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O que é preciso para ser técnico de basquetebol?

Amigos do Basquetebol

Esta é uma pergunta que vem me intrigando há tempos. Observando os fatos e as circunstâncias e todos os fatores envolvidos nesta questão fico em dúvida sobre o atual estado das coisas.

No final do texto do Prof. Raul Milliet Filho publicado no post http://bit.ly/YjuHMu ele faz uma colocaçõ polêmica mas que reflete a essência de nossa pergunta: Será de fato necessário o diploma de Educação Física para um técnico de campo e/ou de quadra? Não será suficiente o apoio de uma comissão técnica diplomada e especializada? Esta pergunta teve origem em função do grande Kanela ter sido impedido de dirigir a Seleção Brasileira em 1964 por não ser professor de Educação Física.

Então vêm outros questionamentos:

– será mesmo necessário o curso de Educação Física para que tenhamos treinadores capacitados?

– como exigir essa formação se as Escolas de Educação Física , em sua maioria, não contemplam mais a formação de técnicos?

– porque não temos mais cursos de especialização para a formação específica de técnicos, já que os antigos cursos técnicos já não podem ser oferecidos?

– qual o papel que a ENTB deveria ter nessa formação? Não seria ela uma possível gestora desses cursos?

– como resolver as questões regionais que são tão diversas em nosso país?

Se olharmos para o que acontece nos centros mais avançados do basquetebol, principalmente a Europa, Estados Unidos e Argentina veremos que não se exige a formação em educação física. Aqueles que pleiteiam um cargo de treinador são submetidos a cursos específicos, com duração variada e que abordam temas que são, em nosso caso, abordados nos cursos de graduação de Educação Física. Além disso, são submetidos a avaliações constantes por parte de associações de treinadores que lhes dão o aval para que continuem exercendo a profissão ou para que ascendam a categorias superiores.

No caso dos Estados Unidos nada disso é necessário. Os treinadores realizam clínicas períódicas e o próprio mercado trata de avaliar seu desempenho, oferecendo ou não oportunidades de trabalho.

Este modelo pode ser questionado aqui no Brasil. E isto acontece porque ainda acreditamos que as Escolas de Educação Física estão formando nossos futuros técnicos. E posso afirmar categoricamente que se trata de um grande engano. Atualmente, nossas escolas não se preocupam com esta fatia do mercado, voltando seus objetivos, prioritariamente, para a formação de professores de academia ou de”personal trainners”.

Foi-se o tempo que os esportes eram abordados de forma aprofundada nos cursos de Educação Física. Mesmo os recém criados cursos de Esportes não têm essa vocação. Eles dão aos alunos uma visão geral do “fenômeno esportivo” sem que se aprofunde em nenhuma das modalidades esportivas.

Desta forma entramos em um impasse. Como exigir uma formação que não é oferecida? Quanto existe de corporativismo nesta postura?

Será que não estaríamos contribuindo muito mais para a formação de futuros treinadores se não criássemos cursos específicos para esta finalidade? Não se nega aqui a importância da formação básica com disciplinas que devem fazer parte da grade curricular como fisiologia, anatomia, biomecânica, psicologia do esporte, entre outras. Mas , com certeza, uma formação com uma carga horária prioritária nos assuntos específicos do basquetebol, traria um conteúdo muito mais adequado às necessidades do profissional que iria trabalhar com o esporte.

Esta situação poderia corrigir o quadro atual que encontramos na maioria dos casos. Profissionais mal preparados (mesmo com a “formação” oferecida na graduação em Educação Física) para dirigir equipes de base, onde tudo começa.

É claro que o tema é polêmico e envolveria uma discussão grandiosa, além de mexer em um vespeiro que envolve instituições que se preocupam em zelar pelo exercício legal da profissão. Mas esse exercício legal que atualmente se busca é de qualidade?

