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Na estrada do esporte

Amigos do Basquetebol

Neste post trago a colaboração da Renata Roth, minha ex-aluna do curso de Bacharelado em Esporte da Escola de Educação Física e Esporte da USP e que atualmente atua na área marketing e patrocínio, com mais de 7 anos de experiência internacional em serviços ao cliente, operações de eventos, planejamento de patrocínio e ativação, marketing internacional, hospitalidade, gestão de atletas, publicidade e comunicação.

Eu me lembro muito de alguns Jogos Olímpicos na minha infância…

Lembro muitas cenas de Barcelona, lembro do Aurélio Miguel em Seoul, lembro do Gustavo Borges e de assistir o vôlei e meus ídolos de adolescência.

Mas os Jogos que eu me lembro mais foram os de Sydney, no ano 2000. Eu estava no meu último ano de Relações Internacionais na PUC, onde eu cursava o período noturno. Normalmente acordava às 6 horas da manhã e às 7 horas  estava na academia, onde treinava jiu-jitsu até as 8:30 h.  Às 9:00 h  estava no escritório onde estagiava em período integral.

Era um escritório de Head Hunting e o que me deixava fascinada era o fato de que eu passava o dia escutando histórias de executivos. Quanto mais interessante a pessoa, mais ele(a) tinham viajado o mundo, experimentado outras coisas, trocado de carreira. Poucos executivos de alto nível que apareciam por lá tinham 30 anos de experiência dentro de uma só empresa e eu adorava essa parte do meu trabalho. Em 2000, lembro de chegar tarde em casa e ainda querer ficar ligada para ver os Jogos, que para o Brasil aconteciam em horários esdrúxulos.

Numa dessas atitudes “sem querer” lendo o jornal vi que era época de Fuvest mais uma vez… Eu já havia prestado Fuvest quatro anos antes, quando entrei na PUC, naquela ansiedade adolescente e nervosa de nem saber o curso que eu mais queria. Relações Internacionais veio da simples desculpa de que eu queria ver o mundo e fazer um curso “geral”. Então resolvi prestar o vestibular mais uma vez

já que eu não tinha nada a perder e teria meu diploma da PUC no ano seguinte. Comprei o caderno (sinceramente não sei se o sistema ainda é assim) e li sobre a EEFE – Escola de Educação Física e Esporte da USP e também li sobre seu “novo curso”, o Bacharelado em Esporte. Na época,  a relação de aluno por vaga desse curso era menor que a de Educação Física e assim eu prestei,  tranquila, o vestibular. Claro que eu passei, e ainda com ótimas notas, porque só quando você não tem mais 17 anos você vê que o segredo não é a quantidade de estudo, mas sim a tranquilidade na hora do exame.

Larguei para traz a vida de mini-executiva que eu tinha e agora ficava o dia inteiro na USP e às  18:00 h estava na PUC terminando meu último ano. Foi um ano de muito estudo mas também de muita atividade física. Estagiei em academias e dei aulas para crianças, coisas que eu adorava, mas depois de quatro anos de estudos percebi que meu lado comercial e administrativo ainda falava alto.

Em 2004, estava no meu último ano de EEFE e gerenciando a academia de um hotel, quando resolvi ser voluntária nos Jogos Olímpicos de Atenas. Para viajar, terminei um relacionamento com um namorado ciumento e vendi meu carro, uma loucura.

Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena; e foi lá, bem debaixo da Acrópole que eu fui “picada” por esse bichinho que morde todos nos que trabalhamos com esportes. Só a gente sabe que não estamos em estádio nenhum para ver Jogo, que na verdade suamos quando estão todos se divertindo, e que nossos salários são baixíssimos se comparados com outros mercados.  Da Grécia eu voltei determinada a conquistar o mercado internacional.

O primeiro passo foi  mudar de Sao Paulo para o Rio onde tive a oportunidade de trabalhar para um patrocinador do Pan 2007 e essa experiência foi incrível. Tive um desses chefes que acabam virando grandes amigos e mentores e pude ver tudo de bom (e de ruim) que acontecia no mundo esportivo naquele momento. O Pan foi uma grande escola para todos envolvidos e parte do meu trabalho era olhar os exemplos de fora (na época nosso grande “benchmark” foi a Copa da Alemanha de 2006, ainda por muitos considerada a mais bem organizada de todos os tempos).

