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Jogador de basquetebol tem nome e sobrenome

Amigos do Basquetebol

Hoje começo a divulgar os textos da nova coluna “Colaboradores” do Viva o Basquetebol. Informo que os textos que serão publicados são de inteira responsabilidade de seus autores e não sofrerão qualquer modificação de conteúdo.

O primeiro texto é do Professor José Medalha, ex-Técnico da Seleção Brasileira Masculina adulta (assistente nos Jogos Olímpicos de Los Angeles e Seul e Técnico nos Jogos de Barcelona) e de várias equipes basquetebol brasileiras e ex-Professor de Basquetebol da Escola de Educação Física da USP.

Iniciar com este trabalho do Medalha é uma homenagem a meu mestre, amigo e grande incentivador.

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O basquetebol brasileiro atingiu, ao longo dos anos, um reconhecimento internacional em função de sua participação em várias competições, com destaque tanto no masculino quanto no feminino.

Embora ainda seja considerado um esporte elitizado, pouco a pouco o número de praticantes vai aumentando, deixando de lado aquela característica de esporte ainda pouco divulgado além das fronteiras do próprio clube, ou cidade, ou mesmo grupo de amigos.

Não há dúvida que a NBA tem colaborado muito para expandir o espaço ganho pelo basquetebol, na divulgação da modalidade, o que é ótimo.

Não faz muito tempo, a divulgação do basquetebol brasileiro era limitada e, portanto, poucas pessoas tinham acesso às informações. Assim sendo, ao se falar dos atletas, principalmente os mais conhecidos, usava-se e ainda se usa muito apelidos ou um nome apenas, o que era suficiente para reconhecê-los dentro do seu próprio domínio domestico.

Cito como exemplo os apelidos que caracterizavam a origem dos atletas, ou mesmo seus biotipos, como Carioquinha, Robertão, Marquinhos, ou simplesmente Wlamir, Amaury, Norminha, Hortência etc.

Talvez a influência da imprensa futebolística, ou de comunicação das transmissões esportivas pelo radio e TV, tenham sido transferidas para outros esportes, entre os quais o basquetebol.

Esse fato embora corriqueiro me parece já deveria ser coisa do passado, tendo em vista até a expansão do fenômeno da comunicação globalizada. No entanto continuamos a insistir em tratar nossos atletas, uma grande maioria com reputação internacional, como se eles ainda jogassem no time do colégio, ou seja o Joãozinho, o Paulo grandão, o Marcio cabelo etc.

Que tal evoluirmos e então seguirmos o padrão internacional de comunicação no basquetebol? A minha proposta é que se acabe de vez com os chamados apelidos ou nomes solos, e se utilize a nomenclatura usada no mundo todo.

Assim sendo, ao invés de chamarmos o Oscar apenas de OSCAR passarmos a chama-lo de Oscar Schmidt , citado apenas como um dos mais conhecidos atletas do mundo apesar de já estar fora de atividade.

E a colocação do nome às costas dos jogadores obedecendo aquilo que existe na sua certidão de nascimento, ou seja, o seu sagrado sobrenome.

A imprensa aos poucos vai se acostumar, o basquetebol vai ter uma linguagem própria, diferente da existente no futebol, os novos jogadores serão mais conhecidos do que apenas no seu ciclo de amizades ou nas suas “panelinhas” e, acima de tudo, ainda estaremos inovando em nosso Pais, é claro.

Ademais, com as transmissões da televisão, principalmente as internacionais que respeitam esses padrões, todos saberemos que o HUERTAS  é o Marcelo Huertas e não o Marcelo  que pode ser o do Paulistano, Minas  ou ainda aquele juvenil que pode estar despontando em outro clube.

Apresento portanto esta proposta aos novos comunicadores, supervisores marqueteiros e dirigentes, sabendo até que muitos podem interpreta-la como curiosidade. A própria NBB ainda comunica seus atletas pelo nome simples ou pelo apelido,

Esta sugestão pode ser uma nova maneira de divulgarmos atletas e técnicos do basquetebol brasileiro, acompanhando a tendência internacional, e até mesmo, dando uma roupagem diferente à nossa modalidade.

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4 comentários em “Jogador de basquetebol tem nome e sobrenome

  1. Acho essa uma ideia muito boa e de fundamental importância. Vide procurar um jogador específico nas estatísticas dos campeonatos da cbb, nbb e federações, é uma loucura. Temos que evoluir como esporte e cultura, e essa mudança faz-se necessária. Parabéns pelo texto Medalha

  2. Concordo com a ideia. Não que o apelido seja uma coisa tão ruim assim. Temos alguns exemplos no próprio basquete – “Magic” Jonhson, “Doctor J”, “Pistol” Maravich e outros.
    Mas sem dúvida, na nossa cultura, devido ao futebol, como lembrou bem o Medalha, o apelido ganha um espaço muito maior do que merece. Mas acredito que isso tem que começar por nós treinadores. Nos treinos, nas atividades do dia a dia. Vamos utilizar preferencialmente os nomes e sobrenomes de nossos alunos/atletas, assim, pelo exemplo, acostumamos todos a usarem seus próprios nomes e sobrenomes.

  3. Concordo plenamente! Temos que aprender a usar o nosso nome e sobrenome muitas vezes esquecidos pelos apelidos!

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