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Dream Team: original vs genéricos

Aproveitando o final de semana dos “All Star Game” da NBA e o ano olímpico vamos falar um pouco do “Dream Team”.

Em 1992, quebrando uma tradição olímpica secular, os profissionais do basquetebol, finalmente puderam participar dos Jogos Olímpicos.

Evidentemente pressionados pelos fracassos em competições anteriores (Pan Americanos de 87, Jogos Olímpicos de 88 e Mundial de 90), os americanos pressionaram as autoridades do basquetebol para que os jogadores da NBA pudessem também participar desses eventos. Muito justo, pois os demais países participavam com suas forças máximas e com muitos atletas recebendo altos salários em seus países.

Então, em 1992, os Estados Unidos resolveram dar ao mundo uma demonstração do que havia de melhor no basquetebol, enviando uma equipe que se notabilizou pela quantidade de astros inigualáveis e que foi chamada de “Dream Team”.

A partir de então toda seleção americana convocada para Mundiais e Jogos Olímpicos passou a ser denominada “Dream Team” (pelo menos aqui no Brasil). Sinceramente acho isto um exagero, pois Dream Team foi um só. Os demais não passam de genéricos, a despeito da inegável qualidade de seus integrantes.

Analisando os resultados de todos os “Dream Teams” veremos que o original passeou em Barcelona, enquanto que os demais quando venceram suas competições não tiveram tanta facilidade. Isto se deveu ao fato de que a qualidade dos jogadores convocados não se alinhava com aquele primeiro time e também por conta da evolução dos adversários que também passaram a utilizar jogadores da NBA, como no caso da Espanha e Argentina.

Deve-se também lembrar que, em 2002, o time americano decepcionou ao ficar somente em sexto lugar no Mundial realizado em Indianápolis e em 2004 obteve a medalha de bronze depois de ser derrotado na semifinal pela Argentina que viria a ser a grande campeã. O “Dream Team” de 2004 foi apelidado de “Nightmare Team” (Time dos Pesadelos).

Mas para ilustrar meu ponto de vista, mostro alguns dados sobre a campanha dos “Dream Teams” nos Jogos Olímpicos a partir de 1992.

1992 – Jogos Olímpicos – Barcelona

Equipe: David Robinson, Pat Ewing, Larry Bird, Scotty Pippen, Michael Jordan, Clyde Drexler, Karl Malone, John Stockton, Chris Mullin, Charles Barkley, Magic Johson e Chris Laetnner (único universitário da equipe). Técnico: Chuck Daily

Campanha: 8v 0d – pts/jogo: 117,2

Classificação final: Campeão (final vs Croácia – 117×85)

Obs: Vitória contra o Brasil – 123×87

1996 – Jogos Olímpicos – Atlanta

Equipe: Charles Barkley, Grant Hill, Anfernee Hardaway, David Robinson, Scotty Pippen, Mitch Richmond, Reggie Miller, Karl Malone, John Stockton, Shaquille O´Neal, Gary Payton, Hakeem Olajuwon. Técnico: Lenny Wilkens

Campanha: 8 v 0d – pts/jogo: 102,0

Classificação final: Campeão (final vs Iugoslávia – 95×69)

2000 – Jogos Olímpicos – Sydney

Equipe: Steve Smith, Jason Kidd, Allan Houston, Alonzo MOurning, Tim Hardaway, Vince Carter, Kevin Garnett, Vince Baker, Ray Allen, Antonio McDyess, Gary Payton, SHareef Abdus Rahim. Técnico: Rudy Tomjanovich

Campanha: 8v 0d  – pts/jogo: 95,0

Classificação final: Campeão (Final vs França – 85×75)

2004 – Jogos Olímpicos – Atenas

Equipe: Allen Iverson, Stephon Marbury, Dwayne Wade, Calos Boozer, Carmelo Anthony, Lebron James, Norbuisi Okafor, Shawn Marion, Amare Stoudemire, Tim Duncan, Lamar Odon, Richard Jefferson. Técnico: Larry Brown

Campanha:  5v 3d– pts/jogo 88,1

Classificação final: 3º (Derrotas para P.Rico 73×92; Lituânia 90×94 e Argentina 81-89)

2008 – Jogos Olímpicos – Beijing

Equipe: Carlos Boozer, Jason Kidd, Lebron James, Deron Williams, Michael Redd, Dwyane Wade, Kobe Bryant, Dwight Howard, Chris Bosh, Chis Paul, Tayshaun Prince, Carmelo Anthony. Técnico: Mike Krzyzewiski

