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O convite (3)

Amigos do Basquetebol

Voltamos a falar sobre o convite para participar da Copa do Mundo de Basquetebol que será realizada em 2014 na Espanha.

Como já sabemos, quatro equipes serão convidadas para participar do evento, completando as 24 vagas, já que 20 equipes as conquistaram disputando seus torneios continentais ou por serem campeãs olímpicas ou país sede.

Muito já se falou sobre o assunto em relação ao Brasil que não foi competente para conseguir a vaga na Copa América. Aceitar ou não o convite? Participar ou não da escolha? Merecer ou não ser convidado?

Enquanto discutimos por aqui, a FIBA definiu os critérios preliminares que pautarão a escolha. De acordo com a FIBa, nenhum continente poderá ter mais do que três convidados. Isto por si só reforça minha opinião de que a Europa terá três agraciados (aposto em Rússia, Grécia e Turquia). Dificilmente teremos mais do que uma vaga remanescente para a atender a América e a Ásia, já que considero a África carta fora do baralho.

Se realmente a Europa tiver as três vagas o Brasil terá uma difícil luta pela frente contra China, sem contar o Canadá que deverá correr por fora. Caso a Europa tenha somente duas vagas, as chances brasileiras, teoricamente, aumentarão.

Os critérios são os seguintes (meus comentários relacionados ao Brasil)

  • A popularidade do basquetebol no país (indubitavelmente este é um ponto problemático, pois o basquetebol no Brasil perdeu espaço nos últimos anos e apenas, recentemente, com o evento da LNB e a volta do Brasil ao cenário olímpico é que conseguimos resgatar algum gosto pelo nosso basquetebol)
  • A qualidade dos resultados das equipes nacionais (se levarmos em consideração o passado teremos muito o que comemorar. Já no presente temos que confiar que a volta aos Jogos Olímpicos pode ser considerado um grande trunfo. No entanto, a participação decepcionante na Copa América pode nos atrapalhar e muito)
  • A realização de eventos promovidos pela FIBA no país (nos últimos anos nenhum evento de grande porte foi realizado no país, com exceção de campeonatos continentais nas categorias de base e o Mundial Feminino de 2006. Mas isto seá suficiente?)
  • O impacto da participação do país na Copa do Mundo de Basquetebol em vista do desenvolvimento do basquetebol no país (esta é uma incógnita, pois em um ano de Copa do Mundo de Futebol, acho que pouca atenção será dada ao basquete e consequentemente pouca publicidade será destinada a ele, fazendo com que o impacto não seja tão relevante. Tomemos como exemplo o próprio Mundial Feminino re)
  • O comprometimento dos melhores jogadores do país com a seleção nacional e a participação na Copa do Mundo (este é um assunto que a CBB deverá tratar com muito carinho. Se tomarmos como exemplo o que vem acontecendo nos últimos anos a coisa vai ser complicada. e aí vem a pergunta: quem são os melhores jogadores? Os NBA, os europeus ou os que disputam o NBB?)

Aspectos econômicos

  • o envolvimento das tvs locais e setores corporativos com as competições locais e internacionais (no Brasil, somente as tvs fechadas se interessam pelo basquetebol. Excepcionalmente (nas finais ou na final do NBB a Globo abre espaço para o basquetebol. Novamente, em ano de Copa do Mundo de Futebol será que as tvs abertas e os órgãos de imprensa darão a cobertura necessária ao basquetebol?)
  • A importância dos parceiros comerciais do país para a FIBA (item difícil de comentar, pois não sendo da área sinto-me incompetente para emitir qualquer opinião)
  • A importância do país para os organizadores da Copa do Mundo (espero que aos olhos dos espanhóis o Brasil seja encarado como um bom negócio esportivo. Além disto, a presença de atletas brasileiros jogando no basquetebol espanhol pode ajudar a reforçar essa importância)

Aspectos de governança

  • Comprometimento com as regras e estatuto da FIBA (nada a ser comentado)
  • A qualidade do trabalho da Confederação Nacional (nos últimos anos, infelizmente, a
    CBB não tem demonstrado uma boa impressão em relação a este item. Por mais que queiram nos mostrar que há um planejamento fica difícil de acreditar em face de inúmeros acontecimentos que têm vindo à tona)
  • Suporte do Governo para as Federações Nacionais (esperamos que neste item o governo, através do Ministério do Esporte possa reforçar o tímido apoio que tem dado ao nosso esporte de forma geral, e não só ao basquetebol)
  • Participação em atividades e comissões da FIBA (O Brasil perdeu muito de sua força política na FIBA, apesar de que na América do Sul tenhamos uma certa representatividade, principalmente pela presença do ex-presidente da CBB na ABASU e das ações da Liga nacional de Basquetebol junto à Liga das Américas).

