Mundial Masculino · Todos os posts

Brasil estreia no mundial sub19 e perde na última bola para a Rússia

Amigos do basquetebol

É muito difícil analisar uma partida de basquetebol sem tê-la visto, ficando somente com a frieza da tela do computador piscando a cada nova jogada, sem ter a oportunidade de entender o contexto momentâneo do jogo.

Na estreia do Brasil no Mundial Masculino sub-19, perdemos para a Rússia na última bola, quando o cronômetro apontava 2 segundos para o final e todos que acompanhavam o jogo acreditavam que o tínhamos levado para a prorrogação.

Mas mesmo com essa derrota, nada surpreendente e que não deprecia de qualquer maneira o trabalho realizado e os jovens promissores que estão defendendo esta seleção, o Brasil continua forte na competição, tendo todas as chances de passar para a próxima fase em boa situação.

Como só dispomos de número, vamos apresentar um resumo estatístico do jogo. Nele se percebe um equilíbrio bastante grande no aproveitamento de arremessos, rebotes e bolas perdidas. A Rússia teve uma significativa vantagem nas bolas roubadas o que pode ter provocado situações de conversão de cestas até em situações bastante favoráveis (como o contra-ataque).

Individualmente o Brasil teve como destaques:

Raul – 20 pontos; David Rosseto – 15 pontos e Lucas Bebê – 14 pontos

Lucas Bebê – 9 rebotes (o melhor da partida); Cristiano Felício – 5 reotes

O melhor aproveitamento do Brasil ficou com Raulzinho (77,8%), seguido do Bruno Irigoyen (62,5%) e David Rosseto (60%).

Dados das equipes:

Aproveitamento geral (total de arremessos convertidos/total de arremessos tentados): Brasil (49,2% – 29/59); Rússia (49,2% – 30/61)

Aproveitamento de 3 pts: Brasil (40% – 8/10); Rússia (44% – 11/25)

Aproveitamento de 2 pts: Brasil (53,8% – 21/39); Rússia (52,8% – 19/36)

Aproveitamento de Lances-Livres: Brasil (63,2% – 12/19); Rússia (66,7% – 10/15)

Rebotes: Brasil (8d – 22 a); Rússia (6 d – 18 a)

Assists: Brasil (10); Rússia (20)

Bolas recuperadas: Brasil (2); Rússia (6)

Bolas Perdidas: Brasil (12); Rússia (13)

Faltas: Brasil (22); Rússia (20)

O próximo jogo será amanhã (1 de julho), contra a Polônia que venceu a Tunísia na primeira partida do grupo (85×57)

O cestinha foi o russo Karasev com 24 pontos.

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Psicologia do Esporte · Todos os posts

Stress no Basquetebol: os fatores competitivos individuais

Dando continuidade ao post publicado em 16 de junho, vamos abordar os fatores de stress identificados no estudo realizado com 19 atletas olímpicos do basquetebol brasileiro. A partir das situações relatadas pelos atletas foram definidos dois fatores gerais: competitivos (individuais e situacionais) e extra-competitivos (pessoais e sociais).

Neste post, serão abordados os fatores competitivos individuais.

Os fatores competitivos são aqueles que estão diretamente relacionados ao contexto da competição, tanto no âmbito individual quanto no situacional.

Das 126 situações identificadas pelos atletas como causadoras de stress, 20 foram englobadas no fator competitivo.

Os Fatores Individuais, foram definidos a partir de fontes de stress dependentes do próprio atleta e de suas condições individuais para interpretá-las e lidar com elas. Foram identificados 2 fatores específicos:

  • estados psicológicos: cujas fontes específicas são as seguintes: medo/insegurança, expectativas/objetivos e pressões internas. Neste caso foram identificadas 16 situações (80% de todos os fatores individuais). As situações de stress relacionadas a esse fator foram as seguintes:
    • Medo/insegurança: não saber lidar com o erro, falta de experiência em seleção brasileira, inexperiência no começo da carreira, medo de decepcionar os companheiros de equipe e as pessoas em geral, não saber se a equipe continuaria no final da temporada, futuro incerto e renovação de contrato
    • Expectativas/objetivos: definição irreal de objetivos, necessidade de manter-se em alto nível, pensar constantemente no sucesso e necessidade de sempre jogar bem
    • Pressões Internas: medo de perder, auto-cobrança exagerada, pensamentos negativos sobre a carreira, ter a todo momento que provar seu valor
  • aspectos físicos: são as situações que envolvem a preparação individual e lesões. Esse fator foi representado por 4 situações (20% do fatores específicos individuais)
    • Estar mal preparado fisicamente
    • Falta de repouso
    • Tensão pré menstrual
    • Lesões

É importante ressaltar que, apesar de terem sido identificadas somente 20 situações relacionadas a fatores individuais (entre as 126 situações competitivas), o impacto dessas situações pode ser tão ou mais importante que as demais.

