Jogos Olímpicos · Opinião do autor · Todos os posts

O sorteio das chaves para Londres

Dia 30 teremos no Rio de Janeiro o sorteio das chaves dos torneios masculino e feminino de basquetebol dos Jogos Olímpicos.

Como se sabe, os sorteios sempre têm algo a mais do simplesmente um “sorteio”. As equipes são colocadas em grupos de acordo com seu nível, localização, etc.. Isto nos leva a fazer várias especulações sobre as possíveis combinações.

Nos Jogos Olímpicos a forma de disputa é muito simples: são formados dois grupos de seis equipes cada um que jogam entre si. Os quatro primeiros classificados de cada grupo se enfrentam nos seguintes cruzamentos:  (1) 1a x 4b;  (2) 2a x 3b;  (3) 3a x 2b e  (4) 4a x 1b. Posteriomente, nas semifinais, o vencedor de (1) joga contra o vencedor de (3) e o vencedor de (2) joga contra o vencedor de (4). Os vencedores disputam o ouro e os perdedores o bronze.

Baseado somente nas suposições e especulações arisco-me a fazer algumas considerações sobre a possível composição das chaves no masculino e no feminino.

Masculino

Equipes classificadas: Estados Unidos, Brasil, Argentina, Espanha, França, Grã Bretanha, China, Austrália e Tunísia.

Equipes que disputarão as três vagas restantes: Rússia, Macedônia, Lituânia, Grécia, Porto Rico, Venezuela, República Dominicana, Jordânia, Coreia, Angola, Nigéria e Nova Zelândia. Palpite: Rússia, Grécia e Lituânia.

 Considerando (ou especulando) que as equipes abaixo citadas não cairão na mesma chave:

  • Estados Unidos e Espanha (pelo histórico e por serem o último campeão Olímpico e Mundial e o Campeão da Europa)
  • Estados Unidos e Argentina (pelo que já foi citado e por ser o Campeão da América)
  • Estados Unidos e Grã Bretanha (pelo que já foi citado e por ser o time da casa)
  • Espanha e França (Campeão e vice da Europa)
  • Argentina e Brasil (Campeão e vice da América)

Podemos pensar que em uma das chaves teremos Estados Unidos, França e Brasil e na outra Espanha, Grã Bretanha e Argentina.

Continuando:

  • Austrália e China também deverão ficar em chaves separadas
  • Dos três europeus que se classificarem no Pré Olímpico Mundial, dois deverão ir para a chave dos Estados Unidos, porque já teríamos dois europeus na chave da Espanha

Desta forma uma composição muito possível seria:

A: Estados Unidos, França, Brasil, Austrália (ou China), dois Europeus

B: Espanha, Argentina, Grã Bretanha, China (Austrália), um europeu, Tunísia

Espero estar redondamente enganado, pois nesta composição o Brasil enfrentaria uma chave dificílima. Nesta suposta composição, uma inversão entre Brasil e Argentina seria muito bem vinda. Vamos aguardar e torcer.

Feminino

Equipes classificadas: Estados Unidos, Rússia, Brasil, Grã Bretanha, China, Austrália e Angola.

Equipes que disputarão as cinco vagas restantes: Croácia, Rep. Tcheca, França, Turquia, Argentina, Canadá, Porto Rico, Japão, Coreia, Mali, Moçambique e Nova Zelândia. Palpite: Croácia, Rep. Tcheca, França, Turquia e Coreia.

Considerando (ou especulando) que as equipes abaixo citadas não cairão na mesma chave:

  • Estados Unidos e Austrália (pelo histórico)
  • Estados Unidos e Grã Bretanha (Campão Olímpico e time da casa)
  • Estados Unidos e Brasil (este por ter sido o campeão da América)
  • Estados Unidos e Rússia (este por ter sido campeão da Europa)

Podemos esperar que uma das chaves tenha a Austrália, Grã Bretanha, Brasil e Rússia. Na outra teríamos Estados Unidos, China e Angola.

