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Sobre amor e profissionalismo no esporte

Não vou falar especificamente sobre basquetebol, apesar do assunto estar também relacionado ao nosso querido esporte.

Vou falar do amor e do profissionalismo. Duas virtudes que estão intimamente ligadas ao esporte mas que têm sido totalmente desvirtuadas por muitos atletas, principalmente aqueles que militam no nosso principal esporte nacional.

Qual atleta que atualmente, em sã consciência, pode proclamar juras de amor ao seu clube? O que é ter amor a um clube?

Vemos, constantemente, cenas de atletas beijando o distintivo do clube, fazendo juras de amor ao “time de infância” e que “está muito feliz em poder voltar a jogar na equipe que o revelou”. Quanta hipocrisia. Quanta falta de respeito ao torcedor que paga para ver esse tipo de atitude.

Há algum tempo podíamos identificar vários atletas que eram a imagem viva da camisa que vestiam. Eram outros tempos e a troca de camisa era considerada uma verdadeira traição. Dá para imaginar o Ademir da Guia ou o  Dudu jogando no Corinthians? E o Wladimir, Zé Maria e Biro Biro no Palmeiras? Já imaginaram Zico jogando pelo Fluminense?

Esses atletas eram a personificação do amor ao clube que defendiam. Quais atletas, no esporte nacional e, especificamente, do futebol teriam hoje essa identificação com uma, e somente uma camisa? Pouquíssimos. Talvez não consigamos encher uma das mãos contando esses personagens. Arrisco dizer que em S.Paulo somente dois: Marcos e Rogério Ceni.

Atualmente, dá-se placa comemorativa a jogadores que completam 100 jogos por uma equipe. Isto representa pouco mais de um ano de atividade. Neste caso, o que deveria ganhar o Rogério que fez 1000 jogos pelo São Paulo?

É claro que o esporte mudou muito. As relações financeiras são completamente diferentes de alguns anos. Os contratos incluem muitas outras atividades, além daquela para a qual o atleta é realmente contratado. Publicidade, entrevistas, compromissos, camarotes no carnaval, presença em shows, enfim muita coisa que acaba por deixar o esporte, praticamente em segundo plano.

E não podemos nos esquecer dos empresários que negociam a “mercadoria” jogador sem pensar em qualquer outra condição que não seja o lucro a ser auferido na transação.

Mas então, um atleta pode mostrar amor ao seu clube? É claro que sim. E da forma mais simples possível. Sendo um bom profissional e respeitando seu contrato, treinando com afinco, dando seu melhor para que sua equipe obtenha os melhores resultados, respeitando colegas e principalmente os torcedores que vão aos jogos para apreciar seu bom desempenho.

Isto é profissionalismo e isto é, sem dúvida, uma demonstração de amor à camisa que ele usa. Não precisa beijar distintivo, pois esse beijo dura até que venha a próxima proposta e sem qualquer pudor ele irá vestir a camisa do rival que até pouco tempo ele jurava odiar.

Em esportes como o basquetebol e voleibol essa situação parece não estar tão presente, pois, feliz ou infelizmente, são poucos os clubes que administram o esporte. Felizmente porque esses esportes estão sendo desenvolvidos por instituições com uma visão empresarial e tomando um rumo profissionalizado que faz com que os atletas tenham plena consciência de suas obrigações. Infelizmente porque a maioria dos grandes clubes não dá mais importância aos esportes amadores. Como seria bonito ver novamente as disputas entre Corinthians e Palmeiras no basquetebol, como ocorria na década de 60.

Enfim amor e profissionalismo podem andar juntos, desde que os atletas deixem de ser hipócritas e, simplesmente, cumpram seu dever e mereçam os altos salários que lhes são pagos.

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Euroliga – Top 16 – 2ª rodada

A Euroliga (www.euroleague.net) teve disputada sua segunda rodada.

