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Árbitros-técnicos-atletas: vamos melhorar essa relação?

Amigos do Basquetebol

Recentemente, acompanhamos no clipping do Basquete do amigo Alcir Magalhães uma breve discussão sobre a arbitragem do NBB. O fato foi gerado pela exclusão do técnico do Flamengo José Neto. Ou melhor pelos motivos que geraram a tal exclusão e pela forma como os árbitros se comportaram naquele momento.

Como eu disse em um comentário colocado no mesmo clipping, não acompanhei o jogo e portanto não teria condições de julgar o fato em si. Mas, acompanhando outros jogos pela TV e ao vivo o que eu percebo é que está havendo um certo exagero por parte dos árbitros, técnicos e atletas.

Os árbitros têm exagerado em suas decisões e cometido erros que são muito contestados por atletas e técnicos.

Os atletas têm exagerado nas suas manifestações, pois a qualquer marcação por parte dos árbitros eles se rebelam como se o mundo estivesse acabando naquele instante.

Os técnicos, muitas vezes, esquecem o comando da equipe para contestar toda e qualquer marcação dos árbitros, estendendo a discussão para além do necessário e perdendo o foco do jogo.

Parece que todo mundo já entra em quadra com o seguinte pensamento: o árbitro vai “roubar” meu time então vou colocar pressão para que isto não aconteça. Ou, já vou colocar pressão sobre aquele técnico ou jogador porque ele costuma falar muito. E isto não tem sido nada benéfico para nosso basquetebol.

Tenho acompanhado de perto os jogos da Euroliga e observo um comportamento completamente diferente, apesar dos erros da arbitragem e reclamações por parte de jogadores e técnicos. O erro e a reclamação sempre existirão em um jogo coletivo. Impossível a arbitragem não cometer erros durante uma partida. E , é claro, que isto mexe com as emoções dos técnicos e jogadores.

Mas o exagero de todas as partes não é nada saudável para o basquetebol.

A Liga Nacional tem feito um trabalho exemplar para tentar diminuir a distância que existe entre árbitros, técnicos e atletas. Clínicas, reuniões, orientações não faltam para todos os envolvidos com o espetáculo.

No entanto, este é um trabalho que deveria acontecer em todos os campeonatos, de todas as federações. Deveria haver um contato maior entre árbitros, técnicos e atletas. E se aprofundarmos a discussão veremos que o problema da relação entre árbitros-técnicos-atletas não é exclusivo das competições adultas. Nos campeonatos de base, segundo relatos de amigo, esta relação é também muito complicada. Um momento que deveria ser de aprendizagem para todos, torna-se um conflito.

Os árbitros mais novos deveriam ser orientados a ter uma postura mais pedagógica em relação aos jovens atletas. Em contrapartida os técnicos de categoria de base deveriam contribuir para essa ação pedagógica deixando de lado a obsessão pela vitória a qualquer custo e deixando de atribuir aos árbitros seus insucessos. E no final da linha estão os jovens atletas que, influenciados por todo esse ambiente e pelos exemplos dos adultos tornam-se “reclamantes compulsórios”.

Também não podemos nos esquecer dos dirigentes e pais que, principalmente, nas categorias de base são imediatistas e querem ganhar o jogo ou o campeonato a qualquer custo, esquecendo-se de que naquele momento o principal é a formação do futuro atleta.

Acho que está na hora de termos uma mudança de comportamento de todas as partes, desde as categoria inciais até o adulto para que o foco seja o jogo como um todo e para que situações como as que temos visto ocorram com menor frequência.

Temos uma arbitragem que é considerada modelo no mundo todo (veja o post http://bit.ly/W6fWjF) . Temos técnicos muito competentes e atletas de altíssimo nível. Temos que lutar para que este conjunto de fatores positivos reflitam em um grande espetáculo.

Com erros, com reclamações, mas sem exageros.

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3 comentários em “Árbitros-técnicos-atletas: vamos melhorar essa relação?

  1. Antes de tudo, agradeço ao Dr. Dante a publicação e comentários a respeito dessa situação tão presente e perniciosa no nosso querido basquetebol.
    De fato é muito marcante essa relação entre os envolvidos.
    Fico muito preocupado com as categorias iniciantes da modalidade que, como foi dito, estão “aprendendo”.
    Não poderiam aprender coisas relacionadas ao conflito com as autoridades, técnicos, árbitros, e jogadores nessa tão tenra idade. E sim aprender o jogo de basquetebol na sua essência, fundamentos, relacionamento de respeito com os adversários e os próprios colegas com suas limitações e qualidades.
    Assunto deveras pertinente e apropriado para a sensibilização dos envolvidos, para uma reflexão e consequente mudança de hábito.
    Forte abraço ao meu querido Professor Dante e até breve.

    1. Caro Frank. Obrigado pela citação. Mas realmente é uma situação preocupante. Nossos atletas desde o início aprendem a contestar (de forma inadequada) as decisões dos árbitros. É claro que isto movido pela necessidade obsessiva de vencer que lhe é passada pelos técnicos, dirigentes e pais. Os árbitros, por sua vez, atuam nas categorias de base como se estivessem lidando com adultos já formados. E aí forma-se o ciclo do quem vem primeiro “o ovo ou a galinha”. Está na hora de se discutir melhor a função dos campeonatos de base. Para que servem? Porque termos tanta competição desenfreada? Porque termos que eleger os melhores nessas categorias quado o jogo coletivo deveria ser difundido? É um trabalho árduo e de longo prazo.

  2. Sempre que tenho a oportunidade, comento com amigos técnicos e jogadores: “Vocês são muito chatos!!!!”

    Curiosamente todos eles sabem e concordam que passam dos limites ao reclamar e questionar absolutamente TODAS as decisões dos árbitros. Porém acham que deve ser assim ou sairão prejudicados, logo continuarão a fazê-lo.
    Quando comentei com um árbitro sobre a linha tolerância zero que a arbitragem vem adotando, ele disse que tem que ser assim mesmo.

    Ninguém tem respeitado o colega ao lado. Todos estão errados, mas ninguém quer mudar.

    Ao meu ver, isso é um reflexo perfeito da nossa sociedade!

    Temos que mudar as atitudes dos técnicos, árbitros e atletas de categorias de base, sim! Serve para o adulto também? Sim!
    Mas é mais que isso, temos que evoluir como cidadãos.

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