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Coisas do cotidiano – Wlamir Marques

Amigos do Basquetebol

Trago neste post um texto do mestre Wlamir Marques. Ele foi publicado originalmente no face do nosso grande ídolo e é aqui reproduzido com a devida permissão do autor.

“Hoje é quinta feira. Amanhã 6ª feira dia 30/08 será dado o “pontapé” inicial da Copa América de basquete masculino a ser realizado na Venezuela/Caracas. Coloquei pontapé de propósito, senão alguém pode não gostar do “bola ao alto” e não levar em consideração a mensagem. Escrevo conforme as leis da mídia no esporte brasileiro.
Vou ter alguns trabalhos pela frente, vou comentar os jogos do Brasil e mais alguns que porventura os canais ESPN possam me escalar. Não estou pedindo que me vejam e nem que me ouçam, não uso esse tipo de expediente, apenas estou passando informações, afinal, as noticias sobre basquete só aparecem em destaque nas trevas.
Já sei, estou exagerando. Nada disso, estou apenas divagando, brincando, pensando alto, pois nas vitórias também saem noticias, muitas delas lidas ou ouvidas em menos de 24 segundos, mais do que isso estoura o tempo. Não reclamo, é assim o jogo.
Mas o principal assunto que me trás aqui nesse cotidiano cheio de sol na capital paulista, são os meus comentários na tv. Me assusto porque eu sendo por 66 anos (sem contar os outros 10) um dos maiores defensores do basquete brasileiro, possa estar atrapalhando a evolução da modalidade no país, apontando erros pontuais nas minhas manifestações. Será?
Confesso que me preocupo, mas não encontro maneiras para atenuar alguns desacertos coletivos e individuais ocorridos nos jogos. Alguns acham que eu critico acima da média, que outros comentaristas não o fazem tão amiúde, será isso um erro? Apontar erros é crime?
Pois é, o maior erro de interpretação a meu respeito é acharem que eu critico, quando eu não critico, apenas aponto o erro e indico o caminho do acerto, seja lá para quem for. É interessante essa interpretação, ainda mais quando dirijo os meus comentários para um público heterogêneo, muitos sem qualquer identidade com a modalidade.
Para aqueles que não entendem do jogo eu tento ajuda-los nas suas visões. Para quem entende, estarei sempre concordando com tudo aquilo que possam acrescentar. Sei também que não há uma visão única em um jogo tão complicado como é o basquete, mas como comentarista sou obrigado a expor a minha. É um dever pessoal e funcional.
Tenho recebido alguns conselhos sobre o meu trabalho na tv, alguns sem sentido e outros curiosos. Vou contar uma curiosidade: Wlamir, você é muito frio, você tem que torcer mais e criticar menos, é assim que as transmissões são feitas em outros países, puxam sempre os comentários à favor dos seus países, todos torcem desesperadamente.
Olha, esse conselho bateu na minha cabeça e saiu em disparada, senão eu teria um avc ou um infarto com tanta ousadia. Quer dizer então que eu tenho de ser muito mais um torcedor do que comentarista? Façam o seguinte: Venham sentar ao meu lado e sintam. Sabem qual foi a minha resposta? “TORÇO MAS NÃO DISTORÇO” e encerrei a conversa.”

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Copa América: 10 equipes – 4 vagas

Amigos do Basquetebol

Dia 31 de agosto (até 11 de setembro) dez equipes do continente americano começarão em Caracas (Venezuela) a disputa pelas quatro vagas para participar da Copa do Mundo na Espanha em 2014.

Considerando que Estados Unidos já estão classificados, teremos cinco representantes naquele importante campeonato. Além disto podemos ainda ter mais uma equipe, pois a FIBA dispõe de 4 vagas que serão reservadas a países convidados e, com certeza, uma delas, será para o continente americano.