Creio que cursos de especialização promovidos em conjunto por uma instituição de nível superior e uma associação atuante de treinadores, além da Escola Nacional de Treinadores, poderiam trazer muitos benefícios e ampliar o quadro de treinadores capacitados para atuar em um mercado de trabalho carente de qualidade.

Enfim, fica o tema para ser discutido. E fico também aguardando as opiniões e críticas em relação a esta minha posição.

Leituras relacionadas ao tema

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2010/10/22/a-capacitacao-dos-treinadores-acao-fundamental-para-o-desenvolvimento-do-basquetebol-brasileiro/

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2012/11/05/o-que-se-espera-de-um-treinador-de-categorias-de-base/

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20 comentários em “O que é preciso para ser técnico de basquetebol?

  1. Prezado Dante, outro dia um amigo com ampla capacitação em basquetebol estava revoltado, pois foi convidado a trabalhar em um tradicional clube com categorias menores, com um salário abaixo de R$2.000,00 por mês. Analisando o mercado de técnicos de basquetebol, quantas vagas existem? Quantos concorrentes? Infelizmente temos que ter uma formação generalista, para atuar em outras áreas. Você conseguiria viver exclusivamente como técnico de basquetebol? Sempre sugeri que cursos de Tecnólogos (superior de 2 anos) daria uma formação específica melhor do que os nossos cursos de Bacharelado (4 anos) generalistas. No entanto ao verificar o mercado de trabalho constatamos o seguinte: Não teremos alunos suficientes para formar uma turma específica. Caso isso ocorra, nossos alunos bem preparados e qualificados, não teriam vagas no mercado de trabalho. Por isso é fudamental o papel da ENTB, como especialização.
    Saudações
    Georgios S. Hatzidakis

    1. Caro Georgios. Compreendo perfeitamente sua colocação. Mas faço um contraponto: e se alguém quiser ser somente técnico de basquetebol por opção livre e espontânea? Terá que passar por quatro anos de uma formação que não irá atender seus objetivos?

  2. Dante, olá. Excelente reflexão, ao meu ver.

    Recentemente fui testemunha de uma situação que, acredito, seja generalizada. Ela diz respeito à falta de compreensão ou mesmo desentendimento total das diretorias de basquete das categorias de base em relação às funções, às responsabilidades, à formação, à qualificação e ao valor que deveria ser pago como pagamento de serviços – grana mesmo! – de seus técnicos. Será que as pessoas ainda partem do princípio de que técnico e treinero são a mesma coisa?

    Creio que, sem querer generalizar, existe uma energia muito mais voltada para o imediatismo de ver os próprios filhos jogando seja lá a que custo formativo for do que a intencionalidade de investir em projeções de médio a longo prazo para o fomento e o desenvolvimento de gerações com mais possibilidade de jogar basquete de forma competitiva por mais tempo e em níveis mais elevados.

    Te parece crível que alguém se comprometa com basquetebol formativo ganhando R$1500,00 por mês? Pois o mercado está oferendo mais ou menos isso para alguém construir uma escolinha de basquete, dirigir uma ou duas categorias e ter seus finais de semana comprometidos com os compromissos de jogos… Penso que para que qualquer pessoa aceite uma condição dessas deverá compor com outros dois, ou três, ou quatro empregos (quem sabe?) para ter uma renda mensal decente. Sendo este um quadro recorrente – e não posso afirmar com certeza que seja – temos aí a resposta da baixissima quantidade de atletas praticantes e da baixa qualidade da formação dos mesmos: Refiro-me à questão técnica, tática, tomada de decisão, capacidade de trabalhar coletivamente, equilíbrio pessoal, etc…

    Peço desculpas por ter fugido do tema central, mas vi um viés interessante no caso.

    Grande abraço e Viva o Basquetebol!

