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Mundial de 1963: o bi que nunca será esquecido

Amigos do Basquetebol

Escrever sobre o Campeonato Mundial de Basquetebol foi muito prazeroso, apesar de ter me consumido muito tempo de pesquisa e muita amolação aos meus amigos bi-campeões Wlamir, Menon, Mosquito, Amaury e Paulista que me atenderam carinhosamente e me deram informações e depoimentos preciosos.

Também contei com a colaboração de muitos outros amigos que não jogaram mas que são amantes do basquetebol e fazem tudo por esse esporte. Eles também deram seus depoimentos sobre a importância daquele campeonato que reproduzo neste post.

O grupo bi-campeão foi de uma importância ímpar para o nosso basquetebol.

Eles jamais serão esquecidos e sempre serão lembrados como a geração de ouro do nosso esporte. Geração esta que teve em 1959 o início de tudo.

Não posso deixar de falar dos nossos heróis do Chile, comandados pelo Kanela e pelo Braz: Algodão, Waldyr Boccardo, José Senra, Fernando Freitas, Edson Bispo, Otto e Pecente que não estiveram em 1963, mas lançaram a semente para que Amaury, Wlamir, Rosa Branca, Jatyr e Waldemar (que também estiveram em 1959) se juntassem a Ubiratan, Fritz, Mosquito, Sucar, Menon, Mosquito e Paulista consolidassem o basquetebol brasileiro como um dos melhores do mundo e novamente sob o comando de Kanela, auxiliado desta vez por Moacyr Daiuto.

Para ilustrar esse momento tão importante coloco alguns depoimentos sobre a importância daquele mundial na vida de muita gente (inclusive da minha).

Sérgio Macarrão (medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de 1964 em  Tóquio e no Mundial de 1967 no- Uruguay e Vice Campeão no Mundial de 1970 na Yugoslávia)

Eu e uma ‘turminha’ de atletas da base do Botafogo, vivemos aqueles dias exclusivamente em função do Mundial. Eu o mais velho, com 18, e outros de 5 a 10 meninos mais novos, assistimos treinos, no Sírio, no Fluminense, onde tivesse e jogos. O programa era sempre o mesmo, ver treinos de manhã, sermos os primeiros a entrar no Maracanãzinho à tarde e só ir embora quando o último jogo acabasse.

Assisti a  todos os jogos do Mundial da arquibancada, e foi a maior e mais vibrante equipe que vi jogar. Cabiam 16.000 pessoas no Maracanãzinho, que sempre cheio, vibrava junto com um time valente, treinado e iluminado. Falar de um deles é falar de todos.

A maioria daqueles caras, naquele momento, atingia o ápice de carreiras que já eram maravilhosas. Eles já eram Campeões Mundiais e Medalhistas Olímpicos, mas o encontro daquele time com aquela platéia, deu liga. Jogo a jogo a confiança coletiva aumentava, atuações individuais e coletivas impressionantes, que culminaram com um título invicto, consagrando o basquete brasileiro.
Quiz o destino que no ano seguinte, eu estivesse junto deles no Japão, com a camisa 14, que tinha sido do Waldemar.  Imagina Dante, naqueles tempos… 19 anos era menino. É minha mais valiosa medalha  ter jogado com eles e naquele momento.
Aprendi muito, e me esforço em passar para quem posso, todos aqueles ensinamentos, não os táticos, já que o basquete evoluiu e os conceitos são outros, mas os valores que nos fazem vencedores, porque vencer, “sempre” foi difícil, e convenhamos, esses homens sabiam como fazer.
Urbano Sidney do Sacramento (ex-atleta e técnico de Basquetebol)

Quando a equipe de Basquetebol do Brasil disputava o Campeonato Mundial em 1963, no Rio de Janeiro, eu tinha 15 anos de idade e já treinava Basquete na Sociedade Esportiva Palmeiras.

Acompanhei todo o Campeonato escutando os jogos pelo rádio, era mais difícil ouvir uma partida de basquete pelo rádio do que ao vivo. Acompanhei também alguns treinos que se realizaram no antigo DEFE da Água Branca, onde por coincidência sou o Diretor hoje.

O Basquetebol naquela época era extremamente técnico e quem não tinha fundamento não conseguia jogar.

Naquela ocasião o técnico era o famoso Togo Renan Soares (Kanela). Ele era um técnico estrategista e sabia muito sobre o Esporte. O Brasil se tornou Bi Campeão Mundial e foi uma festa grandiosa quando a equipe chegou a São Paulo. Só havia um jogador carioca e os outros 11 jogadores eram de São Paulo.

Nesta ocasião me lembro de bem, que todos adolescentes queriam jogar Basquete que era o segundo maior esporte do Brasil, perdendo só para o Futebol. O Brasil durante muitos anos, em Campeonatos Mundiais, Olimpíadas, Pan Americanos, Sul Americanos ficava nas primeiras colocações.

Eu comecei jogar em uma era muito boa do Basquete, e continuo jogando na categoria Master até hoje. O Basquete do Brasil passou por uma entre safra de 16 anos, sem conquistas expressivas e hoje, temos alguns jogadores jogando na NBA e em Campeonatos Europeus e a tendência é melhorar cada vez mais, esperamos que o Brasil Basquete nunca deixe de subir no Pódio.

José Medalha (Técnico da seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona)

Essa geração de jogadores deve sempre ser lembrada pois foi um exemplo de superação. Atletas que tiveram muitas dificuldades para treinar e jogar, abrindo mão de coisas pessoais para representar o Brasil. Além disto colocaram o Brasil definitivamente no cenário esportivo mundial.

Dodi (atleta da Seleção Brasileira no Mundial de 1974, em Porto Rico e Jogos Olímpicos de Munique, em 1972)

Estava em início de carreira no Sírio, com 13 anos e meus ídolos eram Amaury, Mosquito, Sucar e Menon, todos jogadores do Sírio. Depois vieram o Victor, Jatyr e Fritz. Aos 13 anos eu não imaginava a dimensão que minha carreira iria tomar. Ter esses atletas perto, treinando na mesma quadra que eu e vendo seus jogos me deu muito mais gana para que eu me aplicasse para poder chegar a jogar no mesmo nível deles. E eu consegui.

Carlos Nunes (Presidente da Confederação Brasileira de Basketball)

Se hoje temos um basquetebol de altíssimo nível devemos tudo a essa geração.Nossa projeção internacional começou com essa conquista. Por isso, por mais que se faça nunca faremos homenagens suficientes para esses ídolos. Mas a CBB está imbuída de não esquecer deles, não só nas datas comemorativas. Eles sempre serão chamados para lembrarmos das nossas grandes conquistas.

Neste trabalho contei com as seguintes fontes de informação:

http://www.cbb.com.br

http://www.fiba.com

The World Championhsip History – Coleccion “El Baloncesto y su Cultura” – Fundación Pedro Ferrandiz

1930 – 2001: Basketball Results – FIBA

2002 FIBA World Basketball Championship for men: Results and Statistcs Guide

História del Baloncesto Olímpico. Fundación Pedro Ferrandiz

Arquivo Pessoal

Além de muitas informações colhidas com Wlamir Marques, Menon, Mosquito e Paulista.

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VALEU BRASIL!!!

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