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O Brasil na era dos três pontos

Amigos do Basquetebol

Seguindo na linha da análise do impacto dos três pontos apresento os dados da Seleção Brasileira nos campeonatos Mundiais, a partir de 1986 quando a regra dos três pontos foi introduzida.

Os dados são interessantes pois, de alguma forma mostram uma realidade diferente daquela que é apregoada por muitos em relação ao comportamento das equipes brasileiras, que segundo observadores exagera nos arremessos de 3 pontos.

Os dados, no entanto mostram que as médias dos arremessos de três pontos praticada pelas equipes brasileiras nos Mundiais não diferem significativamente das médias gerais por equipe nesses campeonatos. E, em alguns casos, são até menores, mostrando que o uso dos arremessos de 3 são uma tendência e que aumentou de 1986 a 2002 e a partir daí manteve-se em um patamar até 2010 quando sofreu uma queda significativa.

Em relação à média de tentativas por jogo (que mostra o volume de arremessos de 3 praticados), o Brasil esteve acima dos números gerais somente nos campeonatos de 1986 e 1990 (18,2 x 14,6 e 20,6 x 17,9, respectivamente). A partir de 1994, a seleção brasileira sempre teve médias inferiores às médias gerais dos campeonatos (13,6 x 18,4 em 1994; 15,1 x 17,4 em 1998); 20,1 x 22,4 em 2002; 20,8 x 22,0 em 2006 e 21,5 x 23,1 em 2010). No cômputo geral de todos os campeonatos a média de arremessos de 3 por partida do Brasil foi de 18,4 contra 19,3.

Em relação à média de acertos por partida o quadro é muito semelhante. Em 1986 e 1990 o Brasil obteve médias de acertos por partida de 7,4 nos dois campeonatos contra 5,3 e 6,6 (respectivamente). A partir de 1994 as médias brasileiras se mantiveram muito próximas das médias gerais e na maioria das vezes abaixo delas, com exceção do campeonato de 2010 (5,3 x 6,5 em 1994; 5,8 x 6,1 em 1998; 7,9 x 8,0 em 2002; 6,0 x 7,6 em 2006 e 8,5 x 8,3 em 2010). Computando-se as médias de todos os campeonatos o Brasil obteve a média de 6,9 arremessos de 3 pontos certos por partida, exatamente o mesmo valor da média geral dos campeonatos.

O gráfico abaixo ilustra esses dados. (clique no gráfico para ampliar)

Apresentação1

A legenda do gráfico é a seguinte:

Cc – Média de arremessos de 3 convertidos por partida/por equipe no campeonato

Bc – Média de arremessos de 3 convertidos por partida pelo Brasil

Ct – Média de arremessos de 3 tentado por partida/por equipe no campeonato

Bt – Média de arremessos de 3 tentados por partida pelo Brasil

Esses dados são complementados pelos valores percentuais de aproveitamento. Os dados mostram que somente em dois campeonatos (1990 e 2006) o aproveitamento brasileiro esteve abaixo do aproveitamento geral (35,9 x 36,9 e 28,8 x 34,5, respectivamente). Nos demais campeonatos o aproveitamento do Brasil nas bolas de 3 sempre foi maior do que a média geral. No cômputo geral o aproveitamento brasileiro foi de 37,5 % x 35,8%.

O gráfico abaixo ilustra esses dados. (clique no gráfico para ampliar)

Apresentação2

A partir desta análise podemos sugerir que, apesar de sermos insistentemente bombardeados com as ideias de que o Brasil jogo muito em função dos 3 pontos, esta é uma tendência que vem se consolidando ano após ano em todas as equipes, demonstrando que há uma mudança significativa nos conceitos do jogo, dando-se preferência à esse tipo de jogada do que as jogadas que exploram mais frequentemente a zona pintada.