    Sérgio Maroneze

    1. Grande parceiro de lutas – Sua colocação vem ao encontro do que disse o Geórgios no comentário anterior. E a minha colocação permanece a mesma. Se alguém quiser (por livre e espontânea vontade) ser técnico e correr esse risco, ele terá que passar 4 anos numa faculdade que não dará a ele essa formação. Claro que se essa pessoa tiver uma formação generalizada ela terá maiores oportunidades de trabalho. Isso me leva a pensar em duas situações que não são excludentes: uma em que o indivíduo teria uma “formação” plena para atuar em qualquer mercado em nossa área e outra na qual esse mesmo indivíduo teria licença somente para atuar como treinador. Mas aí vem a questão; no primeiro caso ele teria que fazer alguma curso complementar? Como eu disse essa é uma discussão ferrenha que vai mexer com vaidades, corporativismo, etc, etc, etc. Eu apenas fico com dó dos atuais profissionais que vão para a quadra sem nenhum preparo e com mais dó ainda das crianças que caem nas mãos desse profissional.
      Grande abraço

      1. Sílvio. Muito interessante sua colocação e compartilho da ideia. Assim como na medicina, nosso profissional deveria ser mais especializado. e para isto talvez houvesse a necessidade da criação de cursos específicos para a carreira de treinador. Concordo quando coloca que há necessidade de se aproximar as federações e confederação das universidades. Há um “buraco” muito grande entre o pensamento acadêmico e o que ocorre na prática. Poucas são as escolas de Educação Física que têm em seu quadro docente pessoas que “vestiram o calção” e dirigiram equipes. Isto não significa que tenhamos que voltar aos cursos de Educação Física onde a prática era o enfoque principal. Mas não se pode negar que a experiência prática na hora de ensinar faz grande diferença.
        Abraços

  3. Muito interessante seu artigo, Prof. Dante.

    Compartilho de muitas dúvidas levantadas por ti. Talvez a discussão também possa ser pensando a partir da seguinte questão:

    – formar treinadores/técnicos de esportes é a mesma coisa que formar profissionais da saúde ou é a mesma coisa que formar professores?

    Particularmente, penso que são formações distintas. A formação do licenciado poderia estar direcionada as demandas do setor educação, antedendo necessidades do escolar(como já é, ou deveria ser), afinal de contas, antes de ser professor de Educação Física ele é professor. A formação do bacharel poderia estar direcionada as demandas do setor saúde, atendendo necessidades da gestante ao idoso (como poderia ser, mas não é), pois, antes de ser Profissional de EF, ele o bacharel é profissional da saúde. Já a formação do profissional de esportes poderia estar direcionada as demandas do setor esporte, atendendo as necessidades do esporte educação ao esporte de alto rendimento (como poderia ser, mas não sei se é).

    Especificamente no caso do esporte, o “título” de treinador nas diferentes especialidades esportivas deveria ser obtido em especializações junto as Federações. Enfim, há necessidade de aproximar as federações das universidades/das escolas de EF para o desenvolvimento de ambos. De todo modo, considero imprescindível a formação superior a priori em (bons) cursos de graduação em esportes. Afinal de contas, é estranho o desejo de sediar grandes eventos esportivos sem ao menos ter “expertise” e cursos de graduação em esportes em quantidade e qualidade aceitável.
    .
    Penso que a EF é uma só, mas os campos de atuação são diferentes (educação, esporte e saúde), logo a formação que deve acontencer no campo teórico e prático exige tempo adequado para o aluno vivenciar a área de interesse, precisa de bons docentes que entendam do conteúdo e do setor de atuação (esporte, saúde, educação). Escolas de EF poderiam contemplar três cursos (licenciatura, bacharel em EF e Bacharel em Esportes). Há lugar para todos e, mais importante, creio que a população e as instituições deseja profissionais preparados, resolutivos. Chega de tentarmos formar profissionais “coringas”, pois parece que já entendemos que a formação em EF não tem ajudado a resolver problemas da Educação, da saúde e, principalmente, do esporte. Basta, como exemplo, assistir o lamentável fato de ter que apresentar a bola e a regra de esportes aos alunos ingressantes em cursos de graduação em EF. Se continuarmos com a mesma formação, o resultado será cada vez mais desastroso.