Apesar de que, em minha opinião, tenhamos mais pontos desfavoráveis para justificar um convite, não creio que seja possível traçar um quadro definitivo quanto ao possível convite para o Brasil. O que que creio piamente é que, independentemente de sermos convidados ou não, temos que iniciar JÁ, IMEDIATAMENTE, um planejamento visando 2016, para não corrermos o risco de termos outra decepção e desta vez em nossa casa.

A definição dos convidados somente acontecerá em fevereiro de 2014. Até lá só nos resta torcer e crer que as coisas poderão mudar. Eu gostaria muito de ir à Espanha para ver o Brasil. Caso não dê, irei à Espanha como um mero apreciador deste esporte maravilhoso.

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O convite (2)

Amigos do Basquetebol

Estão definidas as 20 equipes que obtiveram as vagas por mérito para a Copa do Mundo de 2014 na Espanha.

Estados Unidos (campeão olímpico), Espanha (país sede), Austrália e Nova Zelândia (Oceania), Rep. Dominicana, Argentina, México e Porto Rico (Américas), Irã, Filipinas e Coreia (Ásia), Angola, Egito e Senegal (África), França, Lituânia, Croácia, Eslovênia, Ucrânia e Sérvia (Europa) são os países classificados.

Restam 4 vagas que serão definidas através de convites. Muito se fala sobre esses convites e os critérios para definí-los. Na verdade ninguém pode afirmar que há um critério. Muita coisa pode ser considerada. A tradição dos países, seus últimos resultados, o ranking da FIBA e, principalmente, a força política de cada um deles junto à entidade.

Como observador e amante do basquete também arrisco dar meus pitacos no assunto, sem considerar os aspectos técnicos das equipes envolvidas. Começo pela relação de países que não se classificaram nos torneios continentais e que eu acho que são os mais fortes candidatos ao convite.

Sinceramente, não acredito que algum país da África possa ter essa deferência, exatamente por que o continente ainda não possui um basquetebol que justifique mais uma vaga além das três já obtidas.

A Ásia pode concorrer com a China por ser um país que tem participado das últimas edições, mas sempre com resultados nada convincentes. Em 2010 foi apenas a 16a. colocada e ocupa o 11o. lugar no ranking da FIBA.

Pelas Américas creio que três países podem ter alguma chance.

A Venezuela (o menos cotado em minha opinião) não tem nada além de um 11o. lugarem 1990 e o fato de ter sediado a Copa América neste ano. É a 24a. no ranking da FIBA.

O Canadá já tem um pouco mais de tradição apesar de nunca ter obtido resultados expressivos, exceto um vice olímpico em 1936. É o 26o. no ranking da FIBA.

Já o Brasil é o único país (juntamente com Estados unidos) a participar de todos os mundiais. Campeão em 1959 e 1963, vice em 1954 e 1970 é o 9o. no ranking da FIBA.  Em seu currículo também apresenta três medalhas de bronze em Jogos Olímpicos: 1948, 1960 e 1964. Voltou aos jogos em 2012 e obteve um quinto lugar. Tem como fator político forte o fato de sediar os jogos Olímpicos de 2016.

O maior contingente de candidatos (como não poderia ser diferente) vem da Europa. Na minha opinião a Alemanha, Rússia, Turquia, Itália e Grécia são os candidatos.

Desses, acredito que a Alemanha seja a menos cotada. Seu melhor resultado foi o terceiro lugar em 2002. Hoje ocupa o 13o. lugar no ranking da FIBA.

A Turquia, vice em 2010 e 7a. no ranking da FIBA é forte concorrente e sediou o Mundial em 2010.

A Itália que está um pouco afastada do cenário mundial, começou muito bem a Euro mas decaiu no final e ficou de fora da Copa do Mundo. É a 21a. no ranking da FIBA.

