História do Basquetebol · Jogos Olímpicos · Todos os posts

Basquete Masculino do Brasil é Bronze em Tóquio

Amigos do Basquetebol

Nesta semana comemoramos uma das maiores conquistas do nosso basquetebol masculino: a medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964.

O Brasil vinha da conquista do Campeonato Mundial de 1963, no Rio de Janeiro, e era uma das fortes candidatas ao título Olímpico em uma disputa contra soviéticos, norte-americanos e iugoslavos.

Nossa equipe, comandanda por Renato Brito Cunha,  mantinha a base de 1963 com 9 atletas que participaram da brilhante campanha no Mundial: Amaury, Wlamir, Sucar, Mosquito, Bira, Rosa Branca, Fritz, Victor e Jatyr. Menon, Paulista e Waldemar não participaram dos Jogos Olímpicos e em seus lugares tivemos o retorno de Edson Bispo e a estreia de Edvar Simões e Sérgio Macarrão.

O Brasil fez parte do grupo B que tinha as seguintes equipes: Estados Unidos, Iugoslávia, Uruguay, Finlândia, Austrália, Peru e Coreia. Foram 9 partidas para a conquista da medalha.

Depois de uma desastrosa estréia contra o Peru quando perdemos por 58-50 o Brasil enfrentou e venceu a Iugoslávia (68-64), Coreia (92-65), Finlândia (61-54), Uruguay (80-68) e Austrália (69-57). Contra os Estados Unidos sofremos nossa segunda derrota (85-53).

Com esses resultados terminamos em segundo lugar junto com Iugoslávia. Mas pelo confronto direto nos classificamos para as semifinais juntamente com os Estados Unidos. Na outra chave classificaram-se União Soviética e Porto Rico.

Nosso adversário na semifinal seria a União Soviética que havia sido Bronze no Mundial do Rio de Janeiro e que vinha com uma equipe fortíssima dirigida por Alexsander Gomelski e que tinha como destaque Alexsander Petrov e Gennady Volnov. Fomos derrotados por 53-47 o que nos colocava frente a Porto Rico na disputa pelo bronze.

Porto Rico, sexto colocado em 1963, também tinha uma equipe de muita qualidade com destaque para William McCadney e Juan Vincens. Vencemos por 76-60.

Nossos atletas tiveram a seguinte pontuação:

Wlamir – 128 pts – 9 jogos

Amaury – 94 pts – 9 jogos

Ubiratan – 87 pts – 9 jogos

Victor – 56 pts – 9 jogos

Mosquito – 39 pts – 9 jogos

Sucar – 37 pts – 9 jogos

Edson Bispo – 33 pts – 9 jogos

Rosa Branca – 51 pts – 8 jogos

Jatyr – 35 pts – 8 jogos

Fritz – 11 pts – 6 jogos

Sérgio Macarrão – 8 pts – 6 jogos

Edvar – 16 pts – 4 jogos

Palavra de quem esteve lá

Reuni um breve depoimento de dois dos maiores jogadores de basquetebol que este país já teve. Em minha modesta opinião a maior dupla do basquetebol do Brasil. Juntos obtiveram o Bi Campeonato Mundial, duas medalhas de bronze em Jogos Olímpicos e inúmeros títulos nacionais e internacionais.

Refiro-me a Amaury Pasos e Wlamir Marques. Vamos aos depoimentos.

Amaury

Em 1964 eu havia decidido não jogar mais pela seleção. Os dois filhos e a empresa familiar me preocupavam bastante e as contas a pagar já eram significativas. A renúncia do Kanela como técnico da equipe também foi outro motivo de meu pedido de dispensa. No entanto, o próprio Kanela me procurou e pediu para que eu colaborasse com a equipe e a integrasse como jogador. Assim fiz e me apresentei ao técnico Renato Brito Cunha. Nosso primeiro jogo foi contra o Peru. Perdemos e o principal motivo, na minha opinião, foi a adoção de um sistema de defesa “zona pressão”, que se iniciava com uma posição de zona no meio da quadra e apenas dois jogadores com adversário definidos: o repositor da bola e o receptor. Os outros marcavam aqueles que estivessem mais próximos. E a finalidade principal era promover um “dois contra um”. Ocorre que esta defesa precisa ser muito bem treinada, o que não ocorreu. Resultado: na nossa chave estava e Iugoslávia que, devido ao sistema de classifcação , teríamos que ganhar para passarmos às semifinais. Perdemos dos Estados Unidos ainda na primeira fase e tivemos um doída derrota frente a União Soviética. Ficamos novamente com o bronze que veio a ser a única medalha da nossa delegação. E esta foi minha última Olimpíada depois de ter jogado em 1956 em Melbourne e em 1960 em Roma.

Wlamir Marques

1964 foi um ano muito especial. Ano da consegração da grande equipe do Corinthias e ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Em Tóquio nosso técnico foi o Renato Brito Cunha, várias vezes assistente do Kanela. E por isto não houve grandes mudanças na nossa forma de jogar. Eu estava mais feliz ainda pois havia sido escolhido pelo COB para ser o porta-bandeira de nossa delegação. Já em Tóquio fizemos um jogo treino contra o Peru (que seria nosso primeiro adversário) e vencemos por 20 pontos. Mas nesse jogo treino apresentamos todas as nossas armas e isto nos custaria caro na estreia, pois fomos derrotados por 58×50. Mas foi esta derrota que nos levou ao bronze. No jogo seguinte, contra a Yugoslávia teríamos que ganhar de qualquer forma e em conversa com Brito Cunha chegamos à conclusão que deveríamos mudar a defesa que vínhamos fazendo (pressão zona 2-2-1). Marcamos zona 2-1-2 e vencemos (68×64). Este resultado nos garantiu o segundo lugar do grupo, atrás dos EUA que tinha em sua equipe um grande futuro astro da NBA – Bill Bradley. Perdemos dos americanos – 86×53. Mas com as demais vitórias fomos para a semifinal onde enfrentamos a União Soviética que tinha um pivô de 2,18m – Krumich. Decidimos o terceiro lugar com Porto Rico e o bronze veio com a vitória por 16 pontos (76×60). Um fato curioso é que depois do jogo, ainda nos vestiários recebemos um “prêmio”. Cada jogador recebeu 60 dólares, referentes a diárias (2 dólares por diária). Este foi o único prêmio que recebi defendendo a seleção brasileira.

 

O Pódium: Estados Unidos, União Soviética e Brasil (acervo.globo.oglobo.globo.com
O Pódium: Estados Unidos, União Soviética e Brasil (acervo.globo.oglobo.globo.com
Anúncios