    Abraço e parabéns pelo seu trabalho a favor da EF e do Basquete!

  4. Caro Dante.Conhecer o magnifico Kanela pessoalmente foi para mim uma grande honra. Mas discordo veemente dizer que para ser Tecnico de Basquetebol eh necessario, como prerequisito, ser diplomado em Educacao Fisica, mesmo sob tutela legal.
    . Tanto que nenhum professor em Educacao Fisica tem conhecimento minimo,ou melhor, eh leigo em estudos apurados do Basquetebol.
    Exceto, quando anteriormente tenha convivido como jogador de basquete.A pratica nos mostra isto. O Kanela tinha certificado da Escola Nacional de Educacao Fisica e Desportos como Tecnico de Basquetebol,em 25/10/59,alem eh claro de profundo conhecedor, estrategista e olho clinico que analiza cada caracteristica jogador, esplorando seu melhor, e acima de tudo,aglutinador,um pai para seus treinados. Enaltecer Togo Renan Soares eh obrigacao de cada jogador de basquete,a quem o tenha conhecido.

    1. Caro Schmitão

      Discordo quando diz que nenhum professor de educação física tem conhecimento mínimo de basquete. Conheço muitos profissionais que nunca jogaram e que fazem ou fizeram excelentes trabalhos no basquetebol. A questão central do meu texto é o que é oferecido atualmente para aqueles que querem trabalhar com basquetebol. Acho que as coisas não são excludentes. Se pudermos associar os conhecimentos teóricos e práticos teremos grandes profissionais.
      Quanto ao Kanela, não o conheci, mas é inegável sua contribuição ao basquetebol brasileiro.

      Abraços

      1. Caro Dante, expressei-me de modo nao entendido.O que realmente queria dizer eh o seguinte: qualquer prof. de educacao fisica, sem ter larga experencia no basquete, jamais serah um tecnico de basquetebol, pois falta-lhe os fundamentos, a tecnica,……..etc. Atualmente as Escolas de Educacao nao comtemplam o minimo, ou ate mesmo, experts no basquetebol. Se nao tiver vivencia e profunda vontade de aprender em quadra um basquete eficiente,nao tem a menor chance. E isso eh real no nosso basquebol. Imagine um basquete de ponta. Foi necessario um tecnico de renome internacional para colocar nosso basquete nos trilhos e brilhos,e respeito no cenario mundial. Temos que tirar o maximo proveito desse homem, tecni o campeao
        em

      2. Schmitão
        Concordo contigo. O curso de Ed. Física por si só não dá a formação necessária para o exercício da profissão de técnico. Há que ter uma formação complementar.

  5. A ed. Física é prática…as modalidades esportivas fazem parte deste contexto,as faculdades estão tirando o direito de escolha de alunos envolvidos e interessados na prática esportiva com disciplinas teóricas deixando de lado essa vocação para o esporte,ha espaço para os dois dentro de uma grade bem elaborada e execultada por profissinais capacitados,é ´claro que não é possível formar técnicos nas universidades,porém é possível que o mesmo receba conceitos positivos para que possa se especializar,depois da sua formação academica,daí a importancia da escola de treinadores,para fortalecer e preparar esses profissionais recem formados…viva o basquetebol!!!

