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Pergunto novamente: como será o amanhã?

Amigos do basquetebol:

Em 9-2-2011 publiquei um post com o título “Como será o amanhã: responda quem souber”.

Agora volto a perguntar: como será o amanhã…do basquetebol feminino?

O que vimos neste ciclo olímpico foi uma verdadeira aula de como não se deve elaborar um planejamento e gerir uma seleção brasileira.

A começar pela escolha da pessoa que seria a comandante do processo. Acreditou-se na competência de uma extraordinária jogadora que, infelizmente, não conseguiu transferir para a esfera administrativa toda a sua maravilhosa atuação dentro das quadras.

Acreditou-se que por ser ex-jogadora ela poderia tocar o barco. Mas o que se viu foi uma sucessão de equívocos e más decisões que colocaram nosso basquetebol feminino em uma situação complicada.

Trocas constantes de treinadores (que provocou uma grande indefinição das estruturas de jogo e da filosofia a ser empregada pela equipe), a volta e o afastamento de uma jogadora polêmica que mostrou mais uma vez que seu ego é muito maior que o bem coletivo, a ausência de esclarecimentos nos momentos cruciais. Tudo isto contribuiu para agravar o quadro quase terminal de um basquetebol que nos deu muitas glórias e sempre foi tido como o “patinho feio” da CBB.

Mas seria injusto derrubar toda a nossa indignação em cima de uma única pessoa.

O sistema adotado pelo basquetebol feminino há anos tem se mostrado ineficiente. Incapaz de consolidar a modalidade no país e revelar jogadoras realmente capazes de nos representar em nível internacional.

Nossos campeonatos regionais (e aqui leia-se São Paulo, que é o único que contém equipes relativamente fortes) são insuficientes (em número e qualidade). Os campeonatos de base estão abandonados. A prática do basquetebol feminino nas escolas é coisa do passado.

Então, diante deste quadro, como acreditar que teremos um basquetebol feminino forte? Como acreditar que novas estrelas aparecerão para honrar este que já foi nosso grande xodó?  Como acreditar em um novo ciclo olímpico?

Será que sempre vamos ter que reinventar a roda? Todo final de Jogos Olímpicos é a mesma ladainha. E nada acontece. Tudo fica igual, até que em 2016 (provavelmente em março ou abril) lembraremos que teremos uma Olimpíada no Brasil e o trabalho será iniciado.

Há de se começar já. Temos que cobrar a CBB, Federações, pessoas envolvidas no processo uma atitude realmente séria que nos leve a ter uma participação digna. E não me refiro a ganhar medalhas. Refiro-me a representar o Brasil de forma digna.

E aqui faço uma ressalva em relação à Comissão Técnica. Sem eximí-los de culpa pelos maus resultados, temos que reconhecer que o material humano que temos no momento é este. Uma mescla de atletas experientes com outras sem qualquer experiência internacional e mais, sem uma condição que as coloquem em igualdades de condições para enfrentar as melhores equipes do mundo.

Mas isto é culpa das atletas e dos treinadores que lá estão? De maneira nenhuma.

A culpa é da passividade e do conformismo dos nossos dirigentes. A culpa é por acreditar-se que o passado poderá nos levar a bons resultados. A culpa, enfim, é da falta de um projeto adequado para que tenhamos um basquetebol feminino forte que nos faça acreditar que teremos mais equipes, mais jogadoras e mais pessoas competentes para gerir esse esporte.

Não podemos viver de 6 ou 8 equipes que revezam as jogadoras em seus plantéis. Não podemos viver de resultados eventuais (como o bronze da sub-19 no Mundial). Temos que investir forte na formação de muita atletas.

É isso que penso e não poderia deixar de compartilhar com todos minha opinião.

Em tempo: ao contrário do que se diz por aí, nossos treinadores estudam sim! E muito. Se o basquetebol feminino ainda sobrevive neste país, muito se deve ao trabalho desses abnegados que se doam para manter o esporte em atividade.

Desculpem o desabafo.

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3 comentários em “Pergunto novamente: como será o amanhã?

  1. Caro amigo Dante, sou a favor de que cargos inerentes a esportes desde o técnico até o dirigente devem ser de responsabilidade de pessoas formadas em Educação Física.
    Ex atleta também deve ter formação acadêmica

  2. Concordo plenamente com vc Dante, e tbm estou muito preocupada com o futuro do basquete feminino brasiloeiro……temos que investir na base, nas escolas e tbm conseguir que as tvs abertas transmitam o basquete feminino, pois por incrivel que pareça há crianças que não conhecem o basquetebol…….abraço

  3. Um projeto que possa realmente criar um basquetebol feminino decente deve começar pela massificação do esporte levando ele de forma séria e competente a omaior número possívelde praticantes na sua base. Além disso é necessário investir em campeonatos competitivos,rentáveis e principalmente no intercâmbio internacional para que nossas atletas possam ter condições de competir em eventos como mundial e olimpíadas.
    A atualização e renovação dos treinadores também é uma necessidade premente, pois o feminino nos campeonatos adultos sósobrevive em função de alguns abnegados técnicos que embora tenham seus méritos e suas ,hoje sõaautenticos dono de seus “feudos” e acabam por nãocontribuir para o desenvolvimentode novas gerações.

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