Campanha: 8v 0d – pts/jogo: 106,2

Classificação final: Campeão (Final vs Espanha 118×107)

            Para os Jogos de Londres, mais um “Dream Team“ foi anunciado com a pré convocação dos seguintes atletas da NBA: Chris Paul, Deron Williams, Kobe Bryant, Dwyane Wade, Lebron James, Carmelo Anthony, Chris Bosh, Dwight Howard, Derrick Rose, Chauncey Billups, Russell Westbrook, Eric Gordon, Kevin Durant, Rudy Gay, Andre Iguodala, Kevin Love, Lamar Odom, Tyson Chandler, Blake Griffin and LaMarcus Aldridge.

Vamos esperar e torcer para que, independentemente, de ser um “Dream Team” ou não, tenhamos um espetáculo de basquetebol digno das tradições do nosso maravilhoso esporte.

O verdadeiro “Dream Team”

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Euroliga – Top 16 – 5ª rodada

A 5ª. Rodada da Euroliga – top 16 ratificou as classificações de Barcelona e Montepaschi e as eliminações de Unicaja, Zalguiris e Efes, apontou mais um classificado, o CSKA e colocou fogo na briga pela outras 5 vagas.

Pelo GE: CSKA 96 x 64 Olympiacos e Galatasaray 64 x 56 Efes. Neste grupo Galatasaray e Olympiakos disputarão em confronto direto na última rodada a segunda vaga para as quartas de finais;

No GF: Bilbao 60 x 59 Montepaschi e Real 86 x 65 Unicaja. Bilbao e Real (3v 2d) brigarão na última rodada pela classificação. As duas equipes jogarão fora de casa contra Unicaja e Montepaschi, respectivamente.

Pelo GG: Panathinaikos 58 x 67 Milan e Fenerbaçe 94 x 87 Unics. A surpreendente vitória do Milan embolou a briga pelas vagas neste grupo. Panathinaikos e Unics (com 3v e 2d) jogarão um confronto de vida ou morte. O vencedor estará classificado e o perdedor dependerá do confronto entre Milan e Fenerbaçe (2v e 3d).

No GH: Benneton 59 x 60 Barcelona e Maccabi 70 x 66 Zalguiris. O Barcelona (5v 0d) classificado enfrentará o Maccabi (3v 2d), enquanto o Benneton (2v 3d) jogará fora de casa contra o Zalguiris (0v 5d) tendo que vencer e torcendo por vitória do Barcelona para depois pensar nos critérios de classificação.

Nesta rodada os destaque ficaram por conta de Greer (Unics) que anotou 33 pts, 6 reb, 6 assists e 43 de eficiência. Bogdanovic (Fenerbaçe) anotou 20 pts, 5 reb e 20 de eficiência. Já Cook (Milan) anotou 12 assists e 22 eficiência.

Huerta jogou 24:30m, anotando 2 pts, 3 reb, 3 assits e 2 de eficiência.

 

 

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Medalhas: querer é poder?

Amigos do basquetebol

Toda vez que termina um ciclo Olímpico ouvimos sempre a mesma ladainha: vamos nos preparar para que nos próximos jogos aumentemos o número de medalhas.

E aí vem a pergunta: Querer é poder?

Claro que queremos ter um número significativo de medalhas. Mas o fato é: podemos tê-las?

Em um estudo* que aponta as principais características de países que obtém sucesso no cenário esportivo mundial, dois pontos encontram-se em destaque: a formação de treinadores e o incentivo à prática esportiva nas escolas.

Em nosso caso, é nítida a carência de bons treinadores nas bases em quase todos os esportes. E isto se deve ao tipo de formação que nossos estudantes têm, atualmente, nos cursos de graduação de Educação Física. Não se fala quase nada de esporte. As Escolas partiram para uma linha quase que exclusivamente teórica (e nada contra a teoria) e deixaram os esportes à deriva. Lembro que nos currículos dos cursos de graduação, pelo menos dois semestres eram reservados para cada esporte coletivo (principalmente basquetebol, handebol, voleibol e futebol). Atualmente, fala-se discretamente dessas atividades.

