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Miami ou Dallas – LeBron ou Novitski?

Miami e Dallas chegam à uma final, repetindo a temporada 2005/2006, quando a equipe da Flórida aplicou um 4 a 2 nos rapazes do Texas.

Wade (Miami) e Novitski (Dallas) eram os astros de suas equipes. Miami ainda tinha Shaquille O´Neal e Alonzo Mourning, ambos já em fase decadente.

Nesta atual temporada, as equipes parecem mais consistentes e reforçadas. Wade e Novitski continuam sendo os grandes astros, mas a chegada de LeBron James e Chris Bosh ao Miami e a participação de Jason Kidd e Shawn Marion no Dallas darão, certamente, um tempero especial a esta série final.

Acredito sempre que o conjunto deva prevalecer a aí podemos até considerar que as duas equipes têm uma base sólida calcada nos trios Kidd, Marion e Novitski pelo Dallas e Wade, James e Bosh por Miami.

Os números das equipes, nas séries dos play-offs mostram grande equilíbrio, com pequenas vantagens para uma ou outra.

Dallas teve média de 99,7 pts/j e sofreu 92,5. Miami: 92.9×88,3.O percentual de arremessos é muito semelhante:

3 pts: Dallas – 38,8; Miami – 32,2

2 pts: Dallas – 46,3; Miami – 44,3

Lances-Livres: Dallas – 82,0; Miami – 80,0

Rebotes: Dallas 38,7;  Miami – 42,1

Bolas perdidas: Dallas – 12,7; Miami – 13,6

Assists: Dallas 20,0; Miami – 15,2

Bolas recuperadas: Dallas – 7,1; Miami – 7,0

Faltas: Dallas – 18,4; Miami – 20,3

Mas, com certeza o duelo LeBron – Novitski chamará a atenção. Ambos tiveram uma temporada regular e séries de play-offs brilhantes o que nos garante uma briga fenomenal nessa final.

Os números nos play-offs: Lebron – Novitski (respectivamente) – média por jogo

Minutos jogados:  44,0 – 38,9

Pontos: 26,0 – 28,4

% de 3: 37,0 – 51,6

% de 2: 51,0 – 51,7

% Lances- Livres: 79,0 – 92,9

Rebotes: 8,9 – 7,5

Assists: 5,5 – 2,7

Bolas recuperadas: 1,7 – 0,5

Bolas perdidas: 2,8 – 3,2

Enfim, façam suas apostas. Quem leva o título este ano?

OU

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A política para o esporte no Brasil: existe uma política?

Amigos do Basquetebol

Este texto foi preparado para uma publicação que não chegou a ser veiculada.

Falar em políticas para o esporte no Brasil é uma tarefa muito árdua.

Inicialmente porque o conceito de esporte ainda é algo que causa muitas divergências mesmo entre aqueles que militam na área. Este conceito muitas vezes se confunde com o conceito de atividade física ou mesmo da tradicional educação física, praticada nas escolas de ensino fundamental e médio.

Segundo De Rose Jr. (2007), “tradicionalmente o esporte sempre fez parte da “área” Educação Física que abarca, até hoje, uma série de atividades físicas como a dança, a recreação e outras manifestações que não estão, necessariamente, ligadas ao âmbito escolar” (p. 15).

A partir deste conceito, percebe-se que “atividade física” é o grande guarda-chuva que congrega diferentes tipos de manifestações que envolvam movimento. Esta afirmativa baseia-se na definição de atividade física proporcionada por Barbanti (2003): totalidade de movimentos executados no contexto do esporte, da aptidão física, da recreação, da brincadeira, do jogo e do exercício.

Portanto ao se falar sobre políticas de esporte temos que ter clareza do que estamos abordando. Que esporte é esse? É o esporte sob o senso comum (pelo qual tudo que se faz em termos de atividade física é considerado esporte?) ou pelas definições que colocam o esporte como uma atividade com características especiais, submetido a regras específicas, com um componente competitivo inerente à sua essência e que visa um determinado rendimento?

Parece-nos que as políticas esportivas no nosso país transitam pelo primeiro aspecto. E isto acaba por criar muitas incertezas do que realmente queremos ou necessitamos.

