Mundial Masculino · Opinião do autor

O convite

Amigos do Basquetebol

O Brasil está fora da Copa do Mundo de 2014, na Espanha. Pelo menos pelas vias técnicas, pois nossa pífia campanha na Copa América nos colocou nessa desconfortável posição.

No entanto, existe a possibilidade de sermos convidados para o evento, já que a FIBA reserva-se ao direito de chamar 4 países para a competição.

Tenho lido e ouvido muita coisa a respeito. Opiniões que clamam pela manutenção da “esportividade” negando o convite caso ele aconteça até o aceite do mesmo.

Eu me coloco no segundo pelotão pois entendo que o convite é uma maneira de resgatar equipes que, por algum motivo, não conseguem, na quadra, obter a vaga. É também um sinal de respeito à tradição que os países convidados têm no basquetebol mundial e talvez uma forma de corrigir algumas distorções que a própria FIBA cria, como por exemplo conceder duas vagas para a Oceania, continente que tem somente dois países em condições de disputar as vagas.

Devemos nos lembrar que em 2010 a Rússia, Alemanha e Lituânia foram os convidados. Na Euro de 2009 os russos obtiveram o 7o. lugar, os alemães 11o. e os lituanos 12o., sendo que estes últimosterminaram o mundial com a medalha de bronze. O Líbano foi o convidado asiático.

Ao que parece não há um critério estabelecido para o convite, nem tampouco um número de vagas por continente. Mas levando-se em conta o atual quadro do basquetebol presume-se que a Europa fique com, pelo menos, duas vagas e a América com uma. A outra, creio eu, será dada á China, surpreendentemente desclassificada da Copa Asiática.

No caso das possíveis duas vagas europeias a briga será feia. Qualquer país que ficar de fora das seis vagas terá condições de pleitear os convites. Já na América, não há grandes alternativas. Considerando que Argentina e Porto Rico irão se classificar,  o convite para o Brasil seria mais do que justo pela tradição e pelo crescimento do basquetebol brasileiro no cenário mundial nos últimos anos, apesar do fracasso na Copa América. Ainda há o fato de o país ser a sede dos próximos Jogos Olímpicos, fato que poderá pesar a nosso favor.

Mas há um porém nesta história. Se o convite vier que ele não sirva para mascarar nossos problemas. Muito pelo contrário. ele deverá servir para que tomemos um rumo no sentido de consertar o que está errado. E muito errado.

Vi entrevistas de vários personagens e todos citam o trabalho de base para uma possível solução de nossos problemas. E concordo com esta tese. Assim como defendo um planejamento global para o basquetebol e não só um planejamento para uma determinada seleção ou competição.

Para mim, planejamento global significa analisar a situação e focar no futuro, a partir do que queremos para nossas equipes de ponta. Isto significa mirar naquilo que queremos e a partir da situação atual, determinarmos passos para alcançar o objetivo final.

Mas isto não será para 2014, ou até mesmo 2016. Se quisermos que nosso basquetebol volte a ser um basquetebol competitivo temos que pensar em 2020. Como chegaremos lá?

Para que isto aconteça a CBB deve ter a humildade de reconhecer que seu planejamento atual é retrógrado e ineficiente. Deve reconhecer que há muita gente interessada em melhorar o basquetebol e que pode auxiliar nessa reformulação. Deve, a partir dessa reformulação, ditar normas que sirvam para o país. Deve cobrar das federações mudanças de posturas. Deve incentivar a formação de técnicos e atletas. Deve incentivar intercâmbios com países que têm o basquetebol como esporte modelar (ou será que a Argentina, Espanha, Sérvia, Lituânia, não tem nada a nos oferecer?).

As federações também devem ter sua parcela de participação nesse processo de reformulação deixando de atuar como feudos impenetráveis que só se auto locupletam sem oferecer nada de prático para nosso basquetebol.

Enfim, é hora de se pensar seriamente no basquetebol. Deixar de lado as ações políticas e partir para ações efetivas em benefício da modalidade.

O que estou propondo requer trabalho e muito trabalho. Trabalho que poderá trazer a credibilidade que o basquetebol necessita para trazer de volta os patrocinadores para que tudo o que foi aqui colocado possa ser realizado.

Enfim, esta é a minha opinião.

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Um comentário em “O convite

  1. Acho que o Brasil está já há muito tempo, dependendo de outros fatores para que possamos brilhar num âmbito internacional, o que isto não acontece em outros países. Acontece que a chegada da Copa do Mundo em 2014, estamos gastando milhões de dólares para construir estádios, onde alguns serão ELEFANTES BRANOS, o que não sou contra sediar uma copa do mundo e uma olimpíada, mas temos que dar maior estrutura para os esportes amadores, pois a grande maioria de nossos atletas que se destacam internacionalmente, são preparados fora do pais.
    Senhores do COI, do COB, CBF, GOVERNO, até quando vamos ficar mendigando convite para que possamos levar o nome do nosso pais?
    Abraços, Vanildon.

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