Isto se deveu ao movimento de criminalização do esporte que se desenvolveu na década de 90 por aqueles que chamo de “xiitias” da Educação Física que impuseram uma ideia que esporte era algo desnecessário e alienava as crianças. Engraçado que ninguém perguntou às crianças se elas gostavam ou não dos esportes em suas aulas de educação física.

Esses “iluminados” simplesmente ignoraram todo o valor da prática esportiva para o desenvolvimento de nossos jovens em todos os aspectos e provocaram uma revolução na formação dos docentes e, consequentemente, na dos jovens praticantes nas Escolas.

Aliado a esta nefasta interferência desses “iluminados” na nossa prática da atividade física e esportiva, observamos, no decorrer dos anos, o descaso com a educação e, por tabela, a educação física escolar que foi abandonada e relegada a um plano não condizente com a sua importância.

A consequência deste quadro é que deixamos de ter pessoas com boa formação para desenvolver o esporte em sua base e criamos uma geração de desinteressados pela prática esportiva que ficou cada vez mais elitizada, já que a escola, o maior espaço democrático para esta prática, não mais ofereceria esta oportunidade.

Então volto ao tema. Como podemos querer medalhas se o esporte em nosso país é relegado ao segundo, terceiro, quarto ou quinto plano?

Quais os programas de incentivo à prática esportiva escolar que temos (não os que estão colocados no papel como fórmulas milagrosas, mas os verdadeiros, os possíveis, os viáveis)?

Qual é a preocupação de nossos governantes em relação a esta importante arma de educação e desenvolvimento de nossos jovens?

Como se comportam as Escolas de Educação Física perante este quadro? Até quando elas continuarão ignorando o valor do Esporte para a sociedade e deixarão de oferecer a oportunidade de formação de valores para o desenvolvimento da prática esportiva?

E claro que vamos ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos. Judô, natação, vôlei, iatismo, talvez atletismo e basquete. Mas é daí?

Isto é muito pouco frente ao problema crônico da falta de esporte nas escolas.

Quem sabe um dia ao invés de meia dúzia de medalhas possamos nos orgulhar de termos milhões de crianças praticando esporte nas escolas para que tenhamos mais atletas e, principalmente, mais gente saudável e usufruindo de um direito que é inerente ao desenvolvimento do ser humano.

* Veerle De Bosscher; Paul De Knop, Maarten van Bottenburg; Simon Shibli; Jerry Bingham (2009) Explaining international sporting success: An international comparison of elite sport systems and policies in six countries. Sport Management Review, n.12, p.113-136.

 

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Entrevista com Paulista: Campeão Mundial em 1963

Talvez pelo nome oficial poucos o conheçam: Benedito Cícero Torteli. Mas se o chamarmos de “Paulista”, muitos o reconhecerão.

A carreira

Paulista foi Campeão Mundial, em 1963, fazendo parte daquele grupo que imortalizou o basquetebol brasileiro e que tinha, entre outros: Wlamir, Amaury, Rosa Branca, Mosquito, Jatir, Sucar, Bira, Menon, Victor, Valdemar e Friederich.  Sua posição era a de lateral (ou na linguagem moderna, um 3 e segundo Kanela, um dos melhores 3 do mundo).

Paulista começou a jogar basquetebol por curiosidade na Associação Atlética N. Sra. da Penha, em Sorocaba, em 1957. Ainda em Sorocaba jogou pela Associação Atlética Scarpa, Associação Atlética Votorantim e pela Seleção Sorocabana.

Em 1958, transferiu-se para São José dos Campos onde atuou pelo Tenis Clube de São José dos Campos e Seleção da Cidade e em 1959 atuou em São Carlos, pelo São Carlos Clube e pela seleção Sancarlense.

Sua trajetória pelo interior paulista terminou em 1961, quando atuou pelo Palmeiras. E em 1962, Paulista transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro onde atuou pelo Vasco (1962 até 1969), Municipal (1970 e 1971) e pelo Fluminense, em 1972 e 1973. Em todas essas equipes ele conquistou títulos de Campão ou de Vice.

Pela Seleção Brasileira atuou no Sul Americano (1960 – Córdoba – Argentina e em 1963 – Lima – Peru), tornando-se campão nos dois Campeonatos. Mas o auge veio em 1963 com a conquista do Campeonato Mundial  no Rio de Janeiro. Segundo dados fornecidos pelo colega José Medalha, Paulista atuou em 23 partidas pela seleção e marcou 43 pontos.