Com média de aproximadamente 8.600 espectadores (menor público – CSKA – 4400; maior público – Fenerbaçe – 12200), tivemos os seguintes jogos:

Grupo  E:  CSKA 96 x 68 Efes e Galatasaray 78 x 77 Olympiakos

Grupo F: Real Madrid 69 x 88 Montepaschi e Bilbao 85 x  70 Unicaja

Grupo G: Fenerbaçe 65 x 63 Milan e Panathinaikos 83 x 89 Unics

Grupo H: Maccabi 57 x 71 Barcelona e Benneton 79 x 78 Zalguiris

O melhor jogo foi realizado entre Galatasaray x Olympiakos, decidido na prorrogação, depois do jogador Sloukas (Olympiakos) ter acertado uma bola de 3 de seu campo defensivo, levando o jogo para  a prorrogação. A derrota por 19 pontos do Real Madrid (em casa) para o Montepaschi pode ser considerada a grande surpresa da rodada.

Depois desses resultados, temos o CSKA, Montepaschi, Unics e Barcelona com duas vitórias; Efes, Bilbao, Real Madrid, Panathinaikos, Fenerbaçe, Macabbi, Glatasaray e Benetton com 1 vitória e 1 derrota e as equipes do Milan, Olympiakos, Zalguiris e Unicaja com duas derrotas.

Os destaques individuais da rodada foram

Cestinhas: McCalebb (Mondepaschi), 25 pts; Spanoulis (Olympiakos); Lorbek (Barcelona), 24 pts e Vujacic (Efes), 21 pts.

Rebotes: Reyes (Real), 15; Ingles (Barclona) e Kirilenko (CSKA), 8.

Assists: McCalebb (Montepaschi) e Fotsis (Milan), 6.

Eficiência*: McCalebb (Montepaschi), 36, Kirilenko (CSKA), 30 e Reyes (Real), 28.

*A eficiência é calculada da seguinte forma:

(pontos+rebotes+assists+bolas recuperadas+tocos dados+faltas recebidas) – (arremessos errados+bolas perdidas+tocos recebidos+falas cometidas).

Os nossos brasileiros:

Marcelinho Huertas (Barcelona): Min – 18; pts – 5; 3pts – 1/4 ; L.Livres – 2/2; Assists – 2; reb – 1; faltas – 1; efi – 5.

Min – 25; pts – 11; 2pts – 2/6; 3pts – 2/2; l.livres – 1/2; reb – 2; assists – 1; b.rec – 2; b.per – 3; faltas – 2; efi – 8.

Augusto Lima (Unicaja): Min: 6; reb – 2; B.rec – 1; faltas – 3; efi – 1

Próxima rodada:

Dia 1 de fevereiro: Olympiakos x Efes; Real Madrid x Bilbao; Unics x Milan

Dia 2 de fevereiro: CSKA x Galatasaray; Unicaja x Montepaschi; Fenerbaçe x Panathinaikos; Benetton x Maccabi; Barcelona x

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Entrevista com Laerte Gomes

Amigos do Basquetebol

Tenho publicado algumas entrevistas com o objetivo de resgatar a memória do basquetebol brasileiro, enfocando personagens de uma outra época, pouco conhecida pela maioria dos que militam no nosso esporte.

Recentemente entrevistei o Sérgio Macarrão e agora trago outro grande atleta de nosso esporte, que brilhou nas décadas de 50 e 60 e é considerado por muitos como um dos mais técnicos pivôs que atuaram no basquetebol brasileiro. Refiro-me ao Laerte Gomes.

Laerte integrou equipes importantes do basquetebol paulista como Corinthians, Palmeiras e São Caetano em uma equipe que chegou a ser a quarta força do basquetebol metropolitano, rivalizando com Corinthians, Sírio e Palmeiras na década de 60.

Segundo um ex-companheiro de equipe, o Sidão (também pivô), Laerte era um dos melhores pivôs da época pois “aprimorou a técnica do Massinet” (Massinet era considerado um dos melhores pivôs da década de 50). Como os pivôs eram o centro ds jogadas, Laerte trabalhava para que seus companheiros de equipe realizassem os arremessos em ótimas condições. Tinha um ótimo arremesso e um tempo de bola fantástico o que o tornava um grande reboteiro.