As dez equipes estão assim distribuídas:

GA: Uruguay, Porto Rico, Jamaica, Canadá e Brasil

GB: Argentina, Venezuela, México, Paraguay e Rep.Dominicana

Desses países, apenas a Jamaica nunca participou de um Mundial.

O Brasil participou das 16 edições do campeonato, sagrando-se Bi-Campeão em 1959 e 1963. Em 2010, na Turquia, obtivemos o nono lugar.

O Canadá é o país com maior número de participações depois do Brasil – 13 – e sua melhor colocação – 6o. – foi obtida nos mundiais de 1978 e 1982. Na Turquia, em 2010, o Canadá foi uma grande decepção ficando em 22o. lugar.

Na sequência temos a Argentina com(12 participações, campeã em 1950, vice em 2002 e 5o. lugar em 2010)

Porto Rico: 10 participações, 4o. lugar em 1990 e 18o. em 2010

Uruguay: 7 participações, 6o. em 1954 e sua última participação deu-se em 1986 com um decepcionante 24o. lugar.

México: 4 participações, 8o. em 1967 e sua última participação foi em 1974

Venezuela: 3 participações, 11o. em 1990 e 24o. em 2006, sua última participação

Rep. Dominicana: única participação em 1978 com um 12o. lugar

Paraguay: única participação em 1950 com um 9o. lugar.

Em minha opinião as vagas deverão ser disputadas por Brasil, Argentina, Canadá, Porto Rico, Rep. Dominicana e Venezuela. O Uruguay tem alguma chance, enquanto que Paraguay, México e Jamaica não terão qualquer chance de obter um dos postos.

A campanha do Brasil em Mundiais contra as equipes que participarão da Copa América é a seguinte: 26 jogos  – 21 vitórias e 5 derrotas.

Argentina: 1V – 4D

Uruguay: 4V

Porto Rico: 7V – 1D

Canadá: 5V

México: 2V

Paraguay: 2V

Será um empreitada muito difícil para nossa seleção, considerando que muitos atletas experientes solicitaram dispensa da equipe por diferentes motivos. Estou preocupado com a sorte do Brasil na Copa América. Todas as dificuldades enfrentadas por nossa seleção nos pintam um quadro preocupante para obter uma das quatro vagas para a Copa do Mundo.

Temos que encarar a realidade. Nosso time depende fundamentalmente de dois jogadores: Huertas e Alex. Giovannonni também é uma peça importante pois sua experiência não pode ser descartada. Mas temos que reconhecer que nossos pivôs terão muitas dificuldades para enfrentar seus pares. Não temos matadores e nosso time, para padrões internacionais é muito baixo.

Realmente, é uma situação difícil para a comissão técnica que está tentando fazer o possível com esse elenco. O que me deixa mais preocupado é que, caso obtenhamos a vaga (ou sejamos convidados), os problemas continuarão para 2014, pois ninguém garante a volta dos nossos internacionais. Temos que torcer muito para que o Brasil mantenha a condição de ser, juntamente com os Estados Unidos, o único país a participar de todos os Mundiais.

Alguns colegas técnicos e ex-atletas também emitiram suas opiniões sobre a participação do Brasil e os prováveis classificados:

Sérgio Macarrão (ex-atleta):  Independente de pedidos de dispensa de inúmeros jogadores, confio no treinamento e nesses jogadores. Nosso momento (basquete brasileiro) é péssimo, mas jogadores desse nível tem caráter e o mínimo que  podemos fazer é apóia-los. Além disso Magnano e Duró são “top”. Quanto aos classificados é impossível prever; com tantos desfalques espero por jogos difíceis. Esse torneio em Porto Rico dará idéia do que poderemos esperar. Mas resumindo, apesar de tudo que se faz de errado no basquete brasileiro,    a história nos mostra que tudo pode acontecer. Se eles conseguirem formar um grupo realmente unido. Só não podemos ficar fora do mundial.

