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Espírito olímpico ou injustiça olímpica? (2)

Terminados os Pré-Olímpicos Mundiais e definidos todos os países que disputarão os Jogos Olímpicos de 2012, volta a tona o assunto da distribuição das vagas e o número de países que estarão em Londres, a partir de 28 de julho.

Em 18 de setembro de 2011 escrevi um texto sobre a distribuição das vagas nos Jogos Olímpicos e nas possíveis injustiças ou distorções cometidas em função dos critérios para a definição dos países para ocupar as escassas 12 vagas (http://bit.ly/mWnY2C)

Naquele texto escrevi:

“A FIBA e o COI, certamente, ao estabelecer o critério de garantir pelo menos uma vaga para cada continente pensou no desenvolvimento do nosso esporte ao redor de todo o mundo. Além disto, essa distribuição é, necessariamente atrelada às 12 vagas disponíveis para o basquetebol nos Jogos Olímpicos, tanto no masculino quanto no feminino. E aí é que “a porca torce o rabo” como diriam os mais antigos. Como distribuir essas vagas sem atentar contra o espírito olímpico e, ao mesmo tempo, manter a qualidade da competição?”.

Se analisarmos pelo lado de divulgação e desenvolvimento do esporte por todo o planeta a distribuição proposta pode ser considerada muito justa, pois garante a cada continente um mínimo de representatividade. Por outro lado, se pensarmos em qualidade de desempenho esse critério chega a ser duvidosos, pois coloca na competição países sem nenhum lastro esportivo em detrimento de outros que têm muita tradição no basquetebol. Exemplo do que digo: no feminino, países como Espanha e Belarus estão fora dos Jogos, Rep. Tcheca e França enfrentaram um Pré-Olímpico Mundial duríssimo para adquirir seu direito de ir aos Jogos.

Por sua vez, no masculino, o quadro é ainda mais cruel. A Oceania tem a vaga permanente da Austrália ainda coloca no Pré-Olímpico, obrigatoriamente a Nova Zelândia  (após uma simples disputa em melhor de três jogos), enquanto que países como a Turquia (vice-campeã mundial), Sérvia (quarto colocado no Mundial), Grécia, Itália, Croácia, Alemanha entre outros têm que enfrentar uma disputa mortal para poder desfrutar das duas únicas vagas destinadas à Europa.

Na verdade, o que discuto não é a classificação através dos pré-olímpicos continentais. Defendo sim um número maior de vagas nos Jogos Olímpicos, para que mais países de qualidade possam estar no maior evento esportivo do planeta.

Se a questão é não repetir o modelo dos Campeonatos Mundiais ou então evitar o inchaço no número de competidores olímpicos, há soluções que podem ser adotadas sem que isto cause grandes prejuízos aos Jogos, quer no aspecto financeiro ou no aspecto organizacional.

Senão vejamos:

No modelo atual (12 países divididos em dois grupos de seis) há um total de 38 jogos (30 na fase de grupos – 4 nas quartas – 2 nas semifinais – 2 nas finais), distribuídos em quinze dias (jogando-se em dias intercalados).

Aumentando-se para 16 países (divididos em 4 grupos de 4 equipes) teríamos um total de 32 jogos. Seriam 24 na fase de grupos, onde as equipes se enfrentariam em seus grupos classificando-se dois de cada grupo. Depois, com o cruzamento dos primeiros contra os segundos dos grupos teríamos mais 4 jogos nas quartas de finais. Os vencedores disputariam as semifinais em 2 jogos. E mais dois jogos para a disputa do 3º lugar e a final. Ou seja, seis jogos a menos.

Com este modelo teríamos mais quatro países e uma possível redução nos dias dos jogos. Além disto, os critérios para definir os participantes poderiam ser revistos e a distribuição ser feita de forma mais justa.

Em minha opinião, com o aumento de apenas quatro países as vagas diretas (obtidas nos pré-olímpicos continentais) deveriam ser assim distribuídas, mantendo-se o direito de participação de cada continente:

País Sede, Campeão Mundial, Américas (2), Europa (4), África (1), Ásia (1) e Oceania (1). Total = 11.

As cinco vagas restantes seriam disputadas no pré-olímpico Mundial também com 16 equipes assim distribuídas: Américas (4), Europa (6), Ásia (2), África (2), Oceania (1) e o país melhor ranqueado pela FIBA que não obtivesse classificação através do pré-olímpico continental.

Claro que isto é somente um exercício passível de considerações e críticas. Mas quem sabe os dirigentes da FIBA e do COI possam pensar mais firmemente em alterar o quadro atual em nome de um basquetebol de qualidade, sem perder o caráter de disseminação em favor dos países menos desenvolvidos no nosso esporte.

 

 

 

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