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Falou o meu lado professor

Amigos do Basquetebol

Neste post não vou falar de basquetebol. Vou deixar fluir meu lado professor que sou desde 1974, lecionando em todos os níveis mas com uma maior experiência no ensino universitário, no qual militei por 35 anos.

Como docente não posso deixar de me indignar com alguns fatos que estão sobressaindo em nossa realidade.

Nosso país é sempre ranqueado entre os piores do mundo em qualquer avaliação que se faça, ficando atrás de países com muito menos recursos. E somos obrigados a ouvir mentiras dos inúmeros Ministros da Educação sobre a qualidade da nossa educação.

Nosso país foi classificado, recentemente, como o oitavo país do mundo em número de analfabetos adultos (cerca de 10 milhões). E isto sem contar os analfabetos funcionais que mal sabem escrever seus nomes.

Nosso país tem um sistema educacional falido e corrompido que muda a cada ano, sem que se apresente uma solução derradeira para a caótica educação de nossos jovens.

Nosso país tem uma estrutura física disponível para a educação que é deplorável. Prédios caindo aos pedaços, instalações esportivas e laboratórios em estado de total decomposição, sem falar dos materiais para o funcionamento dessas instalações.

Em nosso país professores são agredidos e intimidados diariamente por delinquentes que invadem as salas de aula para fazer valer sua sede de violência. e isto tudo para receber ao final do mês uma migalha.

Em nosso país político é muito mais importante que professor. E não precisa nem fazer concurso para se inserir na vida pública e ganhar fábulas por seu trabalho (será que podemos chamar de trabalho o que os políticos fazem?). Aqui professor ganha um mísero salário para educar. Político ganha fábulas para enganar.

Em nosso país falar corretamente é sinônimo de ser brega. O legal é falar “nois vai”, “nois fica” “menas” e “véio”.

Em nosso país os jovens dão prioridade a rolezinhos, roupas de grife, beber e “otras cositas más” ao invés de priorizar o estudo e a cultura.

Nosso país tem ministros da educação que ao invés de analisar os dados seriamente para tomar atitudes importantes para melhorar a educação, vêm a público para criticar e desmentir o que está escancarado.

Nosso país tem jovens que chegam à universidade incapazes de montar uma frase ou um parágrafo completo, fruto de uma educação deficiente em sua base.

Em nosso país dá-se bolsa de estudos para que jovens frequentem a universidade sem a menor condição de fazê-lo ao invés de dar a eles uma educação decente para que possam enfrentar a universidade de forma adequada.

Em nosso país o professor universitário tem que consertar os erros básicos que a educação básica não consegue sanar.

Em nosso país os jovens são ensinados a colocar o X no lugar certo ao invés de interpretar os fatos.

Em nosso país o conteúdo ensinado nas escolas tem pouco a ver com nossa realidade e de pouca utilidade em sua vida profissional. O importante é a quantidade de conteúdo e não a qualidade.

Em nosso país a mídia exalta o falar errado, a degradação do jovem, o pancadão, os “guerreiros” do BBB, e tantas outras inutilidades que contribuem cada vez mais para a des-educação do jovem.

Enfim, em nosso país a educação caminha por uma estrada tortuosa e cheia de problemas que nossos dirigentes não querem consertar. E isto me deixa indignado e desiludido, temendo pelo futuro das próximas gerações, nas quais meus netos estarão incluídos.

Mas nada está perdido, pois a Copa e os Jogos Olímpicos estão aí para acabar com todos esses problemas.

Talvez eu esteja exagerando pois nossas autoridades parece que não pensam como eu. Para eles está tudo bem. Nossa educação é de primeiro mundo. Eu só gostaria de saber onde estudam os filhos e netos dos nossos políticos. Com certeza não será em escola pública.

Desculpem o desabafo!

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Um comentário em “Falou o meu lado professor

  1. Grande Doutor De Rose ! Sigo seus caminhos. leio suas crônicas e corroboro com sua opinião ! A situação é crítica e os nossos dirigentes não estão ligando, mesmo. Você tem toda a razão ! Presencio essa situação fazendo a supervisão de estágio na UNISUZ, em Suzano. Precisamos fazer alguma coisa para melhorar esse quadro. Abraço. FRANK

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