Como na disputa do Pré Olímpico Mundial teríamos quatro europeus classificados mais a Coreia as chaves, acredito que na chave americana teríamos, pelo menos dois europeus e a Coreia, enquanto que na outra, entrariam 2 europeus. Então as chaves ficariam assim compostas:

A: Estados Unidos, China, Coreia, Angola e dois europeus

B: Austrália, Rússia, Brasil, Grã Bretanha e dois europeus

De qualquer forma, a chave brasileira também seria muito difícil.

Como já disse, isto é somente uma especulação e a chance de estar totalmente equivocado é grande. Mas vale pelo desafio ou pela torcida de vermos o Brasil em uma chave que possibilite, pelo menos, a passagem para a segunda fase.

Dia 30 tudo será esclarecido e eu terei a confirmação se posso jogar na mega sena e ficar milionário.

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Estatísticas · NBB · Todos os posts

NBB – quartas de finais

Amanhã – 27 de abril – começam as quartas de finais do NBB.

Compare os números das equipes que se enfrentarão (pontos a favor x pontos contra; índice de eficiência a favor x índice de eficiência contra). Esses números são baseados nas campanhas da primeira fase do campeonato. Os jogos programados são os seguintes: São José* x Franca; Pinheiros* x Joinville; Brasília* x Bauru e Flamengo* x Uberlândia. O sistema de disputa prevê melhor de cinco jogos, sendo o segundo, terceiro e quinto na casa dos melhores classificados (*)

São José*

            Geral: 86,6 x 77,8; 102,4 x 79,6

            Mandante: 88,9 x 76,4; 108,8 x 75,4

            Visitante: 84,2 x 79,2; 96,0 x 83,8

Franca

            Geral: 83,5 x 83,5; 96,4 x 94,2

            Mandante: 84,9 x 82,2; 99,1 x 91,8

            Visitante: 82,1 x 84,9; 90,0 x 96,6

 

Pinheiros*

            Geral: 86,7 x 77,6; 101,0 x 80,9

            Mandante: 85,9 x 75,5; 101,0 x 77,0

            Visitante: 87,5 x 79,7; 100,9 x 84,7

Joinville

           Geral: 79,2 x 79,7; 83,6 x 83,8

            Mandante: 77,8 x 73,6; 80,4 x 73,6

            Visitante: 80,6 x 85,8; 86,8 x 93,0

Brasília*

            Geral: 87,4 x 79,7; 101,1 x 80,5

            Mandante: 89,6 x 75,9; 106,3 x 74,0

            Visitante: 85,3 x 83,5; 95,9 x 87,1

Bauru

            Geral: 82,4 x 77,6; 92,7 x 84,0

            Mandante: 90,6 x 76,3; 109,6 x 77,6

            Visitante: 74,1 x 78,9; 75,7 x 90,5

Flamengo*

            Geral: 88,2 x 77,6; 103,0 x 80,1

            Mandante: 90,9 x 75,7; 108,5 x 74,9

            Visitante: 85,5 x 79,5; 97,6 x 85,4

Uberlândia

            Geral: 85,3 x 80,3; 97,4 x 86,8

            Mandante: 87,1 x 74,1; 105,4 x 76,1

            Visitante: 83,4 x 86,4; 89,4 x 97,4

Lembrando que na primeira fase houve uma forte correlação entre a classificação final e o índice de eficiência (0,91). Em playoffs essa correlação cai para 0,66, o que significa que neste tipo de competição, nem sempre as equipes que obtiveram os melhores índices passam de fase.

Agora é aguardar por  jogos cada vez mais emocionantes.

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Índices de Eficiência no Basquetebol 4: as posições específicas – parte 1

Uma das questões colocadas no primeiro post desta série (Índices de Eficiência no Basquetebol 1: eles são realmente eficientes? – em 10 de abril) ressaltava se seria possível estabelecer um índice de eficiência que não considerasse as funções específicas de um atleta.