Isto ficou marcado pelo fato de que oito atletas apontaram como momentos críticos de stress em suas carreiras, situações ligadas a esses fatores competitivos individuais:

Estados psicológicos (insegurança):

  • 1ª participação em Jogos Olímpicos

Neste caso, além da insegurança natural por ser a primeira grande competição internacional a qual o atleta em questão participava, houve também uma sensação de euforia e conquista do grande objetivo da carreira.

  • Retorno às atividades após longo período de ausência.

Isto aconteceu às vésperas de uma competição importante causando muita expectativa e insegurança quanto ao desempenho.

Estados psicológicos (expectativas/objetivos):

  • Ser titular nos primeiros Jogos Olímpicos que participou.

Da mesma maneira que no caso anterior, também houve uma grande sensação de objetivo conquistado, além de uma euforia natural.

Aspectos físicos (lesões):

  • Contusão grave e longo afastamento (3 casos)
  • Contusão grave e briga com médico
  • Contusão grave e falta de respaldo da equipe

A contusão é um fator importante na vida de um atleta, pois pode causar problemas sérios, colocando em risco a continuidade de sua carreira. Todos os atletas que sofreram lesões graves e ficaram afastados por longo período, declararam ter tido, em algum momento, pensamentos negativos quanto à sua continuidade no esporte. Chamou a atenção a reação de uma atleta que, passada a fase crítica da contusão, declarou que aquele momento havia sido muito importante, pois somente naquela circunstância ela pode realizar diversas atividades que em situação normal nunca poderia ter feito. Essa atleta chegou a declarar que a contusão havia se transformado em algo positivo para que ela pudesse ter possibilidade de aproveitar situações de uma vida normal.

No próximo post sobre o assunto, serão abordados os fatores competitivos situacionais.

Opinião do autor · Todos os posts

O brasileiro e o americano

Amigos do basquetebol

Esta convocação da seleção masculina nos mostrou um paradoxo interessante.

Por um lado temos um americano querendo tornar-se brasileiro para poder jogar na seleção e talvez, disputar os Jogos Olímpicos. Por outro temos um brasileiro que parece não estar muito preocupado com o basquetebol de seu país e tampouco dá importância a disputar os Jogos Olímpicos.

Muitos criticam a postura do atual treinador nacional em convocar o americano e, ao mesmo tempo, convocar esse brasileiro.  Motivos devem haver de sobra para tal atitude e não me cabe aqui discutí-los e contestá-los.

Inicialmente, poderia não concordar com a convocação do americano já que isto representaria um desprestígio aos jogadores brasileiros que ocupam a mesma posição.

Também , poderia não concordar com a convocação do tal brasileiro, imaginando que em algum momento ele pediria dispensa como já fez em outras inúmeras oportunidades.

Mas pensando bem, acho que o treinador está certo nos dois casos. No primeiro, porque estamos passando por uma período de escassez de armadores e , talvez o americano pudesse suprir nossas necessidades. No segundo, porque a esperança é a última que morre e de repente num rasgo de benevolência com seu país, o brasileiro pudesse nos brindar com sua tão honrosa participação.

E então eis que a história se repete e o nosso glorioso brasileiro mais uma vez nos deixa a ver navios. Claro que seus motivos devem ser respeitados. Mas, como em outras oportunidades, a história não está bem contada. Uma nota de uma linha tenta explicar tudo.

No caso do americano, espero que ele, caso permaneça na seleção, possa nos ajudar. Ter um estrangeiro na equipe não é o fim do mundo como muitos querem mostrar. Lembro que o Dream Team tinha um jamaicano (Pat Ewing) e o time americano de 2006 tinha um nigeriano (Akeem Olajuom). Mesmo a Rússia já teve em competições recentes um armador americano naturalizado.

Na verdade, o que se discute aqui é a vontade de jogar pelo país. Enquanto temos um americano fazendo de tudo para isto, há um brasileiro que não procede da mesma forma.

Bons tempos que vestir a verde e amarela era orgulho. Que o digam Wlamir, Amaury, Bira, Oscar, Marcel, só para citar alguns que representam dezenas de atletas que honraram essa camisa, apesar de motivos pessoais e contratuais.

Em tempo: não posso deixar de citar atletas como Alex, Giovannoni, Varejão, Spliter, Marcelinho, Huertas  e outros novos que me parece terem muita vontade de levar o Brasil de volta ao topo.

Tomara que as gerações que estão chegando se espelhem nesses brasileiros.