Os jogadores, os ídolos e os técnicos

Wlamir, Waldemar e Rosa Branca eram os melhores brasileiros. Mas eu me espelhava também em jogadores como Jerry Lucas e Jerry West que atuavam nos Estados Unidos e foram ídolos na NBA. Mas muitos me impressionavam ,principalmente o Rosa Branca e o Amaury.

Os meus técnicos, no início de carreira, em Sorocaba eram o Reinaldo Iung, o Sinistro e o Campineiro. Em S.Carlos era o Mário Amâncio Duarte. No Rio Ary Vidal e Tude Sobrinho. Mas o melhor de todos foi o Kanela.

As equipes mais difíceis de serem enfrentadas naquela época no Brasil e no exterior

No Brasil: 15 de Piracicaba, Sírio e Flamengo
No exterior: USA, Yoguslávia e Rússia.

Treinamentos e relação dos atletas com os clubes

Os treinos eram diários durante 2 a 3 horas e se treinava muito drible, parada e Jump, muito arremesso da periferia da tabela e pouca marcação.

Sempre jogou profissionalmente com salário e contrato assinado.

Como era o estilo de jogo das equipes da época? Muito diferente da forma como se joga hoje?

Na minha época, o basquetebol era mais técnico e com um pouco de força física que era meu forte. Claro que era diferente, pois hoje se joga só na força física

Depois da fase atleta você continuou com o basquetebol?

Estou até hoje envolvido com o basquete. Entre outras coisas fui Presidente da Federação Universitária por 12 anos, da CBDU por 18 anos e da Federação de Basquete do Rio de Janeiro por 9 anos.

Fui Vice Presidente Técnico da CBB por 61 dias na primeira eleição do Brito Cunha. Sou Presidente da Associação de Basquetebol de Veteranos do Rio de Janeiro desde 1997. Esta entidade é treze vezes Campeã Geral do Campeonato Brasileiro Master, além de manter desde 2002 um Projeto Social (escolinha de basquete para crianças carentes onde chegamos a ter 400 alunos).

Fale do trabalho da Associação  dos Veteranos e dos campeonatos mundiais de veteranos

Além do que foi dito acima, em relação aos mundiais eu participei de todos iniciando na categoria “50 plus”, em 1990 até o último realizado em Natal na categoria 70 anos onde fui vice- campeão.

Meu melhor feito no basquete veterano é como dirigente e técnico das categorias femininas sendo que em Natal, em 2011, em sete categorias femininas fomos campeões em quatro delas: 30, 35, 55 e 60 e vice campeões nas categorias 40, 45 e 50.

O que acha das chances do Brasil nos próximos Jogos Olímpicos?

No masculino se montarmos uma equipe com os melhores jogadores e com bom treinamento vamos disputar de 5º a 8º  e no feminino nas mesmas condições podemos até pensar em medalha.

Se tiver algo interessante que queira colocar fique à vontade.

Se nós todos que gostamos de basquete fizéssemos um pouco mais e falássemos e criticássemos menos tenho certeza que o basquete do Brasil seria um pouco melhor do que é.

Eu vejo muita gente falando e criticando, mas pouquíssimas pessoas fazendo alguma coisa pelo bem do basquete.

Paulista (8) em ação pela Seleção Brasileira

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O impacto dos três pontos

Em 26 de novembro de 2011 escrevi um post intitulado “A regra dos três pontos” que visava dar uma ideia geral da evolução dessa regra ao longo dos anos, tomando como base os Campeonatos Mundiais Masculinos a partir de 1986, quando esta regra foi utilizada pela primeira vez em campeonatos oficiais da FIBA.

Em 1986, a média de três pontos por partida foi de 32,1, representando um percentual de 18,8%. No último Mundial, realizado em 2010, na Turquia esse percentual subiu para 31,4%, ou seja dos 154,2 pontos em média por partida, 49,5 foram obtidos em arremessos de 3 pontos, mostrando que esse tipo de situação vem sendo cada vez mais utilizada como uma importante arma ofensiva das equipes.

O Brasil, sempre foi tido como uma equipe que utiliza esse recurso de forma intensa, às vezes até exagerada. No entanto o percentual de pontos obtidos através dos arremessos de três pela equipe brasileira mostra que em determinados campeonatos nosso percentual ficou abaixo do percentual geral desses campeonatos.

Até hoje este tema gera discussões e a pergunta permanece: o Brasil usa o arremesso de três pontos de forma indiscriminada e até mesmo “irresponsável”?

