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O Brasil na era dos três pontos

Amigos do Basquetebol

Seguindo na linha da análise do impacto dos três pontos apresento os dados da Seleção Brasileira nos campeonatos Mundiais, a partir de 1986 quando a regra dos três pontos foi introduzida.

Os dados são interessantes pois, de alguma forma mostram uma realidade diferente daquela que é apregoada por muitos em relação ao comportamento das equipes brasileiras, que segundo observadores exagera nos arremessos de 3 pontos.

Os dados, no entanto mostram que as médias dos arremessos de três pontos praticada pelas equipes brasileiras nos Mundiais não diferem significativamente das médias gerais por equipe nesses campeonatos. E, em alguns casos, são até menores, mostrando que o uso dos arremessos de 3 são uma tendência e que aumentou de 1986 a 2002 e a partir daí manteve-se em um patamar até 2010 quando sofreu uma queda significativa.

Em relação à média de tentativas por jogo (que mostra o volume de arremessos de 3 praticados), o Brasil esteve acima dos números gerais somente nos campeonatos de 1986 e 1990 (18,2 x 14,6 e 20,6 x 17,9, respectivamente). A partir de 1994, a seleção brasileira sempre teve médias inferiores às médias gerais dos campeonatos (13,6 x 18,4 em 1994; 15,1 x 17,4 em 1998); 20,1 x 22,4 em 2002; 20,8 x 22,0 em 2006 e 21,5 x 23,1 em 2010). No cômputo geral de todos os campeonatos a média de arremessos de 3 por partida do Brasil foi de 18,4 contra 19,3.

Em relação à média de acertos por partida o quadro é muito semelhante. Em 1986 e 1990 o Brasil obteve médias de acertos por partida de 7,4 nos dois campeonatos contra 5,3 e 6,6 (respectivamente). A partir de 1994 as médias brasileiras se mantiveram muito próximas das médias gerais e na maioria das vezes abaixo delas, com exceção do campeonato de 2010 (5,3 x 6,5 em 1994; 5,8 x 6,1 em 1998; 7,9 x 8,0 em 2002; 6,0 x 7,6 em 2006 e 8,5 x 8,3 em 2010). Computando-se as médias de todos os campeonatos o Brasil obteve a média de 6,9 arremessos de 3 pontos certos por partida, exatamente o mesmo valor da média geral dos campeonatos.

O gráfico abaixo ilustra esses dados. (clique no gráfico para ampliar)

Apresentação1

A legenda do gráfico é a seguinte:

Cc – Média de arremessos de 3 convertidos por partida/por equipe no campeonato

Bc – Média de arremessos de 3 convertidos por partida pelo Brasil

Ct – Média de arremessos de 3 tentado por partida/por equipe no campeonato

Bt – Média de arremessos de 3 tentados por partida pelo Brasil

Esses dados são complementados pelos valores percentuais de aproveitamento. Os dados mostram que somente em dois campeonatos (1990 e 2006) o aproveitamento brasileiro esteve abaixo do aproveitamento geral (35,9 x 36,9 e 28,8 x 34,5, respectivamente). Nos demais campeonatos o aproveitamento do Brasil nas bolas de 3 sempre foi maior do que a média geral. No cômputo geral o aproveitamento brasileiro foi de 37,5 % x 35,8%.

O gráfico abaixo ilustra esses dados. (clique no gráfico para ampliar)

Apresentação2

A partir desta análise podemos sugerir que, apesar de sermos insistentemente bombardeados com as ideias de que o Brasil jogo muito em função dos 3 pontos, esta é uma tendência que vem se consolidando ano após ano em todas as equipes, demonstrando que há uma mudança significativa nos conceitos do jogo, dando-se preferência à esse tipo de jogada do que as jogadas que exploram mais frequentemente a zona pintada.

Leituras sugeridas e relacionadas ao tema:

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2014/01/17/a-evolucao-dos-pontos-nos-mundiais-masculinos-o-fator-3-pontos-ii/

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2013/11/22/a-evolucao-dos-pontos-nos-mundiais-masculinos-o-fator-3-pontos-i/

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2012/06/07/estatisticas-do-nbb4-a-relacao-de-aproveitamento-de-arremessos-na-pontuacao-das-equipes/

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2012/02/11/o-impacto-dos-tres-pontos/

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2011/11/26/a-regra-dos-tres-pontos/

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