Então vamos conhecer um pouco mais do Laerte.

Viva o Basquetebol: Fale sobre sua carreira

Laerte: Comecei nos rachas do Corinthians e fui convidado pelo Angelim para treinar no juvenil em 1951. Joguei no juvenil em 1951 e 1952. Em 1953, fui levado ao Tietê pelo saudoso Oscar Guaranha. No tietê era o principal jogador e fazia muitos pontos. Joguei até 1954 quando surgiram o Peninha e o Amaury.

Em 1955 voltei ao Corinthians e joguei no principal até 1956. Entrei no lugar do Massinet e fomos bi-campeões do Metropolitano, Paulista e Preparação.

Em 1957 me transferi para o Palmeiras junto com o Peninha, Jatyr, Mosquito e Paulo Marcondes, mas por causa da lei do estágio fiquei parado um ano e só joguei em 1958. Neste ano ganhamos todos os campeonatos que disputamos e o estadual em cima do XV de Piracicaba. Em seguida,  Francisco Bastos me levou para São Caetano para treinar o time da General Motors e também acabei jogando. Depois integrei a equipe do São Caetano.

VoB: E sua experiência com seleções?

Laerte: Em 1953 o Prof. Daiuto me convocou para a seleção Paulista, mas como era muito novo fui cortado e no meu lugar ele levou o Marson.

Em 1955 fui convocado pelo Kanela para disputar o Pan do México, mas como não aceitei um convite para jogar no Flamengo fui cortado e nunca mais fui convocado.

VoB: Quais os jogadores com quem você jogou que mais te impressionaram? Havia algum ídolo no qual você se espelhava?

Laerte: Joguei com muitos jogadores de primeira linha –  Angelim, Amaury, Wlamir, Peninha, Mosquito, Jatyr, Paulo Marcondes, Rosa Branca, Edson Bispo, Sinistro, Bifulco, Miltinho, etc – Mas meu ídolo era o Angelim e eu me espelhava no Massinet que era um pivô que jogava no Espéria e tinha muita visão de jogo.

VoB: Idem em relação aos técnicos.

Laerte: O meu grande técnico foi o Oscar Guaranha. Ele que me ensinou quase tudo no basquete, ficava comigo depois dos treinos me ensinando todos os fundamentos de pivô, depois com todos os técnicos que tive eu aprendia coisa novas, foram importantes na minha carreira.

VoB: Como era os treinamentos na época?

Laerte: Nós treinávamos três vezes por semana, muito fundamento e as jogadas. O Pivô era a base de todas as jogadas. O tempo era de mais ou menos 2 horas e a organização era amadora. Os jogadores tinham prazer em treinar e não faltavam aos treinos.
VoB: Fale sobre como era a relação “profissional” na época. Era  possível ser só jogador?
Laerte: Eram todos amadores. Eu trabalhava a semana toda e treinava a noite, ninguém vivia do basquete.

VoB: Faça uma comparação entre o basquetebol da época e o de agora: questões físicas, técnicas e táticas
Laerte: O basquete de hoje não tem técnica, é somente força e individualismo, cada um joga pra si. Poucos são os jogadores que dominam os fundamentos e  têm visão de jogo. Os Pivôs de hoje não tem fundamentos nenhum. É só pegar rebote na defesa e no ataque.

VoB: Quais os clubes fortes da época?

Laerte: Na minha época de inicio era o Corinthians. Foi sete vezes campeão Paulista seguidas. Depois veio o Palmeiras, Sírio, São Carlos e XV de Piracicaba. No Rio o Flamengo era o maior.

VoB: Como você vê o basquetebol brasileiro hoje e quais nossas chances nos Jogos Olímpicos?

Laerte: Não gosto do sistema de jogo por causa dos jogadores e vejo que na Olimpíada vai ser regular, não tem chance.

VoB: Como foi sua carreira como técnico?

Laerte: Fui técnico no Palmeiras Mirim e Principal, São Caetano, Paulistano São Paulo e Colégio Santo Américo. Depois com a entrada dos Professores de Educação Física, os ex-jogadores foram proibidos de serem técnicos.

