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2016 deve ser a meta?

Amigos do basquetebol e do esporte em geral

Em vários momentos deste blog abordei a questão da necessidade de programas esportivos para este país, de uma melhor formação de nossos profissionais  e da melhoria das condições da prática da educação física nas escolas.

Pelo menos em nove oportunidades o tema foi desenvolvido no blog (13-08-2012; 26-06-2012; 03-04-2012; 21-02-2012; 21-02-2012; 25-05-2011; 15-11-2010; 19-11-2010 e 24-11-2010), sendo que em uma delas tive o prazer de divulgar um belíssimo texto do Professor e amigo Ronaldo Pacheco, intitulado “Desculpas” (11-02-2011).

Agora nos deparamos com um anúncio do Governo Federal que investirá cerca de 1 bilhão de Reais para a preparação de nossos atletas para os Jogos Olímpicos de 2016. E novamente vemos que o foco é no produto (medalhas, atletas de alto rendimento) e não no processo (formação de atletas para que o país se torne uma potência esportiva, não só em 2016, mas perenemente).

É evidente que o projeto tem seus méritos, pois contribuirá para uma melhor estrutura de treinamento e competições para que nossos “medalháveis” possam cumprir com seu papel cívico de nos brindar com as 15 o 20 medalhas em 2016 (será que teremos mais que isto?).

Mas e a grande massa que quer praticar esportes? Qual a estrutura oferecida a ela? Como andam as quadras, campos, piscinas (???) e pistas (???) de nossas escolas? Novamente o privilégio continuará sendo dado aos privilegiados. Não que não mereçam, pois eles serão o espelho para a nossa garotada.

Mas de que adianta mover sonhos se essa garotada não tem onde começar? O clube é importante? Sim, e muito. Pois é ele que recebe os primeiros candidatos a atletas e os lapida. Mas de onde virão esses candidatos a atletas?

Com certeza, na atual conjuntura, não será das escolas, cada vez mais sucateadas e sem condições de oferecer o mínimo para uma prática esportiva decente. Continuaremos vivendo de ações isoladas de abnegados que doam seu tempo e até dinheiro para manter viva a esperança de milhares de jovens que gostariam de ter a chance de poder brigar pela tão sonhada medalha?

Hoje – 18-09-2012 – o Diário Lance solta um editorial (Lance! Opina – primeira página) que retrata bem ao que estou me referindo. Dele, seleciono alguns trechos importantes e que devem nos levar a uma reflexão:

“Não há país olimpicamente forte se não houver massificação do esporte”.

“…o governo precisa fazer cumprir o que recomenda a Organização Mundial da Saúde: incluir um mínimo de cinco horas semanais de prática esportiva no currículo escolar. Este é, inclusive, compromisso do legado da Olimpíada do Rio para a rede municipal de ensino, mas que deve ser ampliado por todo país”.

“As medidas podem e devem até gerar avanços pontuais no quadro de medalhas. Mas para dar resultados significativos, devem ir muito além de 2016…”.

Enfim, este editorial traz à tona pontos importantes, com os quais, pelos posicionamentos exibidos neste blog, concordo em grande parte. O quanto deste bilhão será destinado a um programa nacional de educação física e esporte? O quanto deste bilhão será destinado à formação de profissionais capacitados para desenvolver a educação física e esporte neste país?

Será que em 2016 poderemos comemorar um custo benefício positivo deste investimento em relação ao número de medalhas que serão obtidas pelo país? Será que poderemos comemorar o fato de mais crianças estão envolvidas com a prática esportiva? Será que poderemos comemorar o fato de que as escolas públicas foram agraciadas com estrutura esportiva decente e com profissionais que recebem salários dignos para desenvolver as atividades?

Espero que este bilhão nos traga algumas respostas e que elas não sejam somente “medalhas”. Sinceramente, com elas não estou nem um pouco preocupado. É claro que ficarei feliz. Mas se para medalha obtida tivermos milhares de crianças em quadra, nas piscinas, pistas e campos e felicidade será maior ainda.

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2 comentários em “2016 deve ser a meta?

  1. É necessario que o Governo, primeiramente dê dignidade para os professores trabalharem a massa, para extrairmos qualidade.
    Com professores não sendo valorizados, nunca faremos nada..
    Primeiramente o pessoal do Ministério dos Esportes e da Educação deve saber que o motor de um veiculo funciona com combustivel pistas, quadras,piscinas o objetivo não deveria ser medalhas e sim quantidade de praticantes e por ai afora.
    E os professores?????????????? como ficam, ganhando migalhas, tendo vários empregos para poder sobreviver.
    Somos especialistas em falta de planejamento e empirismo.
    Tudo é festa para os dirigentes, são todos politicos sendo assim…………………
    Carlão/ técnico de atletismo

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