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Camisa ganha jogo?

Amigos do Basquetebol

A Copa acabou. Sim, apesar de ainda termos mais dois jogos, a Copa acabou. Acabou naquela vergonhosa derrota para os alemães. Acabou da forma mais lamentável possível. Perder faz parte do jogo, mas ser massacrado em uma semifinal, em casa, não.

E esta derrota acaba causando várias “reflexões” por parte dos entendidos, leigos, torcedores fanáticos, torcedores eventuais e até mesmo daqueles oportunistas que, dizem não ligar para futebol mas aproveitam o momento para deitar suas teorias.

Mas uma coisa é certa, esta derrota serviu para derrubar um mito com o qual convivemos ou fomos levados a conviver que camisa ganha jogo. Sempre ouvimos que a “amarelinha” por si só garantia a vitória frente aos amedrontados adversários.

Talvez isto seja verdade quando enfrentamos adversários com pouca tradição no futebol. Mas isto também é duvidoso pois muitos adversários com pouco tradição no futebol também estão nos dando muito trabalho.

A verdade é que camisa ganha jogo sim! Ora, o cara ficou louco, dirão vocês. Incoerente. E eu provo que camisa ganha jogo.

Camisa ganha jogo quando dentro dela estão atletas preparados e focados em um único objetivo.

Camisa ganha jogo quando existe um trabalho planejado e bem executado por profissionais competentes e que se preparam para o ofício.

Camisa ganha jogo quando há um trabalho multi disciplinar que dá ao técnico principal condições de fazer boas escolhas.

Camisa ganha jogo quando se tem a humildade de reconhecer as virtudes do adversário e há uma preparação para enfrentá-las.

Camisa ganha jogo quando se tem a humildade de reconhecer suas próprias fraquezas e encontrar soluções para minimizá-las.

Camisa ganha jogo quando se tem a coragem de mudar nos momentos necessários.

Camisa ganha jogo quando prevalece o coletivo e não somente o talento de um único atleta.

Enfim, como vocês viram, apresentando esses “simples” requisitos certamente a camisa ganhará o jogo. Seja ela a amarelinha, a vermelhinha, a verdinha, a branquinha.

E nem sempre o “ganhar o jogo” significa ser campeão. Temos que lembrar que do outro lado há pessoas com os mesmos objetivos.

“Ganhar o jogo” pode ser simplesmente representar com honra e garra a camisa que veste. Afinal a verdade do esporte é que somente um subirá ao degrau mais alto do pódio.

Espero que as pessoas responsáveis pela vergonha que passamos consigam, minimamente refletir e que reflexões se transformem em ações assertivas que façam com que nosso futebol volte a ser respeitado e que a “amarelinha” volte a ter o peso que sempre teve. Não pela cor ou pela tradição e sim pela competência de um trabalho planejado e que privilegie aqueles que realmente tenham condições de usar e representar esta camisa tão importante.

Que se tome exemplos de outros esportes que há muito tempo vêm utilizando recursos importantes para seu desenvolvimento. Esportes que acreditam em planejamento e trabalho sério. Esportes que nem sempre sobem ao pódio, mas que,  apesar do pouco (ou nenhum) apoio e da pouca repercussão da mídia. nos representam dignamente nos enchendo de orgulho.

Enfim, a Copa acabou. Agora é hora de voltar as atenções à nossa Copa do Mundo. É hora de olhar para nosso basquetebol. Acreditar no trabalho sério que é feito. Se vai ganhar ou não, só no decorrer da competição é que saberemos. Mas, com certeza, seremos representados dignamente.

Só lamento o abandono da “amarelinha” no basquetebol.

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