Mestres do Basquetebol · Todos os posts

Sábias palavras de um mestre: Ary Vidal

Amigos do Basquetebol

Em 7-04-2011 e 9-11-2011 publiquei dois posts sob o título “Sábias palavras de um mestre” abordando pensamentos e ideias sobre o basquetebol de dois ícones do Basquetebol: John Wooden e Moacyr Daiuto.

Agora trago alguns pensamentos e ideias do grande mestre Ary Vidal que nos deixou recentemente sobre  treinamento. Essas ideias foram colocadas em prática na preparação da equipe que venceu o Pan de 1987 que contou com a competente participação dos professores José Medalha (Assistente Técnico) e Valdir Barbanti (preparador físico). São textos extraídos e adaptados do livro “Basquetebol para vencedores” ( Porto Alegre, Ed. Rigel, 1991).

Sobre o treinamento

O treinamento é a síntese aplicada em quadra, visando a preparação ao jogo, de quase todo o conhecimento que o técnico adquiriu ao longo de sua carreira.

Torna-se difícil elaborar regras gerais, fixas, rígidas para um bom treinamento, quando quase sempre tem que se atender a condições específicas de uma equipe, condições essas que são infinitamente variadas.

Os “segredos” do treinamento: duração, intensidade, continuidade, repetição e motivação.

Um treino deve durar pelo menos de 8 a 10 vezes do tempo de jogo.

Um treino deve ter um ritmo muito mais intenso que o ritmo do jogo. Isto obriga os jogadores a executarem os movimentos com mais velocidade. No início os erros serão cometidos com mais frequência e com o passar do tempo os jogadores vão reduzindo o número de erros. Permite ao técnico observar e detectar os erros dos atletas e corrigí-los.

O treinamento deve ser contínuo com um mínimo de interrupções. O atleta precisa se adaptar ao ritmo de treinamento e quanto menos folga melhor.

A repetição é “segredo” mais difícil de ser colocado em prática pois o atleta brasileiro não gosta de repetir porque julga que já sabe. No entanto, no momento de enfrentar equipes poderosas o atletas brasileiro mostra que não sabe tanto quanto achava que sabia. Por este motivo é que eu repito e repito sistematicamente durante os treinamentos. Exemplo: cada atleta tinha a tarefa de realizar 500 arremessos convertidos, em situações próximas ao jogo, nas suas zonas preferidas de atuação. E tudo isto era controlado e marcado. Essa cota era dividida em séries de 10 arremessos. No caso dos lances-livres cada jogador tinha a meta de converter 200 arremessos distribuídos ao longo do treinamento para imitar a realidade do jogo onde o jogador executa lances-livres em situações de descanso, excitação, cansado e muito cansado.

Sobre a motivação acredito que “o técnico motivado, cria”. Para motivar, o técnico tem que conhecer cada um de seus jogadores para poder motivá-los de acordo com suas características. Para um jogador a palavra tem que ser de incentivo, para outro o tom deve ser de desafio. Também sou a favor da utilização de “meios mecânicos” de motivação. Esses meios mecânicos são: gráficos comparativos e vídeos.

Essas são algumas das ideias do mestre Ary Vidal sobre o treinamento e que são extremamente úteis para aqueles que querem melhorar a qualidade de seus treinos, independentemente da categoria que dirigem. Afinal, Ary nos deixou um legado importantíssimo e que deve servir de exemplo para todos aqueles que se aventuram a trabalhar com o basquetebol.

Anúncios