foto tirada durante homenagem da FIBA a lendas do basquetebol – Istambul/2010)

Novosel esteve no Brasil em 1979, na Clínica para treinadores organizada pela extinta BRASTEBA

História do Basquetebol · Todos os posts

Lá se vão 35 anos…

Amigos do Basquetebol

Muito podem não ter entendido o título deste post. Então estou aqui para explicar.

Há 35 anos um grupo de treinadores brasileiros (uma mescla de experientes e iniciantes) fazia uma das viagens mais importantes para suas carreiras e para o nosso basquetebol. Uma visita à então poderosíssima UCLA, meca do basquetebol universitário norte-americano, casa de consagrados atletas  como Kereem Abdul Jabar, Bill Walton, Gail Goodrich e do lendário John Wooden.

Lá, esses treinadores brasileiros puderam participar, durante um mês, dos treinamentos, reuniões com o novo técnico Gene Barthow e seus assistentes, além dos jogos no Pauley Pavilion (com direito a banda e cheerleaders), tentando absorver tudo o que era possível em termos de exercícios, ensinamentos técnicos e táticos, organização e outros detalhes. Além disto, muitos jogos pela tv e muitas visitas à biblioteca e “bookstore” da universidade.

Viver esse ambiente foi maravilhoso. Estar numa das maiores universidades dos Estados Unidos era uma experiência única. Ter contato com um basquetebol de altíssimo nível era indescritível.

De quebra, o grupo ainda visitou a Illinois Weslyan University, no interior de Illinois e que competia na Divisão II. Sua maior atração era um jogador muito alto, franzino, apontado como um dos futuros astros da NBA. Ao vê-lo treinar o grupo não acreditava que isto seria possível. Grande engano. O tal jogador tornar-se-ia um dos maiores pivôs da NBA – Jack Sikma.

O grupo continuava viajando pelos Estados Unidos e teve a oportunidade de visitar o Marcel e vê-lo jogar na Bradley University em Peoria, visitar o Marquinhos que jogava em Peperdine com direito a incêndio em sua “station wagon” , conhecer Hollywood, Disneylandia e o famoso Mac Arthur Park (tema de música famosa na época), ver um clássico do futebol americano – UCLA vs. USC – no Estádio Olímpico de Los Angeles, passear pelas praias de Malibu, andar por Westwood e estar indiretamente participando do momento de transformação que emanava daquela comunidade com jovens vestindo roupas excêntricas e o movimento “black power”. Tudo era novidade.

E ainda sobrou tempo para assistir alguns jogos do torneio de natal no Madison Square Garden e visitar o Hall of Fame em Springfield, berço do basquetebol.

Mas nada foi tão marcante quanto o encontro que este grupo teve com John Wooden na UCLA. Recém aposentado, Wooden recebeu os treinadores em sua sala e esbanjou carisma e simpatia. Foi uma verdadeira aula. Não de basquetebol, mas de vida para todos.

E eu estava lá. Recém formado, primeira viagem internacional, com sede e fome para aprender sobre nosso esporte. Foi gratificante e emocionante compartilhar tudo isto com o Medalha, José Guilmar, José Oda, Paulo Aurélio, Marcos Sharp e Cristóvão.

Foram momentos incríveis que, mesmo após 35 anos, não se apagam da memória.

Psicologia do Esporte · Todos os posts

Situações de jogo que podem causar stress no basquetebol

Amigos do basquetebol

Este texto mostrará situações específicas de jogo que podem causar stress no basquetebol. Ele foi complicado do artigo:

O jogo como fonte de stress no basquetebol infanto-juvenil – publicado na Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v.1, n.2, p. 36-44, 2001.

Autores: Dante De Rose Junior e Paula Korsakas

O basquetebol pode ser considerado um esporte complexo, que envolve um processo dinâmico e contínuo de situações específicas. Para atingir um nível de execução considerado adequado os atletas devem estar preparados fisicamente, tecnicamente e taticamente. Esses fatores, aliados aos aspectos psicológicos envolvidos na prática de qualquer esporte competitivo, são decisivos na determinação do desempenho dos atletas e, até mesmo, na definição dos resultados dos jogos.

