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Mini artigo: Postura e conduta técnica do treinador de basquetebol – I

Amigos do basquetebol

A partir deste post, abordaremos temas envolvendo as relações que um treinador deve manter em seu ambiente de trabalho, iniciando com seu envolvimento com os atletas.Os textos sobre este assunto são de autoria do Prof. Tácito Pinto Filho, professor dos cursos da ENTB, onde desenvolve o tema Conduta e postura técnica dos treinadores de basquetebol.

Todos reconhecem a importância dos treinadores no processo de formação de novos atletas. O profissional que está à frente de uma equipe deverá se preocupar principalmente com o exemplo que dará aos atletas seja pelo seu caráter, ética e conduta pessoal, pois suas atitudes dirão muito mais que suas palavras. Estar consciente que será um líder e um educador, por muitas vezes tendo influência maior do que a própria família.

Com relação a seu caráter o treinador terá que se preocupar principalmente com sua índole, moral, honestidade e autenticidade.

Procurar ser ético em todas as suas ações e relacionamentos com todos os envolvidos tais como atletas, pais. diretores, funcionários, adversários, demais treinadores, outras entidades, etc. Ser um defensor e divulgador do “fair play” (espírito esportivo) não sendo conivente em nenhuma situação que possa resultar na “vitória a qualquer preço”.

Preocupar-se com sua conduta pessoal tanto dentro quanto fora do trabalho profissional fazendo um constante policiamento sobre suas ações.

Especialmente nas categorias de formação e base, o treinador deve ter sempre em mente que estará trabalhando com adolescentes e pré-adolescentes e não com adultos em miniatura. Portanto ele deve conhecer  todos os aspectos relacionados com o crescimento e desenvolvimento, para poder compreender as necessidades da faixa etária correspondente.

Deve-se sempre privilegiar o grupo pois se trata de uma modalidade coletiva e as “estrelas” irão brilhar por sua luz própria. Os atletas com uma melhor condição técnica devem ter o mesmo tratamento dos menos hábeis. A atenção deverá ser igual para todos tanto nos feedbacks positivos quanto nos negativos.

Não é recomendável aplicar castigos físicos aos atletas por erros técnicos, pois agindo dessa maneira estará colocando uma pressão a mais em um momento de aprendizagem.

Nunca ofender moralmente a seus atletas e nem utilizar palavras de baixo calão  pois estará desta maneira dando o mesmo direito a seus comandados. O Novo Código Brasileiro de Justiça Desportiva tem um artigo específico que trata do assunto:

Art. 243 – Submeter criança ou adolescente, sob sua autoridade, guarda ou vigilância, a vexame ou constrangimento. PENA: multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais), e suspensão pelo prazo de trezentos e sessenta a setecentos e vinte dias.

  • $ 1º. Nas mesmas penas incorre, na medida de sua culpabilidade, o técnico responsável pelo atleta desportivamente reincidente na mesma competição.
  • $ 2º. O Presidente do Tribunal (STJD ou TJD) encaminhará todas as peças dos autos, assim que oferecida denúncia, ao Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente.
  • $ 3º. Comprovada a culpabilidade do agente, os autos serão enviados ao Ministério Público, após o trânsito em julgado.

Os treinadores de formação e base deparam-se com uma situação muito comum que é a participação ou interferência dos pais. Manter um bom relacionamento com os pais é de grande importância pois nesta faixa etária dependemos diretamente dos mesmos para transportar os atletas.

Fazer reuniões periódicas com os pais para que possa explicar e deixar bem claro quais serão os critérios e diretrizes do trabalho a ser desenvolvido, sempre com o apoio do corpo diretivo de sua entidade. Quanto mais claras e objetivas forem suas explicações mais fácil será administrar os conflitos que surgirem. O ideal é na primeira reunião do ano apresentar uma espécie de “Carta de Intenções”. Essa “Carta” será remexida ao longo do ano, através da observação dos jogadores e os problemas e dificuldades apresentadas. Deve sempre estar disponível para atender os pais, menos durante os treinos e após os jogos.

Esclarecer os pais quanto a regulamentos e regras do basquetebol para evitar constrangimentos durante as competições.

Orientar quanto a forma mais adequada de torcer. A atitude do treinador influenciará diretamente as ações dos pais. Deverá conter qualquer manifestação que não esteja de acordo com o fair play (espírito esportivo). Principalmente deverá deixar bem claro que orientações técnicas e táticas são responsabilidade exclusiva do treinador.

Agindo desta forma, o treinador evitará problemas de relacionamento e conseguirá desenvolver um trabalho adequado aos seus objetivos e visando o desenvolvimento geral do jovem esportista.

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3 comentários em “Mini artigo: Postura e conduta técnica do treinador de basquetebol – I

  1. Dante e Tácito,
    Tenho acompanhado os artigos com bastante interesse, e gostaria de parabenizá-los, mais uma vez pela iniciativa.
    Este artigo que trata do básico do básico, mas que na maioria das vezes é deixado de lado e vem a trazer muitos problemas futuros, o tratamento da criança como criança, o bom relacionamento do técnico com os pais e outra coisa que também é importante, é conhecer as expectativas do aluno/atleta para com a modalidade que ele pratica, poque às vezes nós queremos impor a modalidade e o atleta gostaria apenas de praticar um esporte e não se tornar um astro, sendo o contrário também verdadeiro. Antes de tudo o esporte deve ser um prazer, e nós somos responsáveis por isso se tornar uma realidadde ou não.
    Grande abraço,
    Angela Morais

    1. Prezada Ângela

      Muito obrigado pelo comentário. É muito importante que os técnicos entendam que a criança é o principal ator deste cenário. E como tal, deve ser respeitada e não usada para se atingir objetivos pessoais.
      Repassei ao Tácito e ele também agradece.

      Dante

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