Cadum (ex-atleta): Estou meio com o pé atrás. Acho que podemos nos classificar, mas vai ser no sufoco. Não temos um “matador” no time. E as jogadas estão muito concentradas nas mãos do Huertas. Já foi mais que provado que fica difícil conseguir boas atuações do time, quando o destaque é o nosso armador. Os prováveis classificados: Porto Rico, Argentina, Rep. Dominicana e Brasil.

Chuí (ex-atleta):  O Brasil vem renovado, sem sua força máxima. Apesar de ser um time mais baixo que do ano passado, neste campeonato não vai sentir muito. Temos que ter uma boa defesa e algumas diferentes, pressão, pois estamos mais baixos. Esta situação vai mostrar que temos um bom número de jogadores querendo fazer sua história no basquetebol brasileiro. Classificados: Brasil, Argentina, Porto Rico e Venezuela.

Alberto Bial (técnico do Basquetebol Cearense): O Brasil preparou um time para classificar bem nesta Copa. Entendo que Raulzinho, Hetsheimer e nosso guerreiro Alex irão se destacar durante a competição. Gosto também da forma mais uma vez como o Mangano prioriza a chama do coletivo e da busca de algo maior para o time. Acho a Republica Dominicana, Porto Rico, Can e Venezuela perigosíssimos.  A Argentina do Scola é sempre candidata. Mexico e Canada podem estar fortes. Arrisco Brasil, Argentina, Dominicana e Canada.
Tácito Pinto Filho (técnico das categorias de base da “A Hebraica” – SP): A expectativa é da classificação do Brasil para o mundial mas acho que será uma competição com muitas dificuldades pela ausência de alguns jogadores. Classificados: Brasil , Argentina, Canadá e Porto Rico não necessariamente nesta ordem.
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Stress e Burnout

Amigos do Basquetebol

O esporte é repleto de situações que colocam os atletas, técnicos e árbitros sob constante pressão. A necessidade de vencer, as expectativas pessoais e dos outros em relação ao desempenho, a busca por recordes, a pressão da torcida, a cobrança dos patrocinadores são alguns dos fatores que fazem parte do dia a dia daqueles que competem, seja qual for i nível da competição.

Assim sendo, o esporte competitivo é um potencial gerador de situações que podem desequilibrar o comportamento desses personagens seja em nível motor, cognitivo, psicológico ou social. As respostas podem aparecer das mais variadas formas desde uma simples dor de barriga até reações incontroláveis de agressividade excessiva.

Muitos atletas (uso aqui “atleta” para não ser repetitivo, mas as considerações valem também para os árbitros e técnicos) não suportam determinadas situações e chegam mesmo a abandonar a prática esportiva. tudo isto está relacionado ao stress competitivo que em suas manifestações mais agudas leva o indivíduo ao que chamamos de síndrome de burn-out.

O stress é gerado por uma ou mais situações que ocorrem no âmbito competitivo ou mesmo no âmbito extra-competitivo. No primeiro caso a importância da competição, o estado de preparação do indivíduo, situações decorrentes do próprio jogo, relacionamento com colegas de equipe e adversários, pressões variadas (inclusive as auto-cobranças).

No âmbito extra-competitivo as situações de stress podem ser geradas por questões que fazem parte do cotidiano de um ser humano comum (não podemos esquecer que os atletas fora das quadras são pessoas que têm os mesmos problemas que qualquer outro profissional) como questões familiares, financeiras e sociais.

O stress pode ser agudo, caracterizado por uma situação específica extremamente marcante ou crônico, quando as situações vão se acumulando até o momento em que ocorre uma reação a elas. Em ambos os casos o atleta não consegue lidar com tais situações, caracterizando-se neste momento o stress.

Quando o atleta perde totalmente o controle de suas ações e não consegue enfrentar as situações com respostas adequadas pode aparecer a chamada “síndrome do burn-out”. Em uma tradução simples “burn-out” significa “explodir”. E é exatamente sito que acontece. O atleta explode e apresenta comportamentos até certo ponto surpreendentes para seus padrões. Muitas vezes um comportamento que parece inexplicável para os padrões de um determinado atleta, pode ter sua explicação no acúmulo de situações estressantes. É a chamada “gota d´água”.  É a explosão.

