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Experiências e aprendizados que trouxe de Londres

Amigos do Basquetebol

A colaboração para o blog agora vem da ex-aluna Marisa Adélia Branco. Ela é Bacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da USP. Ex- Técnica de Basquetebol Feminino das categorias de Base do Bradesco Esportes/ Osasco e Projeto Esporte Talento/Instituto Ayrton Senna/USP. Atualmente Educadora Esportiva na Prefeitura de Jundiaí, atuando como Técnica de Basquetebol Feminino das categorias de Base da Equipe Divino/COC/Jundiaí.

Ela mostra sua experiência vivida em Londres durante os Jogos Olímpicos.

Desde que Londres foi escolhida pra ser sede dos Jogos Olímpicos pensei que seria uma grande e bela oportunidade de vivenciar os Jogos, principalmente pelo fato de que o Brasil sediará dois dos maiores eventos esportivos internacionais, a Copa do Mundo de Futebol em 2104 e as Olímpiadas em 2016.

Então depois de muitas idas e vindas, e, principalmente “contas” em Libras, decidi ir para lá buscando aliar os Jogos Olímpicos com estudo e cultura. Embarquei e estive lá 32 dias. Cheguei 20 dias antes dos Jogos para estudar e melhorar o inglês, e, ainda de quebra conhecer mais alguns países na Europa. Quando cheguei encontrei uma cidade terminando de se preparar para os Jogos, com todas as estações de metrô sinalizadas com orientações para os locais de competição, ruas enfeitadas. Muitos jornais e revistas, alguns inclusive gratuitos, destacando informações acerca dos Jogos. Buscavam principalmente envolver a população, alertando e solicitando que todos colaborassem para que o transporte público de Londres, já bastante saturado, suportasse o fluxo de pessoas que circulariam por lá.

Para elucidar um pouco mais sobre essa preocupação, segundo o guia oficial, foram 20.000.000 de espectadores, 70.000 voluntários e 8.800.000 de tickets oferecidos!

Ainda quanto ao transporte foi possível percorrer toda a cidade de trem e metrô. Londres tem 400 km de linha. Um alerta para o  Rio de Janeiro que tem hoje 46 km! E a população realmente contribuiu no período dos Jogos, alterando sua rota para que o sistema não entrasse em colapso.

Para me familiarizar com tudo que estava programado, uma semana antes dos Jogos fiz o “Olympic Walk Tour London”. Um passeio guiado com várias informações e curiosidades sobre as instalações do Parque Olímpico, sobre a região de “Stratford”, que foi totalmente transformada para receber o “Olympic Park”, inclusive com a construção do belo Shopping “Westfield” e um Centro Empresarial. Informações sobre todo o plano “pós-Jogos” que existe para a região, enfim, bastante interessante.

Ao todo assisti 18 eventos entre as modalidades de Basquete Feminino e Masculino, Handebol Feminino, Voleibol Masculino, Natação, Atletismo, Ginástica Artística, Tênnis, Futebol Feminino e Triathlon. Adquiri os tickets no Brasil e em Londres com a Tamoyo, empresa credenciada e única autorizada a vender para brasileiros. Ainda tive a oportunidade de ser incluída no programa “Family and Friends” do Handebol Feminino com o apoio da amiga Rita Orsi (supervisora da Seleção Feminina de Handball) e recebi alguns tickets gratuitos. Poderia ter sido incluída no basquete Feminino, com o apoio do Tarallo, mas eu já havia adquirido os ingressos do basquete antecipadamente.

Mas uma das coisas que me chamou a atenção é que muitos londrinos reclamavam por não terem conseguido comprar ingressos para os Jogos, e, que não conseguiriam assistir os eventos. Então vamos torcer para que o mesmo não ocorra no Brasil.

Abro aqui um parêntese para elucidar que havia muitos policiais à paisana coibindo o repasse de ingressos. Inclusive fui abordada e me perguntaram se eu tinha algum pra vender. Inocentemente disse que talvez pudesse vender um ingresso da natação que não conseguiria mais assistir. Havia pagado caro por ele e apenas queria recuperar o dinheiro. Quase fui presa!!! Graças a Deus depois de conversar e comprovar que eu não era cambista me liberaram ali mesmo. Ufa!!!

Quanto às instalações, além do Parque Olímpico, visitei também outros locais de competição, entre eles Wimbledon (chamado de Templo do Tênnis Mundial), Estádio de Wembley, “Earls Court” (vôlei), North Greenwich Arena (Ginástica Artística) e Hyde Park. Em todos estes locais, nas ruas, estações de metrô e trens, a organização de Londres é algo que realmente me impressionou. Mas também posso destacar a limpeza, a segurança, sinalizações e informativos e a preocupação com a mobilidade de pessoas portadoras de deficiências, pessoas com crianças e idosos.

Posso dizer que quem esteve em Londres encontrou uma cidade lotada, envolvida pelo esporte, mas que “funcionou” muito bem, e com inúmeras outras atrações para visitar entre Museus (todos gratuitos!), London Eye, Pubs, Markets, etc. Muita coisa pra fazer. Também reencontrei muitos amigos, fiz novas amizades e pude assistir extraordinários atletas, entre eles Michael Phelps na natação, Serena Willians no Tênnis, o “Dream Team” do basquete masculino dos EUA. Momentos que ficarão guardados pra sempre na memória.

Quanto ao nosso basquete… Fiquei muito feliz pelo masculino que vem mostrando uma grande evolução tanto de ordem tática como técnica. Jogando com um padrão e ritmo de jogo muito próximo das equipes de destaque em Londres. E que sonho poder assistir ao vivo jogadores como: Lebron James, Pau Gasol, Kevin Durant e Kobe Bryant!

Mas no basquete feminino  avalio  que precisamos melhorar e repensar muitas coisas. Eu como técnica das categorias de base me incluo nisso e posso dizer que observei muita dificuldade técnica das nossas atletas frente a outras equipes. Cometemos muitos erros técnicos nas ações de jogo e isso compromete qualquer estrutura tática.

Acredito que primeiro precisamos de humildade para admitir as deficiências e trabalhar muito para evoluir, assim como fez o masculino que precisou amargar muitos anos fora do cenário internacional para se conscientizar de que egos, não trazem medalhas, e, aqui me refiro a atletas, técnicos e dirigentes como um todo. Exemplo disso foi ver a equipe masculina dos EUA comemorando o ouro. Todas aquelas “estrelas” juntas, se confraternizando e se respeitando é algo para realmente admirar.

Enfim, o Brasil será o próximo palco de tudo isso e não acho que cabe aqui discutir se isso será bom ou ruim. O fato é que Rio 2016 já começou há um bom tempo, e, quanto mais nos envolvermos com todo o processo, melhor será a representatividade do nosso país.

Vivenciar os Jogos Olímpicos foi uma experiência única!

Obs: os textos são de inteira responsabilidade de seus autores e não sofrem qualquer modificação em seu conteúdo.

 

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