A Grécia, deve ser uma das convidadas. É a 4a. no ranking e tem participado de forma frequente apesar do fracasso em 2010.

A Rússia, como em 2010, deverá ser convidada. De todos os países que concorrem ao convite é, na minha opinião, o mais cotado e o mais gabaritado. Três vezes campeã (como União Soviética), cinco vezes vice (duas já como Rússia), Campeã olímpica em 1972 e 1988 e um país com forte tradição no basquete não deverá ficar de fora. É a 6a. no ranking da FIBA.

Vai ser uma briga duríssima onde o trabalho de bastidores será fundamental. O meu palpite é que serão convidados três países da Europa (Rússia, Grécia e Turquia) e um país da América ou Ásia (Brasil ou China).

Apesar de muitos não concordarem com o convite e acharem que o Brasil não merece essa deferência, ele é uma realidade e eu gostaria muito de ver nosso país no Mundial, até como uma forma de  acertarmos nosso rumo que está muito fora do eixo.

Tecnicamente, acredito estarmos longe das grandes potências, mas a participação em um mundial é sempre uma oportunidade de melhorar. Mas a CBB tem que entender dessa forma e planejar mesmo que esta copa do mundo sirva de preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016.

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Copa América Feminina: 3 vagas para o Mundial

Amigos do Basquetebol

Agora chegou a vez das meninas lutarem pelas três vagas destinadas às Américas para o Mundial de 2014 que será realizado na Turquia.

As turcas (país sede), as americanas (campeãs olímpicas), espanholas, belarrussas, sérvias, francesas, tchecas e australianas já estão garantidas.  Além das americanas, ainda falta definir as representantes da Ásia (3 vagas) e África (2 vagas).

O torneio americano será disputado de 21 a 28 de setembro em Xalapa (México) e contará com a participação de 10 equipes assim distribuídas:

GA: Canadá, Chile,Cuba, Jamaica e Venezuela

GB: Argentina, Porto Rico, Brasil, México e Rep. Dominicana

O Brasil estreia dia 21 contra Porto Rico.

Os dois primeiros classificados de cada grupo farão as semis finais e os vencedores estarão classificados para o Mundia . A terceira vaga será do vencedor da disputa de terceiro lugar.

Um breve histórico da participação desses países em mundiais:

Jamaica, Venezuela, Rep. Dominicana e Porto Rico nunca participaram.

O Brasil participou de 16 das 15 edições já realizadas. Sagrou-se campeão em 1994 e, em sua última participação, em 2010, ficou em 9o. lugar.

Depois do Brasil, Cuba é o país com o maior número de participações – 10. Foi 3o. em 1990 e sua última participação foi em 2006 com um 11o. lugar.

Seguem – Canadá (9 participações; 3o. em 1979 e 1986 e 12O em 2010); Argentina (8 participações, 6o. em 1953 e 14O em 2010); Chile (3 participações, 2o. em 1953 e 11o. em 1964) e México (3 participações, 6o. em 1975 sua última presença em mundiais).

Vamos torcer pelas meninas para que elas possam estar presentes na Turquia e nos representar de maneira digna das nossas tradições.

Artigos

Planejamento

Amigos do Basquetebol

Este texto, baseado no trabalho desenvolvido por mim e pelo parceiro Lula Ferreira tem o objetivo de abordar aspectos básicos do planejamento e sua aplicação ao basquetebol em diferentes níveis. O planejamento é fundamental para o sucesso de um equipe. Sem ele não é possível manter um trabalho em alto nível de realização pois, atualmente o esporte demanda uma organização muito bem elaborada, não se permitindo mais um trabalho calcado no “achismo” ou somente em experiências adquiridas ao longo do tempo. Um bom planejamento pode ser decisivo para o sucesso de um trabalho, seja qual for o nível da equipe ou os objetivos traçados.

Definição

De maneira geral o planejamento pode ser definido como a previsão organizada de um evento, ou conjunto de eventos visando a obtenção do melhor resultado. É o delineamento antecipado daquilo que tem que ser realizar, como deve ser realizado e quem o deve executar. O planejamento deve se basear na análise da situação, através de um diagnóstico. Ele pode abordar desde aspectos pontuais (ex: aumento da capacidade aeróbia de um atleta) até aspectos mais gerais (ex: a conquista de um campeonato).