Entre os aspectos psicológicos que fazem parte de qualquer contexto competitivo, o stress pode ser considerado um dos fatores preponderantes na determinação do desempenho, não se desprezando a influência da ansiedade, da motivação, da agressividade, da concentração, da atenção e da coesão de grupo, entre outros.

Pode-se imaginar que atletas experientes, com grande número de participações em eventos internacionais, tenham melhores condições de lidar com as situações causadoras de stress próprias de uma competição e possam manter seus níveis de ansiedade dentro de padrões aceitáveis. No entanto, a pressão dessas competições pode provocar rupturas nesses comportamentos, pelas consequências que o fracasso nessas situações pode gerar. Imagina-se também que atletas em início de carreira, apesar de participar de eventos menos tensos e com consequências não tão importantes, tenham dificuldades em lidar com as situações do contexto competitivo ou externas a ele e que levem a um desempenho inadequado, exatamente pela falta de experiência.

No estudo que se segue procurou-se identificar as situações próprias de jogo que podem causar stress elevado em atletas de basquetebol de categorias de base (cadetes, infanto-juvenis e juvenis), classificar essas situações de acordo com a incidência de respostas dadas pelos atletas ao instrumento utilizado para a finalidade e comparar essa classificação em função do gênero.

Participaram do estudo 136 jogadores de basquetebol (75 rapazes e 61 moças) com idade variando entre 15 e 19 anos, todos atletas de clubes filiados à Federação Paulista de Basketball, disputando regularmente campeonatos organizados pela entidade. A média de idade do grupo foi igual a 17 anos e 6 meses. Os atletas responderam ao Formulário para Identificação de Situações de Stress no Basquetebol (numa escala de 0 a 5). Os principais resultados são mostrados nas tabelas abaixo:

Tabela 1: 10 situações que mais provocam stress em jogo, de acordo com a opinião dos jogadores (valores percentuais relacionados ao número de respostas)

Clas. Situação Valor %
1 34- Cometer erros que provocam a derrota da equipe 77.3
2 25- Perder jogo praticamente ganho 68.9
3 31- Repetir os mesmos erros 68.0
4 50- Arbitragem que te prejudica 64.0
5 24- Perder para equipe tecnicamente inferior 62.7
6 33- Cometer erros em momentos decisivos 61.3
7 68- Técnico que privilegia determinado jogador 60.0
8 60- Companheiro egoísta 58.7
9 30- Jogar abaixo de seu padrão normal 56.0
10 69-Técnico que só critica 54.7
10 70- Técnico que não reconhece o esforço do jogador 54.7

Tabela 2: 10 situações que mais provocam stress em jogo, de acordo com a opinião das jogadoras (valores percentuais relacionados ao número de respostas)

Clas. Situação Valor %
1 31- Repetir os mesmos erros 88.1
2 60- Companheiro egoísta 80.3
3 25- Perder jogo praticamente ganho 77.1
4 34- Cometer erros que provocam a derrota da equipe 77.0
5 63- Companheira que cobra ou reclama muito 73.8
6 30- Jogar abaixo de seu padrão normal 77.1
7 37-Ser excluída do jogo 70.5
8 24- Perder para equipe tecnicamente inferior 70.1
9 68- Técnico que privilegia determinado jogador 65.6
10 70- Técnico que não reconhece o esforço do jogador 64.0

Como era de se esperar, as ocorrências de jogo são muito marcantes, pois têm uma influência direta no resultado e na avaliação a qual os atletas são submetidos. Ou seja, o que acontece em jogo é muito mais evidente do que aquilo que acontece em treinamento ou em qualquer outra situação na qual o atleta não esteja exposto diretamente.

Além disto verificou-se que a incidência das respostas nos níveis mais elevados de stress foi significativamente maior nas meninas.