Quais nossos objetivos ao abordarmos as tais políticas? Podemos pensar em um esporte realmente democratizado e que proporcione a um número grande de pessoas a oportunidade de praticá-lo, mesmo sem o objetivo de se tornar um grande atleta? Ou temos que pensar no esporte voltado a resultados que levem o país a ser uma potência mundial, ganhador de muitas medalhas olímpicas?

No primeiro caso, os governos (municipal, estadual e federal) deveriam ter uma parcela significativa de participação no processo de criação de uma cultura esportiva.

Isto passa, necessariamente, pela ampla divulgação do esporte como atividade possível de ser praticada em locais de fácil acesso e por todas as pessoas principalmente crianças e jovens. É claro que prover essa necessidade demandaria algumas ações que pudessem atender as expectativas dos praticantes: espaços e materiais adequados e profissionais preparados para desenvolver essas atividades.

No entanto, garantir espaço e bons profissionais não parece ser as únicas ações. Muito mais que isto, seria fundamental a idealização de um programa que atendesse a essas demandas.

Esse programa deveria ser estabelecido de acordo com alguns preceitos básicos:

  • Democratização real: prioritário a crianças e jovens de forma generalizada, sem qualquer restrição
  • Estabelecimento de conteúdos pertinentes à prática esportiva geral e que respeitasse os níveis de desenvolvimento dos praticantes e características das culturas locais
  •  Formação de profissionais para ministrar essa prática. Criação de cursos complementares aos cursos superiores de Educação Física e Esporte
  • Utilização de espaços como escolas, parques, centros esportivos, estacionamentos de shoppings, entre outros
  • Avaliação e acompanhamento do desenvolvimento dos programas ao longo do tempo e propostas de reavaliação e reorganização de acordo com as necessidades apontadas

De fato, alguns programas já existem. No entanto, a grande maioria tem somente um interesse imediato para atender objetivos eleitoreiros e que são modificados a cada novo governante que assume seu posto, fazendo com que, constantemente, “reinventemos a roda”.

O segundo caso, desenvolvimento de uma política esportiva de alto rendimento para transformar o país em um país esportivo (não necessariamente uma potência esportiva).

Para ser potência, primeiro temos que nos tornar um país praticante de esporte. Como nos comparar às grandes potências se o número de praticantes é pequeno e essa prática é restrita a pequenos grupos em espaços altamente restritivos (normalmente os clubes).

Caberia às entidades esportivas (Federações, Confederações e Comitê Olímpico) prover recursos para o desenvolvimento dessas atividades criando centros de formação e treinamento para atuar da iniciação esportiva ao alto rendimento.

De certa forma, as duas situações poderiam se complementar. Em um primeiro momento uma ação governamental para incentivar a prática esportiva geral e, concomitantemente, as organizações privadas atuariam na captação dos possíveis talentos emergentes do primeiro.

Impossível? Nada é impossível se pensarmos em projetos que possam transcender a ambição política individual. Assim como em outras áreas (principalmente saúde e educação), o esporte (e a atividade física – foco de outra discussão) também deveria ser encarado como uma questão de políticas públicas, mas sem se eliminar a participação das entidades privatizadas na viabilização desses projetos.

Referências Bibliográficas:

Barbanti, V.J. Dicionário de educação física e esporte. São Paulo: Manole, 2003, 2ª. Ed.

De Rose Jr., D. O esporte como objeto de estudo: uma área a ser explorada. Corpoconsicência: vol.II, n. 1, p. 15-17.

Leituras · Todos os posts

Boas leituras: história do Brasil

Amigos do Basquetebol

A sessão de Leituras deste blog tem o objetivo de levar a todos sugestões de livros que possam contribuir para aperfeiçoar nosso conhecimento em diferentes áreas.

Desta forma, passo a vocês sugestão de três obras maravilhosas sobre a história do Brasil. São livros que contam nossa história de forma agradável, sem a chatice das infindáveis datas e nomes.

1808 – Laurentino Gomes (Ed. Planeta)
conta a saga da mudança da família real portuguesa para nosso país no início do século XIX e todas as consequências deste ato que trouxe ao Brasil a abertura dos portos e , ao mesmo tempo, infindáveis problemas políticos, sociais e financeiros.