Leituras sugeridas e relacionadas ao tema:

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2014/01/17/a-evolucao-dos-pontos-nos-mundiais-masculinos-o-fator-3-pontos-ii/

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2013/11/22/a-evolucao-dos-pontos-nos-mundiais-masculinos-o-fator-3-pontos-i/

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2012/06/07/estatisticas-do-nbb4-a-relacao-de-aproveitamento-de-arremessos-na-pontuacao-das-equipes/

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2012/02/11/o-impacto-dos-tres-pontos/

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2011/11/26/a-regra-dos-tres-pontos/

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Opinião do autor · Todos os posts

O convite: porque o Brasil merece estar na Copa do Mundo de Basquetebol

Amigos do Basquetebol

Volto a falar do tema “convite para a Copa do Mundo de Basquetebol”. Afinal é o assunto da semana para os basqueteiros. Alguns (como eu) defendem a participação do Brasil. Outros que, de forma compreensível, defendem a participação pelos critérios técnicos.

No post anterior, apontei (em forma de especulação) alguns critérios que poderiam ser utilizados para justificar o convite do qual participam 15 países – surge a notícia que a Itália retirou oficialmente sua candidatura – alguns com grandes chances, pela sua história, tradição e qualidade, outros nem tanto, pela falta de história, tradição e qualidade.

No referido post ( http://bit.ly/1dXbjjW) coloquei o Brasil como um dos convidados, porque nos critérios selecionados, em apenas um deles – melhor classificação dos não classificados nos torneios continentais – nosso país estaria de fora.

Ter participado de todos os mundiais, ao lado dos Estados Unidos; ter um bi-campeonato, ocupar a 10a. posição no ranking FIBA (o quarto melhor entre os não classificados) e ser o país sede dos próximos Jogos Olímpicos, por si só já credenciariam o Brasil a obter o convite.

Continuando nesse exercício, coloco aqui outro fator que poderia ser considerado para que o Brasil estivesse na Espanha para a disputa da Copa do Mundo. Este fator é o número de vitórias sobre os países postulantes ao convite.

Com exceção de Bósnia e Herzegovina, Nigéria, Venezuela e Finlândia, o Brasil enfrentou todos os outros adversário em um total de 38 jogos, com 25 vitórias.

O pior resultado brasileiro na história dos Mundiais é contra os russos – 2 vitórias e 8 derrotas. Sobre os demais há uma certa superioridade: Canadá (5v – 0d); China (3v – 1d); Itália (6v – 0d); Polônia (2v – 0d) e Israel (2v – 0d).

Contra Alemanha e Turquia uma igualdade – 1v – 1d e contra a Grécia 2v -2d.

Enfim mais um critério favorável ao Brasil. Pelo menos na minha visão de torcedor e amante do basquetebol.

Mas como eu disse no post anterior, estarei lá para apreciar esse evento que promete ser de grande qualidade. Com o Brasil presente, será melhor ainda.

 

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O convite: está chegando a hora!

Amigos do Basquetebol

Aproxima-se o momento muito esperado por todos que amam o basquetebol.

Dia 1 de fevereiro a FIBA anunciará os quatro países que receberão o convite para participar da Copa do Mundo de Basquetebol que será realizada na Espanha.

Quinze países concorrem às quatro vagas remanescentes: Bósnia e Herzegovina, Brasil, Canadá, China, Finlândia, Alemanha, Grécia, Israel, Itália, Nigéria, Polônia, Qtar, Rússia, Turquia e Venezuela.

Qualquer análise sobre os possíveis agraciados vaga pela linha da especulação, pois a FIBA em nenhum momento deixou claro quais os critérios a serem utilizados.

Portanto, vou especular utilizando algumas informações, colocando minha opinião a respeito e sendo até “um pouco” tendencioso colocando o Brasil entre eles, mesmo que muitos discordem desta forma de participar do campeonato.

Estabeleci alguns critérios pessoais e é sobre eles que vou tentar expor o que penso.

1 – Regionalização: entendo que as quatro vagas deveriam ser destinadas à Europa (2), Américas (1) e Ásia (1). Pela Europa a minha escolha recairia sobre a Rússia e Grécia. A primeira pela grande tradição e pelos títulos obtidos ao longo do tempo. Em 13 participações (incluindo as participações como União Soviética) os russos obtiveram 3 títulos, 5 vices e um terceiro lugar.  A Grécia pelas últimas participações nos torneios europeus (tanto de seleções, quanto de clubes e por ser um país absolutamente fanático pelo basquetebol. Como “reservas” europeus eu citaria a Itália e a Turquia, respectivamente. Bósnia e Herzegovina, Finlândia, Alemanha, Israel e Polônia, em minha opinião não terão a mínima chance.

