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Espírito olímpico ou injustiça olímpica?

Com o término dos Torneios Pré-Olímpicos Continentais (no masculino  Europa, África, Américas e Oceania já definiram as vagas e o Asiático está em curso; no feminino  Europa, Oceania e Ásia já foram encerrados e África e Américas serão definidos nesta semana) vem à tona uma discussão que vimos presenciando na roda dos basqueteiros, nos blogs e na imprensa de maneira geral.

É a questão do número de vagas olímpicas e os critérios de distribuição dessas vagas.

E discutir critérios é uma das coisas mais difíceis de serem feitas pois há muitas variáveis em jogo e a serem consideradas.

A FIBA e o COI, certamente, ao estabelecer o critério de garantir pelo menos uma vaga para cada continente pensou no desenvolvimento do nosso esporte ao redor de todo o mundo. Além disto, essa distribuição é, necessariamente atrelada às 12 vagas disponíveis para o basquetebol nos Jogos Olímpicos, tanto no masculino quanto no feminino.

E aí é que “a porca torce o rabo” como diriam os mais antigos.

Como distribuir essas vagas sem atentar contra o espírito olímpico e, ao mesmo tempo, manter a qualidade da competição?

E então temos inúmeras fórmulas para ela.

Os organizadores optaram por uma fórmula que  garante a cada continente, pelo menos, uma vaga e de acordo com a importância desse continente no mundo do basquetebol e o número de equipes qualificadas, aumenta-se o número de vagas, além, é claro, das vagas já asseguradas ao Campeão Mundial e ao País Sede dos Jogos.

Critério muito justo. Mas será justo mesmo?

Então vamos analisar:

No masculino

– Para a Europa são destinadas duas vagas que são disputadas ferrenhamente por 24 equipes. Portanto, em uma simples regrinha de proporcionalidade temos 1 vaga para cada 12 equipes.

– Para as Américas são duas vagas para 10 equipes. Ou seja, 1 vaga para cada 5 equipes.

-Para a Ásia, uma única vaga disputada por 16 equipes.

-Para a África, uma vaga para ser disputada por 16 equipes

-Para a Oceania, uma vaga para ser disputada por duas equipes

– Três vagas a serem disputadas por 12 países no Pré-Olímpico Mundial com a seguinte distribuição: 3 países das Américas, 4 países da Europa, 2 países da África, 2 países da Ásia e 1 país da Oceania.

No feminino

-Para a Europa, 1 vaga disputada por 16 equipes

-Para as Américas, 1 vaga disputada por 10 equipes

-Para a África, 1 vaga disputada por 16 equipes

-Para a Ásia, 1 vaga disputada por 16 equipes

-Para a Oceania, 1 vaga disputada por 2 equipes

-5 vagas a serem disputadas por 12 países no Pré-Olímpico Mundial com a seguinte distribuição: 3 países da América, 4 países da Europa, 2 países da África, 2 países da Ásia e 1 país da Oceania.

Então surge a pergunta:

Essa distribuição é justa?

 

Pensando olimpicamente, sim. Atende aos preceitos do espírito olímpico de ter todos os continentes representados.

Mas isto reflete a realidade do basquetebol atual?

O continente Europeu que é o de maior potência no basquetebol (tanto no masculino quanto no feminino) não leva grande desvantagem nessa distribuição? Alguém poderia argumentar que a Europa deverá levar todas as vagas nos Pré-Olímpicos Mundiais. Mas isto é só uma suposição.

É justo que a Oceania, com dois países apenas, tenha uma vaga assegurada nos jogos e o perdedor da melhor de três ter também sua vaga assegurada no Pré-Olímpico Mundial?

É justo que países com grandes conquistas recentes ou ocupando um posto importante no ranquemento da FIBA fiquem de fora em detrimento de países sem nenhuma expressão no basquetebol?

(Ex: Turquia vice campeã mundial está fora dos jogos. Itália e Sérvia, respectivamente, 7ª e 8ª no ranking estão fora dos jogos; no feminino a Espanha, 5ª no ranking e 3ª no último Mundial e a Belarus, 4ª no Mundial estão fora dos jogos).

Há rumores que se estuda o aumento do número de vagas. Mas se isto ocorrer, deverá também haver mudança nos critérios de distribuição.

E, provavelmente, estaremos discutindo as injustiças desse novo critério.

É claro que esta é uma discussão conceitual e que, provavelmente, não mudará os rumos da prosa. Mas, discutir é sempre saudável e democrático.

Por enquanto, a regra está posta e é ela que deve ser seguida.

O importante é que estaremos lá (este post foi escrito antes do Pré Olímpico feminino, mas acredito demais nas nossas meninas) e os outros que lutem por suas vagas.

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Um comentário em “Espírito olímpico ou injustiça olímpica?

  1. Os outros Que lutem por suas vagas #FATO!

    Mas acho que seria justo, ter mais vagas e quem sabe a oceania disputar junto com a Asia ou a Africa, ficaria menos pior por enquanto.

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