De maneira mais direta o que se questiona é se seria justo atribuir-se a mesma pontuação nos diferentes indicadores de jogo* às diferentes funções desempenhadas pelos atletas devido a suas características, físicas, técnicas e táticas dentro do sistema da equipe.

Sendo mais direto ainda, um rebote deveria ter o mesmo peso para um pivô e um armador? Da mesma forma, uma assistência deveria valer o mesmo para essas duas posições?

Esta é uma discussão muito complicada, pois implicaria em atribuir-se pesos diferentes aos indicadores de jogo e a cada uma das posições específicas.

Inicialmente, poder-se-ia, questionar as formas de identificar essas posições e as funções a elas determinadas. Durante muito tempo utilizou-se uma terminologia que indicava haver três posições específicas: armadores, laterais e pivôs. Elas de forma resumida eram identificadas como os organizadores do jogo e responsáveis pelos arremessos de longa distância e contra-ataque (armadores), arremessadores e também participantes das ações de rebotes (laterais) e os pegadores de rebotes e arremessadores de curta distância (pivôs).

Com a evolução física, técnica e tática do jogo e a influência do basquetebol norte-americano, passou-se a adotar um critério universal que numera essas posições e as torna mais flexíveis em termos de funções.

Assim a posição 1 é destinada ao armador tradicional, a 2 seria o escolta, jogador com capacidade de auxiliar a armação e também atuar como lateral, a 3 indica um lateral tipicamente finalizador), a posição 4 seria identificada por um lateral mais forte,  finalizador e com capacidade de atuar como um pivô de maior movimentação e 5 seria o pivô tradicional, poste, o que briga pela maioria dos rebotes e finaliza o mais próximo possível da cesta.

Mas esta evolução trouxe também a figura do jogador multi-funcional, aquele que tem capacidade e talento para desempenhar de maneira satisfatória em uma ou mais posição durante uma partida.

Um segundo ponto seria determinar quais os indicadores de jogo estariam mais (ou menos) relacionados com essas posições. Tradicionalmente aponta-se que os armadores e escoltas (1 e 2) se relacionam mais com os arremessos de longa distância (dois e três pontos), assistências, bolas recuperadas e bolas perdidas. Os escoltas e laterais (2 e 3) participam ativamente dos arremessos de dois ou três pontos e podem ter participação significativa também nos rebotes. Os laterais/pivôs (4) seriam caracterizados pelos arremessos de dois pontos e rebotes e os pivôs (5) têm seu trabalho muito concentrado dentro do garrafão, através dos arremessos de dois pontos, rebotes e tocos.

O terceiro ponto e o mais crucial de todos seria definir se todos os indicadores de jogo teriam o mesmo peso na definição do índice de eficiência para cada uma dessas posições ou se o valor atribuído a cada indicador de jogo deveria ter uma determinada ponderação.

No primeiro caso (e é como a maioria dos índices praticados se baseia) não há diferenças entre os valores, colocando-se todos os jogadores numa mesma condição, não se observando suas características específicas.

No segundo caso (e talvez o mais justo) os valores atribuídos a cada indicador de jogo seria determinado em função de cada posição específica obedecendo um critério técnico/tático próprio de cada uma das posições.

Para seguir o caminho da ponderação o primeiro passo seria identificar quais os indicadores de jogo estariam mais relacionados com cada uma das posições específicas. Estudos realizados no Brasil já mostram resultados que levam a essa definição de perfis**, mas não identificam a relação entre esses perfis e os indicadores de jogo.

Posteriormente, dever-se-ia definir o peso de cada indicador de jogo válido para cada posição. E aí é que a coisa se complica, pois não há nenhuma definição, pelo menos no campo científico, que determine com precisão esse valor ponderado apesar de alguns treinadores adotarem um critério pessoal.

É importante ressaltar que os indicadores de jogo avaliam quase que exclusivamente as ações de ataque. Dificilmente encontramos nas fórmulas apresentadas valores que demonstrem o desempenho defensivo dos atletas, além dos rebotes, tocos e bolas recuperadas. Ajudas, passes negados, saídas de corta-luz, coberturas e rotações bem executadas nunca fazem parte desta conta.