VoB: Você tem dois filhos que jogaram. Qual sua influência na escolha deles?

Laerte: Nenhuma, ele fizeram esta opção por vontade própria.

VoB
: Faça suas considerações finais.

Laerte: Eu acho que não tem nenhum técnico que saiba treinar os Pivôs. Temos  o Marquinhos dando sopa na praça e foi um dos grandes pivôs do Brasil.  Também acho que atualmente os jogadores treinam muito, ganham muito e jogam pouco. Sou contra a vinda dos jogadores estrangeiros. Cada jogador estrangeiro jogando é um brasileiro no banco. Sou a favor de vir técnico estrangeiro com gabarito, mas isso tem muita gente contra.  No meu tempo treinava-se pouco, não se ganhava nada e fomos Bi Mundial sem estrangeiro jogando aqui.

Meus agradecimentos ao Laerte pela entrevista e ao Sidão pelas informações complementares.

Laerte e a equipe de São Caetano. Ele é o primeiro agachado da esquerda para a direita

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Euroliga – Top 16 – 1ª rodada

Começou o melhor campeonato de clubes do mundo, a Euroliga (www.euroleague.net).

Na primeira rodada tivemos os seguintes jogos:

Grupo  E:  Olympiacos 78 x 86 CSKA e Efes 68 x 62 Galatasaray

Grupo F: Unicaja 80 x 81 Real Madrid e Montepaschi 81 x 67 Bilbao

Grupo G: Unics Kazan 76 x 71 Fenerbaçe e Milan 57 x 78 Panathinaikos

Grupo H: Barcelona 65 x  60 Beneton e Salguiris 76 x 84 Maccabi

A rigor nenhum resultado surpreendente. Mesmo os 21 pontos de diferença do Panathinaikos sobre o Milan, em Milão, pois o Milan classificou-se de uma forma dramática para esta fase e é um dos times menos cotados para seguir adiante na competição.  Com certeza o jogo mais emocionante foi Unicaja e Real, com Mirotic (Real) convertendo um arremesso a menos de 1 segundo para o final do jogo.

Os destaques dessas partidas foram

Cestinhas: Zoric (Unicaja ) 32 pts; Bogdanovic (Fenerbaçe) 24 pts e Kristic (CSKA) 18 pts

Rebotes: Savanovic (Efes) 17; Veremeenko (Unics) 11 e Zoric (Unicaja) 10

Assists: Samolienko (Unics) 10; Rodriguez (Real) 9; Tunçeri (Efes) e Langdorf (Maccabi) 7

Eficiência*: Zoric (Unicaja) 33; Veremeenko (Unics) 32 e Eidson (Barcelona) 24

*A eficiência é calculada da seguinte forma:

(pontos+rebotes+assists+bolas recuperadas+tocos dados+faltas recebidas) – (arremessos errados+bolas perdidas+tocos recebidos+falas cometidas).

Marcelinho Huertas (Barcelona) teve o seguinte desempenho:

Min – 25; pts – 11; 2pts – 2/6; 3pts – 2/2; l.livres – 1/2; reb – 2; assists – 1; b.rec – 2; b.per – 3; faltas – 2; efi – 8.

Próxima rodada:

Dia 25 de janeiro: CSKA x EFES; Bilbao x Unics; Real x Montepaschi; Fenerbaçe x Milan; Panathinaikos x Unics e Beneton x Zalguiris

Dia 26 de janeiro: Galatasaray x Olympiakos e Maccabi  x Barcelona.

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Entrevista com Sérgio Macarrão

Amigos do Basquetebol

A entrevista desta vez é com um dos grandes atletas que brilharam no basquetebol nas décadas de 60 e 70. Refiro-me ao Sérgio Machado, mais conhecido como Sérgio Macarrão. Tive a oportunidade de conhecer o Sérgio quando de sua passagem por São Caetano, cidade onde vivo, em 1968. Dono de um estilo de jogo muito bonito, Macarrão teve uma carreira brilhante nos clubes que defendeu e na Seleção Brasileira, conquistando, entre tantos títulos, a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964.