O mesmo autor relata em 1822 (ed. Nova Fronteira) o período em que D.Pedro assumiu o comando do país, declarando nossa Independência. Nesta obra algumas coisas que aprendemos nos bancos escolares são esclarecidas, mostrando a verdadeira face do nosso primeiro imperador.

E, por fim, Uma breve história do Brasil (ed. Planeta), de Mary Del Priori e Renato Venâncio, relata nossa história desde o início da era de ouro da navegação portuguesa, passando pelo descobrimento do Brasil e o desenvolvimento do país em suas diversas fases (império, república, estado novo, ditadura militar e atual democracia).

São obras que não falam do esporte, mas nos deixam mais próximos da nossa história e cultura. Vale a pena conferir.


Estatísticas · História do Basquetebol · Todos os posts

1981: Mundial de Clubes Campeões. Os primórdios da estatística no basquetebol do Brasil

Amigos do Basquetebol. 1981. Dois anos após o Sírio ter conquistado o Campeonato Mundial de Clubes Campeões, o torneio voltava a S.Paulo. O Brasil seria representado pelo próprio Sírio e pela Francana.

Além deles, oito clubes representando  diversos países estariam presentes: ASFA (Senegal), 1 de Agosto (China), Clemson University (EUA), Ferrocarril (Argentina), Guaiqueries (Venezuela), St. Kilda (Austrália), Real Madrid (Espanha) e Macabbi (Israel).

O Sírio vinha com: Dodi, Paulo Estgeves, Saiani, Carioquinha, Larry, Marquinhos, Maury, Marcel, Paulo Vilas Boas, Sam Foggins, Oscar e Luizão. O técnico: Cláudio Mortari. A Francana tinha em seu elenco: Gilson, Carlão, Chuí, Toto, Hélio Rubens, Fausto, Guerrinha, Wagner, Silvio, Gera, Magno e Robertão. O técnico: o saudoso Pedroca. As equipes estrangeiras tinham craques do quilate de Cortijo (Ferro), Chris Dodds (Clemson) e Rocky Smith (St. Kilda) que depois se tornaria um dos grandes astros do basquetebol brasileiro. Mas a grande sensação era a equipe do Real Madrid. Como esquecer do time formado por Brabender, Romay, Delibasic, Fernando Martin e Corbalan (na minha opinião um dos maiores armadores que vi jogar). As equipes foram divididas em grupos e Real Madrid, Clemson e Sírio classificaram-se pelo grupo A enquanto Francana, St. Kilda  e Ferrocarril, pelo grupo B.

Os classificados do grupo A enfrentariam os classificados do B e os dois primeiros disputariam o jogo final, enquanto o terceiro e quarto disputariam a medalha de bronze. Assim sendo Clemson e Francana disputaram o bronze, com a vitória dos americanos (79×73) e Sírio e Real Madrid disputariam o título com a vitória dos espanhois depois de uma das maiores exibições de basquetebol já vistas em quadras brasileiras (109×83).

Os destaques individuais: Cestinha: Rocky Smith – St.  Kilda (252 pts em 7 jogos – média = 35,2) Rebotes: Earl Williams – Maccabi (66 em 6 jogos – média de 11) Assistências: Carioquinha – Sírio (47 em 8 jogos – média de 5,8) % de arremessos (lembrando que não havia a linha de 3) – Perry – Maccabi (70/101 – 69,3%) % Lance Livre: Malovic – Real Madrid (20/21 – 95,2%) Maior número de pontos em um jogo: Rocky Smith (52 vs. ASFA).

Mas alguns poderão estar perguntando: Mas porque falar deste campeonato, já que o Sírio venceu em 79?

O motivo é que neste campeonato foi realizado um dos maiores e melhores trabalhos de estatística já feitos neste país. Não foi o pioneiro (já que no Mundial Feminino de 1971, as estatísticas foram realizadas). Mas foi, com certeza o grande alavancador desse serviços no basquetebol nacional.

Naquele ano, eu e meu sempre companheiro Lula Ferreira ministrávamos o Curso Técnico de Basquetebol na USP. Era um grupo com 21 alunos de muita qualidade. Então surgiu a oportunidade de realizarmos as estatísticas do Mundial a convite do saudoso Artur Andreotti, diretor do Sírio.