Esta é a minha opinião.

Psicologia do Esporte · Todos os posts

Situações específicas e fatores de stress no basquetebol de alto nível

Amigos

Estudar o stress competitivo sempre fez parte da minha vida acadêmica. O estudo abaixo relatado foi realizado em 1999 para cumprir uma das exigências do concurso de Livre Docência da USP. Ele foi realizado com 19 atletas olímpicos do basquetebol brasileiro (10 rapazes e 9 moças).

O stress é um dos fatores psicológicos mais frequentes no esporte competitivo, qualquer que seja o nível do atleta nele envolvido. Vários autores citam sua importância , colocando-o, inclusive, como o fator determinante do desempenho entre esses atletas. O basquetebol, por reunir uma grande variedade de características pessoais e situacionais, é um esporte potencialmente gerador de stress.

Com o objetivo de detectar as situações causadoras de stress no basquetebol de alto nível e classificá-las em fontes e fatores, este estudo foi desenvolvido com 19 atletas do basquetebol brasileiro (10 rapazes e 9 moças), com participação efetiva em, pelo menos, uma das duas últimas edições das competições internacionais: Jogos Olímpicos e/ou Campeonatos Mundiais.

Para a pesquisa os atletas foram entrevistados tendo como base as seguintes questões: “Quais as situações direta ou indiretamente relacionadas à competição que causam stress durante um jogo?” e “Qual a situação mais crítica de stress em sua carreira?”

Foram identificadas 126 situações específicas de stress no basquetebol, classificadas em fontes específicas e fatores específicos de stress que foram reduzidos a 4 fatores gerais: competitivo individual, competitivo situacional, extracompetitivo pessoal e extracompetitivo social.

De todos os fatores, os competitivos situacionais representaram a maioria das situações (90,5%), com destaque para as “situações de jogo”, “influência de pessoas importantes – técnico e companheiros de equipe “, “competência” e “planejamento e organização”.

Dos fatores competitivos individuais, “medo e insegurança” foram os fatores específicos mais citados.

Das situações críticas, sete atletas referiram-se a fatos ocorridos durante jogos, cinco citaram problemas de contusão, três apontaram “estados psicológicos” e dois as relacionaram com “pessoas importantes”. “Planejamento e organização” e “problemas pessoais” foram identificados por um atleta cada.

A partir deste resumo enviarei posts especificando as situações relacionadas a cada um desses fatores.

Leituras · Todos os posts

Boas leituras: gestão e marketing no esporte

Amigos do Basquetebol

Para aqueles que se interessam pelas áreas de gestão e marketing no esporte, apresento duas obras interessantes e de fácil leitura.

Elas abordam aspectos relacionados a planejamento, estabelecimento de objetivos, formulação de estratégias, desenvolvimento de projetos, estudo de ambientes e mercado, definição de necessidades de organizações esportivas, licenciamento, propaganda, entre outros.

Marketing Esportivo – (Bernard J.Mullin, Stephen Hardy e William A. Sutton – Ed. Artmed – 2004 – 2a. ed.)

Gestão Desportiva – (Fernando Paris Roche – Ed. Artmed – 2002 – 2a. ed.)

Estatísticas · Todos os posts

O Índice de Eficiência no Basquetebol

Muito se estuda e se procura por um índice que represente o desempenho de atletas e equipes no basquetebol, levando em consideração os diferentes indicadores de jogo e não somente o cestinha, como é de praxe se divulgar em nossa imprensa.

A literatura específica nos apresenta uma série de fórmulas que podem ser calculadas para determinar esses índices. Algumas dessas fórmulas partem do princípio da somatória dos aspectos positivos subtraindo-se os negativos a partir dos números absolutos. Outras, atribuem pesos diferentes para situações como rebote de ataque, assistências e bolas perdidas, entendendo que essas devam ser tão ou mais valorizadas que a conversão de arremessos.

De qualquer forma, não há um consenso e tampouco uma fórmula mágica que defina a eficiência de equipes ou atletas em uma partida ou ao longo de todo um campeonato.

A falta de estudos nessa área dificulta o entendimento da questão. Por isso, uma das linhas de pesquisa que estamos desenvolvendo na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, voltada para a Análise de Jogo, é a definição de um ídice de eficiência que possa ser fidedigno e que possa ser utilizado de forma simples e objetiva.

Para ampliar os estudos e as discussões nessa área, está sendo desenvolvido um trabalho de iniciação científica com a participação de um aluno do Curso de Ciências da Atividade Física – Mariano Latorre Bragion – sob minha orientação.

Nele, um dos objetivos é estabelecer a correlação entre um determinado Índice de Eficiência e a classificação final de equipes em campeonatos oficiais.