Pelas Américas eu ficaria com o Brasil. Bi-campeão Mundial, 2 vices e 2 terceiros, é o país que, juntamente com os Estados Unidos, participou de todas as 16 edições. Conte-se ainda o fato de sermos os sediadores dos Jogos Olímpicos de 2016. O Canadá viria a seguir, pois apesar das últimas participações terem sido pífias, é o país entre os americanos que pleiteiam o convite com o maior número de participações – 13. Descarto aqui a Venezuela, país sem tradição em mundiais (somente 3 participações).

A China seria o representante asiático. Além de ser o país com maior número de presenças (8), detém um mercado extremamente interessante para a difusão do basquetebol. O Qtar não tem chances.

Quanto à Nigéria, não acredito que a FIBA vá destinar mais uma vaga para outro país africano.

2 – Participações e títulos: se for adotado este critério o Brasil passa a ter grandes chances, pois participou de todos os campeonatos até agora, vencendo dois. A seguir viria a Rússia, com 13 participações e 3 títulos. Os demais concorrentes poderiam ser Grécia, Itália e Turquia, pois têm tido uma participação razoável nos Mundiais além de serem países muito representativos no continente Europeu. Canadá e China poderiam aparecer como surpresas levando-se em conta este critério. Os demais não teriam chance.

3 – Ranking da Fiba: talvez este fosse o critério mais justo. Desta forma estariam na Copa do Mundo: Grécia (5o.), Rússia (6o.), Turquia (7o.) e Brasil (10.). Como não acredito que seriam dadas 3 vagas par a Europa, a China (12o.) entraria como forte candidato à vaga.

4 – Classificação nos torneios continentais: este seria o último critério. Por ele, seriam escolhidos os melhores não classificados de cada torneio continental (exceto Oceania que já tem os dois países classificados). Assim sendo teríamos pela Europa a Itália (8a. colocada); pelas Américas, a Venezuela (5o.); pela Ásia, a China (5a.) e pela África, a Nigéria (7a.)

Como eu disse anteriormente, esse exercício é mera especulação, pois não é possível saber o que se passa nos bastidores e quanto dinheiro deve estar envolvido nesse processo. Mas, para não deixar minha colocação incompleta arrisco o seguinte palpite: Rússia, Grécia, China e Brasil.

Espero não estar enganado, principalmente no que diz respeito ao Brasil. Seja lá quem for o convidado o torneio será eletrizante. E mesmo com o Brasil fora, eu estarei lá para conferir esse momento espetacular do basquetebol mundial.

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A evolução dos pontos nos Mundiais Masculinos: o fator “3 pontos” – II

Amigos do Basquetebol

No post publicado em 22/11/2013 (http://bit.ly/I3TVgY) fiz menção ao impacto da regra dos três pontos nas médias de pontos das partidas realizadas nos Mundiais Masculino de 1986 (quando a regra foi aplicada pela primeira vez) a 2010, o último mundial realizado na Turquia e comparando esses resultados com os campeonatos anteriores, disputados sem a referida regra.

No citado post a conclusão foi que “Comparando as médias dos pontos “antes dos três pontos” e “depois dos três pontos” encontramos uma diferença que pode ser considerada pequena e não significativa, principalmente porque nos campeonatos de 1950 e 1954 obtivemos as médias mais baixas de todos os campeonatos realizado o que pode ser explicado também pela dinâmica do jogo então praticado.”

Então surgiu uma dúvida: até que ponto a regra dos três pontos teve influência significativa nas médias de pontos por partida?

Neste novo post sobre o assunto, acrescento a esta pergunta outras questões:

*qual o percentual de pontos obtidos pelos arremessos de 3 no total de pontos de uma partida?

*Com o passar do tempo e com a adaptação dos atletas à nova regra e os novos conceitos táticos das equipes, esse percentual teve uma modificação significativa?

Tomando como base os campeonatos de 1986 e 2010, foi realizado um estudo sobre a média de pontos desses campeonatos e o percentual de pontos através de arremessos de 3 convertidos para tentar esclarecer as dúvidas colocadas.