Para nós era uma nova experiência, pois quase nada havia sido feito nesta área no Brasil. Pesquisamos material do exterior, organizamos e treinamos o grupo e fomos à luta. Sem computador, sem internet, contando exclusivamente com o trabalho do pessoal. O que foi feito naquele torneio , pode-se dizer, que seria considerado um absurdo nos dias de hoje quando apenas duas pessoas cuidam do registro de todos os dados. O trabalho era feito com 16 (sim, dezesseis)  pessoas na quadra, cada um anotando um planilha de jogo por equipe, além do mapa de arremessos e três pessoas na retaguarda para passar a limpo nas planilhas todos os registros. Ao final de cada tempo (eram dois tempo de 20 minutos)  eu e o Lula recolhíamos a papelada e levávamos a uma sala para passar tudo a limpo com a ajuda da nossa muito querida secretária Rosana Cury. Uma loucura. E em cinco minutos as estatísticas escritas à mão eram entregues aos técnicos nos vestiários.

Mas o trabalho não parava por aí. Ao final de cada rodada ficávamos atá altas horas da madrugada atualizando as estatísticas acumuladas e elaborávamos os boletins para serem entregues pela manhã no hotel das delegações. Tudo à mão e em uma máquina de escrever convencional.

O trabalho de quadra era feito com quatro planilhas:

Arremessos: divididos em curta distância, média distância, longa distância, bandejas e lances-livres

Bolas perdidas, violações, bolas recuperadas, tocos e assistências

Faltas, Rebotes de defesa e rebotes de ataque e tempo jogado

Mapa de arremessos

Cada equipe tinha uma de cada planilha com duas pessoas trabalhando nelas: um anotando e outro “cantando” as ocorrências. Ou seja, oito pessoas anotando os dados de cada equipe.

Foi um trabalho maravilhoso e que nos deu condições de aperfeiçoar o sistema até chegarmos à situação atual. Eu sempre me orgulho muito deste trabalho e guardo com muito carinho as planilhas finais e os mapas de arremessos de todos os jogos, mostrando aos alunos e amigos o que pode ser considerado o início das estatísticas do basquetebol no Brasil.

Abaixo reproduzo um texto publicado na extinta revista “Lance Livre” sobre esse trabalho: “É um trabalho inestimável pelas informações que é possível obter da simples leitura dos dados apresentados. Nos Estados Unidos, nenhuma contratação é feita sem o scouting do jogador pretendido. Os números, mais que as palavras e recomendações, é que são levados em consideração. A profissão de scout-man é altamente valorizada dada a sua importância para o basquete. No Brasil, infelizmente, é preciso uma competição do vulto deste Mundial para nos lembrarmos das estatísticas, quando isto deveria ser rotina desde o pré-mini.”

Para encerrar este post deixo algumas imagens das planilhas utilizadas naquele Mundial e homenageio todos os alunos e colegas que dele participaram: Airton Ventura, Ana Maria Alonso, Ana Ladeira, Antonio Carlos Sayegh, Armando Diz Jr, Eduardo Ramos, Francisco Carlos de Menezes, Gisela de Rosso, José Carlos Winther, José Luiz Sinhorini, Luiz Carlos CDominguez, Mara Lucy Ruiz, Margareth Loschiavo, Mercia Silva Santos, Stéfano Di Lázaro, Vanildon Zangrando, Valter Branzini, Miguel Turcatti, Ricardo Jackchuk, Tácito Pinto Filho e Carlos Sperandin. Coordenação: Lula Ferreira e Dante De Rose Junior. Secretária: Rosana Cury.


Os números indicam as regiões dos arremessos. 1 –  curta distância; 2 – média distância; 3 – longa distância; 4 – bandejas; não havia linha de três pontos

Planilha final: cada equipe tinha a sua separadamente.

Esta é a do Sírio no jogo final contra o Real Madrid (detalhe: letra do Tácito)

História do Basquetebol · NBB · Todos os posts

Campeonato Nacional: da CBB ao NBB

Ao chegarmos à reta final do Novo Basquete Brasil, promovido pela Liga Nacional de Basquetebol, vale a pena lembrar alguns dados interessantes da principal competição nacional, disputada desde 1965.