De uma forma bem resumida, o planejamento é o caminho para se sair de uma situação existente para uma situação desejada.

Fases de um planejamento

                Em um planejamento podemos identificar as seguintes fases: diagnóstico, execução, avaliação e reestruturação.

Diagnóstico

É a fase inicial na qual são identificados fatores que servirão de base para a sequência do planejamento. Nela podemos identificar os seguintes fatores

  • Filosofia de trabalho: institucional/pessoal
  • Evento para o qual se planeja: características, duração, dificuldades
  • Material humano disponível: características individuais e do grupo, aderência, rotatividade
  • Estrutura: locais, equipamentos, materiais, recursos, disponibilidade financeira
  • Tempo disponível: longo, médio, curto prazo

Execução

É a fase de elaboração efetiva do planejamento, que leva em conta todos os aspectos anteriormente citados. É nesta fase que são definidos os objetivos, toda a programação (cronograma dos ciclos), os métodos e conteúdos e a avaliação que pode ser geral, específica individual, coletiva e processual.

Os objetivos devem ser estabelecidos de forma clara e compreensíveis para todos os componentes do grupo, devem ser possíveis de serem alcançados e devem estar de acordo com a filosofia de trabalho e a realidade do grupo

O cronograma de atividades pode ser estabelecido visando toda a temporada, um determinado período ou uma determinada competição e até mesmo semanais e diários, contemplando o treinamento estabelecido.

Os métodos e conteúdos dependerão de fatores como o nível da equipe, a fase de treinamento ou competição em que ela se encontra, o nível dos atletas (alto nível, formação ou iniciação), material e estrutura disponíveis.

Avaliação e reestruturação do planejamento

Consiste em uma análise criteriosa de tudo o que ocorreu durante o processo. Esta avaliação pode ocorrer ao final da temporada, mas é recomendável que se façam avaliações intermediárias para que se corrijam possíveis distorções de rumo. Deve-se levar em conta: Análise da situação; análise dos objetivos: alcançados ou não e os motivos; necessidade de reestruturação; modificação de rumo; redefinição dos objetivos; recomposição da equipe e preparação para a próxima temporada (ou competição).

Este trabalho deve ser feito pelo grupo que participa do processo (comissão técnica) e não somente pelo treinador. Nessa avaliação cada componente do grupo pode fazer um relato de sua área e da relação desta área com as demais envolvidas no processo.

 

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Copa América: balanço final

Amigos do Basquetebol

A Copa América chegou ao final com o México sagrando-se campeão, o que não deixou de ser uma grande surpresa, assim como foi surpreendente e decepcionante a participação brasileira. Quatro jogos, nenhuma vitória, derrotas contra equipes tecnicamente inferiores como Uruguay e a Jamaica. Sim, perdemos da Jamaica. Lamentável.

Isto nos custou a não classificação para a Copa do Mundo em 2014, colocando-nos em uma situação de depender de um convite da FIBA. Se ficarmos fora será a primeira vez que não disputaremos a competição o que será um dano irreparável para nosso basquetebol que vinha numa fase de ascensão depois da volta aos jogos Olímpicos.

Neste post trago números comparativos que possam servir para análises das equipes que participarão da Copa do Mundo – México, Porto Rico, Argentina e República Dominicana – e também daquelas que ficaram pelo caminho.

O dados serão apresentados em forma das médias. A ordem dos itens é a seguinte: jogos disputados, jpts a favor, % 2 pts, % 3 pts, % l.livres, rabotes, assists, bolas perdidas e bolas recuperadas.

