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Entrevista: Laís Elena

Amigos do Basquetebol

Neste post a entrevista é com um grande ícone do basquetebol feminino brasileiro. Jogadora de altíssimo nível e uma das mais importantes técnicas do nosso basquetebol. Eu falo de Laís Elena Aranha. Armadora (das boas), uma batalhadora pelo basquetebol feminino (não fosse por ela o basquetebol feminino de Santo André não sobreviveria até hoje. E justiça seja feita, sempre contando com a ajuda da excelente Arilza). Trinta e cinco anos de carreira como técnica sempre em Santo André. Uma raridade em nosso ambiente esportivo.

Laís tem uma história brilhante no nosso basquetebol feminino tendo participado de quatro Mundiais e três Panamericanos. E, do alto dos seus 69 anos,  dever servir como exemplo para todos que militam no nosso esporte pela garra e amor dedicado ao nosso esporte

Segue o texto organizado a partir de perguntas que foram enviadas por email.

Identificação e o início

” Sou Laís Elena Aranha,69 anos, formada em Educação Física e com especialização em atletismo,handebol, natação e basquetebol. Aos 13 anos comecei a fazer esportes no tênis clube na cidade de Garça, onde nasci. Iniciei com a natação,fui para o tênis,voleibol e por último o basquete que se tornou a paixão da minha vida. Meu maior incentivador foi meu pai.”

A carreira de jogadora

“Com 14 anos já estava jogando no time da cidade que participava sempre dos jogos regionais e abertos. Aos 17 anos, no aniversário do clube, convidaram a equipe do Corinthians para fazer um jogo de comemoração. O técnico era o Angelim. Após o jogo ele me fez o convite para jogar no Corinthians.Vim para São Paulo, treinei como nunca e com 18 anos recebi a minha primeira convocação para a seleção paulista. Em seguida a convocação para a seleção brasileira onde servi por 14 anos. Joguei três anos no Corinthians, um ano no XV de Piracicaba e em 1964 ,vim para Santo André jogar na Pirelli. Joguei em Santo André até 1975,quando encerrei minha carreira de atleta.”

A carreira de técnica

“Quando parei de jogar,tudo foi muito tranquilo.Sabia que ia continuar a  minha carreira como técnica e resumir 35 anos como técnica é um pouco complicado, embora esse tempo foi todo tenha sido em Santo André (iniciei em 1976). A decisão de ser técnica já tinha sido tomada antes mesmo de parar. Na verdade o inicio de tudo foi na própria quadra jogando.Eu tinha uma boa leitura do jogo e já comandava o time. Iniciei minha carreira como técnica das categorias de base da Pirelli. Na época só existiam duas categorias: mini até 13 anos e mirim até 15. Ganhamos o campeonato paulista três anos seguidos no mini e dois no mirim. Em 1984 assumi a equipe adulta da Pirelli. Grandes jogadoras foram formadas em Santo André: Marta, Leila, Vívian, Mama e Chuca. Todas serviram a seleção brasileira.”

 Os títulos e os momentos marcantes

“Meus títulos conquistados como jogadora foram: três Campeonatos Paulistas e 8 Jogos Abertos do Interior. Pela Seleção Brasileira foram 6  Sul-Americanos, dois Pan-Americanos e 1 medalha de bronze no Mundial. de 1971, no Brasil. Como técnica conquistei três Campeonatos Paulistas, um Sul Americano de clubes, dois Campeonatos Nacionais e campeã da primeira edição da Liga Nacional. Além disso fui eleita Melhor técnica do ano por três vezes no Paulista e melhor técnica na  Liga Nacional  de 2010. Tive muitos momentos importantes na minha vida mas tenho que destacar o Sul Americano de clubes, quando fomos campeãs com a Arcor e o terceiro lugar no Mundial de 1971”

O modelo e as grandes adversárias

“Tive como modelo de jogadora na minha posição a Heleninha e as melhores armadores adversárias na minha posição foram a Elzinha e a Benedita. Atualmente, destaco a Adrianinha do Sport Recife, Katia de Santo André e Cristina do São José. ”

Os técnicos importantes

“Meus Técnicos preferidos foram o  Paulo Albano  na Pirelli e Angelim no Corinthians”.

O basquete de ontem e o de hoje

“Em relação às diferenças do basquete praticado atualmente e o da minha época destaco o trabalho defensivo. Hoje as defesas são muito mais trabalhadas e a condição física também.O jogo tornou-se mais dinâmico dando mais ênfase para o contra-ataque e a transição. As movimentações táticas são mais curtas em função também das alterações nas regras.”

O atual estágio do basquetebol feminino no Brasil

“O basquete feminino vive hoje um momento de transição onde o maior problema é a diferença de idade entre as gerações. As mais novas ainda não tem condições de substituir as veteranas com a mesma qualidade.  Acho importante que mais estrangeiras participem da Liga e com relação aos treinadores nenhuma restrição,desde que sejam melhores dos que temos aqui.”

Perspectivas

“Perspectivas para 2014  e 21016. Em minha opinião não são boas em função da transição.Os talentos que estão surgindo ainda não terão maturidade para encarar essas duas competições.”

Laís - campeã da Liga Nacional de 2011
Laís – campeã da Liga Nacional de 2011
Laís jogando em Garça - agachada no centro com a bola
Laís jogando em Garça – agachada no centro com a bola
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