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A evolução dos pontos nos Mundiais Masculinos: o fator “3 pontos” – II

Amigos do Basquetebol

No post publicado em 22/11/2013 (http://bit.ly/I3TVgY) fiz menção ao impacto da regra dos três pontos nas médias de pontos das partidas realizadas nos Mundiais Masculino de 1986 (quando a regra foi aplicada pela primeira vez) a 2010, o último mundial realizado na Turquia e comparando esses resultados com os campeonatos anteriores, disputados sem a referida regra.

No citado post a conclusão foi que “Comparando as médias dos pontos “antes dos três pontos” e “depois dos três pontos” encontramos uma diferença que pode ser considerada pequena e não significativa, principalmente porque nos campeonatos de 1950 e 1954 obtivemos as médias mais baixas de todos os campeonatos realizado o que pode ser explicado também pela dinâmica do jogo então praticado.”

Então surgiu uma dúvida: até que ponto a regra dos três pontos teve influência significativa nas médias de pontos por partida?

Neste novo post sobre o assunto, acrescento a esta pergunta outras questões:

*qual o percentual de pontos obtidos pelos arremessos de 3 no total de pontos de uma partida?

*Com o passar do tempo e com a adaptação dos atletas à nova regra e os novos conceitos táticos das equipes, esse percentual teve uma modificação significativa?

Tomando como base os campeonatos de 1986 e 2010, foi realizado um estudo sobre a média de pontos desses campeonatos e o percentual de pontos através de arremessos de 3 convertidos para tentar esclarecer as dúvidas colocadas.

As estatísticas oficiais dos dois campeonatos mostraram os seguintes números:

* A média de pontos por partida do campeonato de 1986 foi maior que o de 2010: 170,8 x 154,2. Surpreendentemente houve uma queda de cerca de 10% nos pontos obtidos em 2010. Quais os fatores que poderiam explicar esta queda? Defesas mais concentradas e fortes? Pior aproveitamento nos arremessos?

Este segundo fator ficou constatado nos números. Em 1986 o aproveitamento geral do campeonato foi de 48,6% contra 46,7% em 2010.

*Em 1986, talvez pela novidade da regra, somente 32,1 pontos em relação à média geral do campeonato foram devidos aos arremessos de 3, o que representa um percentual de 18,8% da média de pontos por partida. Já em 2010, esse percentual aumentou para 32,1%, o que representou 32,1 pontos obtidos através dos arremessos de 3 pontos.

Esse quadro demonstra uma mudança radical na forma de jogar das equipes, que passaram a dar um ênfase muito maior a movimentações que priorizam os arremessos de 3 pontos em detrimento às jogadas mais próximas à cesta.

Esta última constatação fica evidente quando analisamos esse mesmo quadro sob o ponto de vista dos arremessos de 2 pontos.

Em 1986, 64,2% dos pontos eram obtidos através dos arremessos de 2 pontos (109,7), enquanto que em 2010 esse percentual caiu para 49,1% (75,8 pontos).

A tabela abaixo mostra esses números de forma mais fácil de serem visualizados.

1986 2010
Média de pontos 170,8 154,2
2 pontos 109,7 75,8
% 2 pontos 64,2 49,1
3 pontos 32,1 49,5
% 3 pontos 18,8 32,1
L.Livres 29 28,9
% L.livres 45.4 40,7
 Um outro dado que mostra o quanto a regra de três pontos modificou o conceito do jogo está relacionado à quantidade de arremessos executados nessas condições.
Em 1986 o número médio de arremessos de 3 pontos por partida foi de 28,6 para um acerto médio de 10,7 arremessos (aproveitamento de 37,4%). Já em 2010 o número de tentativas foi cerca de 38% maior, 46,6 arremessos de 3 para um acerto de 16,5 arremessos (35,4%).
A título de curiosidade, apresento o mesmo quadro em relação à seleção Brasileira nos mesmos campeonatos.
Brasil 1986 2010
Média de pontos 94,9 81,2
2 pontos 53,2 40
% 2 pontos 56,1 49,2
3 pontos 22,2 25,5
% 3 pontos 23,4 31,4
L.Livres 19,5 15,7
% L.livres 20,5 19,3
Analisando os dois posts que versam sobre este assunto podemos concluir que, apesar de haver um aumento significativo da utilização dos arremessos de três pontos de 1986 para 2010, isto não significou um aumento na média de pontos por partida nesses campeonatos. Isto fica claro pela diminuição do percentual de aproveitamento das equipes o que pode ser explicado pelo fato de que ao utilizar com maior frequência os arremessos de 3 pontos, as equipes estão sujeitas a um maior índice de erros devido à imprecisão deste tipo de arremesso pela distância à cesta e talvez pela precipitação na finalização da movimentações de ataque.
Esses dados são meramente especulativos e não têm caráter científico e reforçam uma opinião pessoal sobre o atual conceito de jogo das equipes em nível mundial e que pode até soar em nível de brincadeira: está cada vez mais claro que o jogo interior está perdendo espaço para o jogo periférico e com isto, as funções dos pivôs estão cada vez mais reduzidas a pegar rebotes e fazer o famigerado “pick and roll”.
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