As estatísticas oficiais dos dois campeonatos mostraram os seguintes números:

* A média de pontos por partida do campeonato de 1986 foi maior que o de 2010: 170,8 x 154,2. Surpreendentemente houve uma queda de cerca de 10% nos pontos obtidos em 2010. Quais os fatores que poderiam explicar esta queda? Defesas mais concentradas e fortes? Pior aproveitamento nos arremessos?

Este segundo fator ficou constatado nos números. Em 1986 o aproveitamento geral do campeonato foi de 48,6% contra 46,7% em 2010.

*Em 1986, talvez pela novidade da regra, somente 32,1 pontos em relação à média geral do campeonato foram devidos aos arremessos de 3, o que representa um percentual de 18,8% da média de pontos por partida. Já em 2010, esse percentual aumentou para 32,1%, o que representou 32,1 pontos obtidos através dos arremessos de 3 pontos.

Esse quadro demonstra uma mudança radical na forma de jogar das equipes, que passaram a dar um ênfase muito maior a movimentações que priorizam os arremessos de 3 pontos em detrimento às jogadas mais próximas à cesta.

Esta última constatação fica evidente quando analisamos esse mesmo quadro sob o ponto de vista dos arremessos de 2 pontos.

Em 1986, 64,2% dos pontos eram obtidos através dos arremessos de 2 pontos (109,7), enquanto que em 2010 esse percentual caiu para 49,1% (75,8 pontos).

A tabela abaixo mostra esses números de forma mais fácil de serem visualizados.

1986 2010
Média de pontos 170,8 154,2
2 pontos 109,7 75,8
% 2 pontos 64,2 49,1
3 pontos 32,1 49,5
% 3 pontos 18,8 32,1
L.Livres 29 28,9
% L.livres 45.4 40,7
 Um outro dado que mostra o quanto a regra de três pontos modificou o conceito do jogo está relacionado à quantidade de arremessos executados nessas condições.
Em 1986 o número médio de arremessos de 3 pontos por partida foi de 28,6 para um acerto médio de 10,7 arremessos (aproveitamento de 37,4%). Já em 2010 o número de tentativas foi cerca de 38% maior, 46,6 arremessos de 3 para um acerto de 16,5 arremessos (35,4%).
A título de curiosidade, apresento o mesmo quadro em relação à seleção Brasileira nos mesmos campeonatos.
Brasil 1986 2010
Média de pontos 94,9 81,2
2 pontos 53,2 40
% 2 pontos 56,1 49,2
3 pontos 22,2 25,5
% 3 pontos 23,4 31,4
L.Livres 19,5 15,7
% L.livres 20,5 19,3
Analisando os dois posts que versam sobre este assunto podemos concluir que, apesar de haver um aumento significativo da utilização dos arremessos de três pontos de 1986 para 2010, isto não significou um aumento na média de pontos por partida nesses campeonatos. Isto fica claro pela diminuição do percentual de aproveitamento das equipes o que pode ser explicado pelo fato de que ao utilizar com maior frequência os arremessos de 3 pontos, as equipes estão sujeitas a um maior índice de erros devido à imprecisão deste tipo de arremesso pela distância à cesta e talvez pela precipitação na finalização da movimentações de ataque.
Esses dados são meramente especulativos e não têm caráter científico e reforçam uma opinião pessoal sobre o atual conceito de jogo das equipes em nível mundial e que pode até soar em nível de brincadeira: está cada vez mais claro que o jogo interior está perdendo espaço para o jogo periférico e com isto, as funções dos pivôs estão cada vez mais reduzidas a pegar rebotes e fazer o famigerado “pick and roll”.
Leituras · Todos os posts

Boas leituras: pedagogia do esporte

Amigos do basquetebol

Volto com a sessão “Boas Leituras” para sugerir alguns livros que abordam o tema Pedagogia do Esporte, com ênfase nos esportes coletivos e, consequentemente, no Basquetebol.