    1. Caro Jorge
      Eu não gosto dessa divisão entre teoria e prática. Para mim todo conhecimento é válido desde que seja “aplicado” ao contexto. As disciplinas teóricas são muito válidas desde que possam ser utilizadas no dia a dia do profissional. E mesmo nas ditas práticas, no caso das modalidades esportivas, o conhecimento teórico é fundamental. O que ocorre é que, atualmente, as escolas de ed. física deixaram o esporte de lado, seja na teoria ou na prática. E isto precisa ser retomado para termos profissionais com conhecimento suficiente para ser aprofundados em cursos específicos.
      Abraços

  6. Realmente é complicado falar desse tema, mas posso dizer por experiência que vivo atualmente na Europa(italia) e aqui não há necessidade de curso superior para atuar como técnico de basketball. Aqui é necessário fazer um curso como o nosso da ENTB, mas que tem uma duração maior onde são abordados todos os temas de fisiologia, biomecânica e etc… mas com a maior enfase no tema Basketball, vale ressaltar que todos os técnico para trabalhar em categorias maiores deve exercer a função por no mínimo um ano e durante esse um ano fazer palestras obrigatórias á todos os técnicos formados, e depois fazer um novo curso para poder atuar em outra categoria. Assim meus amigos a atualização é constante e consequentemente a qualidade sempre aumentará…
    Um abraço a todos….

    1. Você poderia nos dizer quanto ganha um profissional do Basketball ai na Europa (itália) pois na ESpanha os professores que ensinam basket para os mais novos chegam a ganhar 200 euros!!! Segundo um professor Técnico deste país!!!

  7. Professor Dante você acredita mesmo que os futuros professores e técnicos de Basketball não necessitem de uma faculdade? É diifícil dizer mas como um profissional da área, servidor público em uma escola estadual, uma escola particular e professor/técnico de basketball em Santo André correndo para lá e para cá para ter um salário digno e ver pessoas que após um curso mas sem didática, sem tato para trabalhar com uma criança, jovem ou adulto possa entrar na “nossa área” e trabalhar… Creio que não é esse o caminho e fico triste em saber que você tenha levantado este tema. Acho que devemos glorificar nossa profissão e não esculhambar, acho sim que cada um na sua área, seja lutas ou esporte ou qualidade de vida não interessa… Se quero ser cirurgião tenho que fazer Medicina, se quero ser engenheiro idem e assim por diante. Creio sim que as Faculdades parem de dar o “básico” e ensinem aos seus alunos o máximo! Dizia Wlamir Marques em nossas aulas na FEFISA: ” Quero que vocês aprendam a ensinar o Basquetebol, pois não precisa ser atleta e sim um bom professor para dar uma aula fantástica”. Obrigado por esta frase professor a qual jamais esqueci!!!

    1. Marcel

      Primeiro eu não disse que o profissional de basquetebol não precise de uma faculdade. O que eu quis levantar é que as faculdades não estão preparando pessoas para atuar nesta área. Segundo, não estou esculhambando a profissão, até porque eu sou professor de educação física, com muito orgulho. Ocorre que quando levantamos um tema que mexe com o corporativismo de uma área, algumas pessoas levantam bandeiras que até então estavam arriadas. Você está contente com a atual situação? Eu não estou. Como você mesmo disse: para ser um cirurgião tenho que fazer medicina. Para ser técnico de basquetebol tenho que aprender basquetebol. E isto nossas faculdades não estão proporcionando aos alunos. E concordo plenamente com o Wlamir: não precisa ter sido atleta para ser técnico. Mas precisa estar preparado.

    2. Prezado Marcel,
      Bob Knight é formado em História e “Government”. Popovich é formado em Soviet Studies, Coach K fez a Academia de West Point, Jim Boeheim é graduado em Ciências Sociais. David Blatt é formado em literatura. Lawrence Frank, atual técnico do Detroid Pistons é formado em Educação e não conseguiu jogar nem no time do High School. O que eu quero dizer com isso é que as trajetórias das pessoas para virarem grandes profissionais não depende de um diploma de Ed. Física. Tão pouco é necessário ter sido jogador para ser um grande técnico. Em minha opinião o que temos hoje no Brasil é o pior dos cenários. Temos uma reserva de mercado no Basquete para um grupo profissional que não esta minimamente interessado em trabalhar com basquete. Se esse não fosse o caso, não estaríamos falando de cursos de Ed. Física com um semestre só de aulas de basquete. E raramente os professores tem boa qualificação. A produção editorial é quase zero. As pesquisas são poucas e não conseguem ser publicadas. Manuais ou vídeos sobre aspectos técnicos e táticos também quase não existem em português. Não existe nem um esforço para traduções por parte da comunidade acadêmica. Por isso pergunto: porque deveríamos limitar o ensino da prática do basquete aos profissionais de Ed. Física? Será que estamos fazendo um basquete melhor a partir da criação desse sistema corporativista?