México: 10, 80,2, 53,6, 33,5, 72,1, 34,1, 13,7, 10,5, 5,8

Porto Rico: 10, 82,7, 51,4, 35,8, 73,8, 31,5, 13,6, 10,2, 7,5

Argentina: 10, 83,2, 55,1, 39,2, 68,1, 29,9, 18,3, 10,6, 5,4

Rep. Dominicana: 10, 80,4, 49,1, 37,6, 77,3, 35,4, 12,1, 11,2, 5,3

Venezuela: 8, 73,3, 49,7, 33,0, 68,1, 32,9, 15,0, 11,5, 8,1

Canadá: 8, 78,1, 45,9, 36,6, 78,7, 37,1, 12,3, 12,2, 5,0

Uruguay: 8, 70,1, 45,6, 35,9, 70,7, 30,8, 13,1, 14,5, 5,8

Jamaica: 8, 75,6, 43,9, 29,3, 79,3, 35,0, 9,9, 9,9, 6,0

Brasil: 4, 69,0, 47,3, 22,4, 69,0, 33,0, 13,3, 10,8, 6,0

Paraguay: 4, 67,9, 41,3, 28,0, 67,9, 27,8, 9,0, 15,0, 6,0

Destaques individuais:

Cestinhas : Scola (ARG) – 18,8; Balkman (PRI) – 18,7

Rebotes: Batista (URU) – 10,4; Thompson (CAN) – 10,0

Assists: Huertas (BRA) – 6,5; Campazzo (ARG) – 6,2

Pelo Brasil Giovannonni foi o cestinha – 13,3 – e melhor reboteiro – 7,5.

Colaboradores · Psicologia do Esporte · Todos os posts

Trabalho em equipe

Amigos do Basquetebol

Mais uma brilhante colaboração do grande amigo e excelente profissional Hermes Balbino

“Como conquistar vitórias com a capacidade do trabalho em equipe? Na competição da vida diária, existe uma tendência à valorização da face individual do sucesso. Pouco se fala do trabalho de uma coletividade para que muitas vezes somente umchegue ao reconhecimento evidenciado por uma medalha ou uma premiação. Existem algumas modalidades esportivas que retratam esse cenário que é social e também presente no mundo corporativo. No futebol, por exemplo, os jogadores que fazem os gols são atletas muito valorizados por todos. No entanto, para que eles possam se destacar com suas marcas em uma partida, é preciso que recebam o passe para o arremate final, ou que os defensores impeçam a ação da ofensiva adversária, o que resulta em um desarme, para que ocorra uma armação de ataque que resulta no passe final rumo ao chute fatal.

Temos outro exemplo para ilustrar a importância do trabalho em equipe: o tênis, uma modalidade essencialmente individual. Nem o técnico pode entrar na quadra para instruir a atuação tática ou corrigir alguma técnica do tenista durante um jogo. O atleta atua solitariamente, mas em sua preparação, recorre aos profissionais que podem dar suporte para os desempenhos ousados dos vencedores. Novak Djokovic, tenista sérvio que é hoje um dos mais vencedores dos últimos dez anos, dá um exemplo do reconhecimento ao trabalho de grupo que sustenta os vencedores, quando publicamente agradece aos seus técnicos e companheiros de treinamento, e mostra que sem a dedicação e o trabalho profissional dos especialistas, talvez não chegasse às seguidas vitórias em jogos e às conquistas de tantos campeonatos.

Seja no futebol, ou no tênis, leva-se algum tempo para entender isso. É um processo de operação conjunta, cooperativa e de desapego do ego, pois em nossa sociedade o valor dado às conquistas que levam às pessoas à posição de superastro sufoca a necessidade de funcionar especificamente para os ganhos e resultados do trabalho do conjunto, tomado como um todo.

Michael Jordan, um dos maiores atletas do basquetebol de todos os tempos, após ganhar seis títulos da NBA, campeonato americano de basquetebol, afirma que “havia um entendimento quanto ao papel que cada um dos 12 jogadores desempenhava; conhecíamos nossas responsabilidades e habilidades. Quando pisávamos em quadra, sabíamos do que éramos capazes. Em situações de pressão, os jogadores pareciam se conectar uns aos outros, como um conjunto coeso. É por essa razão que conseguíamos vencer tantas disputas apertadas. Foi por isso que conseguimos derrotar equipes mais talentosas”.

Muitos vencedores no esporte e na vida dizem que ao projetar e alcançar resultados em equipe, as recompensas individuais serão fruto da doação incondicional.

Diz Michael Jordan: “prefiro contar com cinco jogadores menos talentosos, porém dispostos a fazer coisas juntos do que com cinco que se consideram astros e não se mostram dispostos a se sacrificar em prol do conjunto”.