Essa explosão pode aparecer de diferentes formas: reação excessiva que leva a agressão (física ou verbal), em casos mais extremos pode levar a queda da auto-estima, sintomas de depressão, exaustão (física e mental), abandono temporário ou definitivo da atividade.

Em casos mais drásticos há registros de abuso de substâncias ilícitas e até mesmo tentativa de suicídio (algumas vezes concretizado).

O burn-out não afeta comente atletas consagrados. Há cada vez mais casos de burn-out no esporte infantil. Crianças que são submetidas a competições não condizentes com seu estágio de desenvolvimento, treinamento excessivo, cobranças exageradas por parte de pais e técnicos, são os fatores mais citados na literatura especializada como algumas das causas do burn-out infantil.

É importante que os técnicos que trabalham na formação de atletas entendam que a criança não é um adulto em miniatura e que ela tem limites que devem ser respeitados. Da mesma forma, os pais devem entender que a criança deve ter a oportunidade de experimentar diferentes atividades e não somente aquela atividade que os pais gostariam que ela fizesse.

Os adultos deveriam tentar se colocar na situação de uma criança quando esta é colocada em risco e constrangida perante seus colegas e demais presentes. Como eles adultos reagiriam?

Será que vencer a qualquer custo é mais importante que ver uma criança praticando esporte de forma natural e saudável?

Fica aqui está pergunta para uma reflexão de todos nós.

Psicologia do Esporte

Agressividade vs. Agressão

Amigos do Basquetebol

Um dos temas mais interessantes da Psicologia do Esporte diz respeito á Agressividade.

Normalmente, essa característica, que tem traços positivos, é confundida com a agressão que tem uma conotação negativa.

Para tentar esclarecer um pouco mais sobre este assunto utilizei o livro Sport Psychology: key concepts (Ellis Cashmore – Ed. Routledge, Londres, 2002), do qual fiz a tradução e as adaptações.

A agressão é um termo  para definir comportamentos que envolvem hostilidade, violação e prejuízo físico. Mas há controvérsias a respeito desses comportamentos. Alguns autores defendem que nem sempre o prejuízo físico é intencional. No esporte alguém pode ferir um companheiro acidentalmente e isto não pode caracterizar uma agressão.

Assim sendo, pode haver dois tipos de agressão:

Hostil, quando há a  intenção de causar dano a alguém e Instrumental quando não há a intenção de machucar ou causar dano, mas sim criar uma situação para dificultar a ação de um adversário ou equipe. Exemplo no basquetebol seria a falta anti-desportiva. Ela tanto pode conter um componente hostil (com a intenção de provocar um dano ao adversário), quanto pode servir para parar um contra-ataque sem que, necessariamente, qualquer dano seja causado.

A linha que separa a agressão hostil da instrumental, muitas vezes, é muito tênue e difícil de ser determinada, o que pode causar muitos problemas entre os atletas.

A agressividade, por sua vez, é a expressão de um comportamento assertivo, dominante e forte com objetivos bem definidos, mas que não envolvem, necessariamente, a intenção de causar danos, apesar de eventualmente isto acontecer pelo excesso de entusiasmo e força empregada.

No esporte, a agressividade é aplaudida e comemorada, enquanto a agressão carrega uma conotação negativa.

Como a agressividade ás vezes é utilizada para justificar comportamentos agressivos e que causam danos, autores como Husman e Silva recomendam o uso do termo “assertividade” para caracterizar o que entendemos por agressividade.

A agressividade ou assertividade é um tipo de comportamento que envolve frequentemente o uso legal da força física e até mesmo verbal e requer energia e esforço acima do normal. Esse comportamento não pode ser utilizado com a intenção de prejudicar outros atletas e tampouco violar as regras do esporte.

