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Stress e arbitragem no basquetebol

Seguindo na linha dos estudos sobre stress e basquetebol, apresento neste post um estudo realizado em 2002, como parte de um trabalho de iniciação científica das alunas Fabiana Pereira Pinheiro (atualmente árbitra do quadro da Federação Paulista de Basketball) e Roberta Freitas Lemos,  do curso de Bacharelado em Esporte da Escola de Educação Física e Esporte da USP. O trabalho completo foi publicado na Revista Paulista de Educação Física (2002, v.16, p. 160-173).

O estudo está sendo novamente desenvolvido com outro grupo de árbitros da FPB também como parte de trabalho de iniciação científica da aluna Liz Imyrá Oliveira do Curso de Ciências da Atividade Física da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

A arbitragem é, sem dúvida, um dos aspectos mais polêmicos de uma competição esportiva. Citados por atletas e técnicos como os responsáveis por seus insucessos e como fonte de stress durante os jogos, os árbitros têm sido pouco estudados e, portanto, pouco se sabe sobre como eles observam e se sentem nesse processo competitivo e quais as situações de jogo que lhes causam stress.

No estudo desenvolvido em 2002 com 20 oficiais do basquetebol brasileiro (10 árbitros e 10 mesários), todos atuando em nível nacional e internacional, procurou-se identificar quais as situações de jogo eram causadoras de stress.

Foi utilizado o Formulário para Identificação de Situações de Stress no Basquetebol, adaptado para arbitragem. Nesse formulário a escala de respostas varia de 0 (nenhum stress) a 5 (alto stress) e para a obtenção das situações que mais causavam stress nos oficiais foram consideradas as respostas nos níveis 4 e 5. Além disto, foram identificadas as situações de stress mais críticas na carreira desses oficiais.

Os resultados mostraram que as situações envolvendo agressões ou tentativa de agressões foram as mais frequentes, seguidas por situações envolvendo fatores de desempenho no jogo. As situações mais críticas de stress citadas também envolveram as agressões, questões éticas e atuação no jogo.

Essas foram as situações consideradas mais estressantes pelos oficiais que participaram do estudo:

Colega de arbitragem sofrer agressão física

Sofrer agressão física

Cometer erro(s) que provoca(m) a derrota de uma equipe

Cometer erros em momentos decisivos

Atrasar para jogo

Repetir os mesmos erros

Ameaças de agressão física por parte da torcida

Estar atuando abaixo de seu padrão normal

Ameaças de agressão física por parte do técnico

Técnico que incita a violência em quadra

Em relação às situações mais críticas na carreira

 

Agressão/Tentativa de agressão por parte da torcida

Atitude anti-ética de colega de arbitragem

Atuar em jogo importante

Colega sofrer agressão de torcedores

Sair escoltado(a) do ginásio

Cometer erro(s) que provoca(m) a derrota de uma equipe

Tentativa de agressão por parte de dirigente

Cometer erro(s) em momento(s) decisivo(s)

Crítica de companheiro de arbitragem

Espera de resultado de avaliação para árbitro(a) internacional/ mesário(a) especial

Ser suspenso(a) injustamente

O estudo que vem sendo desenvolvido atualmente, ainda incompleto, aponta para as mesmas situações.

A partir dessa análise pretende-se ampliar o conhecimento de alguns aspectos da arbitragem do basquetebol e aplicá-lo ao cotidiano, visando o constante aperfeiçoamento do trabalho desenvolvido pelos árbitros nesta e em outras modalidades esportivas.

Entretanto, ainda são necessários muitos estudos tratando do tema para que se preencha as necessidades existentes nesta área de pesquisa.

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Um comentário em “Stress e arbitragem no basquetebol

  1. Achei interessante esse assunto.
    Existe algum setor do basquete aqui no Brasil que possa aproveitar esses resultados para ajudar esses profissionais?

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