Franca é a equipe detentora do maior número de títulos (8). Curioso é que em cada uma das conquistas a equipe teve um nome diferente: Clube dos Bagres (71), Emmanuel (74), Amazonas (75), Francana (80), Ravelli (90 e 91), Sabesp (93), Cougar (97) e Marathon (98 e 99). Portanto a equipe francana poderá conquistar seu nono título se vencer Brasília nesta temporada 2010/2011. Os técnicos que dirigiram Franca nessas conquistas foram Pedro Murilla Fuentes (Pedroca) e Hélio Rubens Garcia.

O E.C. Sírio, tradicional equipe do basquetebol brasileiro e que, infelizmente, fechou as portas ao basquetebol obteve sete conquistas: 68, 70, 72, 78, 79, 83 e 88/89. O Sìrio foi dirigido por Angel Crespo, Cláudio Mortari e Dodi.

O C.A. Monte Líbano, que também encerrou suas atividades no basquetebol adulto, obteve cinco títulos (82, 84, 85, 86 e 87). Um sob o comando de Amaury Pasos e quatro com José Edvar Simões. Curiosidade: nos campeonatos de 86 e 87 Edvar teve como assistente Dante De Rose Junior.

Os demais campeões:

Corinthians (65, 66 e 69); Botafogo (67); Vila Nova-GO (73); Palmeiras (77); Tênis Clube de S.José (81); Rio Claro (92 e 94); Pit Corinthians-RS (94); Corinthians (96); Vasco (2000 e 2001); Bauru (2002); COC (2003); Unitri Uberlândia (2004); Telemar-RJ (2005); Universo Brasília (2007 e 2009/2010 já como NBB); Flamengo (2008 e 2008/2009 já como NBB).

Os técnicos que mais obtiveram títulos foram:

Hélio Rubens – 9 (seis com Franca, 2 com o Vasco e um com Uberlândia); Mortari – 5 (3 com o Sírio, um com Palmeiras e um com Rio Claro); José Edvar Simões – 5 (quatro com o M.Líbano e um com o Tênis Clube de S.José); Moacyr Daiuto – 3 (todos com o Corinthians) e Pedroca – 3 (todos com Franca).

Os demais técnicos campeões:

2 títulos: Angel Crespo (Sírio); Paulo Chupeta (Flamengo); Lula Ferreira (COC e Brasília)

1 título: Tude Sobrinho (Botafogo); Kanela (Vila Nova); Amaury Pasos (Monte Líbano); Dodi (Sírio); João Bosco (Rio Claro); Ary Vidal (Pit Corinthians); Flor Melendez (Corinthians); Guerrinha (Bauru); Miguel Ângelo (Telemar); José Carlos Vidal (Brasília).


Hélio Rubens – o maior vencedor de títulos nacionais

Psicologia do Esporte · Todos os posts

O esporte e a “saúde psicológica”

Texto apresentado em evento realizado pelo Instituto Ayrton Senna, em 2005 

Este tema desta mesa aborda aspectos da saúde e suas relações com as atividades físicas e o esporte. Várias são as questões inerentes ao tema. Uma delas é o velho chavão “ Esporte é saúde”.

Inicialmente seria importante traçar o limite entre atividade física e esporte. Há sempre uma grande confusão entre esses dois termos. Em alguns casos eles são colocados como sinônimos, em outros o esporte é tido como uma das atividades físicas e há ainda correntes que os colocam em posições diametralmente opostas.

Em nosso caso tentaremos abordar o esporte como uma atividade física que tem algumas características bem definidas, conforme aponta Barbanti (2005). Para o autor, esporte não tem uma definição precisa, pois há grande diversidade de significados para o fenômeno. No entanto, esporte nos remete a uma atividade física institucionalizada que envolve esforço físico vigoroso, uso de habilidades motoras relativamente complexas e que exige motivação dos indivíduos para participar. Seu objetivo é comparar rendimentos e a competição é fator inerente à sua prática.