Para não perder o costume de analisar estatisticamente o basquetebol (coisa que faço há muitos e muitos anos) e utilizando dados de três importantes campeonatos que estão acontecendo pelo mundo (NBB, Liga ACB e Euroliga), fiz uma tentativa de ampliar essa discussão sobre o impacto dos três pontos na pontuação final das equipes participantes desses certames.

Os dados analisados referem-se ao primeiro turno desses três campeonatos que contam respectivamente com 15, 18 e 16 equipes, sendo que o NBB e a ACB tem sua disputa na forma de turno completo e a Euroliga é dividida em quatro grupos. Isto cria uma defasagem nos número de jogos que foi corrigida pelo uso dos valores médios relacionados ao item estudado.

Média de pontos por equipe (feitos/possíveis/%)

Euro: 74,8/156,2/47,9%

ACB: 72,1/159,7/45,2

NBB: 80,0/162,3/49,8

Esses dados mostram que o volume de jogo (expresso pelos pontos possíveis) no NBB é ligeiramente maior do que nos outros dois campeonatos. No entanto, o aproveitamento também é maior. É evidente que vários fatores podem gerar este tipo de situação como a estrutura tática ofensiva das equipes, o conceito de jogo utilizado (como a menor ou maior utilização dos 24 segundos) e até mesmo uma possível fragilidade defensiva, tão criticada no nosso basquetebol.

Média de arremessos de 3 pts por equipe (feitos/tentados/%)

Euro: 6,2/18,6/32,8

ACB: 7,0/21,0/33,3

NBB: 7,5/20,6/36,0

Esses dados transformados em pontos nos dão as seguintes médias (feitos/possíveis):

Euro: 18,3/55,7

ACB: 21,0/63,0

NBB: 22,1/61,9

Os dados brasileiros não evidenciam uma distância exagerada dos dados dos campeonatos europeus e mostram que as equipes do NBB mantém o melhor aproveitamento nesse tipo de situação de jogo

Impacto dos arremessos de 3 pts (% sobre a pontuação final feitos/possíveis)

 Euro: 24,2%/35,7%

ACB: 27,6%/39,5%

NBB: 27,4%/38,1%

E novamente os dados brasileiros não fogem a uma tendência que aparece no basquetebol jogado nos dois campeonatos europeus analisados.

De certa forma esta análise pode ser utilizada para se desmistificar a ideia de que as equipes brasileiras jogam de forma a super valorizar os arremessos de 3 pontos. Evidentemente que podem existir casos isolados de equipes que utilizam essa possibilidade de forma indiscriminada e até mesmo “irresponsável” como já foi citado anteriormente. Mas não podemos generalizar o fato.

Enfim, o basquetebol moderno adotou definitivamente os 3 pontos como uma arma que se utilizada de forma correta, aproveitando as características ofensivas de uma equipe ou de terminados jogadores, será letal. Até a NBA está se curvando a ela, já que observamos que cada vez mais as equipes profissionais norte-americanas a utilizam nos seus jogos domésticos e também por sua seleção que há tão pouco tempo não a tinha como uma de suas opções principais como forma de finalização.

Informações complementares sobre a utilização dos arremessos de 3 pontos

Equipes que mais utilizaram essa opção (média de arremesso por jogo):

Euro: Fenerbaçe – 22,0 e Bilbao – 21,3

ACB: Gran Canária – 24,5 e Lagun Aro – 24,5

NBB: Limeira – 25,5 e S.José – 23,5

Equipes com melhor aproveitamento:

Euro: Montepaschi – 44,6% (8,3/18,7) e Benneton – 41,8% (7,7/18,3)

ACB: Zaragoza – 37,8% (8,7/23,1) e Alicante – 36,7% (8,4/22,9)

NBB: Flamengo – 44,0% (9,0/20,5) e Pinheiros – 40,1% (8,3/20,6)

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Euroliga – Top 16 – 4ª rodada

Na realização da 4ª rodada da Euroliga tivemos os seguintes resultados

GE: Efes 65 x 67 Olympiakos; Galatasaray 68 x 64 CSKA

GF: Montepaschi 84 x 69 Unicaja; Bilbao 93 x 69 Real Madrid

GG: Milan 63 x 58 Unics; Panathinaikos 72 x 62 Fenerbaçe

GH: Maccabi 75 x 60 Benneton; Zalguiris 58 x 67 Barcelona

Com esses resultados Barcelona ( e Montepaschi confirmaram suas passagens para as quartas de final. Os demais resultados deixaram o torneio com a seguinte classificação:

