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Índices de Eficiência no Basquetebol 1: eles são realmente eficientes?

A partir deste post, discutiremos a questão dos índices de eficiência no basquetebol.

Neste primeiro momento será feita uma abordagem geral sobre o assunto que se estenderá, posteriormente, para a demonstração de estudos que foram e são realizados para relacionar os índices de eficiência com as mais diferentes variáveis do jogo.

Que as estatísticas no basquetebol são uma arma importante para oferecer subsídios para treinadores e atletas terem uma noção do rendimento individual e coletivo ninguém duvida.

As estatísticas, nos últimos 20 anos, assumiram um papel preponderante para que se possa analisar dados dos jogos e estabelecer diversas comparações entre atletas e equipes. Esta é uma herança do basquetebol norte-americano que baseia quase todas suas decisões nas estatísticas dos atletas e das equipes.

Em nível internacional, as estatísticas passaram a ser mais elaboradas a partir da década de 80, o mesmo acontecendo no Brasil quando elas tornaram-se obrigatórias nos principais torneios estaduais e nacionais.

Um aperfeiçoamento das estatísticas foi a criação (ou tentativa de criação) de índices que pudessem estabelecer um perfil mais completo dos atletas que era quase que totalmente baseado na sua pontuação.

Esses índices passaram a ser adotados pelos treinadores que, na maioria das vezes, os criavam sem uma metodologia científica que pudesse embasar essa criação. Na verdade, cada treinador buscava um índice que representasse sua realidade calcada nos seus interesses técnicos e táticos (e isto não é perfeitamente compreensível e aceitável).

Estudiosos passaram a tentar criar fórmulas para expressar os números do jogo com base nos indicadores de jogo (que são as ocorrências mensuráveis em uma partida). Deixou-se de considerar somente o cestinha para se olhar de forma mais global para o atleta. Assim, os rebotes, assistências, bolas perdidas e recuperadas, tocos e faltas passaram a ter uma importância relativa para a obtenção dos índices desejados.

Uma revisão realizada por Telmes, em 2002*,  já apresentava onze diferentes fórmulas para o cálculo de índices de eficiência, muitas delas baseadas em estruturas matemáticas bastante complexas que dificultam a aplicação e o entendimento das mesmas por atletas e treinadores.

A NBA, ACB e, mais recentemente, o NBB adotaram uma fórmula simples para definir os índices de eficiência somando pontos convertidos mais os rebotes, assistências e bolas recuperadas e subtraindo esses valores dos arremessos errados, bolas perdidas e faltas cometidas. A ACB ainda considera como ponto positivo as faltas recebidas.

No entanto, qualquer que seja o índice utilizado, persistem algumas dúvidas que poderão ser exploradas a partir de novos estudos. Por exemplo:

  • É possível estabelecer um índice de eficiência sem se levar em consideração o tempo de jogo de cada atleta?
  • É possível estabelecer um índice de eficiência que não considere as funções específicas de um atleta. Ou seja, seria justo considerar a mesma pontuação para um armador e um pivô para indicadores de jogo que são muito específicos para cada uma dessas posições?
  • Os índices de eficiência realmente se correlacionam com a classificação final das equipes nos campeonatos? Ou seja, as melhores classificadas são realmente as equipes mais eficientes?
  • Podem existir discrepâncias em função do tipo de campeonato (turno completo e play-offs)?

Enfim, são muitas as dúvidas e há muito o que especular para esclarecer este assunto. E isto é muito bom, pois somente assim poderemos evoluir e tornar as estatísticas de jogo cada vez mais importantes e necessárias.

* Telmes, D. (2002) Evaluating formulas. In http://formulas.eba-stats.com.

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2 comentários em “Índices de Eficiência no Basquetebol 1: eles são realmente eficientes?

  1. Caro amigo Dante, o atletismo deveria como o basket, começar a fazer estatisiticas de tudo em todas as categorias.
    Muitas vezes surge um resultado de nota e todos ficam perguntando sobre o atleta, sobre o técnico, sobre as performances, sobre comparações,medidas, alturas, tempos, é um
    empirismo e uma das coisas negativas no esporte, de parabéns o basket, como técnico e comentarista de atletismo, sinto às vezes algumas dificuldades e tenho que recorrer aos dados particulares que possuo,ou consultar quem esta mais a par do que eu.
    um abração e obrigado mais uma vez.
    Carlão

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