Esse “esporte” exige do atleta o cumprimento de uma lista enorme de exigências para poder atingir seus objetivos e, principalmente, manter-se nesse status. São muitas horas de treinamento intensivo, jogos e viagens permeadas por problemas pessoais e de relacionamento com colegas, técnicos e dirigentes, lesões e, principalmente, as pressões naturais da competição a que são submetidos frequentemente.

No caso dos atletas de alto nível e, em algumas vezes para aqueles que estão iniciando sua carreira, a dedicação deve ser total. Na atual conjuntura do esporte não se pode imaginar o atleta em meio período ou treinando duas ou três vezes por semana (como era comum há alguns anos). Os atletas abdicam, muitas vezes, de suas preferências pessoais, de seus relacionamentos e de sua vida social em prol de uma causa que eles (ou que outros) julgam plenamente justificável.

Pensando em todo esse esforço e sacrifício, podemos imaginar um terrível paradoxo. Ou seja: para agüentar essa demanda os atletas são preparados e, consequentemente, gozam de uma saúde de ferro. No entanto, essa mesma preparação, aliada a todos os fatores inerentes à prática esportiva de alto nível pode provocar um desequilíbrio nos diferentes fatores que fazem parte da preparação de um atleta: físico, técnico, tático e psicológico. Esse desequilíbrio, de certa forma, pode afetar a saúde desse atleta trazendo conseqüências de ordem física, psicológica e social.

Dentre esses três fatores, abordarei de forma mais direta o psicológico e mais especificamente o stress provocado pelo processo competitivo ao qual esses atletas são submetidos (entenda-se como processo competitivo toda a preparação individual e coletiva e a competição propriamente dita).

Dentre os fatores de stress mais comuns em um processo competitivo encontramos os fatores competitivos e os fatores extra-competitivos. Dos fatores competitivos podem ser ressaltados os estados psicológicos (medos, preocupações, expectativas e inseguranças); situações de jogo (situações específicas de cada esporte, arbitragem, técnicos, torcida, adversários); preparação da equipe (treinamento e infra-estrutura); planejamento e organização (federações, calendários); pressões externas. Dos fatores extra-competitivos podem ser destacados os relacionamentos, problemas com escola, trabalho e financeiros e os fatores sociais (amizades e vida social).

O trabalho de planejamento das atividades (treinamento e jogos) é primordial no combate a esse stress, pois se os atletas não tiverem momentos de descanso poderão apresentar respostas inadequadas que poderão variar desde respostas físicas/fisiológicas, psicológicas (emocionais e cognitivas) e sociais. O conjunto desses fatores atuando sobre o atleta pode levá-lo a uma situação de sobrecarga de trabalho que seguramente afetará sua saúde, por mais bem preparado que possa estar.

Portanto, a atenção ao estado de saúde do atleta deve ser constante, desde o período de iniciação esportiva, quando as crianças começam a tomar contato com o esporte e, principalmente, com a competição. Neste caso o processo de formação e especialização esportiva deve ser considerado a partir das características do praticante, suas necessidades e expectativas. Cuidar para que o treinamento seja introduzido gradativamente, sem exageros e pressões pode garantir uma vida longa para o futuro atleta mas, principalmente, uma qualidade de vida adequada para que ele continue praticando o esporte de forma saudável e prazerosa, mesmo  que não consiga atingir os altos níveis de competição e sucesso.

Imaginar que a prática esportiva massiva, com treinamentos intensivos pode levar a uma condição de ser inatingível pelas doenças que são comuns somente aos “seres humanos” é um terrível engano. Atletas, antes de mais nada, são pessoas comuns, que têm habilidades diferenciadas, mas que sentem dor, emocionam-se e sofrem como qualquer cidadão comum.

Referência bibliográfica

Barbanti, V.J. Dicionário de Educação Física e Esporte (2ª. Ed). São Paulo, Manole, 2005, p.228.

Entrevistas · Todos os posts

Entrevista com Marquinhos Abdalla Leite: um dos maiores astros de nosso basquetebol

Amigos do Basquetebol

É com muito orgulho e alegria que trago a vocês uma entrevista com um dos maiores jogadores de basquetebol de todos os tempos: o pivô Marquinhos.