Acredito que todos os profissionais que trabalham com ensino/treinamento em qualquer esporte necessite de um suporte de conceitos pedagógicos para melhor embasar seu trabalho. Planejamento, definição de objetivos, conteúdos e métodos, características dos praticantes, são temas fundamentais que nas leituras sugeridas são abordados por diferentes profissionais.

Aproveitem:

Formação de Esportistas – Valdir Barbanti – Ed. Manole – 2005

Esporte Escolar: conceitos, percepções e possibilidade. V1 – Modalidades coletivas – Alexandre Traverzim e Luiz Delphino – Ed. Ícone – 2011

Aprendizagem e competição precoce: o caso do Basquetebol – Roberto Rodrigues Paes – E.UNICAMP –  1996

Escola da Bola – Chistian Kroger e Klaus Roth – Phorte Ed. – 2002

Iniciação Esportiva – Francisco Martins da Silva, Rossini Freire de Araújo e Ytalo Mota Soares – Ed. Medbook – 2012

Pedagogia do Esporte: jogos coletivos de invasão – Riller Silva Reverdito e Alcides José Scaglia – Phorte Ed. – 2009

Iniciação Esportiva Universal: da aprendizagem motora ao treinamento técnico – Pablo Juan Grecco e Rodolfo Novellino Benda – Ed. UFMG – 1998

Iniciação Esportiva Universal: metodologia da iniciação esportiva na escola e no clube – Pablo Juan Grecco – Ed. UFMG – 1998

Pedagogia do Esporte: contextos e perspectivas – Roberto Rodrigues Paes e Hermes Ferreira Balbino – Ed. Guanabara Koogan – 2005

Pedagogia do Esporte: iniciação ao treinamento em Basquetebol – Roberto Rodrigues Paes, Paulo Cesar Montagner e Henrique Barcelos Ferreira – Ed. Guanabara Koogan – 2009

Pedagogia do Desporto – Go Tani, Jorge Bento e Ricardo Petersen – Ed. Guanabara Koogan – 2006

Modalidades Esportivas Coletivas – Dante De Rose Junior – Ed. Guanabara Koogan – 2006

Ciência do Basquetebol – Valdomiro de Oliveira e Roberto Rodrigues Paes – Ed. Midiograf – 2004

Basquetebol técnicas e táticas: uma abordagem didático pedagógica – Aluísio Elias Xavier Ferreira e Dante De Rose Junior – EPU – 2010.

 