Grupo E: CSKA 3v 1d; Olympiakos e Galatasaray 2v 2d; Efes 1v 3d

Grupo F: Montepaschi 4v 0d; Bilbao e Real Madrid 2v 2d; Unicaja 0v 4d

Grupo G: Panathinaikos e Unics 3v1d; Milan e Fenerbaçe 1v 3d

Grupo H: Barcelona 4v 0d; Maccabi e Benneton 2v 2d; Zalguiris 0v 4d

Lembrando que se classificam para as quartas de finais as duas melhores equipes de cada grupo.

Os grandes destaques da rodada foi o jogador Shermadini do Benneton, que apesar da derrota da sua equipe conquistou 15 pts, 10 rebotes e 31 de eficiência e Navarro do Barcelona com 18 pts, 5 assists e 23 de eficiência. Os outros destaques individuais da rodada foram

Cestinhas: Lafayette (Efes) e Shipp (Galatasaray), 22 pts

Rebotes: Begic (Bilbao) e Tsartsaris (Panathinaikos), 10

Assists: Jackson (Bilbao), 10 e Cook (Milan), 6

Eficiência*: Mumbru (Bilbao), 22 e McCalleb (Montepaschi), 20.

*A eficiência é calculada da seguinte forma:

(pontos+rebotes+assists+bolas recuperadas+tocos dados+faltas recebidas) – (arremessos errados+bolas perdidas+tocos recebidos+falas cometidas).

Os nossos brasileiros:

Marcelinho Huertas (Barcelona): Min – 22; pts – 3; B.Rec – 2; B.Perd – 3; Assists – 3; Faltas – 1; efi – 8.

Augusto Lima (Unicaja): não jogou

Próxima rodada:

22 de fevereiro: CSKA x Olympiakos; Galatasaray x Efes; Bilbao x Montepaschi

23 de fevereiro: Real x Unicaja; Fenerbaçe x Unics; Panathinaikos x Milan; Maccabi x Zalguiris; Benneton x Barcelona

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Kátia de Araújo fala do Projeto “Virando o Jogo Sampa”

Amigos do Basquetebol

Recentemente tive a oportunidade de conhecer um dos mais belos projetos que é desenvolvido em nossa cidade: “Virando o Jogo Sampa”.

É um programa de esporte, lazer e recreação, desenvolvido pela Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo. Tem o apoio da Secretaria de Segurança Urbana/ Guarda Civil Metropolitana – GCM e parceria da Suprefeitura local, responsável pela zeladoria e manutenção dos espaços físicos. É destinado a crianças e adolescentes de 3 a 17 anos de idade, que utiliza o Basquetebol, Hip-Hop, Skate, Patins, Arte e oficina de motricidade (desenvolvimento das habilidades básicas e coordenativas), como instrumentos de inclusão e transformação social, buscando desenvolvimento integral do indivíduo e sua formação educacional.

Atualmente o projeto é desenvolvido em dois polos: Águas Espraiadas (Av. Roberto Marinho) e Luz (na praça em frente ao Colégio Sagrado Coração de Jesus) e futuramente será expandido para outros pontos da cidade.

A Coordenadora do projeto é a profa. Kátia de Araújo que é treinadora de basquetebol e trabalha com a formação de atletas, principalmente no feminino. Por suas mãos passaram atletas que hoje integram as seleções brasileiras como Tássia, Tatiane e Patrícia. Kátia foi eleita por três anos consecutivos como a melhor técnica pela Federação Paulista de Basketball (2003/ 2004/2005). Em 2007 foi nomeada para o cargo efetivo/concursado da Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo, o que a fez deixar o basquetebol de Americana. Em 2011, depois de estabilizada e com vários projetos sociais com impacto na sociedade, montou a equipe mini feminino no C.A Juventus e se dedica de corpo e alma ao referido projeto.

Como surgiu a ideia do projeto?

Como eu tinha como meta desde 2007, de um dia implantar atividades de esporte e lazer no Centro Comunitário Águas Espraiadas, que fica próximo da minha casa e que se encontrava ocioso e com o entorno cheio de crianças e adolescentes nas ruas e faróis e em situação de vulnerabilidade e risco social, apresentei o projeto na SEME. Além de aprovarem o projeto, fui solicitada a detectar outros locais com o mesmo perfil para que ele pudesse ser ampliado.

