Opinião do autor

Lições direto da Argentina

Amigos do Basquetebol

Eu sei que há muita rivalidade entre Basil e Argentina, muito por conta do futebol e da velha comparação Pelé x Maradona.

No entanto, afirmo que esta rivalidae não se confirma quando estamos participando de eventos esportivos, principalmente no basquetebol, pois os Argentinos nos respeitam e têm grande admiração por nosso país e, especialmente, pelo nosso esporte.

Recentemente estive em Córdoba para o Congresso Internacional de Minibasquetebol e tive uma prova desse respeito e dessa admiração pela forma como fui tratado por todos, sem exceção. Eles sabem reconhecer o valor das pessoas que trabalham em prol do basquetebol, independentemente da nacionalidade.

E por lá tive a oportunidade de constatar algumas situações muito peculiares e que trago como lições a serem consideradas.

Uma delas é a idolatria a seus grandes atletas e como esses atletas respondem à esse carinho.

No congresso tive a honra e a satisfação de conhecer pessoalmente dois dos “monstros sagrados” do basquetebol argentino: Fabrício Oberto e Hector Campana. E foi impressionante a recepção dada a esses dois ídolos por todos os participantes do evento.

Em contra-partida os dois estiveram presentes quase todo o tempo, acompanhando as aulas e palestras, conversando informalmente com todos, tirando fotos e dando autógrafos. Fui apresentado a eles e parecia que eles me conheciam há muito tempo. Simplicidade, humildade e respeito aos presentes essas foram as principais características que pude observar no comportamento dos dois astros.

Ao visitar um evento de minibasquetebol, denominado Mega Mini, realizado em um povoado a 25o km de Córdoba também tive outro exemplo de idolatria dado a outro grande atleta argentino: Leo Paladino.

Paladino participou do evento onde 700 crianças de 7 a 12 anos tiveram a oportunidade de interagir com o astro que contou sua história esportiva e depois passou algumas horas passeando pelas quadras e locais onde as crianças estavam acampadas, conversando, tirando infinitas fotos e dando autógrafos.

Também fui apresentado a ele e, novamente, parecia que nos conhecíamos há muitos anos.

Essas simples situações me chamaram a atenção, pois pude notar como os argentinos cuidam de seus ídolos e preservam a memória esportiva do país, fazendo questão de destacar seus feitos e sua importância para o esporte, mesmo que às vezes exagerem um pouquinho na dose.

E quando falo do respeito que eles têm pelo nosso basquetebol, em conversas informais com esses três personagens perguntei sobre jogadores de basquetebol do Brasil e eles citaram com grande ênfase as qualidades de atletas como Hélio Rubens, Adilson, Helinho, Rogério,  Marquinhos, Oscar, Marcel e Paulinho Villas Boas.

E isto é muito bonito de se ver e ouvir. Saber que nossos ídolos são respeitados mundo afora, às vezes muito mais do que por aqui.

Enfim, isto faz parte de uma cultura que temos que resgatar, informar e mostrar aos nossos jovens a riqueza de nosso esporte que, apesar de tão maltratado pelas instituições, produzem uma grande quantidade de excelentes atletas que são exemplos dentro e fora das quadras.

Campana e Oberto na palestra inaugural do Congresso Internacional de Mini-Basquetebol
Campana e Oberto na palestra inaugural do Congresso Internacional de Mini-Basquetebol
Paladino falando para 700 crianças no Mega-Mini
Paladino falando para 700 crianças no Mega-Mini
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