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Mini artigo: Características do Basquetebol – parte II

Estrutura do jogo

O basquetebol está estruturado com base em três aspectos: táticos, situações de jogo (igualdade e desigualdade numéricas) e aspectos técnicos.

Os aspectos táticos são representados pelos sistemas de ataque e defesa e suas variações. Os sistemas de defesa podem ser: individual, zona, pressão, mistos ou combinados. O ataque pode ocorrer em forma de contra-ataque ou de ataque posicionado.

As situações de jogo são as ações individuais ou grupais de igualdade ou desigualdades numéricas. No ataque essas ações podem ser: 1×1, 2×2, 3×3, 2×1, 3×2 e 3×1. Envolvem o uso de habilidades individuais ofensivas, corta-luz direto e indireto, passes e movimentações constantes, cortes em direção à cesta. Na defesa essas situações envolvem o uso de habilidades individuais defensivas, ajuda e recuperação, flutuação e trocas de marcação.

Os aspectos técnicos são representados pelos fundamentos do jogo que pode ser de defesa (posição defensiva e deslocamentos defensivos e rebote de defesa) e de ataque (manejo de bola, drible, passes, arremessos e rebote de ataque).

Destaco que o controle de corpo é o fundamento que envolve tanto os fundamentos defensivos quanto ofensivos pois são importantíssimos para a execução de qualquer um dos fundamentos do basquetebol, sejam eles executados de forma isolada ou em combinação com outros fundamentos.

A estrutura do jogo e seus aspectos podem ser visualizados a partir da figura abaixo, adaptada de Ferreira e De Rose Jr (2010).

 

 

A execução desse complexo conjunto de ações depende do apoio de habilidades motoras e de capacidades físicas (condicionais) e coordenativas (psicomotoras), que serão descritas a seguir.

 

Habilidades motoras

São o conjunto de ações motoras utilizadas para execução de um fundamento ou da combinação de fundamentos. Elas podem ser:

Globais, quando envolvem a participação de grandes grupos musculares (ex: uma bandeja considerada no seu todo) ou finas, quando envolvem o controle de pequenos grupos musculares responsáveis por movimentos mais específicos (ex: momento final da bandeja – o arremesso).

Discretas, quando os movimentos têm pontos de início e fim bem definidos (ex: passe ou arremesso) ou  contínuas, quando o movimento não apresenta a característica anterior (ex: drible).

As habilidades também podem ser seriadas, quando há uma combinação de movimentos envolvendo as duas formas anteriores (ex: drible, mudança de direção e bandeja).

As habilidades motoras também podem ser analisadas a partir da estabilidade do ambiente. No basquetebol predominam as habilidades realizadas em ambiente aberto, determinadas pela imprevisibilidade e ação dos companheiros de equipe e adversários. O lance-livre é, talvez, a única situação de jogo realizada em ambiente fechado, onde não ocorre interferência do ambiente: distância fixa, não presença do adversário e atleta em posição estática e bem definida.

 

Capacidades Motoras

As capacidades motoras são divididas em:

Capacidades físicas (ou condicionais): são capacidades fundamentais na eficiência do metabolismo energético, determinadas pelos processos metabólicos nos músculos e sistemas orgânicos. Basicamente, as capacidades condicionais são: força, velocidade, resistência e flexibilidade.

A força pode ser: de salto (rebotes, jump e bandeja), de sprint ( deslocamentos, acelerações e mudanças de direção e ritmo) e de resistência (manutenção da qualidade de execução dos movimentos durante todo o jogo).

A velocidade pode ser: de reação , de movimentos acíclicos, de sprint e de força. A velocidade é importante para que o jogador possa se deslocar com e sem bola, executar movimentos bruscos de saídas, paradas e mudanças de direção em pequenos espaços na quadra de jogo.

A resistência pode ser geral (eaeróbia e anaeróbia), responsável pela manutenção do estado básico do atleta e sua recuperação ou específica (de velocidade, de saltos e de jogo), responsável pela eficiência e intensidade na execução dos fundamentos durante todo o jogo.

 

Capacidades coordenativas (ou psicomotoras): São aquelas que organizam os movimentos, determinadas por componentes predominantemente relacionados ao sistema nervoso. São elas: seleção imagem-campo, coordenação multi-membros, coordenação óculo-manual, destreza manual, estabilidade braço-mão, precisão e coordenação motora geral.

Ainda há de se considerar os aspectos cognitivos que envolvem o entendimento do jogo (leitura de jogo), tomada de decisão e antecipação e os aspectos psicológicos como a ansiedade, motivação e o stress produzido pelo jogo e por todas as situações que fazem parte do processo competitivo.

 

Considerações finais

Como já foi frisado, o basquetebol é uma modalidade esportiva coletiva complexa e que exige do profissional que com ela irá trabalhar uma compreensão de todos os seus aspectos.

Esta compreensão também se estende às condições do praticante: sua idade, seu nível de desenvolvimento, suas características físicas, funcionais e cognitivas, para que o processo de ensino e aprendizagem ocorra de modo adequado e coerente, sem que se queimem etapas.

Entender esse cenário (praticante-modalidade) é fundamental para que tenhamos crianças melhores preparadas para a prática esportiva e para que, no futuro, possa a vislumbrar a possibilidade de serem bons atletas.

Não podemos pensar no resultado imediato e nem no próximo jogo ou campeonato. Temos que pensar que se cumprirmos com a missão de despertar o gosto perene pelo basquetebol e pela prática esportiva, obteremos um imenso sucesso, contribuindo para que sejamos, verdadeiramente, um país que gosta do esporte.

 

Obs: as referências são as mesmas indicadas em Características do Basquetebol – parte I

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5 comentários em “Mini artigo: Características do Basquetebol – parte II

  1. Luiz Fernando

    Obrigado. Siga acompanhando o blog. POstarei mais textos desse tipo.

    Você foi jogador ou estou enganado? Por onde anda agora?

    Me lembro do seu nome por conta das muitas vezes que fiz estatísticas em jogos do Paulista

  2. Caro Dante
    Helminsky foi jogador e dos bons.. Sob meu comando jogou na UNISANTA e ULBRA. Integrou seleção brasileira juvenil junto com Demetrius Ferraciu em Campeonato Sulamericano no Equador que tive a oportunidade de ver ao vivo. A lembrança de seu nome possivelmente vem de uma mania que eu tenho a respeito de usar sobrenome de jogadores ao inves de apelidos , coisas do futebol ou de times de colegio.Podemos discutir tb esse assunto para melhor comunicação no basquetebol.

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