O último ponto a ser levado em consideração seria o tempo de jogo de cada atleta que é outra questão complicadora dessa discussão.

Enfim, como se nota, o índice de eficiência que é uma medida que se presta a avaliar o desempenho de jogadores de basquetebol pode suscitar muitas dúvidas.

No entanto, talvez seja a única forma de se ter uma avaliação global deste atleta em situação de jogo, apesar das formas variadas como é composto e de todas as possíveis falhas que ele venha a apresentar.

No próximo artigo sobre este assunto, mostrarei alguns exemplos reais, baseados em estudos, desta relação entre índice de eficiência e posições específicas.

*indicadores de jogo são as ações mensuráveis em uma partida de basquetebol. Em geral, os indicadores de jogo que fazem parte da equação para se determinar os índices de eficiência são: pontos, arremessos errados, rebotes, assistências, bolas perdidas e recuperadas, tocos e faltas cometidas.

**

De Rose Jr., D. e col. Perfil técnico de jogadores de basquetebol: relação entre indicadores de jogo e posições específicas. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v.18, n.4, p.377-384, 2004

Okasaki, V.H.A. e col. Diagnóstico da especificidade técnica de jogadores de basquetebol. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v.12, n4, p. 19-24, 2004.

Leituras · Todos os posts

Boas leituras: O jogo da minha vida

Amigos do basquetebol

 

Vou falar de um livro que não é de basquete, mas que traz depoimentos e fatos muito interessantes trazidos por um jogador de futebol – Paulo André (zagueiro do Corinthians).

O livro: O jogo da minha vida  – é um relato sincero e inteligente que mostra as agruras de um jovem que sonha em ser atleta e que passa por situações difíceis e inusitadas.

Paulo André mostra-se uma grande exceção nesse mundo de boleiros mais preocupados com os cabelos, correntes e relógios de ouro, carrões e “Marias chuteiras”.

A leitura é leve, agradável e trás ao conhecimento do leitor uma realidade que, muitas vezes, não é mostrada ao grande público.

Uma das passagens mais interessantes do livro acontece no capítulo em que o autor descreve a vida nos alojamentos das categorias de base, com treinamentos exaustivos, disputas acirradas e surreais, interferência de treinadores e empresários e que me permito transcrever literalmente um pequeno trecho:

“Eu pensava muito sobre o valor das escolhas e das prioridades que havíamos assumido tão cedo. Pergunto-me até hoje por que eu e tantos outros tivemos de passar tanto tempo ali, alojados, concentrados? Por que treinar em dois períodos nessa idade, tão jovens? Por que se especializar tão cedo em uma área e deixar todo o resto de lado?…Na minha cabeça éramos tratados como cavalos que comem e descansam para depois correr…. Até hoje penso no deixamos de viver e aprender nesse período. Por que não desenvolver outras habilidades além do futebol? ”.

Enfim, vale a pena conferior.

O jogo da minha vida: histórias e reflexões de um atleta. Paulo André Cren Benini. São Paulo: Leya, 2012.

Opinião do autor · Todos os posts

70.000 acessos

Amigos do Basquetebol

Chegamos a 70.000 acessos.

Em agosto de 2010 quando resolvi escrever um blog, não poderia imaginar que chegaria a tanto. Graças à participação de vocês atingimos essa marca que considero muito significativa para um blog que se propõe a divulgar o basquetebol em suas mais diversas facetas.

Nesse período o Viva o Basquetebol com teve uma média mensal de 3330 acessos. Março de 2012 (7943 acessos) e setembro de 2011 (7517) foram os meses que mais proporcionaram visitas ao blog.

O recorde de visitas em um único dia (779) aconteceu em 11 de setembro de 2011, logo após a histórica classificação da Seleção Brasileira Masculina para os Jogos Olímpicos. O post “Esporte na escola: solução dos nossos problemas” também foi o segundo mais visitado (427 acessos).