A agressividade no esporte é totalmente instrumental pois ela tem objetivos claros que podem ser específicos (como no caso de uma defesa pressão para retomar a posse de bola) ou gerais (como o domínio durante um jogo todo).  Ela deve ser demonstrada para que o objetivo fique claro e o adversário tenha a chance de se prevenir, dentro das regras do jogo.

A agressividade no senso comum é relacionada à garra e à vontade de vencer. É sempre um comportamento desejado mas que deve ser controlado para que não se torne uma agressão e prejudique os adversários e de certa forma, também a própria equipe.

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A África em busca das três vagas para a Copa do Mundo

Amigos do Basquetebol

Dia 20 deste mês a África inicia sua copa continental, na Costa do Marfim, em busca de três vagas para a Copa do Mundo de Basquete a ser realizada na Espanha, em 2014.

Dezesseis equipes lutarão pelas vagas assim dispostas:

GA – Egito, Costa do Marfim, Argélia e Senegal

GB – Rwanda, Tunísia, Marrocos e Burkina Faso

GC – Rep. Centro Africana, Angola, Cabo Verde e Moçambique

GD – Camarões, Nigéria, Mali e Congo

Os mais cotados para as vagas, em minha opinião, são: Egito, Costa do MArfim, Tunísia, Angola e Nigéria.

A África tem uma história muito discreta nos Campeonatos Mundiais. O Egito foi o primeiro país a participar, em 1950, obtendo um quinto lugar (a melhor classificação até hoje de um país Africano). Depois, somente em 1974 o continente teve um representante, Rep.Centro Africana. Com a adoção do critério de número de vagas, a partir de 2006 a África teve e tem 3 representantes garantidos.

Angola é o país com o maior número de participações (6) e sua melhor colocação foi um 9o. lugar em 2006 no Japão. Seu recorde é de 12 V e 29 D e sua última participação foi em 2010 na Turquia.

Os países que disputarão a Copa Africana e que já participaram de mundiais são os seguintes (no. de participações, melhor posto, V-D e última participação:

Egito: 3, 5o., 5-18, 1994

Costa do Marfim: 3, 13o., 1-16, 2010

Senegal: 3, 14o., 2-15, 2006

Nigéria: 2, 13o., 4-7, 2006

Argélia: 1, 15o., 1-4, 2002

Tunísia: 1, 24o., 0-5, 2010

Rep.Centro Africana: 1, 14o., 0-7, 1974

No total foram 126 jogos com apenas 25 vitórias. Os demais países nunca participaram dos Mundiais de Basquetebol.

Em Mundiais, o Brasil enfrentou somente cinco países: Egito (1-0), Costa do Marfim (1-0), Tunísia (1-0), Rep. Centro Africana (1-0) e Angola (1-1). Nossa única derrota, contra os angolanos aconteceu em 1994, na Alemanha (79-78).

Com certeza, os países africanos classificados para a Copa do Mundo levarão toda a alegria e colorido de suas torcidas para a competição. Mas as chances desses países de passarem pela fase de grupos será muito remota e se isto acontecer teremos uma grande surpresa.

Nigéria comemorando a classificação para os Jogos Olímpicos de Londres. Repetirão o feito para a Espanha-2014?
Nigéria comemorando a classificação para os Jogos Olímpicos de Londres. Repetirão o feito para a Espanha-2014?
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A Ásia na Copa do Mundo de Basquetebol

Amigos do Basquetebol

Terminou a Copa Asiática de Basquetebol realizada nas Filipinas. Três equipes obtiveram as vagas para a Copa do Mundo que será realizada na Espanha, em 2014: Irã, Coreia e as Filipinas que retorna ao “Mundial” depois de sediá-lo em 1978.