Marquinhos iniciou sua carreira jogando pelo Fluminense (RJ), atuou no basquetebol americano (Pepperdine University), na Itália (Emerson Color e Sinudyne) e, evidentemente no Brasil, onde defendeu o Fluminense, Flamengo, Bradesco e o Sírio.

Nesses clubes, Marquinhos obteve inúmeros títulos, destacando-se:

Fluminense: Campeão Brasileiro infanto-juvenil, tri Campeão da Taça Guanabara e penta campeão adulto

Sírio: vários títulos paulistas e brasileiros, Campeão Sul-Americano, Vice e Campeão Mundial Inter-Clubes (81 e 79, respectivamente)

Flamengo: campeão Carioca e vice-campeão Brasileiro

Bradesco: campeão da Taça Kanela e campeão da Taça Golden Cup

Pepperdine University: campeão da WCAC, eleito MVP da conferência e American All Star na temporada 75/76

Emerson Color: Vice Campeão da Séria A2 (76/77), Vice Campeão Da Copa Korak (77/78) e eleito para a Seleção de Estrangeiros (77/78)

Sinudyne: vice campeão Italiano e Vice-Campeão Europeu (80/81)

Na Seleção Brasileira adulta, Marquinhos teve uma participação brilhante por quase 16 anos, sendo seu capitão de 1978 a 1984. Participou de quatro Mundiais (1970, 74, 78 e 82), três Olimpíadas (1972, 80 e 84), quatro Pan-Americanos (1971, 75, 79 e 83) e cinco Sul-Americanos (1971, 73, 79, 81 e 83).

Suas principais conquistas:

Vice Campeão Mundial (70), Terceiro no Mundial (78), Campeão Pan-Americano (71), Tri-Campeão Sul-Americano (71, 73 e 83) e Campeão Pré Olímpico (1984).

Em Campeonatos Mundiais, Jogos Olímpicos e Pan-Americanos, Marquinhos jogou  67 vezes pela Seleção Nacional e marcou 895 pontos com média de 13,4 pontos por partida.

Em função dessa brilhante carreira, Marquinhos integrou a seleção do século XX que contou também com Amaury, Wlamir, Oscar e Ubiratan.

Marquinhos ainda hoje mantém sua atividade como atleta, integrando a Seleção Brasileira de Masters, com a qual obteve três títulos Mundiais e quatro títulos Pan-Americanos.

Entrevista:

Fale um pouco de sua carreira: início, pessoas que te apoiaram, 
clubes em que jogou, títulos conquistados

Iniciei minha carreira em 1964, por influência de meu irmão “Paulão” e o incentivo dos meus pais. Comecei jogando no Clube Municipal do Rio de Janeiro e, durante seis meses, parei de jogar porque descobri que era o 13º jogador e só ficava no banco por influência do meu irmão, que era o melhor jogador do time e o técnico queria agradá-lo. Voltei a jogar graças a um grande amigo do meu pai e técnico do Fluminense, Orlando Cleck, que me levou para o Fluminense. Esse foi o maior técnico que tive na vida. Ele me ensinou tudo em relação a fundamentos, postura, espírito de equipe… De 1964 a 1970, esse time do Fluminense conquistou todos os títulos que disputou.

Fale de sua experiência no exterior: a diferença entre o basquetebol universitário e o italiano, estrutura do basquetebol nesses países e receptividade do jogador brasileiro

A diferença é grande, sobretudo por conta da faixa etária. No universitário, onde todos buscam um caminho para a NBA, os atletas têm idade entre 18 e 23/24 anos. No italiano, já totalmente profissional, prevalece uma mescla de jogadores jovens com outros, muito experientes, tanto italianos quanto estrangeiros. A dinâmica de treinamento é completamente diferente dos EUA para a Itália. A estrutura nos dois países é simplesmente fantástica. Nos EUA a excelente base está presente nos colégios e nas universidades. Na Itália está dentro dos próprios clubes, aparelhados com o que existe de mais avançado no mundo. Ambos os países dão excelentes condições a todos os atletas de se desenvolver e conquistar seus espaços.
A receptividade do jogador brasileiro é muito complicada… Primeiro porque nos EUA, a terra do basquetebol, você é um brasileiro, que ninguém conhece nem sabe onde fica seu país, e você está ocupando / “roubando” a bolsa de estudos de um americano. Como você presenciou, quando me visitou na Pepperdine University, consegui me destacar a custa de muito treinamento e passando por cima de várias coisas, incluindo boicote de vários jogadores. Nos EUA, a situação só mudou depois que eu chamei os jogadores e técnico para uma conversa e esclareci que os americanos tinham ido ao Brasil me buscar e não tinha sido eu que fui pedir para jogar com eles. Na Itália foi, basicamente, o mesmo processo. Dentre as 40 equipes da série “A” havia 39 americanos e um brasileiro. Então, dá pra imaginar a dificuldade… Até você começar a jogar e mostrar o seu basquetebol.