Nesta empreitada, o Viva o Basquetebol recebeu a visita de pessoas em 47 países, sendo que Brasil, Portugal, Estados Unidos e Angola foram os mais frequentes.

Segue a relação de países dos quais o blog teve a honra de receber visitantes:

Brasil, África do Sul, Alemanha, Angola, Argélia, Argentina, Austrália, Bélgica, Cabo Verde, Canadá, Chile, Colômbia, Ecuador, El Salvador, Emirados Árabes, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, França, Gana, Grécia, Guatemala, Holanda, Hong Kong, Indonésia, Inglaterra, Islândia, Itália, Japão, Kênia, Líbano, Lituânia, México, Moçambique, Moldávia, Noruega, Panamá, Polônia, Porto Rico, Portugal, Suécia, Suiça, Suriname, Tailândia, Turquia e Venezuela.

Deixo aqui meus agradecimentos a todos vocês que são o incentivo para que eu possa continuar prestando esse serviço em prol do nosso basquetebol.

Um grande abraço e todos

Entrevistas · Todos os posts

Entrevista com um dos maiores jogadores do basquetebol brasileiro: Luiz Cláudio MENON

Sempre deixei clara minha admiração pelo grande Wlamir Marques, a quem considero o maior jogador de basquetebol deste país de todos os tempos. A camisa 5 do Wlamir foi minha inspiração quando garoto e a usava nas equipes que jogava.

Mas na Escola que eu representava em São Caetano (Instituto Estadual de Educação Coronel Bonifácio de Carvalho) e que tinha um timaço de basquetebol, a “5” já tinha dono e eu, novato, tive que escolher outra. E escolhi a 11. E não foi por acaso. Foi por causa de um jogador que atuava no Sírio (grande rival do meu Corinthians) e que eu admirava pela elegância, técnica e inteligência.

Esse jogador era o Menon. Dono de um arremesso fantástico, Menon (apesar de “inimigo”) enchia meus olhos e me fazia querer ser como ele. E é por isso que trago um pouco da história desse fantástico jogador para que os mais jovens a conheçam e para que os mais “experientes” relembrem um pouco de sua trajetória.

Sobre a carreira, ídolos e clubes:

Iniciei jogando bolinhas de papel num cesto improvisado. Um balde pequeno, sem o fundo, cuja forma cônica se assemelhava a uma cesta. Estávamos em 1959 e escutava pelo rádio o campeonato mundial realizado no Chile. Após cada partida me dirigia ao quintal para fantasiar que estava jogando com Amaury, meu ídolo, Wlamir, outro monstro, Edson, Waldemar e Algodão, o time titular.  Iniciei no juvenil do Palmeiras em 1960 com idade de jogar no infantil. Porém, menti a idade para mais e assim jogar no juvenil. Em 1963 me transferi para o Sírio, onde encerrei minha carreira esportiva em1974

Clubes que defendeu, seleção brasileira, títulos e competições

Em toda minha carreira defendi somente dois clubes: Palmeiras e Sírio.

Pela seleção brasileira participei dos Campeonatos Mundiais de 1963, Rio de Janeiro, medalha de ouro; 1967,Uruguai, medalha de bronze, cestinha da equipe brasileira e 1970, Yugoslávia, medalha de prata, cestinha da equipe brasileira.

Nota: Menon participou de 22 jogos e marcou 331 pts – média de 15,0 pts

Joguei em três Pan Americanos: 1963. São Paulo, medalha de prata; 1967, Winnipeg, 7ª colocação e 1971,Cali, medalha de ouro.

Nota: Menon participou de 11 jogos e marcou 122 pts – média de 11,1 pts

Nos Jogos Olímpicos estive em 1968, México, 4ª colocação e em 1972, Alemanha, 7ª colocação. Em 1964, por ocasião da olimpíada realizada no Japão, solicitei dispensa da convocação para estudar. Objetivo, o vestibular para medicina.

Minha maior glória foi ter sido o  porta bandeira do Brasil no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique.