      um abraço,

      Michael
      ,

  8. Prof. Dante..

    Primeiramente parabéns por lançar um post com um tema muito bom de se discutir. Um tema como esse pode gerar diversos outros posts abordando as variáveis desse tema (fica a sugestão). Aproveitando a fala aqui do Michael venho complementar algumas informações.
    Sou formado em educação física e sei o quanto minha formação me ajudou pra área que atuo(técnico de basquete), mas tive sorte, tive professores voltados a formação de professores/técnicos e não só a disciplina de metodologia do basquete como outras metodologias me fizeram crescer em ideias e aprendizados na área que atuo. Mas essa não é uma realidade no Brasil, principalmente agora em que o modismo curricular está tirando as disciplinas de metodologias para incluir apenas a metodologia dos esportes coletivos. Portanto, se já era pouco o estudo específico do aluno na modalidade, agora é quase que nulo. Isso certamente a médio prazo vai gerar um caos maior do que o que já temos. Mesmo assim, quero deixar claro que conheço excelentes técnicos de basquete que não são formados em educação física e que são muito mais profissionais, envolvidos e estudiosos do que outros professores que se orgulham do título de professor de educação física, mas que está parado no tempo, sem estudar e sem entender que trabalhar co esporte é se renovar e atualizar sempre.

    E é nesse caminho dos estudos que minha crítica aqui me incomoda bastante. Que diferença faz para o técnico de basquete de base no Brasil estudar? Ele estuda porque se interessa, porque quer crescer evoluir. Mas estudando ou não, não há uma valorização desse crescimento. Não há um plano de carreira e pelo estado extremamente amador do nosso esporte, isso não vale e nem paga o esforço que o professor faz para estudar e se renovar. Um péssimo diagnóstico, não?

    Por fim, há uma inversão de valores no esporte de formação brasileiro. Os ditos “grandes profissionais” estão nas equipes de ponta e em sua grande maioria estão distantes da base, longe da formação e dão graças a Deus por não terem mais de aguentar ter de ensinar basquete a crianças. Mais ou menos como acontece com muitos professores de educação física que não tem paciência de dar aula em escola, faz um mestrado e vira professor universitário pra formar professores pra dar aula em escola(estranho, não?) A base está cheia de estagiários ganhando migalhas ou não ganhando nada, com o pouco estudo que têm, ou eles mergulham de cabeça e tentam crescer, ou desistem logo de início por descobrir uma área que não se valoriza: a base. Enquanto isso, nossos “grandes profissionais” estão com equipes de ponta se fechando, tentando ganhar o seu salário enquanto podem, restringindo um pequeno espaço para eles, onde não entra quem estuda ou promove um basquete de qualidade, e sim quem está no grupo, nas amizades ou quem tem influência política(existem excelentes exceções e essa é minha esperança).

    Por isso…penso que o tema é mais abrangente. Existe muita coisa além do que a formação do professor ou profissional de basquete. Existe uma cultura de não crescimento desse profissional, e aí enquanto assim estivermos, teremos problemas.

    Fica o convite a dar continuidade nesse debate, principalmente na parte em que o senhor fala sobre o corporativismo, no qual achei que não se aprofundou muito.

    Grande abraço

    Rodrigo Galego

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