A grande surpresa foi a eliminação da China, a meu ver uma das favoritas. E esta eliminação aconteceu em derrota a um histórico adversário político, Taipei, que posteriormente foi eliminado pelo Irã.

A Ásia nunca teve uma forte representação nos Mundiais. Seus países sempre ocuparam posições de pouca expressão  no referido torneio, exceto nas primeiras edições quando as Filipinas obtiveram o bronze em 1954 e Formosa o quarto lugar em 1959, sendo protagonista de uma questão política que provocou a desclassificação da então União Soviética e da Bulgária que se recusaram a enfrentar o país que não era reconhecido em função de suas divergências com a República Popular da China.

Ao longo dos anos a participação dos países asiáticos é a seguinte (número de participações – melhor colocação – última participação – vitórias/derrotas):

China: 8 – 8o. – 2010 – 15/45

Coreia: 6 – 11o. – 1998 – 9/32

Filipinas: 4 – 3o. – 1978 – 12/18

Japão: 3 – 11o. – 2006 – 4/17

Líbano: 3 – 16o. – 2010 – 3/13

Formosa: 2 – 4o. – 1959 – 7/11

Rep. Árabe Unida: 2 – 11o. – 1970 – 1/13

Malásia: 1 – 19o. – 1986 – 0/5

Qtar: 1 – 22o. – 2006 – 0/5

Jordânia: 1 – 23o. – 2010 – 0/5

Irã: 1 – 19o. – 2010 – 1/4

Contra os países asiáticos o Brasil tem a seguinte campanha: 12 vitórias e somente uma derrota para a China no mundial de 1994 no Canadá.

Estes foram os encontros: Filipinas (3/0); Formosa (1/0); Coreia (3/0); China (2/1); Líbano (1/0); Qtar (1/0); Irã (1/0).

Em 2014, na Espanha não se pode esperar muito das equipes asiáticas pela qualidade de seu basquetebol e também pela inexperiência de seus jogadores em competições internacionais.

Entrevistas · Todos os posts

Entrevista com Maria Cláudia – árbitra de basquetebol

Amigos do Basquetebol

A entrevista da vez é com uma pequena grande árbitra de basquetebol: Maria Cláudia Comodaro Moraes.

A Claudinha como nós a chamamos carinhosamente tem 29 anos é formada em Educação Física pela UFU, com pós graduação em Ed. Física e Deficiência. Ela é natural da cidade do basquete Franca e é árbitra desde 2009.

VB: Como surgiu o interesse pelo basquetebol?

MC:  Sou apaixonada pelo basquete desde os 7 anos. Não sei como surgiu o interesse, pois ninguém na minha família tinha o contato com o esporte, só sei que pegava muito no pé da minha mãe para ela me colocar numa escolinha. Comecei a jogar em Franca e logo depois já disputei os meus primeiros campeonatos por esta cidade até os 17 anos, quando me mudei para o Rio, onde surgiu a oportunidade  de jogar profissionalmente. Lógico que eu era armadora, pois meu tamanho não nega ( rsrs). Após 1 ano, não enxergava minha vida como jogadora profissional e então decidir voltar pra Franca e estudar.

VB: e a arbitragem como surgiu em sua vida?

MC: Meu contato com o basquete a partir daí (ano de 2002) foi só de brincadeira, disputava alguns campeonatos pela minha então atual cidade onde comecei a fazer faculdade, Uberlândia – MG. Mas sempre queria fazer alguma coisa dentro do basquete que não fosse jogar. No ano de 2009, tive a oportunidade de arbitrar alguns jogos e logo de cara me apaixonei e disse: “Pronto! É isso que quero fazer dentro do basquete.” No mesmo ano fiz o curso da arbitragem da Federação Mineira.

VB: Você teve incentivo de alguém para seguir na carreira?