Nota: Menon participou de 17 jogos e marcou 214 pts – média de 12,6 pts

Alem desses títulos representando nosso país, conquistei alguns no âmbito nacional: torneio preparatório, metropolitano, estadual e brasileiro, representando os clubes que joguei.

Campeão Brasileiro interseleções em 1962 (Franca) e 1964 (Pernambuco); Campeão Brasileiro Universitário 1969; Melhor Cestobolista do Ano (1967) e Melhor Cestobolista Universitário (1969).

Equipes marcantes que defendeu e que enfrentou

Não conseguiria indicar uma única equipe marcante que joguei. Todas foram muito fortes. Talvez a de 1963 no Mundial do Rio de Janeiro.

Foram várias as equipe que enfrentei consideradas extraordinárias. Entretanto, uma delas está gravada com detalhes: a URSS de 1970, porque foi a maior demonstração de garra que me recordo e com vitória brasileira. Vale acrescentar que, ao memorizar essa partida, me envolvi de garra semelhante, para alcançar a recuperação física mais rápida, decorrente de uma patologia neurológica a que fui acometido.

Falando dos rivais e dos jogadores de sua época que mais impressionaram

No nosso país e, especialmente em São Paulo, o Corinthians, Palmeiras e a equipe da cidade de Franca. Em competições pelo selecionado brasileiro, a URSS, Yugoslávia e EEUU.

Aprendi muito observando vários jogadores que, alem do Amaury, não poderia enumerá-los pela quantidade. Entretanto, quando ainda iniciante, queria ter: o arremesso de gancho do Edson, o “jumping” do Jatyr, a inteligência do Amaury, a velocidade do Mosquito, a versatilidade do Wlamir e o malabarismo do Rosa Branca. Não queria nada mais , hein?

A contribuição dos técnicos

Em minha carreira tive vários técnicos: os fundamentos básicos do basquete foram ensinados pelo Túlio Di Grado, no juvenil do Palmeiras. Alem desse aprendizado, recebi orientações de: Mario Amâncio Duarte, Moacir Daiuto, Angel Crespo e Pedro Genevicius (Pedroca),no Palmeiras e no Sírio. Togo Renan Soares (Kanela), Renato Brito Cunha e Edson Bispo dos Santos, na seleção brasileira.

Os atletas internacionais que mais marcaram

Também foram vários. Por isso é difícil citá-los. Entretanto, Spencer Heywood e Jo Jo White dos EEUU; Cosic, Siminovic e Skanci da Yugoslávia; Paulauskas, Volnov e Sergei Belov da URSS e Shin Don Pa da Coréia do Sul. Cito estes atletas, uma vez que, tive de enfrentá-los representando nossas cores.

Sobre a conquista do Mundial de 1963, o vice mundial em 1970 e as participações em Jogo Olímpicos (68 e 72).

Em 1963 era o mais novo dos integrantes e, consequentemente, tive a oportunidade de aprender muito, mesmo tendo ficado no banco como torcedor privilegiado. Foi momento de muita emoção estar naquele grupo e me tornar campeão mundial.

Em 1970, titular desde 67, comandava a equipe, pois era o capitão. Essa deferência se deu pelo fato de falar um pouco da língua inglesa e assim poderia me comunicar melhor com os árbitros.  O vice-campeonato teve sabor especial. Saímos do Brasil, completamente desacreditados. A equipe não estava bem. Treinamos pouco e tivemos que enfrentar muitas dificuldades políticas. Vivíamos num regime ditatorial e quase nossa participação não teria acontecido. Não fosse a interferência do Ministro Jarbas Passarinho, conseguindo a liberação da verba necessária para que pudéssemos viajar. Portanto, a emoção de trazer a medalha de prata foi altamente significativa.

Nos jogos olímpicos de 68 alcançamos o quarto posto e sem considerar o decantado chororô, a arbitragem facciosa de Mario Oppenheim, foi determinante para a derrota contra a URSS. Vale acrescentar, que esse juiz foi o mesmo que nos prejudicou em 67,contra a mesma URSS. No mínimo seríamos medalha de prata.

