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Era um vez um país que tinha excelente basquetebol. Agora são seis…

No dia 7 de dezembro de 2010 escrevi um posto sobre o basquetebol Iugoslavo, pois considero esse basquetebol o melhor do mundo. Hoje escrevo novamente sobre este assunto, pois a antiga Iugoslávia transformou-se em seis países e quando todo mundo esperava um enfraquecimento desse país no basquetebol, eis que surgem 6 novas potências.

 

Um pouco de história:

A Iugoslávia foi criada no final da 1ª Guerra Mundial e se organizou politicamente em 1945 englobando seis repúblicas: Eslovênia, Croácia, Sérvia, Bósnia, Montenegro e Macedônia com diferentes etnias e religiões, ao que sempre causou muita tensão naquele território.

Os conflitos separatistas começaram a ficar mais evidentes a partir do final da década de 80. Em 1991 Croácia, Eslovênia e Macedônia se tornaram independentes. Em 1992 foi a vez da Bósnia e em 2003 a Iugoslávia passou a se chamar oficialmente Sérvia e Montenegro, até que em 2006, Montenegro também se tornou uma nação independente.

Infelizmente, tudo isto ocorreu com muitas guerras e muitas perdas de vidas de todas as partes.

No esporte e, especificamente, no basquetebol a Iugoslávia tem uma história repleta de sucessos nos Mundiais, Jogos Olímpicos e Campeonatos Europeus.

Nos Mundiais, o país teve sua primeira participação em 1950 e a última em 1998 na Grécia. Foram 4 títulos, 3 vices e 2 terceiros lugares.

Em 2002 a Iugoslávia passou a participar como Sérvia obtendo o título e o quarto lugar em 2010.

Nos Jogos Olímpicos, a Iugoslávia teve 10 participações obtendo 1 ouro, 4 pratas e 1 bronze até 2004 quando já participou como Sérvia.

Nos Campeonatos Europeus, a Iugoslávia tem uma trajetória brilhante desde 1947 até 1999, obtendo 9 títulos, 6 segundos e 3 terceiros lugares.

O desmembramento

Já em 1990, no campeonato Mundial realizado na Argentina, percebia-se um clima tenso na equipe da Iugoslávia que era composta basicamente por jogadores Sérvios e Croatas. Divac e Obradovic vinham da sérvia, enquanto Petrovic e Kukoc eram croatas. Na comemoração do título sobre a União Soviética houve um princípio de confusão quando um torcedor invadiu o Luna Park portando uma bandeira croata o que provocou uma reação imediata dos jogadores Sérvios o que quase estraga a festa.

A partir daí, surge uma nova força do basquetebol mundial – a Croácia. Em 1992 este país disputa sua primeira Olimpíada e já consegue a prata, perdendo para o Dream Team na final. Nos mundiais a Croácia teve duas participações pouco brilhantes: em 1994 e em 2010. Também nos Campeonatos Europeus, a Croácia teve um vice em 1992 e dois terceiros em 1993 e 1995. Atualmente a Croácia passa por uma fase de reformulação do seu basquetebol.

Paralelamente a Iugoslávia passa a participar desses importantes torneios como Sérvia. Campeã Mundial em 2002 e quarta em 2010. Campeã Europeia em 2009.

E aí começam a surgir novas forças em função desse desmembramento. Refiro-me à Eslovênia, Macedônia e Montenegro que começaram a aparecer no cenário mundial e estão neste pré-olímpico europeu.

Ou seja, seis países surgidos da antiga Iugoslávia, sendo que três deles estão na fase final do atual torneio: Sérvia, Eslovênia e Macedônia.

Esses seis países juntos têm um território de aproximadamente 269.000km2 e 21 milhões de habitantes (Eslovênia 20 mil km2 e 2.200 mi hab; Croácia 56 mil km2 e 4.500 mi hab.; Sériva 103 mil km2 e 10 milhões de hab.; Montenegro 14 mil km2 e 700 mil hab e Macedônia 25 mil km2 e 2.200 mi hab.).

Então surgem algumas perguntas:

Qual o segredo de um basquetebol tão forte? O que é feito? Como é feito?

Será que não valeria a pena nossos dirigentes prestarem mais atenção no que é praticado nesses países? Será que esses países não têm nada a nos oferecer em termos de modelo de basquetebol?

Assim como eles, será que a Europa não pode ser tomada como modelo para a implantação de algo adequado para o desenvolvimento do nosso esporte?

Ficam as perguntas e continua minha admiração pelo basquetebol “Iugoslavo”. Agora multiplicada por seis.

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5 comentários em “Era um vez um país que tinha excelente basquetebol. Agora são seis…

  1. Olá Prof. Dante! Tudo bem? Parabéns pelo post acima! Excelente reflexão e ao mesmo tempo, ótima lembrança sobre o acontecido no Luna Park! Aliás, irei além! Admiro não só o modelo de basquetebol adotado nesses países, mas também, o esporte de modo geral! Só para citar alguns: voleibol, tênis, polo aquático e handebol! Todos eles com práticas massificadas na escola! Não temos como fugir desse “velho chavão”! Abraço e Brasil rumo a Londres 2012, depois desta belíssima vitória contra “los hermanos”! Rodrigo Baeta.

  2. Olá Professor Dante ! Adorei o post, vale a reflexão a todos que querem uma escola cada vez melhor para o basquetebol!!
    Abração e vamos continuando nossa caminhada para Londres 2012, haja coração !! Valeu Brasil!!

    (Patrícia Oliveira)

  3. Ola Dante.
    Belo, e muito verdadeiro, artigo. Estando na Europa (Espanha) posso testemunhar que a admiração e o respeito pelo basquetebol desses países por aqui também é muito grande.
    Nossa equipe local (UCAM Murcia), que vai disputar a liga, contamos com um experiente pivô montenegrino (Sekulic) que, seguramente, vai nos proporcionar bons momentos esportivos.
    Eu já me abonei para ver toda a temporada.
    Grande abraço do amigo
    Adevanir

  4. Olá Dante.
    E ainda tem gente que critica a vinda de técnicos e jogadores estrageiros que querem se naturalizar para defender o país com VONTADE.
    É só observar a equipe do Brasil de hoje. É outro estilo de jogar!
    A solução, creio eu, está nas categorias de base nas escolas, sobretudo nas escolas públicas. Não temos hoje nenhum trabalho nesse sentido por parte dos órgãos competentes. Aliás em nosso estado a educação física em escolas públicas, hoje, é dada em salas de aula.É brincadeira!!!!! Um país que vai sediar dois eventos importantes.

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