Para realizá-lo, foram considerados os resultados estatísticos acumulados das equipes que participaram do Campeonato Mundial Masculino de Basquetebol, realizado na Turquia em 2010, e que se classificaram nos oito primeiros postos, cujos dados estão disponíveis no site oficial da competição (www.fiba.com).

O Índice de Eficiência escolhido é o mesmo praticado pela LNB no NBB:

(Pts+Assists+Rebotes+Bolas recuperadas+Tocos)-(Arr. errados+Bolas perdidas+Faltas)

Os dados foram analisados a partir das médias de cada indicador de jogo. As oito equipes analisadas disputaram 9 partidas. Para o tratamento dos dados foi utilizado o Coeficiente de Correlação de Postos de Spearman, técnica que transforma os dados em postos de classificação, atribuindo-se o primeiro posto à equipe que obteve o melhor resultado e assim sucessivamente.

Para se ter uma ideia dos resultados obtidos, apresentamos as equipes em ordem de classificação e, entre parêntesis, sua classificação a partir do índice de eficiência global obtido durante todo o campeonato.

1 – EUA (1); 2 – Turquia (4); 3 – Lituânia (6); 4 – Sérvia (2); 5 – Argentina (5); 6 – Espanha (3); 7 – Rússia (7); 8 – Eslovênia (8).

O cálculo do Coeficiente de Correlação de Postos apontou para um resultado = 0.69, o que significa uma alta correlação para o tipo de dado analisado.

Ou seja, a eficiência é um dado importante e que se relaciona fortemente com a classificação final das equipes. No caso de um torneio como  o Mundial, no qual as equipes são divididas em grupos e, posteriormente, disputam partidas eliminatórias, esses índices podem perder sua força, pois em um único jogo uma equipe com resultados muito positivos pode ser deslocada para uma posição não condizente com seu desempenho.

Espera-se que em um campeonato no qual as equipes se enfrentem em turno e returno (como é o caso do NBB) esses Índices de Eficiência sejam mais significativos e indiquem de forma mais clara as equipes com melhor desempenho.

NBB · Todos os posts

A LNB e o atual momento do Basquetebol

Amigos do Basquetebol

Ontem (31 de maio) tivemos a festa de entrega dos prêmios dos melhores do NBB. Foi um evento importante, bem organizado e que reuniu o que há de melhor no nosso basquetebol.

Foi uma oportunidade muito boa de rever amigos e discutir um pouco mais o nosso basquetebol que terá, no segundo semestre, a missão de tentar levar nossas equipes aos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Mas o evento em si, foi também um pretexto para analisarmos o atual momento do nosso basquetebol e a importância da LNB para este maravilhoso esporte.

É inegável que a chegada da Liga está proporcionando grandes oportunidades de termos novamente campeonatos empolgantes, de vermos novamente nossos jogadores em ação e de sonharmos com um basquetebol forte e competitivo em nível internacional.

Hoje, acredito que a Liga tem um papel fundamental no renascimento desse basquetebol masculino tão sofrido nas últimas duas décadas. E o papel não se restringe somente na organização de campeonatos fortes ou no repatriamento de grandes jogadores.

A partir das palavras do presidente Kouros, podemos pensar em agregar os diferentes setores que fazem parte desse contexto (árbitros, treinadores, jogadores, gestores e outros profissionais ligados ao basquetebol) para realizarmos um trabalho forte em prol do basquetebol.

No que compete à ENTB (da qual sou coordenador pedagógico) tenho encontrado um respaldo bastante positivo por parte da LNB que quer também contribuir para que esse projeto tenha sucesso. A participação de treinadores vinculados a equipes do NBB na formatação da ENTb e nos seus cursos já nos dá a certeza de que este vínculo esta cada vez mais consolidado.

A união entre as entidades que promovem o basquetebol neste país será fundamental para o desenvolvimento do esporte em todos os níveis.

A criação de projetos de incentivo à prática do basquetebol nas escolas e em outras instiuições que não sejam exclusivamente os clubes, a organizaão de competições mais adequadas às necessidades dos praticantes, a realização de eventos que discutam o basquetebol sob o ponto de vista científico (congressos, seminários, fóruns), são algumas das atividades que podemos e devemos realizar.

Enfim, o basquetebol parece respirar. E aos céticos que continuam insistindo em ressaltar somente as coisas ruins do nosso esporte (e elas existem, é claro) um convite, ou um desafio: tragam suas sugestões, participem, saiam da frente do computador e contribuam efetivamente.

Somente com o espírito de colaboração é que conseguiremos reerguer nosso esporte.

Parabéns a todos que fizeram do NBB um sucesso. O trabalho está só começando.