Em 72, fui envolvido de uma ambiguidade de sentimentos: a alegria de ter sido indicado para porta bandeira e depois de alguns dias, a tristeza pelo atentado terrorista.

Nos jogos, não nos apresentamos bem. A derrota contra os cubanos nos eliminou de estar entre os finalistas. Ficamos em sétimo lugar.

Comparação entre o basquetebol que era jogado naquela época e o praticado atualmente

No passado o basquete refletia o esporte coletivo. À medida que o individualismo passou a ser privilegiado, o basquete perdeu o “romantismo” que existia. Atualmente, estamos copiando muito a característica da NBA. Apenas que na América a quantidade de atletas fora de série é gigantesca

A contribuição do basquetebol e do esporte no geral na sua vida pessoal e profissional

O esporte coletivo ensina ou aprimora muita coisa. Trabalho em equipe, certamente é fator de sucesso, tanto no esporte como nas empresas. Disciplina, concentração, presença de espírito ou raciocínio rápido, respeito aos colegas, adversários, dirigentes juízes, mesários, etc.. e determinação e.

Você era um especialista em arremessos e tinha um estilo muito bonito nesse fundamento. Quais jogadores que você citaria nesse fundamento como os melhores?

Difícil citar alguns atletas nesse fundamento, pela grande quantidade de especialistas. Entretanto, lembro alguns brasileiros que se destacaram: Amaury, Wlamir, Waldemar, Jatyr, Radvilas, Marcel, Oscar e Marcelinho Machado.

A influência da NBA no basquetebol atual

Quero dizer inicialmente que acompanho muito pouco o basquete. A falta de tempo disponível para assistir a TV e os horários em que os jogos da NBA são transmitidos, são fatores que me impedem de visualizá-los. Entretanto, arrisco algum comentário:

O basquete é um esporte coletivo e portanto, não pode haver individualismos como tenho escutado isso a respeito.

O Brasil ficou fora de 4 Olimpíadas e agora volta à cena. Por quê você acha que ficamos tanto tempo fora dos Jogos e tanto tempo sem obter resultados internacionais expressivos. O que se pode esperar do nosso time?

Inicio pelo fim. Estou entusiasmado com a equipe atual. Assisti a dois jogos do Pré Olímpico e percebi evolução com o novo técnico. Portanto, podemos esperar grandes apresentações. Ficamos fora de três edições olímpicas porque houve o que chamamos de entre safra. Nesse período ficou marcante o interesse individual num esporte coletivo.

Qual sua atividade atual? Ainda curte o basquetebol? Vai a jogos ou vê pela TV?

Sou médico e ainda pratico a profissão. Evidentemente pelos problemas de saúde que tive que enfrentar fui obrigado a reduzir a jornada de trabalho. Não vou aos jogos e raramente os assisto pela TV.

Da geração atual há algum jogador que chame sua atenção?

São muito bons jogadores, mas, para mim, Marcelinho Huertas é um fora de série.

Mensagem para os jovens que gostam do basquetebol e lutam para ser jogadores.

Acredito ser muito ousado em oferecer mensagens, porém, o que me vem à mente é o seguinte: muita determinação, respeito aos colegas ,adversários e a todos que estão envolvidos no contexto. Sem ser cabotino, posso me considerar um exemplo de que é possível associar esporte competitivo com outra atividade profissional.

Menon, em seu primeiro Mundial (1963, Rio de Janeiro) ao lado de colegas do E.C.Sírio – Sucar e Victor

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Índices de Eficiência no Basquetebol 3: o fator mando de jogo

Neste post discutiremos a relação do índice de eficiência com o fator “mando de jogo”, utilizando os dados da recém-finalizada fase de classificação do NBB.

Muitos trabalhos apontam que os times mandantes vencem, aproximadamente, 60% de seus jogos em diferentes torneios de basquetebol.