Aos poucos vi que o aprendizado local não era suficiente e a ideia de um mestrado foi crescendo em mim. Fico muito feliz em ver que hoje em dia existem vários cursos de marketing esportivo, mas até 2006 o assunto era metade acadêmico, metade conversa de bar. Eu cheguei a fazer duas especializações de curta duração: uma na USP e uma na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), que apesar de interessantes não tinham a profundidade que eu buscava.

Procurei algumas opções fora e acabei escolhendo o FIFA Master, um mestrado apoiado pela FIFA e gerido pelo Centro Internacional de Estudos do Esporte (CIES) na Suíça.  O curso tem um ano de duração e acontece em trê3 países – Inglaterra, Itália e Suíça. O investimento é alto e as horas de estudo não são poucas!

Nos Estados Unidos ha inúmeras opções de cursos mas o nosso mercado esportivo está muito mais próximo do modelo europeu que do norte-americano. Valeu de qualquer forma não só os exemplos mundiais que tivemos, as visitas a estádios e arenas e os palestrantes de altíssimo nível. Mas também por passar um ano cercado de pessoas de diferentes culturas. Uma vez que você se envolve no mercado de eventos internacionais percebe que  interação multicultural eh chave.

O evento mesmo que global (com aliás regras esportivas entendidas igualmente no mundo inteiro) tem por sua vez que adaptar-se a regras de protocolo, hospitalidade e logística locais. Taí a parte que eu amo e que tive a alegria de participar desde que me formei no mestrado.

Basicamente meu currículo caminhou para o futebol. Tive experiências na Soccerex, na UEFA e na FIFA.  Mas não deixei para traz parte da sede olímpica também e estive em 2008 em Beijing e este ano em Londres, onde pela primeira vez trabalhei nos Jogos Paraolímpicos.

Depois de 2004 não morei mais em São Paulo, mas passo meus dias europeus analisando o mercado brasileiro. Ou o faço profissionalmente, ou porque assim que eu comento que sou brasileira eu sou bombardeada com perguntas curiosas de quem vê a nosso país como o paraíso na Terra. Não tenho dúvida que o grande “boom” chegou no mercado esportivo brasileiro e espero que os nossos eventos deixem os Organizadores Internacionais de queixo caído. Em alguma capacidade, tenho certeza de que vou estar envolvida e sei que vou ser eu dessa vez dando conselhos a jovens encantados com nosso fascinante mercado.

Quando eu vejo assim a minha história vejo que eu lutei muito para ter a “sorte” que eu tenho. Também estudei muito, não só nos cursos e no mestrado, mas também aprendi línguas, focando nas línguas oficiais da FIFA e do IOC (COI). Eu tenho um passaporte alemão que foi sim uma facilidade muitas vezes, mas eu repito, eu fiquei muito focada nos meus desejos e por vezes fiz sacrifícios e investimentos.

Um amigo meu da USP me falou outro dia que eu não vim no mundo a passeio, e na verdade eu não acho que ninguém veio. So que nós que trabalhamos com esporte pelo menos nos divertimos na empreitada!

Obs: os textos são de inteira responsabilidade de seus autores e não sofrem qualquer modificação em seu conteúdo.

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5 comentários em “Na estrada do esporte

  1. Querida Renata, li sua historia com um interesse muito especial, a vibracao emana de suas palavras, fiquei realmente orgulhoso de voce! Com certeza sua expertise sera fundamental nos anos e eventos que se seguirao no Brasil, e eu estou ‘looking forward’ para continuar lendo e vendo toda o seu conhecimento aplicado em solo tupiniquim! Parabens, com certeza voce vai continuar voando e brilhando em diversos continentes! Um abraco diretamente de um lugar MUITO quente no momento!

  2. Renata,sua história é uma lição de vida,acredito que esse espirito aventureiro é só para quem tem muita coragem como vc. parabéns e sucesso…

  3. Filha querida, nao tem como não ter orgulho de você! Com muita alegria que vejo sua carreira de total sucesso na profissão e na vida!!!Continue sempre fazendo o que gosta, sendo dedicada a isto com toda esta alegria que você tem, vontade e força!!!Parabéns, bjus

  4. Parabéns Renata, muitos tem as chances, poucos as agarram. No seu caso o seu foco durante todo o processo demonstra toda a sua determinação de um atleta. Li seu texto com muito interesse e me trouxe na memória um pouco do que convivemos como alunos da EEFE. Ler os Profs. Drs. Dante e o Jorge traz uma saudade imensa e a memória de um período muito gostoso.
    Sucesso na sua caminhada da vida!

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