Entrevistas · Todos os posts

Entrevista com Gegê – armador do Flamengo

Amigos do Basquetebol
A entrevista desta vez é com um dos promissores armadores do nosso basquetebol. Refiro-me a George Frederico Torres Homem Chaia, ou simplesmente Gegê, carioca de 22 anos e que atua no C.R. Flamengo, ocupando cada vez mais um espaço entre os titulares da equipe no NBB (na temporada 2013/14, 11 jogos, 33 minutos jogado, 7,5 pts e 5,4 assists).
Gegê que começou sua carreira aos 11 anos jogando pelo Tijuca, teve uma experiência na Espanha  onde jogou  por 2 anos e 4 meses pelo  Torrejon em Madrid até sua volta ao Brasil, mais especificamente ao Flamengo onde permanece até hoje.
Gegê participou das três edições da LDB, sagrando-se campeão em 2011 e 2013 e terceiro lugar em 2012. Neste ano atuou somente em 8 partidas, devido a seus compromissos com a equipe adulta do Flamengo e com a seleção de novos. Mesmo assim foi um dos destaques da equipe dirigida por Paulo Chupeta ao lado de Cristiano Felício, Chupeta, Diego entre outros. Atuou em média 30 minutos, anotando 10,3 pts, 10,6 assists. Sua eficiência na fase final do campeonato foi de 23,0 por partida.
Sobre a carreira:
“Comecei a jogar basquete no Tijuca em 2002 quando tinha 11 anos. Joguei lá até os 17 anos nesses 6 anos, disputando os campeonatos cariocas de base e 1 campeonato brasileiro de seleções pela seleção carioca. Com 17 anos me transferi para Europa , fui jogar no Torrejon em Madrid onde fiquei 2 anos e 4 meses. Voltei ao Brasil e acertei com o Flamengo”.
Sobre a escolha pelo basquetebol:
“Fui influenciado pelo meu avô que jogava basquete e me levou para jogar , tomei gosto e estou ai até hoje.”
Sobre os técnicos na fase de formação e os que mais contribuiram:
“Seria injusto eu falar apenas de um. Tive grandes treinadores que me ajudaram muito na minha formação. Sou muito grato a todos eles e sempre que os encontro converso e agradeço, pois sei o quanto eles ralaram para me ajudar.”
Sobre o apoio da família:
“Minha família sempre me apoiou em tudo na minha vida. Sempre quis ser atleta e eles sempre me ajudaram nisso me levando para os lugares para treinar, comprando o que eu precisava para treinar e com toda certeza sem eles hoje eu não estaria aqui .”
Falando sobre ídolos e influências:
“Tenho admiração por grandes jogadores tanto da minha, quanto de outras modalidades, mas meu maior ídolo que eu pude acompanhar e ver de perto o que ele ralava, o que ele treinava e o que ele jogava, foi meu pai. Jogou durante 20 na seleção Brasileira de polo aquático. Poder acompanhar um pouco da carreira dele foi muito importante para mim. Acho que isso me motivou a ser um atleta!!
 Falando especificamente de sua posição (armador) e dos grandes armadores do basquetebol brasileiro e mundial:
“Existem vários jogadores de minha posição dos quais sou muito fã. Gosto de acompanha a NBA, ACB e Euroliga e de ver jogadores da minha posição jogando. Até porque olhando a gente sempre aprende algo novo”.
Sobre as qualidades necessárias para se tornar um grande armador:
“Acho que tem que ter uma boa visão de jogo, organizar o time dentro de quadra  ditar o rítimo do jogo e além disso marcar bem”.
Sobre a importância da LDB e a contribuição que ela trouxe para se tornar um atleta de destaque no NBB
“Participo da LDB desde a primeira edição. Tive o prazer de jogar as três edições, crescer e desenvolver junto com a competição. A LDB me ajudou muito, pois pude aparecer e ser observado dentro da competição. Comecei a aparecer jogando esse campeonato e sou muito grato por hoje estar jogando no NBB.  Tudo começou na LDB. Nao só eu mas acho que outros jogadores também. Então isso prova o valor da LDB para nós jogadores.”
Objetivos como atleta:
“Me firmar no adulto, conquistar títulos, crescer, amadurecer e aprender a cada dia. E como todo atleta defender a seleção de meu pais.”
Sobre a situação do basquetebol brasileiro e o que esperar para as competições futuras, principalmente os Jogos de 2016:
“Vejo o basquete numa crescente, acho q estamos no caminho certo. Em 2016 vamos brigar sim por medalhas. Temos grandes jogadores e profissionais muito competentes. Vamos dar muitas alegrias ainda.”
 Relação com as crianças e exemplos que pode dar a elas:
“Gosto muito de crianças, sei o que passa na cabeça delas, pois em um passado próximo passava na minha também. Gosto de retribuir esse carinho que é muito importante para mim. Tento passar o melhor exemplo possível. Treino e dedicação são duas coisas muito importantes para quem quer ser um atleta, não só de basquete mas de tudo.”
Mensagem para uma criança que quer começar a praticar o basquetebol:
“Dedique-se muito, dê seu máximo, aproveite cada segundo dentro de quadra de basquete, isso é o diferencial. Basquete é alegria então seja feliz fazendo isso. Não se canse de treinar pois no final isso fará a diferença.”
Considerações finais:
“Quero agradecer o apoio que você tem me dado, pois é uma das pessoas que luta bastante para ver nosso esporte continuar crescendo.Um grande abraço.”
Gegê, um futuro promissor no nosso Basquetebol
Gegê, um futuro promissor no nosso Basquetebol
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LDB 2013: o campeonato dos armadores

Amigos do Basquetebol

Depois de uma pausa durante as festas o Viva o Basquetebol volta neste início de 2014 para novamente celebrar a LDB que não parou durante as festas. Digo celebrar novamente porque no último post de 2013 eu já havia afirmado que a LDB era a melhor notícia do ano (http://bit.ly/18RcxYX). E isto foi confirmado na fase final quando as oito equipes mais bem classificadas disputaram ponto a ponto o título, brilhantemente conquistado pelo Flamengo, mas que teve no Minas Tênis Clube, Pinheiros Sky, UNICEUB-BRB, Ginástico, Basquete Cearense, São José e Paschoalotto Bauru equipes aguerridas e muito dispostas a competir em alto nível.