Sobre a seleção: quando iniciou? principais títulos, lembranças e frustrações

Fui convocado pela primeira vez em 1969, aos 16 anos. Lembranças só boas, maravilhosas. Frustrações… Principalmente por saber do potencial da equipe e não ter concretizado tudo que era possível dentro da quadra. Como nas Olimpíadas de 72 e 84, onde tínhamos equipe para, no mínimo, subir ao pódium e tivemos que amargar lugares inferiores.

Em nível internacional qual o basquetebol que mais te chama a atenção e porque?

O basquetebol da antiga Iugoslávia sempre me fascinou. Por sua técnica, habilidade dos jogadores, profissionalismo, amor ao basquetebol e, principalmente, pela semelhança com a capacidade de improviso dos brasileiros. O basquetebol da antiga Iugoslávia só cresceu depois de uma profissionalização geral, muito parecido com o que está acontecendo hoje, na LNB.

Você apontaria diferenças entre o basquetebol jogado na sua época 
e o de hoje?

A diferença é que na minha época o basquetebol era técnica pura,  habilidade. Hoje prevalece a força física. O jogador que conseguir unir técnica e força física vai prevalecer sobre todos os outros.

Quando jogava quais eram seus ídolos? Você se espelhava em alguém?

Cito só um: Ubiratan Pereira Maciel

Quais os grandes jogadores de sua época. Existia um que poderia ser considerado como o mais completo?

Hélio Rubens, Edwar Simões, Adilson, Ubiratan, Fausto, Mosquito, Wlamir Marques, Carioquinha, Oscar, Marcel, Amauri Pasos, Gerson, Israel, Menon, Sergio Macarrão, Nilo, Marcelo Vido, Agra. Tive o privilégio de jogar com os melhores da história do nosso país. Wlamir, Amauri e Ubiratan eram os mais completos.

E hoje? quais são esses jogadores?

Thiago Spliter, Anderson Varejão, Marcelinho Huertas e o Marquinhos do Pinheiros.

Como você vê o basquetebol brasileiro hoje? O que significa ficar  fora dos Jogos Olímpicos por tanto tempo?

Eu vejo uma total falta de comprometimento. Sinto falta de uma política verdadeira para o basquetebol. Deveriam caminhar juntos o basquetebol, o Ministério dos Esportes e o Ministério da Educação. A ausência nos Jogos Olímpicos significa a não construção de novos ídolos e a absoluta falta de espelho para os jovens, onde esses, automaticamente, vão procurar outras modalidades que estejam em evidência.

Quais seus planos para o futuro?

Durante muito tempo eu me dediquei a outras atividades profissionais, sobretudo na construção civil. Durante todo esse tempo minha ligação direta com o basquete foi através das equipes de Masters, onde jogo há 21 anos, desde que parei como profissional. E sempre acompanhei todos os jogos das ligas de basquete, americana e europeias. Tive duas experiências muito gratificantes como técnico do Ipanema Clube, de Sorocaba e do infanto-juvenil do Esporte Clube Sírio. Amo esse esporte e, por desejo de sentir novamente essa adrenalina, venho me preparando, já há algum tempo, para ser técnico. Quero ser técnico de basquete porque sei que tenho muito a contribuir. O basquetebol sempre foi tudo pra mim e tenho plena convicção que posso retribuir tudo que esse esporte me proporcionou.

Marquinhos e a famosa camisa 9 na equipe masters do Pinheiros