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Entrevista com Maria Cláudia – árbitra de basquetebol

Amigos do Basquetebol

A entrevista da vez é com uma pequena grande árbitra de basquetebol: Maria Cláudia Comodaro Moraes.

A Claudinha como nós a chamamos carinhosamente tem 29 anos é formada em Educação Física pela UFU, com pós graduação em Ed. Física e Deficiência. Ela é natural da cidade do basquete Franca e é árbitra desde 2009.

VB: Como surgiu o interesse pelo basquetebol?

MC:  Sou apaixonada pelo basquete desde os 7 anos. Não sei como surgiu o interesse, pois ninguém na minha família tinha o contato com o esporte, só sei que pegava muito no pé da minha mãe para ela me colocar numa escolinha. Comecei a jogar em Franca e logo depois já disputei os meus primeiros campeonatos por esta cidade até os 17 anos, quando me mudei para o Rio, onde surgiu a oportunidade  de jogar profissionalmente. Lógico que eu era armadora, pois meu tamanho não nega ( rsrs). Após 1 ano, não enxergava minha vida como jogadora profissional e então decidir voltar pra Franca e estudar.

VB: e a arbitragem como surgiu em sua vida?

MC: Meu contato com o basquete a partir daí (ano de 2002) foi só de brincadeira, disputava alguns campeonatos pela minha então atual cidade onde comecei a fazer faculdade, Uberlândia – MG. Mas sempre queria fazer alguma coisa dentro do basquete que não fosse jogar. No ano de 2009, tive a oportunidade de arbitrar alguns jogos e logo de cara me apaixonei e disse: “Pronto! É isso que quero fazer dentro do basquete.” No mesmo ano fiz o curso da arbitragem da Federação Mineira.

VB: Você teve incentivo de alguém para seguir na carreira?

MC: Logo no começo da minha carreira, conheci o ex coordenador de arbitragem da CBB e atual diretor de arbitragem da FIBA Américas Geraldo Fontana. Ele foi o grande incentivador e o verdadeiro divisor de águas na minha carreira. Eu era apenas uma menina sonhadora que apitava no interior de Minas e a primeira vez que ele me viu arbitrando, logo incentivou não só a mim, como toda a minha federação e então comecei a viajar e apitar campeonatos maiores, onde aproveitei ao máximo todos os ensinamentos que me eram proporcionados.

VB: Quando começou a apitar em nível nacional, onde e quais campeonatos já participou?

MC: Em 2010 e 2011 fui para 4 brasileiros de bases e logo depois já estava apitando a LBF e o Campeonato Mineiro adulto. No final desse mesmo ano, apitei também o meu primeiro NBB e a primeira LDB, que ainda era chamada de LDO. Nesses 4 anos de arbitragem, tive o prazer de apitar os play offs do NBB 4 e 5, a final da LDB passada e as duas últimas finais do Campeonato Mineiro adulto e ganhar o prêmio de árbitro revelação do último NBB. São momentos únicos como esses que me fazem me dedicar cada vez mais jogo a jogo.

VB: Quantas mulheres apitam atualmente no NBB e você acha que ainda há certo preconceito pelo fato de mulheres apitarem jogos do masculino?

MC: Atualmente apitam no NBB 6 mulheres. Ainda sinto que existe um pouco de preconceito de ter uma mulher apitando um jogo masculino, mas acredito que isso está se tornando mais aceitável. Não vou negar que tive muitas dificuldades de aceitação no começo da carreira, pois além de mulher, eu era baixinha e uma cara desconhecida. Tive que encarar muitos “marmanjos” para conseguir impor respeito (rsrsrs). Hoje ainda encontro um pouco de dificuldades e ouço alguns comentários de que lugar de mulher não é ali, que tinha que estar em casa lavando roupa, essas coisas que se ouvem de alguns conservadores machistas que não conseguem enxergar que a mulher evoluiu e que não é mais aquela Amélia de antigamente.

VB: É diferente apitar masculino e feminino?

MC: Em comparação ao jogo feminino, o masculino se torna um pouco diferente, pois os contatos são mais fortes e as jogadas mais rápidas, porém não tenho uma preferência. Eu defendo a ideia de que um bom árbitro é aquele que estuda, treina e que consegue manter a calma em situações adversas, seja ela qual for, ou seja, não é o gênero do árbitro que vai defini-lo como bom e sim o que ele faz para se preparar seja qual for o jogo. Mas não posso negar que também existem as brincadeiras elogiosas nas quadras, aquelas que os homens costumam fazer para as mulheres em geral (rsrsrs).

VB: Como você vê a arbitragem feminina no Brasil. 

MC: A arbitragem feminina está crescendo. O Brasil está seguindo o modelo da FIBA e trazendo cada vez mais mulheres para apitar. É claro que existe uma grande diferença no número ainda, mas acredito que está muito mais fácil uma mulher conseguir apitar hoje do que antigamente. Hoje temos oportunidades através desse interesse, basta trabalhar forte e estudar muito. Além disso, temos aqui no Brasil, nomes referências na arbitragem mundial. Em todo campeonato fora, o nome brasileiro é bem visto, justamente porque a arbitragem brasileira se baseia muito no modelo FIBA. Este ano, tive a oportunidade de apitar meu primeiro campeonato internacional. Foi em junho, na Copa América sub-16 feminina. Me dediquei totalmente ao campeonato, desde a convocação, e graças a Deus fui escalada para apitar a final. Acredito que temos muito a crescer ainda, mas senti que o trabalho que está sendo feito aqui com a gente está no caminho certo.

VB: Suas palavras final

MC: Obrigada Dante!! Foi um prazer fazer essa entrevista. Você conseguiu me proporcionar momentos de emoção, me fazendo relembrar vários momentos maravilhosos que este esporte me fez passar. Que Deus te abençoe sempre!!

Maria Cláudia

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2 comentários em “Entrevista com Maria Cláudia – árbitra de basquetebol

  1. Valeu “pitca”, vc sempre será uma gigante, onde quer que esteja . deus te abençoe 1

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