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Stress e Burnout

Amigos do Basquetebol

O esporte é repleto de situações que colocam os atletas, técnicos e árbitros sob constante pressão. A necessidade de vencer, as expectativas pessoais e dos outros em relação ao desempenho, a busca por recordes, a pressão da torcida, a cobrança dos patrocinadores são alguns dos fatores que fazem parte do dia a dia daqueles que competem, seja qual for i nível da competição.

Assim sendo, o esporte competitivo é um potencial gerador de situações que podem desequilibrar o comportamento desses personagens seja em nível motor, cognitivo, psicológico ou social. As respostas podem aparecer das mais variadas formas desde uma simples dor de barriga até reações incontroláveis de agressividade excessiva.

Muitos atletas (uso aqui “atleta” para não ser repetitivo, mas as considerações valem também para os árbitros e técnicos) não suportam determinadas situações e chegam mesmo a abandonar a prática esportiva. tudo isto está relacionado ao stress competitivo que em suas manifestações mais agudas leva o indivíduo ao que chamamos de síndrome de burn-out.

O stress é gerado por uma ou mais situações que ocorrem no âmbito competitivo ou mesmo no âmbito extra-competitivo. No primeiro caso a importância da competição, o estado de preparação do indivíduo, situações decorrentes do próprio jogo, relacionamento com colegas de equipe e adversários, pressões variadas (inclusive as auto-cobranças).

No âmbito extra-competitivo as situações de stress podem ser geradas por questões que fazem parte do cotidiano de um ser humano comum (não podemos esquecer que os atletas fora das quadras são pessoas que têm os mesmos problemas que qualquer outro profissional) como questões familiares, financeiras e sociais.

O stress pode ser agudo, caracterizado por uma situação específica extremamente marcante ou crônico, quando as situações vão se acumulando até o momento em que ocorre uma reação a elas. Em ambos os casos o atleta não consegue lidar com tais situações, caracterizando-se neste momento o stress.

Quando o atleta perde totalmente o controle de suas ações e não consegue enfrentar as situações com respostas adequadas pode aparecer a chamada “síndrome do burn-out”. Em uma tradução simples “burn-out” significa “explodir”. E é exatamente sito que acontece. O atleta explode e apresenta comportamentos até certo ponto surpreendentes para seus padrões. Muitas vezes um comportamento que parece inexplicável para os padrões de um determinado atleta, pode ter sua explicação no acúmulo de situações estressantes. É a chamada “gota d´água”.  É a explosão.

Essa explosão pode aparecer de diferentes formas: reação excessiva que leva a agressão (física ou verbal), em casos mais extremos pode levar a queda da auto-estima, sintomas de depressão, exaustão (física e mental), abandono temporário ou definitivo da atividade.

Em casos mais drásticos há registros de abuso de substâncias ilícitas e até mesmo tentativa de suicídio (algumas vezes concretizado).

O burn-out não afeta comente atletas consagrados. Há cada vez mais casos de burn-out no esporte infantil. Crianças que são submetidas a competições não condizentes com seu estágio de desenvolvimento, treinamento excessivo, cobranças exageradas por parte de pais e técnicos, são os fatores mais citados na literatura especializada como algumas das causas do burn-out infantil.

É importante que os técnicos que trabalham na formação de atletas entendam que a criança não é um adulto em miniatura e que ela tem limites que devem ser respeitados. Da mesma forma, os pais devem entender que a criança deve ter a oportunidade de experimentar diferentes atividades e não somente aquela atividade que os pais gostariam que ela fizesse.

Os adultos deveriam tentar se colocar na situação de uma criança quando esta é colocada em risco e constrangida perante seus colegas e demais presentes. Como eles adultos reagiriam?

Será que vencer a qualquer custo é mais importante que ver uma criança praticando esporte de forma natural e saudável?

Fica aqui está pergunta para uma reflexão de todos nós.

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