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Parafraseando o Rei: o basquetebol voltou, agora prá ficar!

Amigos do basquetebol

Escrevi este post antes do jogo do Brasil contra a Argentina pelas quartas de finais dos Jogos Olímpicos de Londres.

Depois de muitas frustrações, derrotas inexplicáveis, longa ausência, o Brasil voltou. Voltou com todas as honras. Voltou para ficar, pois ali, no topo, é o seu lugar.

Não sei se vamos ganhar ou perder. Afinal vamos enfrentar uma equipe com muita capacidade e que nos últimos anos mostrou uma evolução fantástica no seu modo de jogar e na produção de estrelas de máxima grandeza.

Se ganharmos disputaremos uma semifinal com os Estados Unidos (a menos que aconteça a maior zebra de todos os tempos do basquetebol mundial. Ou alguém em sã consciência acredita que a Austrália possa ganhar?). E a lógica aponta para uma vitória americana. Mas como lógica também falha, não custa acreditar que podemos vencer os astros da NBA. Mas enfim, encarando a realidade e sem ufanismos, o resultado mais provável será uma derrota para os americanos que nos levará à disputa da medalha de bronze.

Mas mais que a medalha, esses Jogos poderão nos colocar de volta ao lugar que ocupamos durante muitos anos, ou seja, estar entre as quatro potências mundiais do basquetebol que em tempos mais remotos eram Estados Unidos, União Soviética, Iugoslávia e Brasil. Nos remeterá também à década de 60 quando estivemos em todas as semifinais olímpicas (bronze em 60 e 64 e 4o. lugar em 68).

Mas se perdermos da Argentina? Qual será o sentimento?

Frustração por termos chegado tão perto da disputa de alguma medalha?

Muita tristeza por termos sido eliminados novamente em quartas de finais pelos Argentinos como no Mundial de 2010?

Sinceramente, ficarei triste pela derrota. Mas muito tranquilo e feliz pela forma como nossa equipe se comportou. Pelo empenho, pelo comprometimento e pela competência de enfrentar mano a mano adversários de altíssimo nível como Rússia, Espanha e a própria Argentina. Sem esquecer da Austrália, que apesar de não estar em um bom momento sempre teve um basquetebol respeitável.

E tudo isto acontece devido a um trabalho planejado e executado de forma eficaz por uma equipe que vai desde o Diretor de Seleções (que não é estrela mas executa suas funções de forma muito competente), passando por uma comissão técnica de altíssimo gabarito, até chegar aos atletas que se sacrificaram para chegar neste momento. Mesmo aqueles que não puderam participar dos jogos.

E mais. Se perdermos nas quartas de finais certamente ficaremos em 5o. ou 6o. lugar (não haverá disputa e sim uma classificação seguindo alguns critérios). E no contexto atual do Basquetebol, exceto os americanos, as sete equipes que estão nesta fase dos Jogos têm todas as condições de chegar à final. Então, ser segundo ou oitavo nessa atual realidade é algo circunstancial.

Nossa campanha, no entanto, não esconde nossos erros e dificuldades. Continuamos precisando de um sólido trabalho nas bases. Precisamos de campeonatos mais competitivos. Precisamos difundir o basquetebol nas escolas. Precisamos investir mais na detecção de novos talentos.

Mas, esta campanha coloca o basquetebol em evidência. Quem sabe novos canais de comunicação se interessarão pelo produto “basquetebol”.

Enfim, o basquetebol voltou. Agora prá ficar. Pois ali, no topo, é o seu lugar!

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6 comentários em “Parafraseando o Rei: o basquetebol voltou, agora prá ficar!

  1. Concordo plenamente com o seu comentário professor, até no momento que o senhor publicou, ou seja, antes do jogo com a Argentina. Lembro que nessa olimpíada passamos por adversários que anos atrás só nos faziam passar por decepções, caso da Austrália, Espanha e mesmo a Russia, que perdemos por fatalidade. O senhor citou bem a fase de preparação bem elaborada e executada, os profissionais certos nos lugares certos. Não tenho dúvida nenhuma que, se o Brasil passar pela Argentina hoje a tarde, para mim não será surpresa nenhuma, é só colheita de um trabalho bem feito.

    1. Muito bom querido Dante.
      Esta parte da sua fala foi perfeita:

      Nossa campanha, no entanto, não esconde nossos erros e dificuldades. Continuamos precisando de um sólido trabalho nas bases. Precisamos de campeonatos mais competitivos. Precisamos difundir o basquetebol nas escolas. Precisamos investir mais na detecção de novos talentos.

      Torço para que o feminino consiga também esta restauração.
      Um grande abraço e obrigada pela excelência das suas informações e comentários.

      1. Eu completaria a relação do que precisamos… ja atingimos um nivel no basquetebol adulto tanto no feminino quanto no masculino que exige dos nossos dirigentes TOTAL PROFISSIONALIZAÇÃO. Chega de contratos “under the table”, de falta de garantia para atletas e tecnicos de clubes sem estrutura nenhuma , de dirigentes “amadores” abnegados (?), etc etc etc… E a enfase sem duvida é a de mudar o paradigma na base ESPORTE ESCOLAR , aproveitando essa multidao de crianças e adolescentes que existe nas nossas escolas dando a eles um mínimo de fundamentos e conhecimento nao so do basquetebol mas tambem das demais modalidades …..

  2. Perfeita a análise, principalmente por ser feita antes do jogo, assim não fica cheirando desculpa. Temos uma Olimpíada em casa que pode alavancar e massificar nosso esporte. Precisamos aproveitar o momento, aproveitar o carisma desses novos astros para fomentar novos praticantes e quem sabe descobrir novos talentos. É hora de planejarmos açoes eficazes para a obtenção de resultados satisfatórios.

  3. Parabéns! Posso fazer de suas palavras as minhas ou você versão, pois o meu sentimento neste exato momento de tristeza, pq amo este jogo e amo comprometimento, raça e dedicação…e isso este grupo teve, comandado por este excepcional técnico, Rubem Mangano

  4. Meu amigo Dante,antes de mais nada, quero te parabenizar pela defesa que fazes em pró do basquete brasileiro. Perdemos o jogo, mas não a dignidade. Nosso basquete cada vez mais é reconhecido ,no mundo inteiro, como força de primeira grandeza.Não estamos entre os quatro finalistas nesta olimpíada, porém bem mais respeitados com o que apresentamos nesse torneio. Perdemos para Rússia por um ponto devido um arremesso totalmente aleatório.
    Perdemos para los hermanos argentinos porque é um clássico sul-americano. sempre muito nervoso de ambas as partes. Acho que até perdemos para nós mesmos, nos lances livres, no comando do jogo, na valorização da posse de bola em converter ofensivamente a cesta. Defensivamente estavamos bem desenvolvidos, mas no ataque falhamos demais. E é aí que para ganhar, em olimpíada, não é permitido erros dessa magnitude. O conjunto da nossa Seleção Brasileira de Basquete é excelente, o trabalho feito para Londres muito bom e sério, sob a batuta desse grande e respeitado, Ruben Magno.A dedicação e empenho dos envolvidos foi por demais. Também falto-nos um pouco de sorte. Mas a vida de baquetebolista continua….Vamo-nos preparar para as próxtmas! Abraços Schmitão

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