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A estatística no baquetebol

Uma partida de basquetebol pode ser analisada a partir de diferentes pontos de vista e através das mais variadas metodologias, visando aumentar o número de informações sobre um determinado atleta ou equipe.

Em relação ao desempenho técnico de um atleta ou de uma equipe o objetivo é determinar o nível de suas ações, a execução dos fundamentos e a eficiência dessa execução, quantificando a ação através de uma determinada mensuração. Já do ponto de vista tático, analisam-se as situações desenvolvidas por pequenos grupos ou por toda a equipe, a partir de padrões pré-definidos (plano tático de jogo) tanto na defesa, quanto no ataque.

Essas análises podem ser feitas objetivamente (quando se procura quantificar ou nomear uma determinada ação), ou através de observações subjetivas (quando se tenta fazer uma observação qualitativa da execução técnica, ou da ação conjunta de pequenos grupos ou de toda a equipe).

O conjunto dessas observações (objetiva/subjetiva; qualitativa/quantitativa) é chamado de “scouting”, termo aceito universalmente na linguagem corrente do basquetebol. O “scouting” é a detecção das características e do estilo de jogo da equipe adversária, no sentido de explorar os seus pontos fracos e contrariar as suas dimensões fortes. O “scouting” é responsável por detectar características específicas como, por exemplo, qual lado da quadra o bom arremessador prefere usar, se o armador é destro ou canhoto, se o pivô executa um bom bloqueio de rebote e as principais movimentações táticas ofensivas e defensivas. O “scouting” se preocupa com o local e distância desses arremessos, o tipo de movimentação ofensivo que os geraram, o posicionamento defensivo, entre tantos aspectos do jogo.

Já a estatística é, basicamente, o retrato numérico de um atleta ou de uma equipe, não se enfocando a “qualidade” da ocorrência, mas sim sua quantidade. Por exemplo: a estatística de jogo aponta quantos arremessos de 3 pontos uma equipe executou durante uma partida e quantos acertou. Ela será sempre expressa através de números, tabelas e gráficos.

Portanto, pode-se deduzir que a estatística é parte do um todo denominado “scouting”, mas que pode ser analisada e interpretada isoladamente. No entanto, a estatística não pode e não deve ser analisada isoladamente, pois o jogo acontece em um contexto no qual o desempenho técnico está intimamente relacionado a outros indicadores que são fundamentais para o sucesso do atleta e da equipe, ou seja: físicos, táticos e estratégicos. Os fatores situacionais como o contexto no qual o jogo acontece (local, classificação, momento do campeonato, momento da equipe, entre outros) também não devem ser ignorados.

A partir dessa análise integrada, tanto atletas, quanto a equipe, poderão obter seu rendimento máximo, orientados por técnicos que tenham o domínio desse conhecimento e o utilizem de forma adequada através de metodologias e estratégias bem definidas.

Atualmente, não há como imaginar um jogo de basquetebol sem o suporte desses meios auxiliares valiosíssimos que servirão aos treinadores e comissões técnicas para definir estratégias para a organização técnico-tática de uma equipe nos treinamentos nas futuras atuações em jogos.

Este texto foi adaptado do texto original:

Análise estatística de jogo. (Dante De Rose Junior, Alexandre Barros Gaspar e Rafael Marcos Assumpção).

Do livro

Basquetebol: uma visão integrada entre ciência e prática (Dante De Rose Junior e Valmor Trícoli)

Editora Manole, 2005, cap.7.


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