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Entrevista com Marcel

Amigos do Basquetebol

A entrevista da vez é com um dos maiores ídolos do basquetebol brasileiro: Marcel.

Eu tive a honra e o orgulho de ver o Marcel jogando pela Universidade de Bradley, em 1975, em viagem que realizei junto com os amigos Medalha, Guilmar, Zé Oda, Marquinho Sharp, Paulo Aurélio e Cristóvão. E lá pude constatar o quanto Marcel era querido pela torcida da universidade que o chamava de “De Souza” (leia-se De Zouza).

Como muitos brasileiros, acompanhei sua carreira e vibrei demais com a famosa cesta do meio da quadra na disputa do bronze contra a Itália, no mundial de 1978, nas Filipinas.

Agora, 35 anos depois daquele momento único do nosso basquetebol trago um pouco da história e algumas opiniões do Marcel sobre nosso basquetebol.

Seu depoimento segue aqui transformado em texto.

Marcel é formado em Medicina e atua nas áreas de medicina da família, radiologia e clínica geral.

No Basquetebol, iniciou sua carreira no Corinthians, em 1968 sempre com a forte influência de seu pai Romão de Souza, outro apaixonado pelo esporte.

Em 1975 e 1976 fez parte da equipe da Bradley University dirigida pelo renomado técnico Joe Stowell, com média de 14,4 pts por jogo.

No Brasil jogou como adulto nas equipes do Sírio, Monte Líbano, Palmeiras, (onde encerrou sua carreira em 1994), Franca e Santa Cruz do Sul.

Também jogou por seis temporadas na Itália, nas equipes do Caserta e Fabriano.

Atuou na Seleção Brasileira de 1973 a 1992, defendendo nossas cores em 392 jogos, sendo o jogador que mais vezes atuou pela seleção. Pelo Brasil anotou 5.297 pontos, ficando atrás somente de seu grande companheiro Oscar.

Pela Seleção foram:

– 4 Olimpíadas: Moscou 80, Los Angeles 84, Seoul 88 e Barcelona 92;

– 5 Campeonatos Mundiais: Porto Rico 74, Filipinas 78, Colômbia 82, Espanha 86 e Argentina 90;

– 5 Jogos Pan-americanos: Cidade do México 75, San Juan del Porto Rico, 79, Caracas 83, Indianápolis 87 e Havana, 91.

Suas principais conquistas foram o Campeonato Pan-Americano de Indianápolis, em 1987 e o 3º. Lugar no mundial das Filipinas, em 1978.

Como atleta ainda foi agraciado com a Medalha de honra do comitê olímpico brasileiro (1980, 1988 e 1992).

Segundo Marcel, seus ídolos como atletas “são os de sempre”: Wlamir, Amaury, Ubiratan, Magic Johnson, Larry Bird, Michael Jordan, mas teve a oportunidade de jogar com e contra grandes nomes que se destacavam no cenário nacional e internacional: Oscar, Adilson, Gilson, Hélio Rubens, Carioquinha, Marquinhos, Ubiratan, Sabonis, Petrovic, Meneghin, Larry Bird, Michael Jordan, Magic Johnson, Kosic, Sergei Belov, Alexander Belov.

 Marcel é técnico graduado pela associação italiana de treinadores de basquete desde 1999 e dirigiu as seguintes equipes: o,

Guarulhos (1994 – 1997), Barueri (1997-1998), Pinheiros (1998 – 2001), Jundiaí feminino (2001), São Bernardo (2002 – 2004), Jundiaí masculino (2005 – 2006), Barueri (2010).

Foi eleito o Técnico do Ano – 2002 – Divisão A2, pela Federação Paulista de Basketball e seu trabalho como técnico teve grande influência de grandes nomes do basquetebol brasileiro e mundial: João Francisco Brás, Joe Stowell, Bogdan Tanjevic, Edvar Simões.

Foi também proprietário de duas equipes de basquete: Barueri e São Bernardo.

Os momentos marcantes da carreira foram: Mundial de Clubes de 1979 pelo Sirio; Mundial das Filipinas de 1978; Mundial de Clubes de 1986 pelo Monte Líbano e o Pan de 1987.

Lidar com a carreira de atleta e ao mesmo tempo cursar medicina e exercer essa profissão foi muito sacrificante e, com certeza, não faria novamente.

Sua decisão de parar deveu-se a problemas de joelho que o impediam de manter o nível técnico que era exigido. Por isso a decisão de abandonar a carreira de atleta não foi tão difícil assim.

 Sobre o nosso basquetebol Marcel afirma que o mesmo está engatinhando internamente e totalmente equivocado internacionalmente. Afirma que há grandes diferenças entre o basquetebol jogado por sua geração e a geração atual. “Na minha época ganhava-se o jogo fazendo mais cestas que o adversário. Hoje se ganha forçando o adversário a fazer menos cestas do que você”.

Sobre o trabalho de base, Marcel é de opinião que o trabalho está parcialmente correto. É preciso diminuir o nível de stress competitivo dos atletas em benefício do ensino apropriado do jogo e de seus fundamentos. Disputa-se muito e ensina-se pouco. Os técnicos ficam obrigados a esconder as falhas técnicas de seus jogadores ao invés de corrigí-las e a aproveitarem ao máximo de suas qualidades em vez de agregarem mais armas técnicas a seus atletas. A continuar nessa direção as perspectivas são trágicas a curto, sombrias a médio e catastróficas a longo prazo.

Marcel afirma que criação da ENTB é uma ótima idéia, mas não poderia ter sido criada atrelada física, economica e admnistrativamente ligada à CBB.Os treinadores têm que ser independentes para discutirem e decidirem sobre as propostas para um novo basquete brasileiro.No modelo atual não é possível uma política de confronto para as mudanças necessárias ao nosso basquete.

Para finalizar, Marcel afirma que “É preciso retomar o modo brasileiro de interpretar o jogo de basquete e inseri-lo no conceito internacional que hoje é praticado. Adotar modos e maneiras que não são nossas só nos levará a mais sofrimento. Não é clara essa consciência e vontade em nosso meio”.

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