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O que se espera de um treinador de categorias de base?

Amigos do Basquetebol

No post que antecedeu este que publico agora ( http://bit.ly/SgPy0Z), abordei os aspectos que podem tornar o treinador um potencial gerador de stress em seus atletas, principalmente quando lidamos com a formação.

A questão central que determina o comportamento dos treinadores, em minha opinião, está calcada na formação deste profissional e no conhecimento que o mesmo detém sobre os diferentes fatores que compõem o contexto do esporte infanto-juvenil.

O que se espera de um treinador de categoria de base?

Em minha opinião há vários fatores:

•Domínio dos diferentes tipos de conhecimento
•Conhecimento da realidade esportiva geral e específica
•Conhecimento das possibilidades pedagógicas que a atividade oferece
•Profundo conhecimento da realidade do aprendiz/atleta

Não resta a menor dúvida que atualmente vivemos uma crise na formação dos profissionais que atuam com o esporte de base. As Escolas de Educação Física deixaram, em sua maioria, de priorizar a pedagogia aplicada ao esporte para formar quase que exclusivamente instrutores de academias e “personal trainners”.

A quantidade de horas destinadas ao ensino pedagógico das modalidades esportivas foi reduzida drasticamente e, em alguns casos, este conteúdo específico resume-se a abordagens muitos superficiais dos esportes enfocados em blocos (modalidades coletivas, modalidades individuais, modalidades aquáticas, etc..).

Os antigos cursos técnicos que serviam com complemento de uma formação que já era bastante adequada foram abandonados e substituídos por cursos de especialização em áreas genéricas que, normalmente, enfocam o Treinamento Esportivo ou alguma disciplina de apoio como Fisiologia do Exercício ou Biomecânica do Esporte.

Assim sendo criou-se uma lacuna que algumas instituições tentam preencher com a criação de Escolas de Treinadores que, muitas, vezes, não conseguem atingir seus objetivos devido a inúmeros fatores que dificultam suas boas ações. E esta lacuna tem produzido profissionais despreparados para atuar em um momento crucial na vida dos jovens esportistas que é a formação, período necessário para um bom embasamento para o desenvolvimento de uma vida esportiva saudável.

No meu entendimento, o profissional que pretende trabalhar na formação de jovens atletas deveria deter uma gama de conhecimentos que lhe permita entender, antes de tudo, do “cliente”, no caso o jovem que busca uma formação sólida e calcada em teorias consistentes e experiência prática consolidada.

Como em nosso país exige-se a graduação em Educação Física e/ou Esporte para atuação como treinador, o conteúdo curricular das Escolas Superiores deveriam suprir as exigências mínimas de conhecimentos em disciplinas que são consideradas básicas para a conclusão do curso. Esas disciplinas eu denomino de “Disciplinas Básicas”  como por exemplo: fisiologia geral, anatomia, psicologia da educação, biomecânica, bioquímica, história da educação física e esporte, entre outras.

Um segundo rol de disciplinas necessárias para embasar o conhecimento do profissional envolvido com o trabalho de formação esportiva seriam as “Disciplinas Específicas” responsáveis pelo conhecimento técnico/tático das modalidades esportivas e, em nosso caso, o Basquetebol.

O terceiro conjunto de disciplinas seriam as “Disciplinas de Apoio” ou “Disciplinas Pedagógicas” que se incumbiriam de proporcionar o conhecimento pedagógico e metodológico para o exercício da profissão. Neste caso, a Pedagogia do Esporte assume um papel fundamental nesse processo de formação profissional. Além dela, a Psicologia do Esporte, Treinamento Esportivo, Métodos de Ensino fariam parte deste conjunto essencial para o exercício da função de treinador.

E por último, as experiências práticas. Estas deveriam ser estimuladas através de estágios específicos em equipes com a supervisão de treinadores mais experientes.

Talvez nossas Escolas de Educação Física não possam atender a essas exigências. Então porque não se pensar em cursos específicos, aos moldes dos antigos cursos Técnicos, com nova denominação e/ou nova roupagem? E mais ousadamente, porque não se pensar em cursos específicos para preparação de treinadores, desvinculando esses conteúdos curriculares dos cursos tradicionais de Educação Física?

É claro que estou entrando em um campo minado. Como reagiria nosso CREF diante de tal ideia? Como reagiriam os defensores dessa vinculação da função de treinador com a função de professor de Educação Física?

Este é um tema polêmico e que poderá gerar grandes discussões. Mas o que não podemos é continuar vendo jovens despreparados assumindo equipes de base e ainda por cima, tendo que assumir responsabilidades de disputar campeonatos (e de preferência vendê-los) para atender às expectativas de  entidades e adultos que não estão muito preocupados com o desenvolvimento dos jovens e sim com conquistas imediatas que, na maioria das vezes, se perdem no tempo e não trazem qualquer benefício para a formação esportiva dos nosso futuros esportistas.

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3 comentários em “O que se espera de um treinador de categorias de base?

  1. Leitura perfeita da atual realidade. Questão preocupante e de difícil saída. Abraços, Gildásio.

  2. Prezado Dante, essa mudança de formação de nossos técnicos urge. Não pode se relegar o esporte ao segundo plano da forma que esta.

  3. Acho que estamos vivendo os efeitos da “curvatura da vara”…antes – o específico demais -, depois – o genérico demais. Está na hora de se encontrar o equilíbrio e identificar o valor do geral, do abrangente, e sua relação necessária com o específico.

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