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O colecionador de figurinhas

Amigos do Basquetebol

É com muita honra que trago um texto do grande Wlamir Marques.

Recentemente, Wlamir emitiu uma opinião sobre o Jogo das Estrelas do NBB, texto este que causou alguma polêmica. Eu mesmo discordei do Wlamir (meu assumido ídolo) e expus minha opinião de forma respeitosa, como sempre devemos agir quando discutimos algum ponto de vista.

Algumas pessoas, no entanto, discordaram do Wlamir e emitiram seus pontos de vista de forma ofensiva e deseducada, esquecendo-se que vivemos numa democracia e ideias estão aí para serem discutidas. Um deles chegou a afirmar que Wlamir deveria parar de criticar e “fazer algo pelo basquetebol”. Chega a ser ridículo. Beira à ignorância esportiva.

Assim sendo, trago este texto produzido por aquele que, na minha opinião, foi o “maior de todos”. Parabéns Wlamir por tudo o que fez pelo basquetebol e pelo belo texto que reproduzo abaixo (com a devida autorização do autor).

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O COLECIONADOR DE FIGURINHAS
Acompanho o desporto brasileiro desde os meus 10 anos de idade. Nessa época eu era vidrado em colecionar figurinhas de jogadores de futebol. Bastava comprar uma bala e as figurinhas estavam ali, enroladas. Confesso que as balas não eram saborosas, mesmo para um garoto guloso como eu. De gosto duvidoso, quase sempre eram deixadas de lado, afinal, o sabor não era o objetivo principal da compra.

Não posso esquecer que em primeiro lugar era necessário possuir um álbum, sempre distribuído gratuitamente, para depois iniciarmos a colagem dos jogadores nos seus respectivos espaços. Era emocionante quando eu conseguia obter uma figurinha carimbada, sempre muito difícil de encontra-la, mas como tudo dependia da sorte, algumas vezes era sorteado.

O emocionante também eram as trocas de figurinhas. Os garotos se reuniam à fim de exibirem as suas figurinhas repetidas e ali começavam as trocas. Nessas transações sempre encontrávamos algumas figurinhas que nos faltavam. Hoje lembro que nunca consegui completar um álbum. Sempre os fabricantes seguravam algumas figurinhas carimbadas objetivando manter o interesse nas vendas. Como eu não era de família abastada, logo desistia das compras. Também afirmo que nunca soube de alguém que tivesse completado um álbum.

Quando o basquete brasileiro foi medalha de bronze nas Olímpiadas de Londres em 1948, surgiu dali o meu estímulo para a prática da modalidade. Ao mesmo tempo também praticava o vôlei, a natação, o atletismo e o futebol. Fui goleiro, dizem que fui muito bom, será ?

Ainda muito jovem, por recomendação médica fui obrigado a diminuir as minhas atividades físicas. Meu coração estava muito dilatado para a idade. Sendo assim, sem pensar muito fiquei apenas com o basquete.

Dessa forma, em 1948 pisei pela primeira vez em uma quadra de basquete. Lá se vão 65 anos. Parei de jogar em 1973, mas a minha vida sempre continuou ligada ao basquete, seja como atleta, técnico, professor, dirigente, comentarista e torcedor.

Quem me conhece mais à fundo sabe das minhas participações dentro e fora das quadras. Nas quadras fui apenas um medalhista olímpico por duas vezes (60/64) e bi campeão mundial (59/63).

Sinceramente, toda a minha vida esportiva deve-se à bola laranja. Como dirigente participei de muitas decisões no basquete brasileiro, desde projetos de massificação até as mais altas projeções futuras.

Outro dia li o seguinte: “Porque o senhor ao invés de criticar, não faz algo de bom para o basquete brasileiro”.

Analisando bem, devo não ter feito nada de bom mesmo.

Acho que estive sonhando e “colecionando figurinhas”.

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Obs: os textos são de responsabilidade de seus autores e não sofrem qualquer modificação em seu conteúdo.

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2 comentários em “O colecionador de figurinhas

  1. Meu querido Wlamir, percebo pela tua cronlca que estas muito magoado, mesmo essa ” o colecionador de figurinhas ” muito bem feita. O quinteto de 1954: Amaury, Wlamir,Algodao, Mair, Angelim, foi maior de todos tempos do basquetebol brasileiro. Depois no Corinthians Paulista: Amaury, Ubiratan, Rosa Branca, Wlamir,……,na Selecao Brasileira: Victor,Wlamir, Sucar, Amaury e Rosa Branca, os icones do nosso basquete. Eras um ala excepcional. Realmente,acho que estamos sonhando. Conheco e conheci todos eles, pois foram e sao minhas referencias. Muito obrigado pela tua amizade, Wlamir Marques, do Schmitt com um abraco.

  2. Essa frase infeliz reflete uma realidade mais infeliz ainda. A história do nosso esporte – e de todos os outros – está largada em uma estante esquecida e empoeirada. O que vale é o show da hora, é o ídolo do momento. São os “heróis” de faz de conta da mídia.
    Wlamir, perdoe-os, eles não sabem o que fazem (e falam)!

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