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O QUE ACONTECEU COM O BOLA AO CESTO E O CESTOBOL

Amigos do Basquetebol

Mais uma colaboração do sempre Mestre, Wlamir Marques.

“Tenho dito que não escreveria mais sobre basquete.

Tenho alguns motivos para isso, mas no momento prefiro ignora-los. O texto deixa uma boa pergunta no ar: “O que aconteceu com o bola ao cesto e o cestobol” ?

Palavras antigas mas com valores inquestionáveis. Época de ouro da bola de couro e da listrada camisa verde e amarela.

Com o bola ao cesto e o cestobol os acontecimentos foram maravilhosos. Sem grana, sem patrocinadores, sem carismas, surgiram do nada e se transformaram em ouro puro, exemplos de conquistas até os dias de hoje. Também existia o basket-ball desde a sua origem, mas esse sempre esteve muito distante de nós, eram facções exclusivas.

Depois de um certo tempo o basket-ball transformou-se em basquetebol, palavra mais próxima do nosso combalido português. Sendo uma palavra comprida, é óbvio que com o tempo o brasileiro resolveu abrevia-la, trazendo o basquete para a voz popular. Embora não seja o mais correto, é mais fácil pronunciar basquete, mais simples e ágil.


Abusando dessas palavras, tenho saudades do bola ao cesto e do pouco badalado cestobol. A imprensa esportiva dirigia-se aos aficionados sempre em letras garrafais: “Brasil, bi campeão mundial de bola ao cesto”. Era monumental a presença pública. Era um hino à pátria, era a glória de um cestobol ingênuo mas soberano no planeta.

Era maravilhoso ler as noticias do cestobol nos jornais da época: Não percam, hoje na quadra do Colégio Municipal uma noitada de cestobol, masculino e feminino.

Falem a verdade, não eram lindas as chamadas ? Contando também com a ajuda do comércio local, permitindo espaços nas suas vitrines para as promoções dos eventos na cidade.

As quadras geralmente abertas lotavam todas as noites. Luz deficiente, quadras de cimento, tabelas de madeira, vestiários impróprios, bola de couro e aros despencando. Tudo isso dava ao ambiente um charme indescritível que só o bola ao cesto seria capaz de produzir. Hoje à noite tem disco voador na cidade, referência ao jovem diabo loiro.

Sinto muitas saudades daquelas palavras. Sei que fim levaram, pois desde aqueles tempos jamais afastei-me das quadras, seja como técnico, como professor de nível universitário por 40 anos e como comentarista de basquete por mais de 30.

Hoje sinto-me arredio, tento vencer essa inércia e não consigo. Afinal, que fim levou o basquete ?
Será uma modalidade elitista ? Será que o atual profissionalismo preencherá as vitrines das lojas ? Será que as imagens jogadas na televisão suplantarão os espaços deixados pelo bola ao cesto e pelo cestobol ? Será que o basquete tem força de venda capaz de superar a ineficácia dos altos dirigentes ? Afinal, cadê o basquete popular brasileiro?

Sem me dirigir às bandalheiras criadas nesse país e com os atos ilícitos dos homens, só me resta sonhar. Esqueço do basquete mas não esqueço as suas origens.

Devo sonhar com a volta do bola ao cesto e do cestobol ?

Sempre dizem que sonhar não custa nada.”

O verdadeiro e original "cestobol"
O verdadeiro e original “cestobol”
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