Fui atrás de um nome próprio para implantação e ampliação na cidade de São Paulo, que resumisse o nosso principal objetivo que era a  transformação social, por isso o nome Virando o Jogo Sampa.

O Virando O Jogo Sampa é uma reformulação de um projeto desenvolvido por voluntários da Vila Guarani, com atividades de cultura de rua (Basquetebol, Skate, Patins, Arte, Oficina de Motricidade), o que nos aproximava do público alvo. A ideia era implantá-lo em espaços públicos ociosos, com grande índice de vulnerabilidade e risco social e destinado ao atendimento de um público que não tem acesso ao esporte e lazer próximo de sua moradia.

“Virando o Jogo Sampa”  tem como objetivos: garantir o acesso ao esporte e lazer como um poderoso instrumento de inclusão e transformação social; proporcionar o desenvolvimento integral do indivíduo e sua formação educacional, favorecer a inserção na sociedade e a ampliar as possibilidades futuras.

 Qual o perfil das crianças que participam do projeto?

São crianças e adolescentes, de ambos os sexos, de 03 a 17 anos, que residam ou circulam pelos espaços públicos, em situação de vulnerabilidade e risco social e moradores de entorno.

Que dificuldades vocês encontram para trazer e manter essas crianças no projeto?

São muitas as dificuldades. Inicialmente, é fazer com que as comunidades se apropriem das atividades e dos espaços, e entendam que o espaço público não pertence a nenhuma comunidade específica. Outro problema é a rotatividade do público, pois muitos não possuem moradia fixa.

Os pais incentivam muito pouco e não participam das atividades e muitas crianças têm as mesmas responsabilidades de um adulto, pois muitas têm que cuidar dos irmãos mais novos e até contribuir para a renda familiar, pedindo esmolas em semáforos.

Quais os próximos passos?

Já implantamos o Virando O Jogo Sampa em dois locais: Centro Comunitário Águas Espraiadas e Largo Coração de Jesus – Luz e até Junho de 2012, implantaremos em mais  cinco locais. No próximo dia 03 de Março iremos implantar na Praça Mendes de Sá – Glicério.

O que se espera dos professores que ministram as atividades no projeto?

As modalidades implantadas servem de instrumentos para que façamos a nossa parte para aquela comunidade. Além de ensinar os aspectos técnicos das modalidades, os profissionais passam a ser a referência e exemplo para os participantes do programa. Numa relação de confiança adquirida no dia a dia, eles têm o poder de transformá-los, de torná-los cada dia melhores, de reforçar e desenvolver valores morais e éticos.

Isto acontece sem imposições, pela própria dinâmica das aulas e atividades. Assim contribuem para o exercício de cidadania e para um mundo melhor, além de revelar talentos para a modalidade e encaminhá-los para clubes que ofereçam um mínimo de estrutura para mantê-lo e continuidade de um trabalho efetivo.

Fale um pouco do acompanhamento escolar, o papel  da conselheira tutelar e o que é oferecido às crianças.

 

Depois da apropriação do espaço e das atividades pelos participantes, detectamos aqueles que não estão freqüentando o ensino formal, porque passam o dia inteiro no Virando O Jogo, aqueles que não possuem documentos, que sofrem maus tratos, violência, abandono, abusos. Então entramos em contato com o conselho tutelar  para zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e adolescente previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

O projeto prevê materiais para cada modalidade, equipamento de proteção para os esportes radicais (patins e skate) e Kit lanche para final de período, primordial, já que muitos dos participantes vão para as atividades sem se alimentar.

Algo que você queira ressaltar e que ache importante

As atividades do Virando O Jogo Sampa acontecem de segunda a segunda feira das 9h às 16h. As crianças recebem um lanche em cada período.

Para finalizar deixo uma frase do grande professor e pedagogo do esporte, Jorge Olímpio Bento (Universidade do Porto): “Dentro de cada criança há um esboço e projeto de vida e de homem a espera de serem revelados e realizados.  Nem todos podem ser campeões, mas todos podem dar o melhor de si mesmo para cumprir o sonho e a história de felicidade que intimamente os habitam. Todos podem alargar e trocar os limites e constrangimentos interiores pela visão e grandeza dos horizontes exteriores“ .

O Basquetebol no “Virando o Jogo Luz”

Patins no “Virando o Jogo Águas Espraiadas”