Quem acompanhou as finais pode até considerar que os jogos não tiveram um nível técnico elevadíssimo. Podemos atribuir este fato a alguns fatores como o desgaste dos atletas tendo em vista a época do ano e a quantidade de jogos que os mesmos disputaram (acumulando a LDB, NBB, campeonatos regionais), a própria data, o calor excessivo, jogos seguidos sem descanso e alguns problemas com a quadra devido ao calor.

Mas, mesmo com esses fatores que podem ser considerados desfavoráveis o que vimos foi uma disposição incomum dos atletas e um empenho gigantesco das comissões técnicas mostrando que a LDB já é um campeonato consolidado e que já está definitivamente no calendário das equipes e do basquetebol brasileiro.

A prova desta importância é que em 2014 a LDB será ampliada para 24 equipes, dando oportunidade a um maior número de atletas e também a novos técnicos que despontam no cenário nacional. e com uma grande novidade: a disputa da Copa América com 4 equipes brasileira, duas da Liga Sulamericana e duas da FIBA Américas.

Pudemos ver atletas com um nível de basquetebol muito bom. Atletas que já são protagonistas em suas equipes no NBB ou que já fazem parte do elenco dessas equipes (cerca de 80 atletas estão inscritos no NBB e desses cerca de 30 já são protagonistas ou participam ativamente dos jogos de suas equipes).

Vimos muitos atletas de alto nível e que nos deixam a esperança de renovação da nossa seleção para um futuro bem próximo. Nomeá-los seria incorrer em esquecimento de alguns e cometer injustiças. Mas por uma questão de preferência pessoal e afinidade vou me permitir falar do “armadores” que para mim foram os grandes destaques desta edição.

Acredito que esta foi a LDB dos armadores. Todas as equipes participantes estiveram muito bem representadas nesta posição que, historicamente, sempre foi muito bem servida em nosso basquetebol. Como esquecer de Angelim, Wlamir, Hélio Rubens, Celso, Mosquito, Edvar, Carioquinha, Maury, Cadum, Guerrinha, Rato, Helinho, Demétrius e tantos outros que agora me fogem da memória.

No entanto, recentemente, o Brasil está sofrendo com a falta de armadores. E esta é uma opinião muito pessoal. Temos nosso grande Huertas, mas para dividir com ele a incumbência de organizar nossa equipe temos poucas opções. Raulzinho e Fúlvio seriam aqueles que mais se adequariam à situação.

Então surge na LDB uma geração que deve ser olhada com muita atenção. Alguns já são protagonistas em suas equipes como é o caso de Gegê (Flamengo), Davi Rossetto (Ceará), Fisher (Bauru), Cauê (Franca), Henrique Coelho (Minas) e Vitinho (S.José). Mas além desses citados que já estão atingindo um nível de atuação “adulta” não podemos deixar de voltar nossos olhares para atletas como Pecos e Duzo (Paulistano), Rodrigo e Humberto (Pinheiros), Carioca (Ginástico), Bruno (Brasília), Pitico (Tijuca) e vários outros de equipes que não estiveram nas finais e que também fogem da minha memória.

Considerando as estatísticas oficiais da LDB, esses atletas citados estão entre os 50 melhores atletas no item “eficiência” com valores que variam de 9 a 22 (lembrando que o atleta mais eficiente do campeonato foi Ronald de Brasília com 22,86 de média).

Este grupo de armadores, como disse anteriormente, precisa ser observado com carinho pois serão, certamente, os comandantes de nossa seleção em competições que acontecerão a médio e longo prazo.

Enfim, esta é uma opinião muito particular que pode ser contestada. Mas, para mim fica a esperança que voltaremos a ter uma geração de armadores que ampliará o leque de opções dos nossos futuros técnicos.

E que 2014 nos traga mais campeonatos de alto nível e atletas promissores.