Entrevistas · Formação Esportiva

Hector Campana fala sobre o mini-basquete

Amigos do Basquetebol

Aproveitando minha estada em Córdoba (Argentina) para participar do Congresso Internacional de Mini-Basquete tive a oportunidade de conhecer dois dos maiores jogadores de Basquetebol da Argentina em todos os tempos.

Refiro-me a Hector Campana e ao Campeão Olímpico Fabrício Oberto. Os dois participaram da aula de abertura do referido congresso falando sobre sua trajetória no basquetebol, do mini à competição de alto nível.

Ambos estiveram o tempo todo com os participantes do congresso, conversando, trocando ideias e atendendo aos pedidos de fotos e autógrafos, sempre retribuindo o carinho de todos.

Eles abordaram diferentes aspectos deste tema e, após a palestra, obtive uma entrevista com Campana que foram de uma simpatia e humildade impressionantes, pouco comuns em atletas que obtiveram as glórias que eles alcançaram.

Nesta breve entrevista procurei sintetizar a opinião desses grande atleta sobre o mini-basquetebol com base em cinco questões.

Um breve relato sobre sua carreira:

Hector Campana jogou basquetebol na primeira divisão do basquetebol Argentino por 25 anos, jogando até os 40 anos. Defendeu a seleção Argentina de 1985 a 1997, conquistando vários títulos pelas equipes pelas quais passou e pela Seleção.

Entrevista:

VB – Qual a importância do mini-basquetebol?

Campana – O mini-basquetebol é o primeiro passo, é a pirâmide para o esporte de alto rendimento. É de onde poderemos tirar futuros atletas. Deve ser incrementado para aumentar a quantidade de praticantes. E é muito importante que os professores e técnicos busquem esses jovens e não esperem que eles venham procurar o basquetebol. Aqui na Argentina esse papel cabe aos clubes, já que nas escolas a educação física é muito básica, a estrutura é inadequada e não há desenvolvimentodo esporte.

VB – Quais os valores que devem ser desenvolvidos pelo mini-basquetebol?

Campana – a primeira coisa é o desenvolvimento da pessoa. Devem ser desenvolvidas a noção de comprometimento, esforço e responsabilidade que são valores que servirão para a vida toda e não só para o esporte.

VB – Qual deve ser o papel do professor/técnico que trabalha com mini-basquetebol?

Campana – A primeira coisa é a preocupação com a pessoa. Ele deve conhecer a criança. Depois vem a parte técnica e tática. Deve conhecer a dinâmica desse jovem, sua família, sua realidade. Portanto, um professor/técnico tem a dupla função de formar a pessoa e ensinar o basquetebol

VB – Você concorda com a especialização precoce?

Campana – Nas idades menores não concordo. Com o desenvolvimento essa especialização vem naturalmente

VB – O que você pode dizer sobre os pais?

Campana – Eu tive uma experiência muito negativa com meu pai que ficava na arquibancada pedindo para substitui o jogador que não me passava a bola. Isto me incomodava. Os pais sempre querem mais e às vezes querem coisas que a criança não pode oferecer. Eles têm que reconhecer que nem sempre a criança vai atingir um nível alto de competição. Pouquíssimos chegarão a ser um Messi ou um Ginóbili.

Quero aqui deixar registrado meu agradecimento a Hector que, com sua simpatia e humildade, é exemplo dentro e fora das quadras. E por isto é tão admirado e cultuado pelos argentinos.

Com Campana, Oberto e meu grande amigo Ricardo Bojanich na inauguração do hotel da Federação de Basquetebol de Córdoba
Com Campana, Oberto e meu grande amigo Ricardo Bojanich na inauguração do hotel da Federação de Basquetebol de Córdoba
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