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Como ajudar a construir uma base melhor no nosso basquetebol?

Amigos do Basquetebol

O Brasil obteve a classificação para o Campeonato Mundial Sub-19 ao conquistar o Vice Campeonato da Copa América Sub-18, realizada recentemente em São Sebastião do Paraíso. Um resultado a ser muito comemorado.

Mas este excelente resultado não esconde os problemas que temos observado no trabalho das categorias iniciais do nosso basquetebol. Uma das consequências deste fato foi o quarto lugar no Sul-americano sub-15 e que nos tirou a classificação para a Copa América que dá acesso ao Mundial.

Este resultado, especificamente, gerou uma série de comentários e críticas nas redes sociais, colocando em dúvida o trabalho que é realizado nas categorias de base, especialmente naquelas iniciais. A maioria dos comentários e críticas eram direcionados à CBB e a sua atuação neste setor do basquetebol brasileiro.

No entanto, entendo que este não é um problema exclusivo da CBB. Ele envolve os treinadores, clubes, Escola Nacional de Treinadores, instituições que desenvolvem o basquetebol na base.

E então vem a pergunta: o que estamos, efetivamente, fazendo ou contribuindo para mudar este quadro?

Enquanto vemos países vizinhos estabelecendo diretrizes para a prática esportiva nas suas fases iniciais (e aqui vou me restringir ao Basquetebol), o que temos por aqui?

Como a CBB e as Federações lidam com essa questão? Como nós técnicos e professores agimos em relação ao assunto?

Entendo que a CBB tem uma responsabilidade muito grande no estabelecimento de uma diretriz, minimamente, adequada que permita a prática do basquetebol de forma mais abrangente ao longo deste imenso país. Mas como fazer isto se o assunto não é discutido em nível nacional?

Como tentar melhorar a prática do basquetebol desde seu início se não sabemos o que acontece Brasil afora? Temos notícias de ações isoladas praticas em alguns estados. Mas serão elas suficientes? Existe um Comitê Internacional de Mini Basquetebol que tem um representante brasileiro. Ocorre que não temos notícias do que acontece com este comitê e das suas deliberações. E o mini basquetebol seria um primeiro passo para uma mudança de atitude.

Acredito que a CBB poderia reunir pessoas interessadas em desenvolver este assunto e propor uma ação conjunta que possa contemplar a prática do basquetebol de forma uniforme nas categorias iniciais (e aqui me atenho, especificamente, ao mini basquetebol).

Nesse contexto, acredito que seria fundamental que houvesse um diagnóstico do que acontece nas diferentes regiões do país para conhecermos, de verdade, nossa realidade e não ficássemos dependentes  somente da boa vontade de alguns que realizam atividades importantes para o desenvolvimento do basquetebol e para que essas experiências pudessem ser aproveitadas em outras regiões.

Outra ação que considero necessária á  conhecer de forma mais aprofundada o que  se faz pela América do Sul e em outros países em termos de mini-basquetebol e categorias de base. Temos a consciência de que há trabalhos muito interessantes sendo desenvolvidos na Espanha, Argentina, Uruguay e Chile. Por que não aprendermos com eles?

Creio que, de posse desse conhecimento básico, poderíamos propor ações mais objetivas em nível de atuação profissional, de planejamento de atividades, de modelos de aulas/treinos adaptáveis à realidade de cada região (função esta que deveria estar atrelada à ENTB).

Seria de fundamental importância reunir representantes das várias instituições que desenvolvem o basquetebol no país para discutir como implementar sua prática, principalmente nas idades iniciais quando esta prática deveria ser mais democrática. Clubes, escolas e demais instituições deveriam participar ativamente desse movimento.

Lembro que defendo a expansão da prática do basquetebol a partir da Escola.

É claro que estamos diante de um grande desafio neste ano de 2012, cuja prioridade são os Jogos Olímpicos com a participação de nossas duas equipes e uma grande expectativa com a volta do masculino. As atenções estão voltadas para isto. Mas não podemos depender dessas competições e de seus resultados para definir essa política para as categorias de base.

Nossas seleções de base não sobreviverão se o trabalho na escola, nos clubes ou em qualquer outra instituição que promova o basquetebol não for bem feito. E isto não é problema só da CBB. É de todos nós.

Precisamos de muitas crianças jogando basquetebol. Formal ou informalmente. Através de festivais ou campeonatos.

Só assim poderemos pensa em um futuro promissor para nosso basquetebol.

Textos relacionados publicados no blog

Exemplos de trabalho de base no basquetebol http://bit.ly/JaOiYk – post publicado em 19-05-2012

Esporte na Escola: solução para nossos problemas? http://bit.ly/HUIfGs – post publicado em 03-04-2012

A política para o esporte no Brasil: existe uma política? – post publicado em 25-05-2011

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2 comentários em “Como ajudar a construir uma base melhor no nosso basquetebol?

  1. A definição de uma metodologia que favoreça o aprendizado de forma mais lúdica e menos competitiva, onde a criança pudesse vivenciar o esporte de forma mais prazerosa já seria um bom começo. Desde o tempo de aluno escuto a falácia sobre os malefícios da competição precoce e até hoje quase nada foi feito. Se lembrarmos quantas etrelas do mini basquete chegaram ao principal talvez não caiba em ambas as mãos,que chegaram a seleção talvez caiba em uma delas. Quantos pivôs sensacionais nas categorias de base não cresceram o suficiente e não foram treinados para atuar em outras posições. A preparação dos profissionais para essas categorias deveria ser mais voltada para o ensino abangente da técnica e do przaer do jogo e menos para o treinamento.a e do prazer do esporte

  2. Acredito que o segredo esta no prazer do querer brincar e as pessoas que estão a frente deste trabalho entender isso e não achar que é técnico e sim acima de tudo um educador formador de opnião.

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