A carreira

“Comecei em 1959 no Botafogo, e fiz minha estreia jogando no juvenil aos 14 anos. No Botafogo fiquei até 66, quando fui para o Vasco. Em 68 me transferi para o São Caetano onde fiquei dois anos, Assinei com o Fluminense em 71 e em 75 fui para o Flamengo. De 77 a 79 joguei pelo Clube Municipal e encerrei jogando pelo Mackenzie em 81”.

Em 73, Sérgio Macarrão passou a ter problemas de joelho (lesão nos meniscos e nos ligamentos). Mas o final de sua carreira, em 1982, foi decretado por causa de uma lesão congênita na válvula Tricúspide.

A Seleção Brasileira

“Minha primeira convocação para a Seleção Brasileira foi em 62, Mundial nas Filipinas. Foi feita a convocação e um grupo treinava no Rio com o Kanela e outro grupo em São Paulo com o Daiuto. Treinamos um tempo e o campeonato foi adiado para o Rio em 63. Na segunda convocação pedi dispensa. (2ª época na escola), e na terceira, já com 19 anos, treinei, conquistei minha vaga e fiz minha estreia com a camisa 14 do Waldemar, na Olimpíada de Tokio. De 64 em Tokio até o Campeonato Mundial de 1970 na Iugoslávia, acho que estive em todas as convocações, e só fiquei de fora do Sul-americano de Mendoza”. “Foram duas Olimpíadas, 64 Tokio (Medalha de Bonze) e 68 México (4º). Dois Mundiais , 67 Uruguay (3º) e 70 Iugoslávia (2º). Um Mundial Extra 66 Chile (5º). Dois Panamericanos, 67 Cánada (7º) e 75 México (3º). Dois Sul-americanos, 68 Paraguay (1º) e 69 Uruguay (2º). Um Luso Brasileiro e alguns torneios amistosos. Não tenho registro de tudo, mas pelas minhas contas troquei de roupa 135 vezes”.

Os técnicos

“Epaminondas (Bahiano) foi o primeiro. Um mestre para todos que o conhecem e que foram seus alunos. Como professor de basquete, repito até hoje para meus alunos, os seus ensinamentos. Seguiram-se, Tude Sobrinho (primeira seleção), Renato Brito Cunha (com quem joguei nos Jogos Olímpicos de 64 e 68), Kanela (que me dirigiu no Mundial de 70, minha melhor participação na Seleção), Ary Vidal, Pereira, Waldir Boccardo, Fernando Grosso, Pedroca, Arthur, Laerte, Raimundo Nonato, Marcelo Cocada e, já no final da carreira tive dois técnicos marcantes. O Edu que me apresentou os números e o Barone”.

Os jogadores

“De meus companheiros só guardo boas lembranças. Os consagrados, os esquecidos, do juvenil do Botafogo ao Mackenzie, no auge ou na decadência, meus companheiros foram o mais valioso de tudo. Mas os impressionantes foram: Wlamir, Amaury, Ubiratan, Rosa Branca, Edvar, Menon e o Marquinhos”.

Os adversários

“Nós treinávamos para enfrentar EEUU, URSS e Iugoslávia, mas não faltava respeito pelos demais como Porto Rico, Itália, Uruguay, Espanha. Impossível mesmo só as equipes olímpicas americanas de 64 e 68, mas mesmo assim com respeito.

Em 64, treinamos quatro meses, e sempre preocupados, porque a Iugoslávia estava concentrada há sete meses. Vencemos. Os jogos entre esses quatro eram os decisivos da competição.

Na volta de Tóquio, na minha primeira entrevista, a primeira pergunta, pedia que eu justificasse o fracasso do basquete olímpico brasileiro. Engraçado, era a única medalha que o Brasil trazia de Tokio, e foi a última do basquete olímpico masculino. Fracasso era o entrevistador. Eu pessoalmente, sempre joguei bem contra os americanos, e mal contra a URSS”.