MC: Logo no começo da minha carreira, conheci o ex coordenador de arbitragem da CBB e atual diretor de arbitragem da FIBA Américas Geraldo Fontana. Ele foi o grande incentivador e o verdadeiro divisor de águas na minha carreira. Eu era apenas uma menina sonhadora que apitava no interior de Minas e a primeira vez que ele me viu arbitrando, logo incentivou não só a mim, como toda a minha federação e então comecei a viajar e apitar campeonatos maiores, onde aproveitei ao máximo todos os ensinamentos que me eram proporcionados.

VB: Quando começou a apitar em nível nacional, onde e quais campeonatos já participou?

MC: Em 2010 e 2011 fui para 4 brasileiros de bases e logo depois já estava apitando a LBF e o Campeonato Mineiro adulto. No final desse mesmo ano, apitei também o meu primeiro NBB e a primeira LDB, que ainda era chamada de LDO. Nesses 4 anos de arbitragem, tive o prazer de apitar os play offs do NBB 4 e 5, a final da LDB passada e as duas últimas finais do Campeonato Mineiro adulto e ganhar o prêmio de árbitro revelação do último NBB. São momentos únicos como esses que me fazem me dedicar cada vez mais jogo a jogo.

VB: Quantas mulheres apitam atualmente no NBB e você acha que ainda há certo preconceito pelo fato de mulheres apitarem jogos do masculino?

MC: Atualmente apitam no NBB 6 mulheres. Ainda sinto que existe um pouco de preconceito de ter uma mulher apitando um jogo masculino, mas acredito que isso está se tornando mais aceitável. Não vou negar que tive muitas dificuldades de aceitação no começo da carreira, pois além de mulher, eu era baixinha e uma cara desconhecida. Tive que encarar muitos “marmanjos” para conseguir impor respeito (rsrsrs). Hoje ainda encontro um pouco de dificuldades e ouço alguns comentários de que lugar de mulher não é ali, que tinha que estar em casa lavando roupa, essas coisas que se ouvem de alguns conservadores machistas que não conseguem enxergar que a mulher evoluiu e que não é mais aquela Amélia de antigamente.

VB: É diferente apitar masculino e feminino?

MC: Em comparação ao jogo feminino, o masculino se torna um pouco diferente, pois os contatos são mais fortes e as jogadas mais rápidas, porém não tenho uma preferência. Eu defendo a ideia de que um bom árbitro é aquele que estuda, treina e que consegue manter a calma em situações adversas, seja ela qual for, ou seja, não é o gênero do árbitro que vai defini-lo como bom e sim o que ele faz para se preparar seja qual for o jogo. Mas não posso negar que também existem as brincadeiras elogiosas nas quadras, aquelas que os homens costumam fazer para as mulheres em geral (rsrsrs).

VB: Como você vê a arbitragem feminina no Brasil. 

MC: A arbitragem feminina está crescendo. O Brasil está seguindo o modelo da FIBA e trazendo cada vez mais mulheres para apitar. É claro que existe uma grande diferença no número ainda, mas acredito que está muito mais fácil uma mulher conseguir apitar hoje do que antigamente. Hoje temos oportunidades através desse interesse, basta trabalhar forte e estudar muito. Além disso, temos aqui no Brasil, nomes referências na arbitragem mundial. Em todo campeonato fora, o nome brasileiro é bem visto, justamente porque a arbitragem brasileira se baseia muito no modelo FIBA. Este ano, tive a oportunidade de apitar meu primeiro campeonato internacional. Foi em junho, na Copa América sub-16 feminina. Me dediquei totalmente ao campeonato, desde a convocação, e graças a Deus fui escalada para apitar a final. Acredito que temos muito a crescer ainda, mas senti que o trabalho que está sendo feito aqui com a gente está no caminho certo.

VB: Suas palavras final

MC: Obrigada Dante!! Foi um prazer fazer essa entrevista. Você conseguiu me proporcionar momentos de emoção, me fazendo relembrar vários momentos maravilhosos que este esporte me fez passar. Que Deus te abençoe sempre!!

Maria Cláudia