Em 2002 foi publicado um trabalho com base no estudo realizado * no Campeonato Paulista de Basquetebol Masculino de 2001 e que reuniu 15 equipes em 210 jogos.

Naquele campeonato, os “mandantes” venceram 130 partidas (62%). Nessas partidas, os “mandantes” tiveram média de 93,6 pts a favor e 80,0 pts contra (diferença média = 13,6 pts), enquanto que os visitantes, em suas vitórias, obtiveram média de 91,0 pts a favor e 79,5 pts contra (diferença média de 11,5 pts).

Nesse estudo também foi constatado que os “mandantes” predominavam em todos os indicadores de jogo, exceto em lances-livres tentados e convertidos. Não houve nesse estudo a análise dos índices de eficiência, já que, naquela época esse era um dado que não estava disponível nas estatísticas oficiais.

Outro dado interessante daquele campeonato é que nos jogos com diferença de até 3 pts não havia predominância do fator “mando de jogo”, pois mandantes e visitantes venceram 18 partidas cada um. As discrepâncias começavam a aparecer nos jogos com diferenças de 4 a 10 pts (49 vitórias para os mandantes e 23 para os visitantes), de 11 a 20 pts (37×25) e acima de 20 pts (27×14).

Utilizando os dados do NBB, em sua fase de classificação, na qual todas as equipes se enfrentaram em turno e returno alguns dados foram observados e que, de certa forma, corroboram com os resultados obtidos no estudo de 2001.

Nos 210 jogos realizados nessa fase do NBB, os mandantes venceram 134 jogos (63,8%). Utilizando-se a mesma metodologia do trabalho já citado, nos jogos com diferença de até 3 pontos houve um equilíbrio de vitórias (mandantes 18, visitantes 16). Nos jogos com diferenças de 4 a 10 pontos, os mandantes venceram 39 jogos e os visitantes 29. Nas partidas cujas diferenças ficaram entre 11 e 20 pontos os mandantes predominaram com 55 vitórias contra 19 dos visitantes. E nos jogos com diferenças acima de 20 pontos foram 22 vitórias dos mandantes contra 12 dos visitantes.

A média de pontos dos mandantes nas vitórias foi de 87,7 x 74,4 (diferença média de 13,3 pts). Já a média dos visitantes nas vitórias foi de 86,6 x 75,0 (diferença média de 11,6 pts).

Índice de eficiência (EF)

Utilizando os dados dos índices de eficiência que, atualmente, são bastante difundidos nas estatísticas, observou-se que os mandantes tiveram um EF médio de 93,8 contra 82,0 dos visitantes. Quando vencedores, os mandantes tiveram um EF médio igual a 103,0 contra 73,7 dos visitantes. Estes, quando vencedores tiveram um EF médio igual a 100,0 contra 75,9 dos mandantes.

Abaixo são demonstrados os índices de eficiência (a favor e contra) de mandantes e visitantes vitoriosos (MV; VV) em cada uma das categorias definidas a partir das diferenças no resultado final das partidas (A = até 3 pts; B = de 4 a 10 pts; C = de 11 a 20 pts e D = > que 20 pts). Ressaltando que esta divisão é arbitrária e segue a metodologia utilizada em outros trabalhos semelhantes. Ela pode ser modificada dependendo dos critérios utilizados para a categorização.

A:

MV – 87,2 x 83,0

VV – 91,5 x 90,2

B:

MV – 98,9 x 81,5

VV – 94,8 x 79,1

C:

MV – 104,1 x 72,7

VV – 101,6 x 70,1

D:

MV – 120,5 x 56,0

VV – 123,9 x 58,5

Esses dados podem servir como parâmetro para análises sobre o comportamento técnico e tático das equipes em função do mando de jogo, mas também devem ser entendidos como mais um dos subsídios possíveis para auxiliar na obtenção de melhores resultados.

* Análise estatística de jogos de basquetebol: o fator “mando de jogo”. www.efdeportes.com Revista Digital – Buenos Aires, Año 8, no. 54, noviembre de 2002