Sobre São Caetano

“Os dois anos em São Caetano e os dois primeiros anos no Fluminense foram onde joguei melhor. Talvez ainda não estivesse pronto em São Caetano. Tinha 23 anos e ainda faltava leitura, mas estava voando. Fiz no Parque São Jorge, com a camisa de São Caetano uma das melhores partidas da carreira, quando perdemos de um ponto na segunda prorrogação para um time que tinha Wlamir, Amaury, Ubiratan, Rosa Branca, Edvar e outros. Tomei sete tocos do Bira e fiz mais de 40 pontos. Também o vice dos jogos abertos de Bauru em 69, foi demais. A semi contra Bauru foi um jogão.

Mas digo que, quando procuro lembranças , vejo pessoas. Não me esqueço do Braido, Adevanir, Edson, Flavinho, Laerte, Dante Malavazi, Sidão, Vicente, Shimitão, Mauro,  Zecão, Walter, etc. Sinto não fotos daquele time”.

Comparando épocas

“Não vejo como comparar épocas. Não acredito em involução; o tempo passa e tudo fica cada vez melhor, seja o basquete, seja o futebol ou a sociedade como um todo. Vejo como principal diferença o fato de que o basquete era o segundo esporte em importância no Brasil e amador e hoje é “profissional”, mas é essa coisa horrível que estamos vendo.

Hoje em dia a rapaziada se junta para jogar e falta entendimento; e não poderia ser diferente. Acredito na ciência do treinamento, mas acredito muito mais na aproximação das pessoas, e pensar que em 15 dias se conseguirá o que se conseguia em quatro meses, é engano.

Além disso, fomos invadidos por verdades discutíveis, importadas de outras culturas, que além de não nos levar a nenhum lugar, nos fez perder a identidade. O que estraga é esse conceito de que todos são iguais. Iguais em que? “Jogador Universal”, é uma imagem, não existe. Cada um é diferente do outro, um é melhor nisso, o outro naquilo, e ser técnico, é conhecer profundamente seus jogadores e saber usa-los. Sem contar que vaidades e melindres minam qualquer grupo. E é quando fica maior o brilho de jogadores como Amaury e Wlamir, exemplos de humildade para todos os demais.

Em resumo, ganhar nunca foi fácil. Seja a época que for, vencerão as melhores cabeças. Os fundamentos são importantes, o treinamento também, mas o que decide quem vence é a força mental do grupo e o caráter de seus líderes. Grupos divididos, sem lideres, em que os jogadores competem entre si, não vencerão. Seu Togo falava “basquete e xadrez são jogos que se joga com a cabeça””.

 Nosso momento

“Estamos de volta às olimpíadas, e serão duas em seguida. Londres e Rio.  Para Londres está muito em cima. Os jogadores são esses mesmos e temos fartura de bons jogadores para todas as funções. Juntá-los e treináa-los sem frescura é que será o problema. Se fulano vai ou não vai, se merece isso ou aquilo, ninguém deveria se preocupar. Temos um ótimo técnico e isso é problema dele e de sua equipe de assistentes, competente e jovem.

Eu vou torcer muito. A hora é essa, mas o foco tem que ser a camisa e tudo que ela representa. Torço muito pelo Marcelinho e vou vê-lo ganhando uma medalha. A carreira dele é linda e merece ser coroada em Londres.

Não falta dinheiro e por consequência o conforto é total.  É convocar e treinar muito. Que essa equipe tenha noção de sua importância, seja capaz de sublimar individualidades e jogue pelo basquete brasileiro.

Pensando Rio16, ainda há o que fazer, mas os jogadores também já estão por aí. Não sabemos quais serão, mas já os conhecemos. Que nossos técnicos sejam capazes de identificar os melhores, e para isso, penso ser preciso refazer conceitos. Jogador bom, de seleção, não precisa ser grande ou pequeno, muito menos feio ou bonito e de qualquer cor serve. Precisa ter caráter, saber jogar, e claro, ter três ovos no saco”.

