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Basquetebol feminino: agora vai?

Amigos do basquetebol

Em 9 de fevereiro de 2011 escrevi um texto intitulado “Como será o amanhã” (https://vivaobasquetebol.wordpress.com/?s=o+que+ser%C3%A1+amanh%C3%A3) em que apontava algumas preocupações sobre o futuro do nosso basquetebol, especialmente do feminino.

Nele eu apontava alguns problemas como a troca constante de treinadores, a falta de uma melhor organização, a falta de renovação entre outros.

E o que vemos agora em 2013, ano em que o basquetebol apontará os classificados para os mundiais que serão realizados em 2014?

O basquetebol feminino, com a reeleição do presidente Carlos Nunes, tem sua estrutura organizacional modificada com a saída da então Diretora de Seleções, cargo este assumido pelo Vanderley Mazzuchinni, acumulando também o masculino. Com a entrada do novo Diretor, nova mudança de treinador.

Sem entrar no mérito da competência do muito competente Zanon, seria este o momento de mudar de novo? Cinco treinadores em menos de 4 anos. Que planejamento sustenta este tipo de situação? Parece que conseguimos nos igualarmos ao futebol – no quesito troca de treinadores.

Mas já que mudamos, que tal deixarmos o Zanon trabalhar? Que tal darmos tempo para que ele possa executar na seleção um planejamento a longo prazo? E quando digo longo prazo refiro-me a 2016, 2020. Pois para 2014 pouco poderá ser feito.

Se for mantido o mesmo ritmo do masculino, podemos ter esperanças. O trabalho realizado pelo Wanderley mostrou que podemos ter esperança.

Mas será que a salvação do feminino restringe-se a um bom planejamento para a seleção?

E o trabalho de base? Continuaremos dependendo de meia dúzia (temos meia dúzia?) de times, quase todos localizados no interior de São Paulo, para suprir nossas categorias de cima?

E a LBF que tem um campeonato com sete times nos quais vemos sempre as mesmas jogadoras com pouquíssimas novidades e raríssimos talentos?

E os polos recém criados, manterão seus projetos? Ampliarão as atividades para a base ou somente manterão a equipe adulta?

E a massificação do basquetebol feminino? Continuaremos tendo campeonatos de base com meia dúzia (será que temos meia dúzia?) de times quase todos em São Paulo (ou todos?).

E o incentivo do basquetebol nas escolas?

E o incentivo à prática do mini-basquetebol como meio de ampliar o número de atletas e não de campeões como acontece nos poucos campeonatos existentes?

Se não pensarmos em atitudes mais agressivas em relação a essa massificação do feminino (e aqui incluo o masculino também) como poderemos planejar a longo prazo?

Se não pensarmos rapidamente em ampliar nossa base, daqui a um ano talvez tenhamos novo técnico e eu estarei perguntando:

Como será depois de amanhã?

 

 

 

 

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6 comentários em “Basquetebol feminino: agora vai?

  1. Concordo com td q disse, mas não está na hora dos sites e blogs de basquete fazerem uma autocrítica e começarem a divulgar os trabalhos de base feitos por equipes como Americana e Ourinhos, por exemplo, além dos campeonatos de base, onde surgem novos talentos, cujos torneios não merecem sequer uma linha em qualquer um destes veículos?
    Abcs,
    Luís
    luis.galletta@gmail.com

    1. Caro Luís – o problema não está nos blogs. Claro que existe muita gente que só critica. Mas a realidade mostra que há pouco trabalho na base. Você mesmo citou dois exemplos. e os demais? Onde estão? Existem? que campeonatos de base temos no feminino? quantas equipes participa? Eu fico tranquilo em relação a isto pois tenho dado destaque a esta questão da formação não só no blog mas em todas as minhas manifestações em aulas, cursos, etc.. A questão da divulgação também deve ser melhor cuidada pelas instituições que promovem esses campeonatos. Os técnicos devem cuidar melhor desses campeonatos visando a formação de atletas e não, necessariamente, a obtenção de títulos. Enfim, o problema é muito complexo e devemos insistir para que a CBB, federações olhem para a base de outra forma. Obrigado pelo comentário.

  2. Não podemos esquecer das equipes que cedem os atletas para esses grandes centros de formação de base. Na verdade, um projeto como de Americana, que usa como bandeira 1200 atletas, quase não tem atletas formados na cidade de Americana, quase todas são trazidas de outros estados, quase sempre o clube de origem só descobre quando a atleta está indo fazer o teste, pois o contato é feito com os pais.
    E os outros estados não tem força para segurar seus atletas em suas federações. Cada estado tem 2 a 3 times de bom nível, porém, quase não jogam entre si. Em São Paulo o volume de jogo é muito maior. E pela história recente, não há interesse dos “grandes” em que o basquete fora de seus nucleos se desenvolvam. Cada um por si, literalmente.
    As equipes campeãs de seus estados não tem com quem jogar, ou algum campeonato de nível nacional. A única opção de se destacar em nível nacional ainda são os Jogos Escolares.
    Enquanto os clubes mais longe de São Paulo não tiverem volume de jogo (jogos de nível), uma competição nacional para se preparar e ética por parte dos clubes “formadores” de São Paulo, o basquete ficará limitado.

    1. Concordo plenamente com você. Ocorre que o objetivo desses times não é a formação e sim obter títulos. Infelizmente não temos uma política de massificação, que passaria, necessariamente, pelo esporte escolar. Mas a própria CBB não move uma palha neste sentido.

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