Se você pode fazer algo dar certo em equipe, faça dar certo com a equipe! “

Mundial Masculino · Opinião do autor

O convite

Amigos do Basquetebol

O Brasil está fora da Copa do Mundo de 2014, na Espanha. Pelo menos pelas vias técnicas, pois nossa pífia campanha na Copa América nos colocou nessa desconfortável posição.

No entanto, existe a possibilidade de sermos convidados para o evento, já que a FIBA reserva-se ao direito de chamar 4 países para a competição.

Tenho lido e ouvido muita coisa a respeito. Opiniões que clamam pela manutenção da “esportividade” negando o convite caso ele aconteça até o aceite do mesmo.

Eu me coloco no segundo pelotão pois entendo que o convite é uma maneira de resgatar equipes que, por algum motivo, não conseguem, na quadra, obter a vaga. É também um sinal de respeito à tradição que os países convidados têm no basquetebol mundial e talvez uma forma de corrigir algumas distorções que a própria FIBA cria, como por exemplo conceder duas vagas para a Oceania, continente que tem somente dois países em condições de disputar as vagas.

Devemos nos lembrar que em 2010 a Rússia, Alemanha e Lituânia foram os convidados. Na Euro de 2009 os russos obtiveram o 7o. lugar, os alemães 11o. e os lituanos 12o., sendo que estes últimosterminaram o mundial com a medalha de bronze. O Líbano foi o convidado asiático.

Ao que parece não há um critério estabelecido para o convite, nem tampouco um número de vagas por continente. Mas levando-se em conta o atual quadro do basquetebol presume-se que a Europa fique com, pelo menos, duas vagas e a América com uma. A outra, creio eu, será dada á China, surpreendentemente desclassificada da Copa Asiática.

No caso das possíveis duas vagas europeias a briga será feia. Qualquer país que ficar de fora das seis vagas terá condições de pleitear os convites. Já na América, não há grandes alternativas. Considerando que Argentina e Porto Rico irão se classificar,  o convite para o Brasil seria mais do que justo pela tradição e pelo crescimento do basquetebol brasileiro no cenário mundial nos últimos anos, apesar do fracasso na Copa América. Ainda há o fato de o país ser a sede dos próximos Jogos Olímpicos, fato que poderá pesar a nosso favor.

Mas há um porém nesta história. Se o convite vier que ele não sirva para mascarar nossos problemas. Muito pelo contrário. ele deverá servir para que tomemos um rumo no sentido de consertar o que está errado. E muito errado.

Vi entrevistas de vários personagens e todos citam o trabalho de base para uma possível solução de nossos problemas. E concordo com esta tese. Assim como defendo um planejamento global para o basquetebol e não só um planejamento para uma determinada seleção ou competição.

Para mim, planejamento global significa analisar a situação e focar no futuro, a partir do que queremos para nossas equipes de ponta. Isto significa mirar naquilo que queremos e a partir da situação atual, determinarmos passos para alcançar o objetivo final.

Mas isto não será para 2014, ou até mesmo 2016. Se quisermos que nosso basquetebol volte a ser um basquetebol competitivo temos que pensar em 2020. Como chegaremos lá?

Para que isto aconteça a CBB deve ter a humildade de reconhecer que seu planejamento atual é retrógrado e ineficiente. Deve reconhecer que há muita gente interessada em melhorar o basquetebol e que pode auxiliar nessa reformulação. Deve, a partir dessa reformulação, ditar normas que sirvam para o país. Deve cobrar das federações mudanças de posturas. Deve incentivar a formação de técnicos e atletas. Deve incentivar intercâmbios com países que têm o basquetebol como esporte modelar (ou será que a Argentina, Espanha, Sérvia, Lituânia, não tem nada a nos oferecer?).

As federações também devem ter sua parcela de participação nesse processo de reformulação deixando de atuar como feudos impenetráveis que só se auto locupletam sem oferecer nada de prático para nosso basquetebol.

Enfim, é hora de se pensar seriamente no basquetebol. Deixar de lado as ações políticas e partir para ações efetivas em benefício da modalidade.

O que estou propondo requer trabalho e muito trabalho. Trabalho que poderá trazer a credibilidade que o basquetebol necessita para trazer de volta os patrocinadores para que tudo o que foi aqui colocado possa ser realizado.

Enfim, esta é a minha opinião.