Encerrando

“Penso que para que o Brasil volte a ser a potência que era, precisaria investir na base; massificando e alterando conceitos. Precisamos na base de técnicos estudiosos, mas, experientes e sensíveis, que pressionem menos e que sejam menos pressionados e que não precisem ganhar toda semana. Afinal, ser campeão de mirim é legal, mas produzir grandes jogadores realiza muito mais. Na base, estamos treinando muito as táticas e pouco os fundamentos. Precisamos na base, dos melhores PROFESSORES.

Existe em São Paulo e no Rio, um projeto chamado GIBI.  Nele estão envolvidos muitos basqueteiros da minha geração liderados pelo Izo da AVEBESP, Amaury, Wlamir, Pecente, Caio, Mindaugas e outros em São Paulo. Eu e Rogério Touro no Rio com a AMBER e já administramos tecnicamente em parceria com prefeituras nesses dois estados quase 80 escolinhas de basquete em escolas municipais.

Nós nascemos para jogar basquete e o que temos encontrado de crianças com potencial a desenvolver é uma enormidade. Estamos encaminhando aos clubes essas duas primeiras gerações e lutando para criar centros de excelência. As dificuldades são imensas e basicamente econômicas”.

Meus agradecimentos ao Macarrão pela entrevista e pela grande contribuição ao basquetebol Brasileiro.

Sérgio Macarrão (12) na Seleção Brasileira ao lado de Wlamir, Bira, Rosa Branca e Mosquito

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Euroliga: dia 18 de janeiro começa o melhor do basquetebol europeu

Que o basquetebol europeu é uma potência não é nenhuma novidade. Os resultados das últimas competições internacionais mostram a força dos países daquele continente.

O Campeonato Europeu de seleções é uma competição fortíssima que sempre desperta o interesse do mundo do basquetebol. Espanha, França, Lituânia, Rússia, Turquia, Grécia, Itália estão sempre nas manchetes, sem contar com os países oriundos da divisão da antiga Iugoslávia: Sérvia, Macedônia, Montenegro, Eslovênia, Bósnia e Croácia.

Isto também pode ser estendido ao Campeonato Europeu de Clubes, a chamada Euroliga. Este envolve os 24 melhores clubes do basquetebol europeu e termina em um “Final Four” disputado em cidade escolhida antecipadamente. Nesta temporada as finais serão jogadas em Istambul, Turquia de 11 a 13 de maio.

O maior vencedor da competição é o Real Madrid com oito títulos, seguido do CSAK (Rússia) e Panathinaikos (Grécia) com seis títulos e Varese (Itália) e Macabi (Israel) com cinco títulos. Na temporada 2010/2011 o campeão foi o Panathinaikos que venceu o Maccabi na final realizada em Barcelona, que também teve a participação do Real Madrid e do Montepaschi Siena.

Nesta atual temporada os países representados para a primeira fase da Euroliga foram: Espanha (5 equipes), Turquia e Itália (3), Grécia e Rússia (2), França, Lituânia, Croácia, Alemanha, Israel, Sérvia, Polônia, Eslovênia e Bélgica (1 equipe cada).

Após dez rodadas, classificaram-se 16 equipes que foram distribuídas em quatro grupos, jogando a partir de 18 de janeiro até 18 de março, classificando-se as duas melhores de cada grupo para as quartas de finais, jogando (1) 1º E x 2º F; (2) 1º F x 2º E; (3) 1º G x 2º H; (4) 1º H x 2º G. No Final Four jogam (1) x (3) e (2) x (4)

Os grupos são os seguintes:

E: CSKA (Rússia), Olympiakos (Grécia), Efes (Turquia) e Galatasaray (Turquia)

F: Real Madrid (Espanha), Bilbao (Espanha), Unicaja (Espanha) e Montepaschi (Itália)

Mas o que torna a Euroliga e o basquetebol europeu tão forte e atraente?

Certamente, um dos fatores que contribui para essa condição é globalização do basquetebol naquele continente, proveniente dos altos investimentos feitos pelas equipes que trazem para seus quadros atletas dos Estados Unidos, da própria Europa (provocando uma migração interessante dos atletas) e, de forma muito mais modesta, de países da América do Sul, casos da Argentina e Brasil.

