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Mundial – 1963: sábias palavras de quem esteve lá

Amigos do Basquetebol

Nada melhor para encerrar esta série sobre o Bi-Campeonato Mundial de Basquetebol do que nos deliciarmos com as palavras de alguns personagens daquela maravilhosa conquista.

Luis Cláudio MENON (o mais jovem daquela equipe) afirma que “nosso grupo, formado inteiramente por amadores e que tinham a honra de vestir a camiseta verde e amarela, mostrava um verdadeiro amor em defender nosso país. Assim é que por anos e mostrando enorme senso de equipe, sem individualismo, é que conseguimos colocar nosso país entre os quatro mais destacados do mundo”.

Benedito Cícero Tortelli – Paulista – disse: “eu acredito que esse bicampeonato conquistado em 1963 só esta tendo visibilidade agora 50 anos depois. O campeonato foi ótimo por que o Brasil ganhou pois se tivesse perdido cairia no esquecimento como caiu o de 1954 quando o Brasil foi vice. E um detalhe se o campeonato fosse em outro lugar que não aqui no Brasil seria muito difícil ganhar. A torcida carioca ajudou muito com sua vibração”.

Amaury Pasos deu o seguinte depoimento: ” o mundial de 1963 foi mais um titulo que nosso pais conquistou representado pela chamada “ geração de ouro”. De fato, houve uma coincidência muito especial no surgimento simultâneo de jogadores talentosos e que, além disso, completavam-se nas funções a serem desempenhadas na quadra. Eu próprio, quando fui selecionado pela primeira vez para o mundial de 1954 exercia a função de pivot, hoje denominada “5”. Com o passar do tempo e inclusão de jogadores mais altos fui sendo “rebaixado” e a partir de 1963 no mundial do Rio, jogava como armador ou “1”. Esses talentosos jogadores conquistaram dois títulos mundiais, outros dois vice campeonatos e outro 3º. em Montevideo, que foi decidido por saldo de pontos entre Brasil, Iugoslávia e União Soviética. Além desses eventos obtivemos duas medalhas olímpicos nos Jogos de Roma e Tóqui. Fomos quatro vezes seguidas campeões sul americanos, tirando de vez a hegemonia de argentinos e uruguaios. Nunca mais após estes quinze anos houve desempenho semelhante por parte de nosso basquetebol.  Dizem alguns dos atuais protagonistas do jogo ( jogadores, técnicos e jornalistas ) que naquela época era mais fácil. Contesto veementemente esta firmação com um argumento muito simples: quando enfrentávamos a União Soviética na realidade estávamos enfrentando uma seleção composta de jogadores de 14 países; o mesmo se dava com a Iugoslávia, que congregava jogadores de 8 países. Considerando que nossa seleção disputou inúmeros campeonatos sendo derrotada pela Rússia, Lituânia, Croácia, etc. certamente teria muito mais dificuldade se tivesse enfrentado as seleções que o Brasil derrotou para obter os títulos que conquistou. Vamos agora aguardar as homenagens quando se cumprirem os 100 anos…..”

E por fim a palavra do nosso Capitão Wlamir Marques. O texto abaixo foi publicado no face do Wlamir e é aqui reproduzido com sua total autorização.

“Confesso que desejei buscar no dicionário as palavras mais justas e as mais eloquentes para falar de uma geração de jogadores destemidos e talentosos do basquete brasileiro. A melhor em toda a sua história. O tempo será sempre o melhor amigo da vida. Muitas vezes tarda, mas sempre nos transporta para as esquecidas verdades. O tempo conserta tudo.

Sou testemunha viva dessa geração dourada. Graças a DEUS ainda possuo forças para reverencia-los. Convivi 18 anos na seleção brasileira com HOMENS dignos e maravilhosos. Companheiros inseparáveis, inigualáveis, soberanos nos gestos e atitudes.

Foi uma grande honra estar ao lado de todos eles. Atletas esclarecidos, sabedores das suas responsabilidades perante o país. Uma geração sacrificada, carregando nos ombros uma bandeira que jamais curvou-se ao mundo, mesmo nos momentos mais difíceis.

Uma geração de atletas amadores. Não apenas pelo valor pecuniário das suas ações, mas acima de tudo extraídas de um grande sentimento de amor a pátria, rigorosamente fincada em suas cabeças. O orgulho de ser estava muito acima de ter.

Sacrificaram a juventude em troca da honra, jamais maculada por personalismos exagerados e perniciosos. Uma geração diferenciada, criada para representar o país sempre com imensa dignidade. O tempo não retroage, mas as minhas lembranças são eternas”.

“As grandes diferenças são feitas pelos grandes HOMENS”.

PARABÉNS A TODOS OS ATLETAS QUE FIZERAM PARTE DAQUELA MARAVILHOSA CONQUISTA. QUE AS NOVAS GERAÇÕES POSSAM TÊ-LOS COMO EXEMPLOS DENTRO E FORA DAS QUADRAS. A NÓS, APRECIADORES DO BOM BASQUETEBOL, SÓ CABEM AS PALAVRAS DE AGRADECIMENTO E A ESPERANÇA QUE NOSSO ESPORTE POSSA VOLTAR A TER AS MESMAS GLÓRIAS QUE POR ELES NOS FORAM DEIXADAS.

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