Em um levantamento feito a partir do site oficial da Euroliga – www.euroleague.net – pode-se observar que em todas as equipes classificadas para esta fase do campeonato, denominada “Top 16”, nos times considerados titulares há, pelo menos um jogador americano e um europeu “estrangeiro”.

As equipes do Unics Kazan e do Maccabi possuem quatro americanos, enquanto que o CSKA e o Benneton, além do americano, possuem quatro europeus “estrangeiros”.

As equipes mais caseiras são o Panathinaikos e o Galatassary que no seu time titular possuem 3 jogadores da casa.

O Brasil também estará representado na Euroliga por Marcelinho Huertas que joga no Barcelona.

Enfim, a Euroliga é um grande atrativo, pois concentra os melhores jogadores do basquetebol mundial, oferecendo um espetáculo digno de ser visto por todos que apreciam um basquetebol de qualidade.

Com tantos atletas jogando basquetebol em altíssimo nível, mesmo que fora de seus países de origem, fica mais fácil entender porque a Europa pode ser considerada a “meca” do basquetebol mundial, se entendermos a NBA como “hours concurs” nesse cenário.

Acompanhem este que pode ser considerado o melhor campeonato de clubes do mundo a partir de 18 de janeiro – http://www.euroleague.net.

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Um país que respira Basquetebol

Assim como na divisão da Iugoslávia, o “racha” da União Soviética nos brindou com um país que adotou o basquetebol como seu esporte nacional.

Estou falando da Lituânia que, a partir de 1992, assumiu sua identidade própria e passou a brilhar no cenário internacional do basquetebol.

A Lituânia, juntamente com a Estônia e a Letônia, faz parte da chamada República Báltica. Além desses países, faz fronteira com a Rússia  e a Polônia e possui cerca de 65 mil quilômetros quadrados de extensão e uma população de aproximadamente 4 milhões de habitantes.

Este pequeno país, tem uma paixão enorme pelo basquetebol.

A Lituânia participou por cinco vezes dos Jogos Olímpicos, sendo a primeira em 1992, quando obteve sua primeira das três medalhas de bronze (as demais foram obtidas em 1996 e 2000). A campanha dos lituanos em Jogos Olímpicos é de 28 vitórias e 12 derrotas. Para 2012 a Lituânia disputará a vaga olímpica no Pré-Olímpico Mundial a ser realizado na Venezuela e deverá ser uma das classificadas, já que deixou escapar a vaga direta ao ficar em 5º lugar no Eurobasket disputado em sua própria casa.

Em Mundiais, a melhor classificação dos lituanos em suas três participações, ocorreu em 2010 quando obteve o terceiro lugar. A campanha nos Mundiais é de 18 vitórias e 9 derrotas.

Nos torneios europeus, a Lituânia tem um terceiro lugar em 2007, segundo em 1995 e um título em 2003.

Nas categorias de base, os lituanos foram campeões no sub-21 em 2005 e no sub-19 em 2011 quando revelou um jovem promissor que deverá estar entre os grandes do basquetebol muito em breve: Jonas Valenciunas.

E como não lembrar de grandes jogadores que representaram e representam este país que respira basquetebol: Comicius, Kurtinaitis, Marciuleonis, Songalia, Pocius, Javtokas, Jasikevicius, Kleiza, Karnisovas e um dos maiores jogadores de basquetebol de todos os tempos: Arvidas Sabonis que atuou por longo período no Real Madrid e no Portland Trail Blazers.

Em 2011, a Lituânia sediou o Eurobasket, torneio classificatório para os Jogos de Londres e, apesar de não ter conseguido a classificação direto, ela foi incluída no Guinness Book por ter colocado 61.000 pessoas (em seis cidades diferentes) com bolas de basquete para comemorar a abertura do torneio (foto).

A Lituânia é um país a ser observado quando se fala de basquetebol. Por sua história (recente a bem da verdade), por seu estilo de jogo arrojado e pela forma como nosso esporte é encarado.